Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Covantis, de exportadores do agronegócio, nomeia CEO e vai usar blockchain na rota Santos-China

A Covantis, iniciativa para uso de blockchain no comércio exterior das gigantes do agronegócio ADM, Bunge, Cargill, COFCO, Louis Dreyfus Company e Glencore, deu um passo fundamental para entrar em funcionamento. Hoje (31), anunciou que recebeu todas as aprovações regulatórias para operar e se tornou uma entidade legal baseada na Suíça – em Genebra -, um dos países mais amigáveis ao blockchain. Também anunciou que Petya Sechanova, executiva com 11 anos de Cargill, será a CEO da empresa.

A iniciativa vai começar pelo Brasil, no transporte de soja na rota Santos-China. O lançamento está previsto para este ano, mas ainda não foi informada a data. “É um fluxo com representatividade global e com um processamento complexo, exatamente o que todos os negócios internacionais de commodities procuram executar sem dificuldade”, afirma a empresa em seu site.

De acordo com o grupo, o carregamento de grãos e oleaginosas, foco da Covantis, gera mais de 25 mil e-mails para cada um dos carregamentos marítimos feito num ano, ou mais de 275 milhões de emails anuais. Fora as toneladas de papel usadas. Por se basear na comunicação por email e papel, a indústria sabe que precisa se digitalizar para reduzir tempo, custos e tarefas repetitivas.

Com o uso de blockchain, a estimativa é de que 60% das execuções de tarefas sejam automatizadas e que haja um aumento de até 70% da velocidade das transações. O grupo calcula também que haverá uma redução de 90% na colocação repetida de dados no sistema, hoje manual, e corte de 80% nos erros de informações trocadas.

Espera-se também uma redução de 7 a 10 dias no tempo de espera dos navios para embarque e desembarque, com a maior eficiência na preparação dos documentos.

Plataforma Quorum

A Covantis é uma rede blockchain permissionada, portanto fechada, que vai admitir outros membros da cadeia de exportação de grãos e oleaginosas.

A empresa usa a plataforma Quorum, do J.P. Morgan, que trabalha com Ethereum. Isso, afirma o grupo, garante a segurança e a privacidade de dados que existem em transações com instituições financeiras.

A Consensys vai ser o parceiro tecnológico principal no desenvolvimento da plataforma da Covantis.   

Como funciona

A plataforma vai começar a operar com avisos, instruções sobre documentos, indicação de fornecedores, elaboração de rascunhos de documentos, emissão de documentos originais e apresentações. É onde estão as maiores ineficiências nas transações e oportunidades de automações, diz a Coventis.

Na plataforma, os membros verão as informações dos navios e das documentações em tempo real. Tudo começa com a nomeação do navio pelo fretador. A partir daí se colocam os dados dos navios e outros como os da carga, vendedor, comprador e provedores de serviços. As informações são compartilhadas em tempo real.

O sistema também avisa os provedores de serviços, como os agentes, sobre como preencher uma documentação e verifica se foi feito corretamente.  

Como é possível ver todo o processos e eventuais mudanças, o sistema dá maior garantia aos contratos. Mas os detalhes das transações de um usuário ficam visíveis apenas a ele e os outros nem saberão que ocorreu.

Board de diretores

O conselho de diretores terá um membro de cada uma das empresas fundadoras e vai ser presidido por um desses diretores a cada ano. O primeiro será da Louis Dreyfus Company.

A ideia é que façam parte da iniciativa outros membros, como traders de commodities, compradores, vendedores, agentes, empresas de supervisão e associações do setor,

A empresa informou que vai adotar uma estratégia de desenvolvimento e implantação “linha por linha”.

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