Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

BMW vai expandir para 10 fornecedores rastreamento de peças e matérias-primas

A BMW Group testou no ano passado o uso de blockchain em sua cadeia de suprimentos com um fornecedor e decidiu que em 2020 vai expandir uso para 10 deles.

Segundo a empresa, o projeto PartChain será aplicado no rastreamento de componentes e matéria prima, inclusive a partir de minas, como a do cobalto, usado em baterias e foco de trabalho escravo em alguns locais.

O teste começou com lanternas, segundo Andreas Wendt, membro do conselho de administração da BMW AG e responsável pela rede de compras e fornecedores. Participaram duas das 31 fábricas da empresa, em Spartanburg (EUA) e em Dingolfing (Baviera), além de três unidades da Automotive Lighting, fornecedora das lanternas.

A indústria automotiva tem uma das maiores e mais complexas cadeias de fornecimento industriais. Não é à toa que também é apontada como um ator importante nas economias.

Mas no que se refere à comunicação entre as empresas da cadeia, há diversas falhas que atrapalham o processo. Em geral, cada um faz o rastreamento da sua fase, sem compartilhamento de dados. Para isso, é preciso muito trabalho, inclusive manual. Com o PartChain, o rastreamento é visível para todos e é automatizado.

Banco da França lança programa para testar moeda digital

O Banco da França lançou um programa de experimentos para testar a integração de uma possível moeda central digital (CBDC, na sigla em inglês) a processos de trocas e liquidações de ativos financeiros tokenizados entre intermediários do setor. O banco não especifica quais tecnologias devem ser usadas, mas diz que devem ser inovadoras.

A instituição informou que isso faz parte de um processo para rever e adequar as condições em que fornece dinheiro do banco aos intermediários, uma vez que novas tecnologias nos serviços de pagamentos e de infraestrutura do mercado abrem diversas oportunidades. Além disso, atores privados já estão oferecendo alternativas. O banco quer evitar uma fragmentação excessiva das liquidações.

Os testes não serão feitos num prazo longo e em larga escala. Mas, como as discussões de criação de CBDC na União Europeia acontecem na sede em Bruxelas e em vários países, os experimentos isolados de economias do bloco devem fazer parte da decisão de se adotar esse ativo.

As inscrições para participar desse processo devem ser feitas de pessoas e empresas baseadas na União Europeia ou na zona econômica europeia. Os projetos a serem testados devem ser de pagamentos com tokens.

O objetivo é mostrar como uma CBCD baseada em diferentes tecnologias pode ser usada em casos convencionais, segundo o banco. A instituição também quer identificar os benefícios de se ter uma CBDC no sistema atual e como isso pode gerar mais inovação, além de fazer uma análise dos possíveis efeitos de uma CBDC na estabilidade financeira, na política monetária e no ambiente regulatório.

As inscrições vão até 15 de maio e os vencedores serão anunciados em julho.

XDEX, da XP, encerra suas operações por competição e falta de regulação

A XP encerrou hoje as atividades da XDEX, sua plataforma de transação de criptoativos. O aviso está na página “Institucional” do site da XDEX, que alega que “a projeção do mercado, competição e os poucos avanços regulatórios diminuíram as oportunidades encontradas no início do projeto.”

O projeto durou 17 meses e era uma parceria da XP com o fundo de private equity General Atlantic.

Segundo a empresa, os clientes receberam a comunicação completa do cronograma de encerramento. Eles devem encerrar suas posições em criptomoedas e sacar o saldo em reais em 30 dias a partir de hoje. Ao pedir a retirada, os recursos vão para a conta bancária cadastrada na XDEX em até 1 dia útil.

Se o cliente não fizer a venda de ativos em 30 dias, a XDEX vai fazer a operação e enviar o dinheiro para a conta cadastrada em até 3 dias úteis.

A empresa diz que pode ser contatada para dúvidas de segunda a sexta-feira, das 9h às 18h, pelo site, aplicativo e telefone.

Covantis, de exportadores do agronegócio, nomeia CEO e vai usar blockchain na rota Santos-China

A Covantis, iniciativa para uso de blockchain no comércio exterior das gigantes do agronegócio ADM, Bunge, Cargill, COFCO, Louis Dreyfus Company e Glencore, deu um passo fundamental para entrar em funcionamento. Hoje (31), anunciou que recebeu todas as aprovações regulatórias para operar e se tornou uma entidade legal baseada na Suíça – em Genebra -, um dos países mais amigáveis ao blockchain. Também anunciou que Petya Sechanova, executiva com 11 anos de Cargill, será a CEO da empresa.

A iniciativa vai começar pelo Brasil, no transporte de soja na rota Santos-China. O lançamento está previsto para este ano, mas ainda não foi informada a data. “É um fluxo com representatividade global e com um processamento complexo, exatamente o que todos os negócios internacionais de commodities procuram executar sem dificuldade”, afirma a empresa em seu site.

De acordo com o grupo, o carregamento de grãos e oleaginosas, foco da Covantis, gera mais de 25 mil e-mails para cada um dos carregamentos marítimos feito num ano, ou mais de 275 milhões de emails anuais. Fora as toneladas de papel usadas. Por se basear na comunicação por email e papel, a indústria sabe que precisa se digitalizar para reduzir tempo, custos e tarefas repetitivas.

Com o uso de blockchain, a estimativa é de que 60% das execuções de tarefas sejam automatizadas e que haja um aumento de até 70% da velocidade das transações. O grupo calcula também que haverá uma redução de 90% na colocação repetida de dados no sistema, hoje manual, e corte de 80% nos erros de informações trocadas.

Espera-se também uma redução de 7 a 10 dias no tempo de espera dos navios para embarque e desembarque, com a maior eficiência na preparação dos documentos.

Plataforma Quorum

A Covantis é uma rede blockchain permissionada, portanto fechada, que vai admitir outros membros da cadeia de exportação de grãos e oleaginosas.

A empresa usa a plataforma Quorum, do J.P. Morgan, que trabalha com Ethereum. Isso, afirma o grupo, garante a segurança e a privacidade de dados que existem em transações com instituições financeiras.

A Consensys vai ser o parceiro tecnológico principal no desenvolvimento da plataforma da Covantis.   

Como funciona

A plataforma vai começar a operar com avisos, instruções sobre documentos, indicação de fornecedores, elaboração de rascunhos de documentos, emissão de documentos originais e apresentações. É onde estão as maiores ineficiências nas transações e oportunidades de automações, diz a Coventis.

Na plataforma, os membros verão as informações dos navios e das documentações em tempo real. Tudo começa com a nomeação do navio pelo fretador. A partir daí se colocam os dados dos navios e outros como os da carga, vendedor, comprador e provedores de serviços. As informações são compartilhadas em tempo real.

O sistema também avisa os provedores de serviços, como os agentes, sobre como preencher uma documentação e verifica se foi feito corretamente.  

Como é possível ver todo o processos e eventuais mudanças, o sistema dá maior garantia aos contratos. Mas os detalhes das transações de um usuário ficam visíveis apenas a ele e os outros nem saberão que ocorreu.

Board de diretores

O conselho de diretores terá um membro de cada uma das empresas fundadoras e vai ser presidido por um desses diretores a cada ano. O primeiro será da Louis Dreyfus Company.

A ideia é que façam parte da iniciativa outros membros, como traders de commodities, compradores, vendedores, agentes, empresas de supervisão e associações do setor,

A empresa informou que vai adotar uma estratégia de desenvolvimento e implantação “linha por linha”.

De controle de máscaras a tendência de infecções, blockchain é usada no combate ao coronavírus

Em tempos de coronavírus, monitoramento de produtos e compartilhamento de informações confiáveis, além de transparência, são mais do que fundamentais. Por isso, há diversas iniciativas em blockchain no mundo para ajudar no combate à pandemia. Vão de plataformas para evitar fraudes na distribuição de máscaras à detecção de fake news a localização de contaminação.

São iniciativas de startups e empresas consolidadas, como IBM e Oracle, a governos. E muitas são disponibilizadas de graça. Na Espanha, por exemplo, combalida pelo coronavirus, há diversas iniciativas gratuitas.

Quando tudo voltar ao normal – seja lá o que for o normal a partir de agora -, a avaliação dessas iniciativas certamente vai contribuir para uma avaliação mais precisa de quando, para que e qual o resultado possível do uso de blockchain. O que, ao final, pode incentivar não só o uso, mas a aplicação correta da tecnologia.

Onde está o perigo

IBM, Microsoft e Oracle, anunciaram uma iniciativa com a Organização Mundial do Comércio (OMS) neste final de semana. Junto com outros participantes, como Hacera, União Europeia, governo da China e John Hopkins University, criaram a plataforma MiPasa, para detectar locais de infecção e prever tendências de infecções a partir de dados de indivíduos. Além de blockchain, a ferramenta usa inteligência artificial.

Numa linha semelhante, a Fundação Algorand, de Singapura, criou o aplicativo IReport-Covid para que as pessoas coloquem informações sobre coronavírus. Como a iniciativa MiPasa, os dados ficam guardados de forma confiável, já que são criptografados e se usa rede blockchain.

Para nunca esquecer

A biblioteca digital NotForgotten, que usa blockchain em seu trabalho de armazenar informações para sempre, divulgou hoje (30) que vai disponibilizar 200 arquivos para que sejam preenchidos com informações relacionadas à pandemia. No mundo da internet, o que se acha hoje numa busca na web pode ficar muito difícil de ser encontrada daqui a alguns anos.

Com a NotForgotten, as pessoas podem gravar um vídeo sobre qualquer aspecto de suas experiências durante a pandemia por meio de um aplicativo. Isso permitirá que no futuro, os historiadores “tenham um relato da vida real da experiência coletiva e individual das pessoas”, disse a empresa.

Na Espanha, solidariedade

Na Espanha, na indústria de blockchain se vê empresas criando e até dando suas soluções e produtos para projetos ligados ao coronavírus, segundo o site BlockchainEconomía. Um exemplo é a Supervecina.com, que permite encontrar quem queira ajudar um vizinho nestes tempos de isolamento, por exemplo, para fazer compras. NeoCheck ajuda os trabalhadores autônomos. A plataforma viabiliza a validação de identidade remota e assinatura de contratos online. Tudo gratuito.

A Castroalonso  busca fake news e campanhas que distorcem informações sobre Covid-19. E um grupo de empresas e a Fundación Cotec, de tecnologia, está dando a apoio a outras empresas que fazem produtos EPI como máscaras, e respiradores.

Controle de máscaras

Na Ásia, a primeira região a ser atingida pelo coronavírus, foi onde se viram também muitas das primeiras iniciativas em blockchain. Como a do governo de Taiwan, que criou dois projetos com a empresa FiO, de SasS-blockchain, para controlar a logística de entrega de máscaras cirúrgicas.

Em fevereiro, o governo teve de racionar a venda de máscaras porque havia num determinado momento 4 milhões de unidades no estoque, para uma população de 23 milhões de pessoas, segundo o Centro de Comando de Epidemias de Taiwan (CECC).

Muito antes do vírus fazer estragos enormes nos Estados Unidos (EUA), a a Acoer, que desenvolve aplicações em blockchain, disponibilizou sua ferramenta de visualização de dados HashLog para que seus clientes das áreas de saúde e jornalistas acompanhem a expansão da doença. A plataforma consolida dados de diferentes fontes, inclusive do governo norte-americano.

Digital Dollar Foundation cria grupo para discussão de moeda digital dos EUA

A Digital Dollar Foundation criou um grupo de consultores para seu projeto de discutir e potencialmente oferecer ao governo dos Estados Unidos um plano de criação de um dólar digital do banco central (CBDC). A fundação foi criada no início do ano pela Accenture e por Christopher Giancarlo e Daniel Gorfine (ambos ex-CFTC, a Comissão de Negociação de Contratos Futuros de Commodities ).

A decisão foi anunciada dois dias após os democratas apresentarem um projeto de lei que cria um dólar e uma carteira digitais para quem receberá apoio financeiro do governo. Esse apoio seria para enfrentar a crise econômica causada pela pandemia do coronavírus.

O grupo criado agora inclui 22 nomes de peso, como Tim Morrison, que foi consultor do presidente Donald Trump, Sheila Warren, do grupo de blockchain do World Economic Forum, e Sigal, Mandelkar, ex-sub-secretário (equivalente a vice-ministro) do Tesouro para o Terrorismo e Inteligência

Investimento de VC em enterprise blockchain ainda está muito abaixo do feito em cripto

Os financiamentos feitos por venture capital (VC) em empresas do chamado enterprise blockchain, de softwares para processos de negócios que não incluem o gerenciamento, custódia e negociação de criptomoedas, estão muito atrás do que é feito nas empresas ligadas a moedas digitais.

De 2015 a 2019, o investimento anual em enterprise blockchain subiu de US$ 86 milhões para US$ 434 milhões, enquanto o valor para negócios relacionados às criptomoedas passou de US$ 524 milhões a U$ 2,35 bilhões. Os números são de um levantamento da CBInsights.

Ao olhar esses números, é preciso sempre lembrar que se trata de investimentos de venture capital. O IDC divulgou no passado que calculava em US$ 2,7 bilhões os investimentos em enterprise blockchain para 2019, e em US$ 15,9 bilhões em 2023. E muito desse dinheiro é recursos próprios das empresas, dos usuários e dos fornecedores, inclusive em projetos como o Hyperledger, que é de código aberto.

No acumulado do período, os investimentos em empresas de cripto somaram US$ 8,25 bilhões, quase sete vezes mais do que os US$ 1,3 bilhão em enterprise blockchain.

Dos US$ 434 milhões investidos no ano passado em enterprise blockchain, US$ 200 milhões se referem ao valor levantado pela Ripple em dezembro passado, numa rodada série C liderada pela empresa de investimentos Tetragon.

Mas mesmo tirando esse valor, o investimento em enterprise blockchain no ano passado teria caído menos do que o que se viu em criptomoedas. Em 2019, o aporte dos VC,  tirando a Ripple, teria caído 12%, ao passo que os investimentos em empresas relacionadas a criptos caíram 40%.

Estágios distintos

O levantamento menciona investimentos em empresas relacionadas a criptos como o banco Celo, que vai permitir pagamentos por telefone em criptomoedas. Mas lembra que empresas estabelecidas como IBM e ICE tem lançado produtos, serviços, comprado empresas e feito parcerias para não ficar de fora desse mundo novo.

Nos investimentos em criptos, tanto das novas empresas, quanto das estabelecidas, há serviços de todo tipo, incluindo custódia, consultoria fiscal, empréstimos de criptomoedas e até seguros, o que, para o CBInsights, pode ser um sinal de que o segmento está ganhando maturidade.

As plataformas financeiras descentralizadas contabilizaram US$ 1,2 bilhão nas suas redes ao final de 2019, número que despencou neste começo de ano com a pandemia do coronavírus.

O que faz uma rede blockchain ser híbrida

Em geral, se ouve muito falar em redes de blockchain públicas, como Bitcoin e Ethereum, e privadas, feitas por grupos de empresas. Mas existem também as híbridas. O infográfico abaixo ajuda a entender melhor isso.

Se você tiver alguma outra dúvida sobre o assunto, mande-nos nos comentários , assim vamos atrás das respostas para você.

Mercado Bitcoin planeja 8 ativos digitais alternativos em 2020; token de consórcio é o primeiro

O Mercado Bitcoin lançou, ontem (25), o primeiro de oito ativos digitais alternativos, em formato de token, que pretende distribuir neste ano. Os R$ 816 mil em tokens de cotas de consórcio serão são vendidos ao preço unitário de R$ 100. O retorno esperado é de cerca de 190% a 209% do CDI, algo como de 8,11% a 8,9% ao ano, com o investidor recebendo o valor num prazo de 5 a 6 meses.

A empresa esperar lançar R$ 500 milhões em ativos digitais alternativos em 2020. Outros lançamentos que pretende fazer incluem um token relacionado a fluxo de pagamentos, semelhante a uma operação de recebíveis, e um token de direitos que clubes de futebol têm de receber sobre a venda de jogadores que formou, o chamado mecanismo de solidariedade. O Mercado Bitcoin já está conversando com 4 clubes da Série A para isso, disse ao Blocknews Reinaldo Rabelo, CEO da empresa.

No caso desse token, o clube antecipa potenciais valores de vendas futuras ao longo da carreira do jogador. Como não se sabe quantas serão, o investidor tem de planejar um número ao investir. Se houver mais vendas do que imaginava, sai ganhando. Do contrário, pode ficar no empate ou perder.

Entendendo o mercado

O preço do token representa 0,012% de uma cota. O valor total de recebimento do crédito da cota é calculado em cerca de R$ 845 mil, portanto, o investidor pode receber cerca R$ 103,61.

Essas cotas são de quem desistiu do negócio, inclusive porque não consegue mais pagar. A taxa de desistência no Brasil é de em torno 50%, segundo o Mercado Bitcoin. O prazo de retorno está relacionado ao fato de que as cotas são compradas, quitadas e o que é tokenizado é a carta de crédito, que deve ser paga em até 180 dias, segundo norma do Banco Central.

“Estamos lançando o primeiro lote para entender a percepção do mercado, fazer a leitura dos clientes, e depois vamos lançar volumes maiores”, disse Rabelo.

Tokens imobiliários e de energia

A empresa também avalia lançamento de tokens relacionados ao mercado imobiliário, “sem oferender nenhuma norma da CVM (Comissão de Valores Mobiliários)”, disse Rabelo. E olha ainda para oportunidades no mercado de energia e de  ativos bancários, como contratos “estressados”.  

O Mercado Bitcoin está distribuindo o que considera investimentos alternativos com algum risco, variável conforme o tipo de token, mas com possíveis retornos maiores do que os investimentos tradicionais. E são ativos que apenas grandes investidores costumam ter acesso. Nos consórcios, o risco é o da Caixa Consórcios, que é da Caixa Econômica Federal (CEF) e quem paga a cota contemplada, quebrar. Portanto, bem baixo.

Acontece que ao tokenizar, a empresa muda também lógica das negociações tradicionais, completa Rabelo, e isso pode ser mais interessante para quem vende e quem compra o ativo.

Tanto em precatórios como em consórcios, há mais dinheiro de investidor disponível do que ativos no mercado tradicional, afirma. Porém, o grupo de investidores é limitado e com muito dinheiro em caixa. A partir dos fundos levantados se vai atrás dos ativos. O resultado é que o dono do ativo o vende por um deságio alto e quem compra, como FDICs, ficam com tudo encarteirado e não distribuem.

Nova lógica de mercado

Na lógica do Mercado Bitcoin, a Concash vai atrás de ativos de quem quer vender, esse ativo é tokenizado e distribuído a investidores pequenos. Segundo Rabelo, se consegue reduzir em cerca de 50% o deságio de venda pelo dono do ativo. Esse deságio é de 40% a 80% no caso de consórcio.

“Como temos propósito de democratizar o mercado, estamos provocando a distribuição. Então, o volume disponível para comprar não é o problema”, afirma Rabelo. “Vamos ver se com o novo mercado que estamos abrindo haverá mais opções e redução de spread no mercado tradicional”.

Coronavirus

Há uma expectativa de empresas de consórcio de que pode haver um aumento de inadimplência ou desistência de detentores de cotas devido ao impacto econômico da pandemia do coronavírus. “Mas não é nossa função buscar spreads mais altos. Pode até haver aumento, mas não seria saudável para o ecossistema. Não é onde esperamos ganhar”, disse o executivo.

O Mercado Bitcoin distribui as cotas que o Mercado Bitcoin Digital Asset (MBDA) tokeniza. A plataforma usada é Ethereum O token pode ficar custodiado numa carteira digital de quem compra e ser pago na moeda criptografada Ether.

Rabelo diz que o Mercado Bitcoin sabia que o mercado alternativos era promissor e tem investido nele. “Foi interessante encontrar originadores de ativos que se beneficiaram também disso”. Do lado difícil está trazer inovação para um mercado conservador de investimento, completou.

O Mercado Bitcoin é pioneiro no lançamento de ativos digitais alternativos. Em precatórios, lançados no ano passado, já foram vendidos cerca de R$ 25 milhões de tokens.

Blockchain e sua aplicação prática no direito

Transformações tecnológicas vêm transformando o setor jurídico, sabemos que muitas vezes o ramo do direito como um todo é conservador e avesso a mudanças, o que acaba retardando o aparecimento de algumas tendências nessa área. Mas, a transformação digital no universo jurídico é tão drástica que não há mais como fugir dela, essa transformação é necessária para ratificar e dar crédito a operações realizadas no âmbito digital.

O protocolo digital(1), por exemplo, é um mecanismo de inserção de marca temporal aplicada sobre um documento ou evento ocorrido no meio digital, sendo uma espécie de recibo eletrônico que registra e atesta a entrega de uma dada informação a um programa, mediante um servidor particular.

Outros mecanismos digitais têm sido utilizados para assegurar operações realizadas no meio digital, como a dupla autenticação(2), que é uma camada extra de segurança, onde o usuário tem de digitar um código para poder continuar acessando o conteúdo que ele já estava utilizando após determinado período de uso. Assim, o nível de segurança aumenta e é dada maior confiabilidade a operação que vinha sendo realizada no âmbito digital.

Com o advento das criptomoedas, como o Bitcoin(3), o sistema de blockchain(4), utilizado nas transações e armazenamento de criptomoedas, passou a ser amplamente discutido por diferentes setores econômicos e políticos da sociedade. 

Blockchain, é um a tecnologia de registro que permite que dados sejam armazenados em uma base descentralizada e incorruptível, esses dados são transacionados diretamente entre as partes, sem a necessidade do intermédio de um terceiro, de maneira clara, objetiva e transparente. Os dados são armazenados em computadores virtualmente, se apresentando para nós como uma sequência de bits(5), que não deixa de ser uma sequência alfanumérica que aparece na tela de nosso computador ou aparelho eletrônico.

A tecnologia blockchain é formada por bases de registros de dados distribuídos e compartilhados em diversos computadores dentro da mesma rede, que têm a função de criar um índice global para todas as transações que ocorrem em um determinado mercado, funcionando como um “livro-razão(6)” que registra dados transacionais de forma pública, criando confiança entre partes de um determinado negócio.

Devido a singularidade dessa tecnologia, tendo em vista que os dados são armazenados em diversos computadores, que por sua vez validam a mesma informação, fica impossibilitado que um terceiro apague os dados armazenados no sistema.

Para que ocorra qualquer tipo de transação e circulação na rede blockchain, cada um dos ativos ganha um pseudônimo na forma de “chave pública”. As chaves públicas são usadas pelas partes, tanto na posição de cedente, como na posição de cessionário, durante uma transação ponta a ponta que venha a ocorrer dentro do ambiente virtual, trazendo segurança à transação.

Vale destacar que diferentemente do que muitos dizem por aí, o sistema blockchain não traz um anonimato, mas sim um pseudoanonimato, tendo em vista que é facilmente quebrado, o que trás maior segurança para as operações realizadas dentro do sistema blockchain.

Os Smart Contracts(7), são contratos escritos com códigos de programação que podem ser executados em um computador, estes códigos podem definir regras estritas e consequências da mesma forma que um contrato tradicional. Para tanto, as regras contratuais do contrato são convertidas em códigos de programação, imutáveis, a partir do momento em que são armazenadas e replicadas em todo sistema, supervisionado pela rede blockchain.

Poderíamos facilmente adotar o sistema blockchain para registrar atos jurídicos, seja na seara empresarial ou de registro civil, custaria muito menos às empresas e pessoas naturais. São inúmeras as aplicações do blockchain.

Para que a tecnologia blockchain possa efetivamente se tornar parte do dia a dia das empresas brasileiras, algumas empresas terão que estar dispostas a experimentar este novo mindset (8) e se adaptar. Para tanto, o papel dos advogados é essencial nessa jornada.


*Christian Domenico De Luca é assistente jurídico no BVA Sociedade de Advogados. Gustavo Fiuza Quevedez é sócio no BVA.


(1)Para saber mais sobre protocolo digital, acesse: https://solutiresponde.com.br/qual-a-diferenca-entre-protocolo-digital-e-carimbo-do-tempo/

(2)Para saber mais sobre dupla autenticação, acesse: https://1doc.com.br/governo-central-de-ajuda/article/como-funciona-a-autenticacao-dupla-e-por-que-ela-e-importante/

(3) Para saber mais sobre Bitcoins, acesse: https://foxbit.com.br/o-que-e-bitcoin/

(4) Para saber mais sobre blockchain, acesse: https://foxbit.com.br/o-que-e-blockchain/

(5) Bits são a menor unidade de informação que pode ser armazenada ou transmitida na comunicação de dados no âmbito da ciência da computação e da Informática.

(6) Para entender o significado técnico do termo livro-razão, acesse: https://ajuda.contaazul.com/hc/pt-br/articles/360016815551-Livro-Raz%C3%A3o-O-que-%C3%A9-e-para-que-serve-

(7) Para saber mais sobre Smart Contracts, acesse: https://guiadobitcoin.com.br/noticias/um-guia-para-iniciantes-sobre-smart-contracts/

(8) Para saber mais sobre o termo mindset, acesse: https://www.sbcoaching.com.br/blog/mindset/