Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

EY Brasil monta time de blockchain, desenvolve MVP para gestão de numerário e vai brigar pelo mercado

O time da EY no Brasil começou a estudar blockchain há alguns anos e desde setembro de 2019 está montando um time técnico focado na tecnologia. Quer ganhar mercado e já está trabalhando para desenvolver projetos. Um deles é um Mínimo Produto Viável (MVP) para gestão de numerário. E espera, em dois anos, faturar R$ 2 milhões nessa área.

A EY chega depois de seus concorrentes ao Brasil em blockchain, mas diz que isso não é problema por conta de sua alta experiência internacional no segmento. Alexandre Boschi, gerente sênior e especialista em supply chain, logística e manufatura, e Fúlvio Xavier, gerente sênior para blockchain, falaram com exclusividade ao Blocknews sobre os planos da empresa. A seguir, a entrevista completa:

Blockchain na EY

AB: Blockchain começou na EY há cerca de 3,4 anos. Começou com um movimento de se discutir blockchain. Nosso sócio Paul Brody, que é o líder da prática, vem incentivando para desenvolvermos os mercados. No Brasil, começamos a estudar a partir de um movimento interno, nos reuníamos uma vez por semana e cada pessoa trazia material para análise e usamos como suporte material da EY global.

A EY montou um grupo de especialistas e outorgou 7 laboratórios de desenvolvimento, em que mais de 50 projetos em diferentes áreas foram desenvolvidos, ou seja, a partir de um tema, um negócio, foram feitas customizações de plataformas. Uma das que mais tem se desenvolvido é o EY Ops Chain, uma plataforma para rastreabilidade, gestão de inventários e permite integração com SAC. Essas plataformas atuam como aceleradores. Globalmente temos cerca de 17 patentes de blockchain baseadas nos projetos que realizamos.

Projetos

AB: Somos líderes globais da tecnologia. Temos vários casos de uso no mundo e temos vários em rastreamento. Na Itália temos o caso do vinho e da muçarela de búfala, monitorados desde a produção da matéria-prima até a prateleira, com interação com outras tecnologias como internet das coisas (IoT), em que os dados são colocados automaticamente na rede blockchain. No Carrefour foi feita uma prova de conceito (PoC) na cadeia de frango e frutas também na Itália, em que foi levada ao ponto de venda a questão de marketing, mostrando que aquele produto entregava o que prometia, com segurança alimentar. Na Toyota dos Estados Unidos houve integração do blockchain com sistema kanban de fornecimento de peças, e no Canadá há o uso da tecnologia no serviço de doação de sangue.

Centros de excelência

FX: Não temos laboratório aqui. A ideia é termos um centro de excelência. Esses centros nascem a partir de projetos de base na EY, em que se olham pontos como plataformas e frameworks, aceleradores de desenvolvimento como o EY Ops Chain. O Ops Chain é uma base para várias criações.

No Brasil temos o wavespace, um laboratório de inovação. As PoCs e MVPs começam nesse laboratório e quando viram produtos, entram para área de blockchain.

Cada área ou região, quando tem um caso de uso de blockchain, começa a desenvolver algo com perfil de produto.  Mas não adianta desenvolver uma rede para cada cliente. Já há várias no mundo com baixa adesão, sem servir ao propósito de conectar B2B. Queremos ser o conector de B2B, fazendo com que sistemas das empresas se falem a partir da visão de asset único ou de redes blockchain, para transação.  

Equipe local

FX: A equipe local somos eu, focado em data analytics, o Boschi, que é um dos nosso especialistas em supply chain, logística e manufatura, que também cuida da parte de negócios em blockchain. A criação do time local focado só em blockchain começou com a minha chegada, em setembro de 2019. Um dos planos para o ano fiscal 2021, que começa em julho próximo, é ter equipe de desenvolvimento local.

Mas como temos muitos laboratórios no mundo e especialistas em vários assuntos, hoje atendemos quase que imediatamente qualquer tipo de demanda de clientes.

Ávidos pelo mercado

FX: Estamos ávidos por este mercado, temos capacitação correta, pessoas trabalhando, centros de desenvolvimentos que podemos usar, só na Costa Rica tem um centro de mais de 30 pessoas. Alexandre está falando com clientes e temos capacidade de fazer e entregar projetos aqui. É uma verdade que estamos chegando depois de outros players, que estão mais avançados em número de projetos. Mas em termos de plataforma o mercado é igual para todo mundo. Temos um trabalho bem estruturado, produtos, frameworks, tecnologias desenvolvidas e entendimento de linhas de processos. Em breve teremos bons anúncios.

MVP de gestão de numerário

FX: No Brasil, já temos um MVP de gestão de numerário que estamos começando a tornar uma linha no mercado. Ainda é um problema no Brasil e outros lugares do mundo a movimentação do dinheiro entre instituições, bancos centrais, por exemplo. Tem empresas já testando. A ideia é lançar no nosso ano fiscal que começa em julho próximo. Estamos fazendo a prova de conceito (PoC), entendendo a dinâmica do mercado, que é basicamente analógico e tem dificuldade de fazer gestão de forma eficiente, em especial quem tem volume grande. Acontece nesse mercado de alguém precisar de cédula, ligar para seus contatos procurando que tem para fornecer, negocia taxa de empréstimo, faz um contrato no papel e avisa o carro forte sobre o envio do dinheiro. Mas não posso dar mais detalhes sobre esse MVP.

Soluções EY

FX: Criamos a EY Ops Chain, um framework de tecnologia para criação de aplicações, como produtos e tokens. Em cima dele estão nossos produtos EY Global Trade, EY Origins, para origem de produtos e facilitação da administração, antes de documentos chegarem, o Traceability e o Contract manager. Esse último foi adotado pela Microsoft para o game XBox, que saiu de 45 dias para organizar contas de pagamentos de direitos e royalties, para menos de 4 minutos, com mais de 25 mil transações numa rede blockchain.

Temos um segundo frame, que é o EY Blockchain Analyser. Como uma empresa de auditoria, entendendo que tokens digitais já são parte da vida de algumas empresas, temos um framework para fazer auditoria e análise de tokens, contratos, para rede pública e privada. Se uma companhia aceita bitcoin em alguma transação, por exemplo, é preciso fazer uma auditoria de dados como quem paga, de onde vem as criptomoedas e onde estão os ativos.  Conseguimos auditar mais de 5 tipos de tokens públicos e privados.  

Redes públicas

FX: A EY entende que o caminho natural seja as companhias se conectarem via redes públicas, tipo Ethereum. Entendendo as deficientes de uma pública, como privacidade de dados, temos trabalhado no ecossistema com Consensys e Microsoft, por exemplo, para criar frameworks para nos ajudar nessa jornada. Lançamos no final de 2019 o Lightful, um projeto público acessível pelo GitHub, por exemplo, em que disponibilizamos ferramentas com algoritmos otimizados, como custos de rede, sendo curado pela comunidade. Esperamos criar transações B2B em redes públicas com privacidade.

Outro lançamento há um mês foi o Baseline, nosso off chain para redes públicas. É um framework criado com a Consensys e a Microsoft. Já disponibilizamos ferramentas para os mercados criarem smart contracts com segurança, boas práticas , como token management melhorado, e otimização de código para custo de transação.

Por que Ethereum

FX: Acreditamos num modelo híbrido. Em algum momento, haverá várias redes e silos tratando de diferentes tokens e que não vão se falar. Acreditamos que as redes públicas são a conexão entre sistemas e redes. O próprio Hyperledger já tem conectores com rede pública. Existe um ecossistema maior. A decisão de usar preferencialmente Ethereum também foi para sair do hype de todo mundo de ir para Hypeledger e redes do gênero. Ethereum permite que redes públicas e privadas tenham a mesma qualidade de código, podendo aproveitar códigos.

Representatividade de Blockchain na EY

AB: De certa forma é representativo. Temos quase dois mil profissionais no mundo de diversas áreas que trabalham também com blockchain, desenvolvendo soluções e implementando projetos. Em blockchain, temos cerca de 200 desenvolvedores, arquitetos e criptógrafos. Como tudo o que se refere a tecnologia digital, usamos muito o time da Ásia. A representatividade em termos de receita vem crescendo de forma exponencial, 3 dígitos a cada ano. Temos projetos mapeados e em negociação que ultrapassam US$ 100 milhões.  

FX: Temos também de 15 a 20 perfis identificados para contratação global. No Brasil estamos criando um time um pouco mais focado, para termos produtos próprios. Somos modestos, esperamos criar os primeiros projetos em 2020, com as prospecções que temos. Ainda tratamos a área dentro de casa como uma startup com um excelente potencial de negócio, em especial pelo tamanho dos clientes da EY, que são globais, com um número significativo de transações ou rodando blockchain em outros lugares.

Blockchain no Brasil

FX: O mercado brasileiro tem dinheiro para blockchain. Acreditamos que consigamos faturar cerca de R$ 2 milhões nos próximos dois anos. Pode não parecer significativo no todo, mas é um conceito novo, muita gente foi para outras redes e clientes estão saindo de experiências ruins e nos procurando. E não tem um sabor só de blockchain. Perdemos um cliente para um projeto em Hyperledger, mas estamos trabalhando com esse mesmo cliente em um projeto sobre falsificação, que deve ser em Ethereum.  

O que acontece é que em muitos dos clientes, há orientação de se criar uma rede, experimentar, mas sem um link muito forte com área de negócios. Esquecem que blockchain é uma cadeia conectada. Temos um cuidado muito forte em projeto B2B para evitar o “blockchain para nada”, que tem um proof of work (PoW) maravilhoso, mas que não é conectado e validado, tem dois participantes, que poderiam ter usado qualquer tecnologia web 4.0.

Coronavírus

FX: Acreditamos num faturamento de cerca de 2 milhões de reais apesar dos efeitos do coronavírus. Vamos aproveitar esta época em que o mundo está remoto, para fazer webinar sobre os produtos, falando com empresas, identificando em que cabe blockchain, quais novas tecnologias podem implantar. Temos feitos interações virtuais com os clientes e com blockchain não vai ser diferente. Em abril haverá o Blockchain Summit, que seria em Nova York presencial, vai ser remoto.

América Latina

FX: O time do Brasil cuida do Cone Sul (Argentina, Chile, Uruguai e Paraguai). Estamos mais avançados que em outros países. Aqui as empresas já estão experimentando de alguma forma querem ver como fazer isso de forma mais séria. Na América Latina, o México tem algumas iniciativas. Outros países são mais incipientes. Na Argentina, há muito uso de criptomoeda, de criptomoeda, a rede está pronta e o usuário faz o trading de forma imediata. Mas na blockchain B2B as dificuldades crescem exponencialmente. Como integrar os sistemas? Quem vai participar? Os membros da rede têm maturidade tecnológica? Quem governa? Por isso os projetos B2B tendem a ser mais lentos.

Áreas de negócios

FX: Tem muita gente que ainda não conhece blockchain, mas isso já está diminuindo bastante. O que facilita nossa vida é que estamos sempre falando da tecnologia com a área de negócios das empresas. Conversamos com TI, mas estamos na área de negócios. Nosso discurso é mais na linha de gestão de ativos, onde estão as deficiências na cadeia, como garanto que um ativo digital se movimente e se processe na rede e onde blockchain se encaixa para fechar esses buracos sistêmicos. Temos muito produtos implantados em vários países, em produção, o que facilita a dinâmica. Todos os nossos casos de produto têm plataforma em produção em algum lugar.

AB: Levei um cliente para a Itália para visitar os projetos e ele ficou literalmente de boca aberta, dizendo que um negócio pintado como tão complexa é aparentemente tão simples quanto trocar e armazenar informação a partir da confiabilidade, registrar e rastrear a qualquer momento. É muito melhor melhor manter todo o controle e gestão de um processo de fabricação de forma eletrônica, em que passa mais confiabilidade para o consumidor final, que com as mudanças culturais quer saber mais sobre o que ele está se alimentando. O QR Code não é só uma estampa, na embalagem da muçarela.

Custos na Rede pública x privada

FX: É preciso entender o tipo de implementação. Na rede pública se paga pela execução do código. Numa das soluções da EY o custo por código começou em US$ 10 e agora é de centavos por transação porque houve otimização do código. Na privada, vai ter que investir em infraestrutura. No geral, não é possível afirmar qual é a mais barata, é preciso saber detalhes dos casos. Na pública a implementação em alguns casos pode ser mais rápida do que criar uma rede do zero. Em blockchain.ey.com faz uma avaliação do seu código.

Além disso, é preciso lembrar que nunca e só blockchain, tem outros pontos como front end, integração de sistemas e análise de dados, que completam transação.

Parceria com Microsoft

FX: É um acordo de amizade longa. Somos um dos principais parceiros da Microsoft para quase tudo globalmente, por causa da linha da empresa. Com blockchain não é diferente. A Microsoft tem dentro da nuvem Azure mecanismos para levantar redes Quorum, aplicações, smart contracts, então por estratégia gostamos muito da Microsoft. Eles também entendem que há um caminho promissor em redes públicas. E para sair um pouco do movimento Hyperledeger de construção, a empresa também adotou ethereum como preferenciais. Mas se o cliente tiver outras opções de cloud, implantamos nessas outras redes. Mas preferimos Azure.

AB: Somos agnósticos nessa decisão.

Papel da EY nos projetos

AB:  Em geral, trabalhamos com a empresa “dominante”, q requer que seus provedores se integrem a ela, garantindo fluxo de informação mais qualificada. Como o Fúlvio disse, não é só uma questão de tecnologia, mas de negócios. Há um custo inserido que é a ineficiência dos processos, muita reconciliação, problemas de documentos chegarem na hora errada, com dados errados. E isso afeta muito o grande ator de uma cadeia. Nesse cenário, esse é o principal approach para endereçar com os clientes.

FX: Trabalhamos com empresas que movimentam seus ecossistemas. Vamos atrás de ineficiências de processos, negócios e conexão sistêmica e vemos se blockchain se encaixa nisso. Quando implanta blockchain, o cliente precisa traduzir isso para seu ecossistema. É bastante complexo integrar traders diferentes, com maturidades tecnológicas diferentes. Porém, já começa a se fazer uma proposição também de plataforma. Por exemplo, o desenvolvimento de um produto de gestão de numerário partiu de insights que recebemos do mercado financeiro, mas quando vai para o desenvolvimento, já fazemos isso voltado para o mercado e mostrando que temos um produto que trata dessa mecânica.

As deficiências sistêmicas acontecem porque o produto é olhado de jeito diferente pelos participantes de uma cadeia. Para quem entrega a matéria-prima, já acabou o ciclo aí, mas para mim, pode estar começando. Os RPs não se falam e se colocam intermediários, conciliações e reconciliações no caminho. Por isso, vemos como podemos ter algo que fale a linguagem comum na cadeia. Enquanto estiver fora do domínio da empresa, trata com blockchain. Entrou no domínio dela, trata com seu RP.

Consultoria e SaaS

FX: Imaginamos que num futuro próximo, 50% da nossa receita vai vir de consultoria, tailor made, como costumamos fazer. De outro lado, a ideia é colocar isso como Software as a Service (SaaS), trazendo nova mecânica de ação para alguns player e nichos de produtos. Nesse segundo caso, a Microsoft pode ou não participar. No caso de um “founder lead, ele decide onde colocar a infraestrutura e engenharia e pode querer a Microsoft. A empresa é preferencial para nós, mas não é obrigatória. Em produtos, pode ser nossos produtos estejam em Azure, mas não faz tanta diferença para o cliente, pode ele está comprando como SaaS e no máximo pode comprar um independente para essa rede e podemos fazer modelos em que ele pode estar com um nó dele num outro local, conectando com uma rede nossa, que muito provavelmente estará em Microsoft.

Democratas propõem dólar digital para EUA enfrentarem Covid-19; recebem aplausos e críticas

Os democratas publicaram ontem, 23, um projeto de lei que tenta estimular a economia contra o baque causado pelo coronavírus e que inclui o uso de dólar e carteira digital por todos os bancos membros do Federal Reserve (FED).

Bancos que não são parte da instituição poderão pedir para participar do sistema, de acordo com a proposta.

O dólar digital, segundo o “Financial protections and assistance for America’s consumers, States, businesses, and vulnerable populations during the COVID-19 emergency and to recover from the emergency Act”, proposto na Câmara dos Deputados, é uma unidade eletrônica de valor a ser resgatada por instituições financeiras. A carteira ou conta de dólar digital seria mantida por um banco de FED em nome de qualquer pessoa e vai conter dólar digital”.

Todos os bancos do, e regulados pelo, FED deverão estabelecer a chamada “carteira de passagem” de dólar digital para todos os clientes elegíveis do novo sistema.

Pela proposta de lei, os Correios dos Estados Unidos (U.S. Postal Service) poderão permitir que pessoas desbancarizadas e sem uma identidade válida possam ter uma identidade e uma conta de dólar digital. Também poderiam colocar caixas eletrônicos para os clientes acessarem suas carteiras.  

Otimistas x Críticos

As reações à proposta foram diversas. Houve as animadas, dos entusiastas das moedas digitais de bancos centrais (CBDC), que veem a medida como um passo a mais na direção de uma CBDC pelos EUA, a maior economia do mundo.

Mas há quem veja na medida riscos, mesmo de quem defende a ideia de uma CBDC. Críticos fazem uma análise do risco x agilidade para se colocar a infraestrutura em pé.

Isso porque a proposta é criar uma infraestrutura funcionando num prazo curto, sem tempo suficiente para testes de garantia de eficiência.

Em entrevista à Forbes, Daniel Gorfine, ex-CIO da Comissão de Negociação de Contratos Futuros de Commodities (CFTC, na sigla em inglês) e fundador do Digital Dollar Project, disse que a crise gera a necessidade de se melhorar a infraestrutura do sistema financeiro americano, mas que implementar uma CBDC requer tempo e coordenação entre o governo e o setor privado.

Fora as críticas de que agora é a hora de se disponibilizar recursos para a população e os negócios que precisam, e não de gastar com essa nova infraestrutura.

Febraban cancela CIAB 2020 devido ao coronavírus

A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) cancelou o CIAB 2020, que a aconteceria de 23 a 25 de junho, em São Paulo. Isso se deve às medidas na cidade e no estado para contenção do avanço do coronavírus e que incluem a proibição de eventos. O CIAB é considerado o maior de tecnologia da América Latina.

A edição deste ano seria a maior da história do evento, que completaria 30 anos. No lançamento do CIAB 2020, a Febraban anunciou que 99 empresas haviam confirmado a participação, 20% a mais do que as reservas da edição de 2019.

Segundo a federação, são necessários 10 dias para montagem e realização do CIAB e não há data disponível no segundo semestre para isso. Com o estado de calamidade em São Paulo, nenhum evento poderá acontecer, nem os que já têm alvará.

Consórcio europeu SocialTruth desenvolve plataforma anti-fake news

Um consórcio de 11 empresas e instituições de seis países europeus – Grécia, Itália, Reino Unido, França, Polônia e Romênia – está testando uma plataforma blockchain para detectar notícias falsas nas redes sociais. O projeto tem financiamento da União Europeia.

A expectativa é que o SocialTruth seja lançado ao mercado em 2021, sendo acessível a usuários, e não apenas a jornalistas. O projeto está caminhando para a fase de implementação. Serão feitos quatro testes práticos em diferentes países da Europa nos próximos meses.

O SocialTruth foi iniciado com o programa de pesquisa e inovação Horizon 2020, da União Europeia (EU). Especialistas afirmam que os governos, por meio do financiamento e de uso de tecnologias emergentes, como blockchain, são fundamentais para que essas soluções se desenvolvam.

O líder do consórcio é o Instituto de Comunicação e Sistemas de Computação do governo da Grécia (ICCS, na sigla em inglês). Entre os participantes do consórcio estão ainda a Thales Services, do grupo francês de defesa Thales, a italiana DeAgostini Scuola, a InfocoCons, instituição de consumidores da Romênia, a London South Bank University (LSBU) e a Universidade de Ciências e Tecnologia da Polônia (UTP).

Exército vai usar blockchain em sistema de rastreamento de produtos controlados

O Exército brasileiro vai utilizar blockchain para rastrear produtos controlados. Com isso, segue o que outras forças armadas pelo mundo estão fazendo, inclusive a dos Estados Unidos (EUA), para garantir maior segurança tanto no armazenamento, trânsito e manejo de seus equipamentos, como na segurança de seus dados, contra ataques cibernéticos.

 O Sistema Nacional de Rastreamento de Produtos Controlados pelo Exército (SisNaR) vai conter o registro de todos os Produtos Controlados pelo Exército (PCE) produzidos, importados, exportados, vendidos ou usados e que devam ser rastreados. Esses produtos incluem armas de fogo e explosivos.

De acordo com a portaria que estabeleceu o SisNaR, os fabricantes e importadores de PCE deverão ter sistemas de TI que permitam a autenticação das operações com o uso de blockchain.

Eles também deverão garantir o sigilo, a integridade, a disponibilidade e a autenticidade dos dados, mantendo por 5 anos os registros das identificações de PCE.

Rastreamento em dois módulos

O rastreamento é feito em dois módulos, sendo um de coleta e registro de dados e outro integrador e de gestão.

Para identificar os produtos, os códigos deverão incluir país de fabricação, local de produção e custódia, número de registro do fabricante nacional no Exército, número de licença de importação, tipo e grupo, espécie, modelo, lote data de produção e de valor do PCE.

Nos Estados Unidos, no início deste ano, a Fluree anunciou ter vencido um contrato com a Força Aérea do país para fornecer uma plataforma blockchain. O objetivo é testar o compartilhamento de documentos dentro da força, com o departamento de Defesa e governos aliados.

Mulheres são 11% das investidoras do Mercado Bitcoin

As mulheres representam 11% dos investidores em criptoativos do Mercado Bitcoin, segundo um levantamento feito pela empresa. É um percentual bem abaixo, por exemplo, dos 20% apurados por uma pesquisa feita na Europa. Mas o percentual está acima da média internacional, de 5%.

Segundo o Mercado Bitcoin, 60% das mulheres pensam em investir até 25% de sua renda mensal e 44% buscam investimentos seguros, mas topam correr algum risco para terem mais retorno.

Das investidoras, 32,5% têm de 35 e 44 anos, enquanto as mulheres de 45 a 55 anos representam 21,5% do total.

Energia é campo farto para blockchain; quem não se atualizar, sairá do mercado, diz FGV

A digitalização é a maior transformação em curso no setor de energia e as empresas que não aderirem a tecnologias como blockchain e realidade aumentada, vão desaparecer, diz a FGV no seu Boletim de Conjuntura do Setor Energético.

A tecnologia pode encontrar um campo farto de uso nessa área, em especial no segmento de renováveis, com a criação de novos modelos de negócios, principalmente para os pequenos geradores, segundo Marcela Gonçalves e Jennifer Simões, executivas da startup Multiledgers, de Blockchain as a Service (BaaS), no artigo “Uma perspectiva da tecnologia Blockchain no setor de energia”, publicado no boletim.

O segmento de óleo e gás é conhecido por ser inovador. Já o de energia elétrica, é conhecido por, em geral, se limitar a correr para entregar o que as regras de concessão exigem. Por isso, a inovação padece. Nas renováveis, a falta de regras claras também dificultam o uso de novas tecnologias, mas há quem busque alternativas inovadoras.

O Electric Power Research Institute (EPRI) mapeou mais de 100 uso de Blockchain no setor elétrico, principalmente em mediação e cobrança.

No Brasil, a EDP foi a primeira que anunciou o uso e a AES Tietê também tem projeto, desenvolvido com a Fohat, uma startup que já desenvolveu um projeto na Austrália, de comércio P2P e microgrid, e está fazendo outro no Chile.

Dentre as novidades que blockchain trouxe, está a criação de tokens, espécie de fichas de quermesse, como recompensa para uso de energia limpa. Há também uso da tecnologia no mercado de crédito de carbono, que permite a entrada de pequenos geradores ao baratear os custos desses processos.

“Por se tratar de uma tecnologia em que a maior vantagem reside na colaboração entre os diversos atores, é de extrema importância o desenvolvimento de um ecossistema forte e ativo para que as vantagens sejam colhidas.  Nesse processo ainda é fundamental o desenvolvimento de padronizações para todo o mercado e, apesar das barreiras, pode- se alcançar tal necessidade envolvendo agentes como câmara de comercialização, concessionárias e agência reguladora, visando a construção de um modelo mais inteligente e moderno”, dizem Marcela e Jennifer.

A comissão de infraestrutura do Senado aprovou, no último dia 3, o projeto de lei do marco regulatório do setor elétrico. Uma das decisões é a possibilidade de que qualquer consumidor escolha de quem vai comprar a energia elétrica, daqui a 3 anos e meio. Outra regra é a redução de 18 para 12 meses no desconto do preço da energia renovável comprada por grandes consumidores.

Será preciso a aprovação total do projeto na Câmara para se ter uma ideia mais clara de como isso ajuda ou atrapalha a inovação no setor.

Abertas inscrições de prêmio para mulheres em segurança cibernética

A Latam Women in Cybersecurity (Womcy) e a Women in Security & Resilience Alliance (WISECRA) abriram o processo de candidatura para a lista das ‘Top Women in Cybersecurity – Latin America 2020. Esta é a primeira versão da premiação.

As candidaturas podem ser feitas por formulário em português, inglês ou espanhol até o próximo dia 8 de maio, pelo site Top Women in Cybersecurity.

A área de segurança cibernética ainda tem muita predominância masculina. Apenas 24% da força de trabalho é composta por mulheres, segundo o estudo International Information System Security Certification Consortium (ISC)². Melhorou um pouco nos últimos anos: em 2017, eram 11%.

“Precisamos democratizar a segurança cibernética e mostrar as líderes do setor que estão fazendo a diferença na América Latina”, diz Leticia Gammill, fundadora e presidente da Womcy. A instituição trabalha com foco na promoção da diversidade nessa área, que é a que mais cresce em tecnologia.

Para Bonnie Butlin, coordenadora Internacional da WISECRA, o prêmio pode inspirar mais mulheres a pensar numa carreira em segurança cibernética”.

As líderes de países da Womcy e Wisecra não são elegíveis para o prêmio.

Blockchain tira nota 7 em estudo com executivos; uso em supply chain é bem avaliado

Blockchain levou uma nota média 7, numa escala de 1 a 10, numa pesquisa internacional com 318 executivos envolvidos em projetos com a tecnologia, incluindo 111 em cargos C-level.

Não é uma nota espetacular, mas também não é ruim para uma tecnologia nova, afirma o estudo “Ignore Blockchain at your peril, but don’t drive bindly”, realizada pela Wipro e HFS Research. Foram analisados 940 casos de uso.

O mais curioso é que o uso de blockchain para pagamentos, uma das primeiros adoções da tecnologia, teve nota 5, enquanto aplicações mais recentes tiveram notas mais altas, como cadeia de suprimentos, que chegou a 8,5.

A falta de um ROI (Retorno sobre Investimento) tangível faz uma boa parte das empresas não adotarem blockchain, não passarem da prova de conceito (Poc) ou não fazerem um piloto, indica o estudo.

60% não sabe o que é

O retorno de blockchain, desconhecimento sobre a tecnologia e as dificuldades em estabelecer regras de governança costumam ser citadas por empresas usuárias e fornecedoras de soluções e serviços relacionados a blockchain como alguns dos principais entraves para que os projetos com a tecnologia avancem.

O levantamento mostra que mais de 60% das empresas ainda não tem claro o que é blockchain, por ser emergente, e cerca de 30% daquelas que identificaram casos de uso relevantes, têm dificuldades de começar uma PoC ou um piloto por razões como a pequena maturidade e a variedade das plataformas existentes.

Segundo o estudo, 75% dos casos estudados tem menos de dois anos, o que não surpreende, visto que blockchain passou a fazer parte de conversas nas empresas com mais frequência há cerca de 3 anos. Dos projetos, 14% deles entrou em produção e 85% das empresas alocou orçamentos de até U$ 20 milhões.  

Além disso, 75% dos casos se concentram em buscar impactos nos negócios no curto prazo ou diferenciação competitiva, como maior confiança entre parceiros e mudanças na infraestrutura de TI.

Isso provavelmente é um demonstrativo do fato de que as empresas começam a usar blockchain em casos mais simples, para testes, e só vão aplicar em algo mais complexo se tudo der certo. E, ou, mostra que as empresas precisam ainda identificar o real propósito das mudanças que a tecnologia pode trazer no longo prazo.

Mais animados fora da América do Norte

As empresas estão usando blockchain, basicamente, em iniciativas relacionadas a identidade, comércio exterior, pagamentos, fraudes, compliance, cadeia de fornecimento, finanças e criptomoedas.  Dos 940 casos analisados, 95% se encaixam nesse perfil. O setor financeiro é o líder de uso.

Dos 318 executivos, 75% veem a tecnologia como uma estratégia prioritária, o que não é uma novidade.  Mas muitos profissionais de alto nível ainda não entendam do que se trata blockchain e os mais animados estão fora da América do Norte.

Ethereal Summit NY será virtual e aberto ao público por conta do coronavírus

O Ethereal Summit New York, evento que discute Ethereum, blockchain e descentralização, programado para os dias 7 e 8 de maio, vai ser virtual e aberto a quem quiser participar. Os organizadores tomaram essa decisão devido ao coronavírus.

Os detalhes para se inscrever para o evento serão informados nos próximos dias. Segundo os organizadores, praticamente todos os palestrantes – mais de 80 – confirmaram que vão participar do evento.

Quem pagou para o evento ao vivo vai receber seu dinheiro de volta em 45 dias e já vai ser cadastrado para o virtual. O evento real não vai acontecer antes de outubro deste ano.