Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Bradesco testa blockchain em 5 áreas, de trade finance a seguros

O Bradesco e a Bradesco Seguros estão avaliando a tecnologia blockchain em 5 áreas. Até 2021, todos os pilotos bem-sucedidos deverão entrar em operação. “Os projetos estão ganhando maturidade para poderem entrar na fase operacional”, disse Fernando Freitas, superintendente executivo de Pesquisa e Inovação do Bradesco.

Dependendo do projeto, as plataformas usadas são Corda, da R3, Hyperledger e Ripple, disse o executivo em entrevista exclusiva ao Blocknews.

De acordo com o executivo, definições sobre a governança das redes e certos custos referentes à nova tecnologia são obstáculos que se enfrentam no uso de blockchain. “Na grande maioria dos casos é necessária uma governança específica, que pode precisar de uma entidade jurídica”, afirmou Freitas.

É comum a governança – que define quem entra na rede, como será o seu uso, quem pode ver qual informação e outras regras – ser indicada como um dos fatores que deixam o processo de uso de blockchain mais lento.

Em relação aos custos, Freitas afirma que diversos deles em tecnologia caíram. Mas com blockchain, paga-se o preço do novo. “È preciso de muita escala para usar blockchain, como acontece com qualquer nova tecnologia”.

Segundo ele, para cada caso e uso do banco há uma conta de custos e benefícios, e nenhum detalhe é revelado.

Apesar disso, os benefícios podem compensar. “Blockchain dá segurança aos operadores. Além disso, tem propriedades que podem mudar a forma como as coisas funcionam e uma boa capacidade de gerar novas formas de negócios”, disse o superintendente do Bradesco.

Cinco projetos

O projeto do Bradesco que está mais à frente é o de remessas internacionais entre Brasil e Japão, que utiliza Ripple. Este pode entrar em operação ainda neste semestre, conforme noticiou o Blocknews no início deste mês – a reportagem está em http://bit.ly/36idtti

Um segundo bloco de testes está sendo feito em supply chain na área de seguros. A Bradesco Saúde está analisando se há vantagem em criar uma rede nesse segmento, disse Freitas.

Há ainda os testes em trade finance, com a R3, que fornece a plataforma Corda e da qual o Bradesco é um dos sócios. O banco entrou para a rede Marco Polo da R3 em maio de 2019. É um projeto de financiamento de exportações numa rede global. “Estamos analisando a tecnologia e a cadeia de valor”. A rede usa Corda e a plataforma de e negociação financeira da TradeIX. 

Um outro projeto é na área de mercado de capitais, referente a reconciliação das operações dos bancos, ou seja, troca de ativos no fechamento das operações.

E por fim, há a participação do Bradesco na Rede Blockchain do Sistema Financeiro Nacional, operada pela CIP (Câmara Interbancária de Pagamentos). Nessa rede, 9 bancos trocam informações de possíveis fraudes por celular. No futuro, esse serviço pode incluir também fraudes por desktops.

Blockchain não está apenas nos testes do banco e da seguradora. O Banco também financia o Habitat, espaço de coinovação que abriga cerca de 190 startups, sendo que algumas delas usam blockchain em suas operações.

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