Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Energia é campo farto para blockchain; quem não se atualizar, sairá do mercado, diz FGV

A digitalização é a maior transformação em curso no setor de energia e as empresas que não aderirem a tecnologias como blockchain e realidade aumentada, vão desaparecer, diz a FGV no seu Boletim de Conjuntura do Setor Energético.

A tecnologia pode encontrar um campo farto de uso nessa área, em especial no segmento de renováveis, com a criação de novos modelos de negócios, principalmente para os pequenos geradores, segundo Marcela Gonçalves e Jennifer Simões, executivas da startup Multiledgers, de Blockchain as a Service (BaaS), no artigo “Uma perspectiva da tecnologia Blockchain no setor de energia”, publicado no boletim.

O segmento de óleo e gás é conhecido por ser inovador. Já o de energia elétrica, é conhecido por, em geral, se limitar a correr para entregar o que as regras de concessão exigem. Por isso, a inovação padece. Nas renováveis, a falta de regras claras também dificultam o uso de novas tecnologias, mas há quem busque alternativas inovadoras.

O Electric Power Research Institute (EPRI) mapeou mais de 100 uso de Blockchain no setor elétrico, principalmente em mediação e cobrança.

No Brasil, a EDP foi a primeira que anunciou o uso e a AES Tietê também tem projeto, desenvolvido com a Fohat, uma startup que já desenvolveu um projeto na Austrália, de comércio P2P e microgrid, e está fazendo outro no Chile.

Dentre as novidades que blockchain trouxe, está a criação de tokens, espécie de fichas de quermesse, como recompensa para uso de energia limpa. Há também uso da tecnologia no mercado de crédito de carbono, que permite a entrada de pequenos geradores ao baratear os custos desses processos.

“Por se tratar de uma tecnologia em que a maior vantagem reside na colaboração entre os diversos atores, é de extrema importância o desenvolvimento de um ecossistema forte e ativo para que as vantagens sejam colhidas.  Nesse processo ainda é fundamental o desenvolvimento de padronizações para todo o mercado e, apesar das barreiras, pode- se alcançar tal necessidade envolvendo agentes como câmara de comercialização, concessionárias e agência reguladora, visando a construção de um modelo mais inteligente e moderno”, dizem Marcela e Jennifer.

A comissão de infraestrutura do Senado aprovou, no último dia 3, o projeto de lei do marco regulatório do setor elétrico. Uma das decisões é a possibilidade de que qualquer consumidor escolha de quem vai comprar a energia elétrica, daqui a 3 anos e meio. Outra regra é a redução de 18 para 12 meses no desconto do preço da energia renovável comprada por grandes consumidores.

Será preciso a aprovação total do projeto na Câmara para se ter uma ideia mais clara de como isso ajuda ou atrapalha a inovação no setor.

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