Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Investimento de VC em enterprise blockchain ainda está muito abaixo do feito em cripto

Os financiamentos feitos por venture capital (VC) em empresas do chamado enterprise blockchain, de softwares para processos de negócios que não incluem o gerenciamento, custódia e negociação de criptomoedas, estão muito atrás do que é feito nas empresas ligadas a moedas digitais.

De 2015 a 2019, o investimento anual em enterprise blockchain subiu de US$ 86 milhões para US$ 434 milhões, enquanto o valor para negócios relacionados às criptomoedas passou de US$ 524 milhões a U$ 2,35 bilhões. Os números são de um levantamento da CBInsights.

Ao olhar esses números, é preciso sempre lembrar que se trata de investimentos de venture capital. O IDC divulgou no passado que calculava em US$ 2,7 bilhões os investimentos em enterprise blockchain para 2019, e em US$ 15,9 bilhões em 2023. E muito desse dinheiro é recursos próprios das empresas, dos usuários e dos fornecedores, inclusive em projetos como o Hyperledger, que é de código aberto.

No acumulado do período, os investimentos em empresas de cripto somaram US$ 8,25 bilhões, quase sete vezes mais do que os US$ 1,3 bilhão em enterprise blockchain.

Dos US$ 434 milhões investidos no ano passado em enterprise blockchain, US$ 200 milhões se referem ao valor levantado pela Ripple em dezembro passado, numa rodada série C liderada pela empresa de investimentos Tetragon.

Mas mesmo tirando esse valor, o investimento em enterprise blockchain no ano passado teria caído menos do que o que se viu em criptomoedas. Em 2019, o aporte dos VC,  tirando a Ripple, teria caído 12%, ao passo que os investimentos em empresas relacionadas a criptos caíram 40%.

Estágios distintos

O levantamento menciona investimentos em empresas relacionadas a criptos como o banco Celo, que vai permitir pagamentos por telefone em criptomoedas. Mas lembra que empresas estabelecidas como IBM e ICE tem lançado produtos, serviços, comprado empresas e feito parcerias para não ficar de fora desse mundo novo.

Nos investimentos em criptos, tanto das novas empresas, quanto das estabelecidas, há serviços de todo tipo, incluindo custódia, consultoria fiscal, empréstimos de criptomoedas e até seguros, o que, para o CBInsights, pode ser um sinal de que o segmento está ganhando maturidade.

As plataformas financeiras descentralizadas contabilizaram US$ 1,2 bilhão nas suas redes ao final de 2019, número que despencou neste começo de ano com a pandemia do coronavírus.

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