Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Taiwan usa blockchain para racionamento de máscaras devido ao Coronavírus

O governo de Taiwan criou dois projetos com a empresa FiO, de SasS-blockchain, para controlar a logística de entrega de máscaras cirúrgicas devido ao Coronavirus. O governo teve de racionar a venda de máscaras porque há 4 milhões de unidades no estoque, para uma população de 23 milhões de pessoas, segundo o Centro de Comando de Epidemias de Taiwan (CECC).

Outras iniciativas em blockchain relacionadas ao controle do Coronavirus já surgiram. Recentemente, a Acoer, que desenvolve aplicações em blockchain, disponibilizou sua ferramenta de visualização de dados HashLog para que seus clientes das áreas de saúde e jornalistas possam acompanhar a expansão do Coronavírus. A plataforma consolida dados de diferentes fontes.

A FiO se voluntariou para trabalhar com o Grupo de Desenvolvedores do Google de Taiwan e com as autoridades locais para criar um sistema de inventário das máscaras e uma infraestrutura logística para rastrear a distribuição e quantidades para as farmácias.

Dos 4 milhões em estoque, apenas 2,6 milhões estão sendo entregues aos residentes no país. Para receber até 2 unidades por semana, é preciso se registrar no sistema de rastreamento e apresentar o cartão da Seguridade Nacional de Saúde (NHI) ao comprar as máscaras nas farmácias credenciadas.

Segundo a FiO, o plano é criar uma blockchain alimentada por inteligência artificial para o sistema de inventário, se isso for aprovado. Com isso, os dados são imutáveis, custos serão cortados e horas de trabalho também.

A FiO já fez outro projeto com o governo, para ajuda quando farmácias do país foram inundadas.

Santander contrata executiva especializada em pagamentos P2P

O banco Santander anunciou ontem a contratação de Trish Burgess como nova líder global de pagamentos peer to peer (P2P), um cargo que acaba de ser criado. Sua missão é expandir os serviços de pagamentos feitos diretamente entre clientes para que o banco crie uma rede internacional de pagamentos.

A contratação faz parte da estratégia do Santander de investir 20 bilhões de euros em ações digitais e tecnologia num período de 4 anos para se tornar a melhor plataforma de serviços financeiros abertos do mundo.

A executiva veio da Apple, onde foi responsável pelo Apple Card, além de lançar o Apple Pay na Europa e Ásia. Ela fará parte de um time de executivos que mistura experiência em tecnologia e serviços financeiros, com profissionais vindos de empresas como Google, PayPal, Facebook e Amazon.

EUA, maior mercado mobiliário do mundo, tentam entender uso de blockchain no setor

Nenhum país lidera hoje a tecnologia blockchain para títulos mobiliários digitais. O maior mercado de capitais em dólar e volume é o dos Estados Unidos (EUA) e o país ainda está tentando entender como fazer a emissão de títulos respeitando o compliance e negociar os títulos de forma digital com segurança, diz Brian Collins, CEO da Horizon Globex, startup norte-americana focada em soluções em blockchain para o setor mobiliário.

A Horizon Globex deu o suporte para o lançamento privado das primeiras debêntures em blockchain no Brasil. A emissão de R$ 66 milhões foi feita pela gestora carioca Piemonte, em dezembro passado.

Os reguladores de mercados mobiliários não querem barrar a inovação no setor, mas têm o dever de proteger os cidadãos de golpes, afirma o executivo.

A maioria das negociações de valores mobiliários já é digital, agora, a tecnologia nos mercados financeiros deve avançar na transparência e em fechamentos de contratos de forma instantânea, completou

Segundo ele, tanto a SEC, a comissão de valores mobiliários dos EUA, quanto a Finra, a autoridade regulatória do setor financeiros norte-americano, têm avançado nessa direção, mas a CVM também. “O Brasil não está atrás de nenhum outro mercado. É uma questão de alinhamento regulatório associado à educação do investidor.

Blockchain dá segurança ao investidor de títulos, diz Lombardi, da Piemonte

A tecnologia blockchain poderia ser aplicada para a emissão de títulos para o varejo, mas essa mudança deve acontecer de forma gradual, “do contrário, vai quebrar a perna de muita gente. Em blockchain se faz tudo online de forma transparente para títulos e investidores. No futuro, os serviços dos bancos vão ter de mudar.”

É o que disse ao Blocknews Alessandro Lombardi, CEO da Piemonte, gestora de recursos que fez a primeira emissão de debêntures em blockchain do Brasil, em dezembro passado.

Lombardi, italiano que vive no Rio de Janeiro, é formado em ciências contábeis. “Por ser uma pessoa que vive no débito-crédito da contabilidade, vi que blockchain é uma contabilidade de operações que é quase uma luz que se acende quando você a descobre”.

Decidiu investir numa plataforma blockchain quando viu a operação de 110 milhões de dólares australianos (cerca de US$ 60 milhões) em títulos emitidos pelo Banco Mundial nessa tecnologia. “Me convenci de que a blockchain é muito boa para o mercado de dívidas.” Então resolveu que tentaria se diferenciar no mercado, se antecipando ao que vê como uma tendência.

A Piemonte usou a plataforma Ethereum, usando o padrão ERC-20, e soluções da norte-americana Horizon Globex para compliance, custódia e negociação. Segundo ele, criar contratos inteligentes (smart contracts) na rede blockchain, com todos os dados dos títulos, envolvidos na operação e regras é a parte mais fácil. Foram criados tokens para a emissão de R$ 66 milhões em 440 títulos de R$ 150 mil, foi a parte mais fácil. Os títulos tiveram o valor de face ajustado alinhado ao câmbio do dólar/real. 

A questão mais difícil em investimentos em blockchain é associar a propriedade de cada token aos investidores que compraram. “Mas isso é possível e deixa o investidor com mais garantias de que o que é seu, ninguém pega e não se perde.”

O gestor diz que depois do lançamento foi procurado por muita gente, de investidores a bancos, que buscaram entender como funcionou a operação. A emissão foi privada para 5 investidores, sem esforço, portanto, de colocação no mercado.

Garantia de propriedade

No sistema da Piemonte, o investidor é cadastrado com seus dados numa carteira. A rede – neste caso de 5 investidores – vê que há carteiras, mas não sabe o que cada um tem. “O investidor tem acesso ao que é dele. Não tem como pensar em um título de investimento sem algo assim. O investidor tem que saber que ele é o dono dela e que só ele pode mexer”.

Na operação, a gestora acabou criando um mercado secundário, que pode ser mais ágil em checagem de dados e transferências de títulos.

Isso também facilita que reguladores tenham acesso aos dados, se necessário. E resolve a questão de cadastros mal feitos. Há diversas investigações de corretoras na CVM (Comissão de valores Mobiliários) por falta de informações completas do investidor, diz Lombardi, e isso o smart contract pode resolver.

Pela blockchain, é possível checar dados dos investidores e emissores, como balanços, com agilidade e maior segurança. Os dados ficam gravados na rede. Corta-se o trabalho do analista do mundo real, por exemplo.

Mesmo com tanta tecnologia, a escritura pública ainda precisa ser feita no mundo offline. No Brasil, a regulamentação ainda abre espaço para emissões públicas de títulos em blockchain, que poderiam cortar ou simplificar diversas etapas do processo.

“Emissão de debêntures públicas no mundo offline, só gigantes podem fazer por conta dos custos”, completa Lombardi. Com blockchain, isso pode mudar.

FC Barcelona entra na plataforma blockchain de esportes Socios.com

O FC Barcelona aderiu à blockchain. O clube espanhol, que estima ter 300 milhões de fãs em todo o mundo, entrou na maior base de engajamento de fãs de esportes e entretenimento em blockchain do mundo, a Chiliz. Por meio do aplicativo Socios.com, fãs podem votar e participar de pesquisas relacionadas ao time. Quanto maior o engajamento, mais prêmios os fãs ganham.

Em entrevista recente ao Blockchain Economia, o CEO da Chiliz e Socios.com, Alexandre Dreyfus, disse que a plataforma oferece aos clubes receitas adicionais e uma maior participação dos torcedores. Como a plataforma é digital, e portanto global, pode ser acessada por fãs de todo o mundo.

O lançamento comercial da plataforma foi no último trimestre de 2019 e já tem cerca de 50 clubes de 20 países, como o Atlético de Madrid, Paris St German, Juventus, West Ham United e o Galatasaray.

Na Socios.com, o Barcelona poderá emitir os $BAR Fan Token Los, que os fãs ganham conforme se engajam na plataforma e podem trocar por produtos e serviços do clube.

Chiliz é uma moeda digital que impulsiona a Socios.com. A Binance.com., trader de criptomoedas, é umas das sócios da empresa.

Uso de tecnologias como blockchain e AI, aumenta o lucro, diz estudo da Oracle

As empresas que adotaram Inteligência Artificial (IA), blockchain e outras das novas tecnologias em seus processos operacionais e financeiros estão experimentando um aumento de suas receitas líquidas num ritmo 80% maior do que as que não usam nenhuma delas, segundo um estudo da Enterprise Strategy Group (ESG) e da Oracle em 13 países, incluindo o Brasil.

De acordo com o “Emerging Technologies: The competitive edge for finance and operations“, o uso dessas tecnologias criou vantagens competitivas nas empresas.

Foram entrevistadas 700 pessoas em áreas financeiras e operacionais, sendo 98 do Brasil e do México.

Segundo o estudo, 87% das empresas que usam blockchain atingiram ou excederam suas expectativas de ROI e 82% viram um valor significativo em seus negócios num período de um ano.

Estabelecer um ROI no uso de blockchain é um dos pontos mais difíceis do uso da tecnologia. Dentre os motivos está o fato de que não há dados suficientes dos processos antes do uso de blockchain para se estabelecer um objetivo, como disse Carlos Rischioto da IBM, em entrevista recente ao Blocknew. Outro motivo é que nem sempre o ROI de uso de blockchain é ligado a redução de custos e tempo ou aumento de vendas.

Outra conclusão do estudo é que 78% dos executivos acreditam que o uso do blockchain no monitoramento da cadeias de suprimentos reduzirá incidentes e fraudes em pelo menos 50% nos próximos cincos.

De acordo com o levantamento, 84% das empresas entrevistadas usam pelo menos uma das novas tecnologias: IA, internet das coisas (IoT), blockchain ou assistentes digitais na produção. E 82% das que usam três ou mais delas estão à frente de seus competidores, enquanto 45% das empresas não usam nada.

reciChain, da Basf no Brasil, é implantado no Canadá para reciclagem de plásticos

Um projeto em blockchain da Basf no Brasil será agora implantado na Basf do Canadá. O reciChain, plataforma em blockchain para reciclagem de resíduos que foi lançado aqui em 2019, será testado na província de British Columbia e se tudo der certo, será expandido para o resto do país.

No Canadá, o reciChain está focado em resíduos plásticos para tentar aumentar o reuso do material nas cadeias de produção.  A coleta e manuseio de plásticos para reciclagem são atividades feitas em boa parte manualmente e ainda pouca gente se dá conta da necessidade de reciclagem.

De acordo com um estudo da Deloitte, que é consultora da Basf no Canadá para esse projeto, os canadenses reciclam menos de 11% das 3,3 milhões de toneladas de plástico descartadas. O objetivo é criar uma economia circular com o reuso.

A plataforma utiliza blockchain com um digital badge (crachá digital) e a tecnologia loop count, que permitem o compartilhamento de informações entre os participantes da rede e melhoram o processo de reciclagem. Devem fazer parte da rede fabricantes, fornecedores, entidades governamentais, varejistas, catadores de lixo e recicladores.

Segundo a Basf, a plataforma permite tokenizar o plástico e por isso gera uma distribuição de valor agregado mais justo ao longo da cadeia para os participantes. Isso beneficia em especial as cooperativas de catadores, no caso do Brasil.

Outra vantagem da plataforma é a emissão de certificados de reciclagem mais seguros pelos recicladores. Isso pode ajudar a gerar mais confiança nos clientes das empresas sobre seus processos industriais. Segundo o presidente da Basf no Canadá, Marcelo Lu, rastreamento é um preocupação das empresas com suas marcas.

É fato que muitas empresas estão se dando conta de que garantir a sustentabilidade de seus negócios e provar isso por blockchain é uma das respostas à crescente pressão de consumidores e reguladores por formas mais sustentáveis de se produzir e descartar produtos.

Artigo Deloitte: Transformação digital: como blockchain pode agregar valor para líderes de finanças

A transformação digital segue a passos largos, passando pelos processos em startups e no core business das organizações em direção às áreas de back office.

Desafios relacionados a gestão eficiente dos dados com massa crítica de dados, desestruturação, confiabilidade e falta de ferramentas de análise frente a necessidade imediata para tomada de decisões estão no dia-a-dia de todos os líderes de negócios e podem ser solucionados com apoio da tecnologia, seja de forma isolada ou agregada.

Com base na pesquisa Global Blockchain Survey, realizada pela Deloitte em 2019, os executivos brasileiros responderam que 47% dos projetos de blockchain estão já em fase de produção, 23% acima ao dado global, enquanto 43% entrarão em produção nos próximos 12 meses, 2% acima ao dado global, o que sinaliza o quanto o blockchain está na pauta de transformação digital das empresas locais.

Além disso, 79% dos executivos brasileiros salientaram que estes projetos de blockchain estão entre os 5 mais críticos no portfólio da empresa – 26% acima ao dado global – e 35% destes projetos terão investimentos aproximadamente entre US$ 1 milhão e US$ 5 milhões.

Solução blockchain

O blockchain tem duas aplicações principais:

  • Público: Permite negociar criptoativos como o Bitcoin;
  • Privado: Permite gerenciar transações relacionadas aos negócios, incluindo processos financeiros como contas a pagar e receber, contabilidade e compliance.

Blockchain privado pode operar como solução isolada. Entretanto, é possível ampliar e potencializar sua utilização combinando o uso de outras tecnologias, como: analytics avançado, visualizadores, computação cognitiva, Robotics Process Automation (RPA), processamento in-memory ou inteligência artificial, para reestruturar o processo de ponta a ponta. Os casos listados na imagem abaixo possuem demonstrações tácitas dos possíveis benefícios do blockchain:

Independente do segmento de atuação e porte de uma empresa, a transformação digital é uma realidade para todas as organizações e impacta todas as áreas. Os líderes de finanças que embarcaram nessa jornada já percebem os ganhos em performance e melhoria de eficiência, e certamente se destacarão como catalisadores para a transformação dos negócios em suas empresas.

O blockchain às vezes pode parecer complexo e longe da realidade, porém os resultados da pesquisa da Deloitte citada anteriormente demonstram a eminência e aplicabilidade desta tecnologia em diversas indústrias no Brasil. Mais importante que ter o domínio técnico do assunto é concentrar esforços em estabelecer um projeto piloto na empresa, avaliando o fit-and-gap das soluções tecnológicas.

Por onde começar

Tornar blockchain real é a melhor maneira de torná-lo compreensível.

*Sérgio Biagini é sócio da Consultoria Empresarial e líder da Indústria de Financial Services da Deloitte Brasil.

*Arthur Nerath é grente em Finance & Enterprise Performance da Consultoria Empresarial da Deloitte Brasil.

Agenda: Evento em SP vai discutir blockchain e criptoativos

A BRQ Digital Solutions, especializada em transformação digital de empresas, e a Redpoint eventures, fundo que investe em empresas digitais, vão realizar na próxima terça-feira (18), em São Paulo, o evento “Década Nova, Novos Mercados – Blockchain, State of the Market & Foresights, 2020”. O evento vai discutir as perspectivas sobre blockchain, DLT e criptoativos.

Entre os palestrantes estão Courtney Guimarães, da BRQ e especialista em blockchain e criptoativos, Anderson Thees, sócio diretor da Redpoint, Marcelo Sampaio, co-fundador da HashDex, Taynaah Reis, fundadora do Banco Moeda Seeds e Maria Alice Frontini, do MIT e investidora.

As inscrições podem ser feitas pelo http://bit.ly/38lbUN4

JP Morgan negocia fusão da Quorum com a Consensys, do co-fundador da Ethereum

O JPMorgan Chase, maior banco dos Estados Unidos, está negociando a fusão de sua unidade de blockchain Quorum com a Consensys, startup para aplicativos e outras atividades criada por um dos fundadores da Ethereum, Joseph Lubin. A informação foi divulgada pela agência de notícias Reuters nesta manhã (11).

A Consensys desenvolve aplicações e ferramentas para desenvolvedores, investe em outras startups e promove cursos sobre blockchain. A sua reestruturação, anunciada na semana passada, pode ser o sinal de que a empresa se prepara para um novo sócio ou parceiro e a fusão com a Quorum poderia dar maior força ao seu braço de desenvolvimento de softwares.

A startup anunciou que demitiria 14% de seus funcionários devido a uma reestruturação para separar seu braço de desenvolvimento de softwares de suas atividades de investimentos (venture).

A Quorum, assim como a Consensys, também opera com Ethereum, usada na sua Rede de Informações Interbancárias (Interbank Information Network, IIN), que inclui cerca de 320 bancos. A Quorum também tem feito outros testes, como o de empréstimos para carros usando blockchain. O banco já demonstrava querer um spin off da Quorum.

A informação chama a atenção por significar uma operação entre um dos bancos mais tradicionais do mercado financeiro global com uma startup de uma tecnologia que a princípio foi criada para acabar com a intermediação bancária.

Mas o CEO do JPMorgan, Jamie Dimon, há muito tempo se mostra interessado na tecnologia e investiu nela, com a Quorum. Do que ele parece não gosta mesmo é de criptomoedas como bitcoin, que chamou de fraude, em 2017. Há um ano, o banco anunciou que iniciaria testes de sua própria moeda para pagamentos instantâneos. Dimon disse que que a JPM Coin não tem nada a ver com bitcoin.