Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

De 17 projetos do Lift, programa de inovação do BC, 6 usam ou poderão usar blockchain

As criptomoedas mostraram o caminho para o PIX, segundo Campos Neto.

A tecnologia blockchain está sendo, ou poderá ser usada, por 6 dos 17 projetos do Lift (Laboratório de Inovações Financeiras Tecnológicas) 2019, programa de inovação do Banco Central para apresentação de soluções para o sistema financeiro. Após meses de trabalho, as empresas apresentaram ontem seus protótipos, em Brasília.

A Blupay, empresa de pagamentos instantâneos, é uma das que utilizam blockchain. No caso, o R3 Corda. De acordo com Rubens Antônio Rocha Júnior, superintendente geral da empresa, que foi comprada pela certificadora digital Valid, a solução tem a rapidez que o sistema de pagamentos instantâneos do BC, o PIX, determinou. O PIX será lançado em novembro e ao longo dos próximos anos, vai incluir uma série de serviços, como débito automático e pagamento de documentos.  

Um dos outros projetos em blockchain é o da FinId, de identidade digital descentralizada para o mercado financeiro, desenvolvido pelo Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPQD) e que usa R3 Corda e Hyperledger Indy. O Gavea Marketplace, uma bolsa digital de commodities agrícolas que começa a ser testada neste ano, e o Midas, plataforma de investimentos em aplicações financeiras, também usam Corda. A P2P Lending, do Banco BV, usa Hyperledger Fabric.

A Finweb, uma plataforma colaborativa para empreendedores, mencionou na sua apresentação estar avaliando a tecnologia blockchain para a autenticação das parcerias. É possível que outros projetos decidam usar blockchain, no futuro, já que nem tudo está fechado.

Tecnologia permite transmissão do evento

O evento, no auditório do banco, foi fechado por precauções contra o coronavírus. A presença foi apenas de palestrantes, panelistas, representantes de empresas que deram suporte aos projetos e funcionários do BC e da Fenasbac, federação dos funcionários do banco.

O Lift foi transmitido ao vivo pelo canal do BC no Youtube e a gravação está disponível para visualização. “Se não fosse a tecnologia, a gente não conseguiria fazer este evento neste formato”, disse o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, um entusiasta de tecnologia e inovação. No Lift do ano passado, ele afirmou que se fosse mais jovem, provavelmente se dedicaria exclusivamente ao assunto.

Campos afirmou que um dos grandes problemas do mundo moderno de tecnologia no mundo bancário é a fragmentação dos mercados, que não se comunicam. Isso dificulta a regulamentação e a experiência dos usuários. “É uma barreira ao desenvolvimento”, completou.

É por isso que o PIX é uma prioridade do banco, uma solução para atender a demanda do mundo moderno e que gerou a criação das criptomoedas, disse Campos Neto. Para tanto, é transparente, seguro, barato e totalmente interoperável, completou.

Na sequência do PIX virá o open banking e a ideia é ambos se encontrarem. “Queremos um sistema interoperável, instantâneo e aberto. É importante que esses projetos se encontrem o mais rápido possível.”

Segundo Keiji Sakai, country head da R3, como o número de pessoas no auditório foi limitado, “houve boas conversas sobre os projetos durante as pausas do evento”.

Campos Neto lembrou que as inscrições para o Lift 2020 estão abertas até o próximo dia 20 de abril.

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