Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Blockchain aumenta em 40% ganhos de minas de ouro em países da Am. Latina e África

A The Neon Project, uma agência de transformação digital, está utilizando blockchain em projetos para ajudar mulheres e crianças imigrantes, acompanhando-as até sua integração, e para aumentar os ganhos de pequenas minas de ouro de países da América Latina e África, ao colocá-las no mercado formal e com menos intermediários. Esse aumento de ganhos é de cerca de 40%.

Entre seus clientes estão o Médico Sem Fronteiras e os projetos estão sendo aplicado em países como Espanha, Bélgica, Estados Unidos, México, Guatemala e Honduras, como reporta o Blockchain Economía.

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Digitalização e falta de ação de governos da AL alimentam crimes com criptomoedas

Grupos de crime organizado na América Latina estão utilizando criptomoedas para lavar dinheiro e usam a dark web para contratar hackers e realizar crimes cibernéticos, segundo um estudo da IntSights, empresa de inteligência cibernética e blockchain, e da CipherTrade, empresa de inteligência de criptomoedas. Esse cenário é resultado da rápida adoção de tecnologias digitais e da falta de respostas dos governos aos crimes na internet, o que ajuda a fazer da região a pior em termos de lavagem de dinheiro no mundo,

Segundo o estudo, o Brasil é o país da América Latina que melhor está se preparando, em termos de legislação, para garantir a privacidade de dados. Há mais de 40 regulações nesse sentido e está prevista a entrada em vigor da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) em agosto próximo.

A América Latina tem cerca de 460 milhões de usuários de internet, o equivalente a 70% da população da região. O Brasil e Colômbia respondem pela maior parte desse número e são, respectivamente, o segundo e o quarto no mundo no ranking de tempo que o usuário fica internet diariamente.

Artigo Stefanini: Blockchain não é criptomoeda. É preciso desmistificar ambos

A tecnologia blockchain está em um processo inicial de validação de alguns conceitos. Ainda que esteja neste grau de maturidade em formação, o blockchain pode resolver alguns tipos de situações no campo dos negócios. É importante ter, pelo menos, três partes envolvidas neste processo, ou seja, a empresa, o cliente e uma delas vai ser externa. Neste ciclo, a desconfiança é um grande aliado, afinal, tudo deve ser checado e rechecado para evitar dores de cabeça futuras. Um caso prático, por exemplo, pode ser visto na reforma trabalhista, no termo de quitação, que vai exigir que empresas recolham anualmente uma certidão positiva de todos os colaboradores todo ano. Então, por ter muita papelada, e por ser uma relação que vai ser auditada pelo Ministério do Trabalho, há muita desconfiança. Porém, como os dados são invioláveis, o blockchain pode atestar que são confiáveis.

Outra aplicação comum é na indústria, na área de suprimentos como um todo, com a rastreabilidade de carnes e grãos. Atualmente, já vemos um trabalho sendo realizado com provas de conceito (PoC). Hoje, a questão tecnológica é simples de implementar, tem um custo das plataformas, que ainda está nessa fase de validação, e poderemos ver o amadurecimento disso a curto prazo.

Enxergo um grande potencial no blockchain. Olhando para o agrobusiness, que responde por uma boa parte do PIB (Produto Interno Bruto), é onde eu acredito que há uma oportunidade de garantia para que a produção e suprimento, como carnes e grãos, tenham qualidade. Ainda mais em uma era de conscientização, em que a população quer mais informações, quer ter garantia de qualidade, ainda mais com maior adoção de alimentos orgânicos.

Outro setor com espaço para uso da nova tecnologia é a indústria têxtil, que tem muitas questões complexas envolvidas. Ali, o blockchain pode ser uma aplicação importante, obviamente combinado com outras tecnologias como reconhecimento de imagens e verificação se em uma fábrica os trabalhadores não operam em regime de escravidão. Tudo isso pode ser alimentado na blockchain para trazer uma segurança. Vemos que o Brasil tem um potencial muito bom nessa indústria de produção. O de peças também, onde o blockchain pode ajudar o mercado de reciclagem de produtos. 

Creio que os grandes projetos, na prática, vão começar a ganhar escala em 2021 e teremos um ano de muitas provas de conceito. As plataformas estão prontas. Basta identificar novas possibilidades e oportunidades de negócios para a utilização efetiva da tecnologia.

Há, sim, um futuro promissor para o mercado de criptoativos se considerarmos a questão da confiança, mas, na minha opinião, as criptomoedas precisam ser desmistificadas, pois elas são moedas, e não um investimento. Você não investe em moeda, moeda é moeda. Você investe em investimentos, em um portfolio, entre outras ações. Estamos caminhando para atingir uma maior aderência. É possível que no ano que vem, o Banco Central vai permitir que o brasileiro tenha multimoedas, como é no Uruguai. Aí, então, teremos em conta dólar, real, euro e outros tipos de criptomoedas que possam entrar ali para acelerar o processo, por diversas questões. Isso pode desmistificar um pouco as criptomoedas e acelerar a adoção no Brasil e fora.

Todo o mercado, de alguma forma, está olhando para encontrar o business. Os bancos não enxergam as criptomoedas como investimento, dentro de um portfólio que faça sentido figurar ali nas instituições, mas é fundamental formar uma rede.

Mas qual é o benefício real para o cidadão, de uma moeda como bitcoin, que hoje já é aceita por alguns lojistas do varejo? Entendo que ainda há uma quebra de mudança de mindset, de que as criptomoedas são confiáveis e da real aplicabilidade delas. O custo para você usar bitcoin para tomar um café, por exemplo, ainda não se paga. Essa evolução precisa acontecer para viabilizar o seu uso de uma forma mais cotidiana. Os bancos estão tentando resolver e trazer isso para o dia a dia das pessoas. As criptomoedas ainda não permitem isso.

        * Breno Barros é diretor global de inovação e negócios digitais da Stefanini 

Blockchain em governos dá transparência e acaba com venda de dados de cidadãos, diz advogado

O advogado André Guskow Cardoso tem estudado como blockchain pode ajudar a tornar os governos mais transparentes, o que teria um efeito direto no combate à corrupção e na entrega de serviços públicos eficientes. De forma prática, para o cidadão entender, blockchain poderia evitar, por exemplo, “a venda de arquivos com dados dos cidadãos na Santa Efigênia”. Em São Paulo, ficou conhecido o fato de que dados dos cidadãos, como os da Receita Federal, eram vendidos em CDs nessa rua de comércio eletrônico, no centro da cidade.

Na entrevista a seguir ao Blocknews, o Cardoso, que têm certificados do MIT e do Insead sobre a tecnologia, fala sobre o assunto.

TRANSPARÊNCIA

A primeira característica da tecnologia é a imutabilidade e a transparência, então, pode-se usar sistemas baseados em blockchain ou DLTs (sistemas de registro distribuído) para processos em que existem os nós (membros da rede) dentro do próprio governo, no Ministério Público e em outras instituições, para consulta. Isso permitiria uma transparência muito maior e um registro mais fidedigno governamental.

CASOS DE USO

Não podemos ser ingênuos a ponto de achar que tudo vai ser feito por blockchain. Há limites técnicos de velocidade, de processamento, por exemplo. Mas há aplicações que são propensas ao uso da tecnologia e que trariam mais segurança e transparência para a administração. A fila de transplantes de órgãos é uma delas. Com blockchain está tudo registrado e ninguém consegue mudar a ordem. Para mudar, tem que alterar um bloco posterior, o que também fica registrado. Outro caso de uso é em contratos públicos de obras e concessões. Há ainda a possibilidade de se usar a tecnologia em registro de dados pessoais, com a liberação controlada de dados para um órgão ou outro, conforme a necessidade de cada um.

TIPO DE REDES

A rigor, as redes de governo podem ser públicas e permissionada, com alguns usos limitados a órgãos de governo, que compõem os nós, mas visíveis ao públicos. Para um cidadão ter acesso, é como entrar no sistema de Receita Federal, precisando de um mínimo de identificação.

SOCIEDADE DE BAIXA CONFIANÇA

O economista e filósofo Francis Fukuyama cunhou o termo sociedades de baixa confiança, que concluía que a a sociedade japonesa era de confiança, e a americana se aproximava de uma de baixa confiança. O Brasil neste caso, estaria numa situação muito complicada. Essa crise de confiança no governo leva a pensar em meios alternativos de aumentar a transparência. Aqui há a Lei da transparência, mas volta e meia se vê, por exemplo, reportagens afirmando que o jornal não conseguiu todos os dados que pediu ao governo, mesmo com previsão legal e expressa. Algumas são mesmo sigilosas, como a informação se o Banco Central vai baixar juros e onde haverá blitz amanhã. Não se pode colocar a situação estatal na transparência total. Mas pode-se usar blockchain em situações em que se exige transparência, principalmente nas situações-limite.

TRANSPLANTES E TRANSPORTE URBANO

Situações-limites incluem, por exemplo, a fila de transplante de órgãos teria de ser aberta, mas conjugando a proteção de privacidade do paciente, codificando o paciente e garantindo que o lugar dele na fila não vai mudar. Outro caso é o de contratos de concessão de transporte urbano, em que há uma discussão sem fim sobre arrecadação e pagamento de bilhetagem. Se o governo usar blockchain ou DLT, colocando as empresas como nós e um poder concedente como outro nó, essa informação de bilhetagem é dada tempo real, sem poder mudar e sem ter muito trabalho para fazer isso. Há algumas situações que se enquadram perfeitamente nas finalidades que põem ser atendidas pelas tecnologias, variando com o grau de abertura. Fila de transplante teria de ser aberta, mas conjugando a proteção da privacidade do paciente.

ERROS VISÍVEIS

Quando se pensa em processos administrativos, há um encadeamento imutável de blocos, a não ser requisitos especiais que também serão registrados. Isso impacta em atos que são praticados retroativamente. Tudo isso culmina com a questão da transparência. A maior virtude dessas tecnologias é permitir um registro muito confiável e transparente. E aumentar a transparência, em várias hipóteses, é um modo de se ampliar a confiança no governo, que a cada dia se deteriora. Ainda que haja uma atuação governamental errada, isso será transparente e permitirá uma fiscalização adequada.

DADOS ADMINISTRATIVOS E DE CIDADÃOS

A transparência se põe em dados de cidadãos e de governo. No âmbito federal, há o Comprasnet, com informações de contratos na administração federal, registrados num sistema comum, de software aberto. Mas quem garante que aquelas informações não foram alteradas em algum momento? Há elementos de atuação do governo em várias áreas: na contratação pública, aplicação de recursos em obras, na saúde, e todas essas situações exigem algum tipo de registro pela legislação financeira do setor público ou pela lei de responsabilidade fiscal. Tudo isso poderia ser registrado usando essas aplicações, que geram arquivos htlm, mas sendo transplantados para DLT ou blockchain, seriam mais confiáveis, pois se reduziria muito a chance de alterações dos dados.

IDENTIDADE DIGITAL

Como existe hoje, sem blockchain, é meio problemática, porque é algo muito restrito, que se limita a alguns dados. Um exemplo com blockchain é o que existe na Estônia, para todos os cidadãos. Nessa aplicação de identidade digital, blockchain poderia suplantar os chips com criptografia. Usaria mecanismos de certificação, com verificação de vários nós, sem depender tanto de autoridades certificadoras, que são limitadas e cobram um preço para isso.

PRIVACIDADE DE DADOS

Dados de atuação governamental, desde que não sejam sigilosos, são dados que precisam ser públicos. Quando se lida com dados do cidadão, há uma espécie de conflito entre a transparência e a privacidade. Para dados da pessoa, o que vem primeiro é a privacidade. Fila de transplantes, por exemplo, não pode colocar nome, o órgão que a pessoa espera. É um dado médico, sensível, então a privacidade preservada, isso pode ser feito por blockchain, e o cidadão escolhe qual dado liberar para qual órgão. Há dois decretos federais (10.046 e 10.047, ambos de 2019) que preveem o compartilhamento de dados entre entidades governamentais, mas sem tanta segurança a privacidade. Você não sabe como são transferidos. Uma das grandes críticas a eles é que não atendiam minimamente as previsões da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD, prevista para entrar em vigor em agosto de 2020).

CAMADAS DE SEGURANÇA

Não se pode deixar o estado sem dados dos cidadãos, porque são necessários para se fazer as políticas públicas, como investimentos numa região ou regras de aposentadoria. Mas se os dados forem usados de forma pública, isso precisa ser feito com o anonimato de certas informações. Blockchain permite isso, o uso de dados, mas que se coloquem camadas para restringir o uso, dando a um órgão as informações que ele precisa, e a outro só o que ele precisa também. Com isso, a gente acaba com o CD com dados de cidadãos vendido na Rua Santa Efigênia, porque as informações serão criptografadas e sem possibilidade de se quebrar os códigos.

USO NO GOVERNO

O uso de blockchain e DLT nos governos do Brasil estão em estágio muito inicial, engatinhando. Tem casos de uso em processos cartorários (caso da Growth Tech), tem um projeto pioneiro da Receita Federal, o BNDES está estudando projetos. Os projetos precisam de uma maturação, principalmente para as áreas que demandam mais, que são de segurança e transparência e privacidade.

FALTA CONVERSA

Mas os projetos não se conversam. Não existe uma estratégia nacional, como a Alemanha. Isso faria todo sentido, porque incentivaria os órgãos a usar padrões que se comuniquem, compatíveis entre si. E dá uma força maior aos projetos para que sejam implantados, com algumas obrigações de uso. A gente tem que considerar que isso também depende da maturidade da tecnologia. Blockchain, a despeito de ter quase uma década, ainda não é suficientemente madura em todos os campos.

VELOCIDADE

NO estágio atual da tecnologia, ela ainda não garante serviços mais rápidos. Se colocar dados do INSS no blockchain, pode não conseguir fazer o que é necessário. Não descarto que mais adiante se evolua a ponto de superar essas limitações, que hoje são técnicas. Blockchain é como bacon, é bom para muita coisa, mas não pode usar com sorvete, laranja… Como tudo na tecnologia, você tem que selecionar de acordo com a propensão dela de utilidade.

Stablecoins deverão superar obstáculos de liquidez em negociações intraday

As stablecoins (moedas estáveis criptogradas) privadas, que têm se proliferado pelo mundo, deverão enfrentar obstáculos técnicos, incluindo a necessidade de liquidez nas negociações intraday, afirma o relatório anual do J.P. Morgan sobre a evolução da tecnologia blockchain e dos criptoativos, divulgado na semana passada.

O J.P. Morgan criou a Quorum, uma rede de informações interbancárias com 320 bancos e, segundo notícias do mercado, estaria comprando a Consensys. Segundo a instituição financeira, blockchain já ultrapassou a barreira da experimentação para pagamentos, com bolsas de valores abraçando a eficiência que a tecnologia fornece em fechamentos/clearing e gerenciamento de colaterais.

Soluções para comércio exterior e pagamentos são as que mais entregam eficiência aos bancos, em comparação ao uso para outras áreas, mas a implementação se espalhará em pelos menos 3 a 5 anos, diz o relatório.

Banco Topázio, do RS, vai usar blockchain em pagamentos internacionais

O banco digital Topázio, sediado em Porto Alegre, fechou um acordo com a Nium (ex-InstaReM), plataforma de pagamentos digitais internacionais que faz parte da rede Ripple.

A solução da Ripple é conhecida no mercado por ser mais rápida e mais barata do que as soluções tradicionais de transferências de recursos.

Os serviços serão inicialmente para transferências entre o Brasil e o Canadá e Estados Unidos, mas a expectativa é expandir para outros mercados.

A plataforma Nium está sediada em Singapura e opera em mais de 55 países.

Combinação de blockchain, AI, IoT e edge computing deve avançar em 2020

Um dos principais temas relacionados ao uso de blockchain em 2020 será o da combinação dessa tecnologia com outras como inteligência artificial, internet das coisa e edge computing, segundo um estudo da IBM com 1 mil profissionais das áreas de negócios e tecnologia.

Para 88% das instituições, garantir padrões de comunicação de dados é um fator importante para se juntar a uma rede blockchain. Por isso, uma das combinações de tecnologias será para validação de dados, na tentativa de ser evitar a inclusão de informações erradas ou fraudulentas na rede por uma atitude desavisada ou intencional.

Essa combinação de tecnologia deverá não apenas turbinar o resultado que cada uma delas poderia entregar sozinha. Um passo seguinte deverá ser a criação de soluções até hoje inexistentes nem no mundo analógico, nem no digital. Em entrevista recente ao Blocknews, Ricardo Polisel Alves, diretor executivo de estratégia de tecnologia da Accenture, afirmou que essa fase deve chegar em cerca de 3 anos.

Governança e moedas digitais

Um outro tema importante deste ano deverá ser a solução para o que parece ser o maior calcanhar de Aquiles das redes privadas de blockchain: a criação de novos modelos de governança que permitam a implantação e eficiência dessas redes.

A pesquisa mostra que 41% das organizações dizem que a falta de padrões entre os parceiros é o desafio mais importante para fazer a prova do conceito (PoC) ou o ecossistema mínimo viável (MVE).

Chegar a um consenso sobre a governança é uma das maiores dificuldades que os participantes de uma rede têm encontrado para usar blockchain, disse ao Blocknews Carlos Rischiotto, líder técnico de blockchain da IBM .

A pesquisa indica ainda algo que claramente se vê todos os dias no universo blockchain, que é o avanço de moedas digitais criptografadas, sejam as privadas, como as de bancos centrais.

Hoje mesmo o Riskbank, banco central da Suécia anunciou que fará testes de uma moeda digital. Para 58% dos entrevistados, essas moedas podem gerar novas fontes de receita com a tokenização de ativos em blockchain.

Bancos que atuam nos Emirados Árabes criam platorma para troca de informações sobre clientes

O Departamento de Desenvolvimento Econômico de Dubai (Dubai Economy), o banco Emirates NBD, o Emirates Islamic, o HSBC, o RAKBANK, o Abu Dhabi Commercial Bank (ADCB) e o Commercial Bank of Dubai (CBD), formaram o Consórcio KYC Blockchain,  para compartilhamento de informações Know Your Customer entre eles e com autoridades regulatórias dos Emirados Árabes Unidos.

Dubai tem se movimentado para ser referência no uso de blockchain no mundo e tem desenvolvido uma série de ações nesse sentido em diferentes áreas, em especial em instituições do governo.

Segundo o consórcio, a plataforma terá uma funcionalidade de conta instantânea digital, o que, espera-se, poderá ajudar a atrair investimentos para a região.

PIX, novo sistema de pagamento, pode ser início de transformação digital do sistema financeiro

Desde que assumiu o Banco Central do Brasil (BC) em 2019, o presidente da instituição, Roberto Campos Neto, indicou que faria uma transformação do sistema financeiro para torná-lo mais moderno e alinhado às novas tecnologias. O lançamento do sistema de pagamentos instantâneo, chamado de PIX e anunciado ontem, é um importante começo nesse caminho.

O PIX, que começa a operar em novembro, no esquema 24×7, “vai ser o embrião do que acredito que será uma transformação total no sistema financeiro do país”, disse o presidente do BC, que citou ainda os movimentos de outros bancos centrais na busca por alternativas melhores ao sistema tradicional.

Por ser mais ágil e inclusivo, está mais alinhado ao que tem aparecido no mercado de pagamentos brasileiro e global, por atores fora do sistema financeiro tradicional, como as fintechs.

Há alguns anos, o Brasil ficou conhecido no mundo por ter criado um sistema financeiro ágil, desenvolvido por conta dos custos que a alta inflação representava nas operações bancárias. Agora, o BC parece ter se dado conta de que se não correr, o sistema brasileiro vai passar de referência de moderno, a referência de obsoleto.

O BC garante que será um sistema barato, rápido, transparente e seguro, os mesmos conceitos que fizeram nascer a bitcoin.

Mas o PIX não pode ser comparado ao que a blockchain trouxe com a moeda bitcoin, porque depende de instituições financeiras e de pagamentos intermediando as negociações. É um sistema centralizado, como frisou o BC, e se é seguro como o que a blockchain oferece, ainda não se sabe.

A parte inclusiva fica por conta da possiblidade de participação de todos os agentes do mercado financeiro e de quem não tem conta em banco. As grandes instituições financeiras são obrigados a aderir, o que ajuda a garantir o sucesso da operação, a torna ampla e provavelmente tão grande que será difícil ser desmantelada (too big to fail). Mas isso também reforça o caráter centralizado e não peer-to-peer (transações entre pessoas).

De acordo com o BC, o ecossistema do PIX é aberto e inclui as instituições financeiras e de pagamento, a plataforma onde será feita a liquidação das transações desses participantes e o diretório de identificadores de contas transacionais, que vai armazenar as informações das chaves ou apelidos para identificação das contas dos usuários recebedores. Toda a parte das instituições financeiras, de pagamentos e do diretório são operadores e geridos pelo BC.

10 segundos

Desnecessário lembrar que uma operação feita em até 10 segundos, a promessa do PIX, é muito ágil. Nem a rede bitcoin consegue tanto.

Sim, a TED já é instantânea. Mas não é 24 horas. Para permitir pagamentos assim, fora do horário normal de transações executadas no mesmo dia, como é hoje, as instituições poderão utilizar compulsórios sobre depósitos à vista, a conversão de títulos públicos federais ou mecanismos privados de provimento de liquidez. “Alguma instituição poderá querer prover liquidez para os participantes, já temos conversas sobre isso”, disse o presidente do BC.

Há ainda um outro ponto pouco comentado ontem. Não é só pagamento instantâneo entre pessoas ou empresas, mas até pagamento de taxas poderão ser feitas pelo PIX, já que a Secretaria Nacional do Tesouro está no sistema. Isso inclui, por exemplo, a do passaporte.

O sistema vai permitir o uso de QR Code ou informação de dados para realizar os pagamentos. Em seguida, deve vir a possibilidade de pagamento por aproximação.

Se continuar assim, vem muita novidade por aí.

Redes públicas devem chegar a US$ 11,8 bilhões até 2025, estima estudo

As redes públicas (não permissionadas) deverão crescer 51,3% até 2025, chegando a US$ 11,8 bilhões até 2025. Enquanto isso, o mercado global de tecnologia blockchain deverá crescer US$ 14,3 billões, numa expansão composta de 47,3%. Os dados são de um estudo da ReportLinker.

O crescimento do mercado nos EUA deve ser de 52,7%. Na Europa, a Alemanha vai registrar um crescimento de US$ 359 milhões nos próximos 5 anos. O restante da Europa responderá por projetos avaliados emr US$ 655 milhões.

No Japão, as redes públicas de blockchain terão um mercado de US$ 742,4 milhões no período, enquanto na China deve registrar crescimento de 45%, com projetos de US$ 2,3 bilhões.