Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Dapps criam soluções que ajudam de ONGs a partidos políticos

Os Aplicativos Descentralizados (Dapps) estão crescendo em número e embora continuem muito concentrados em usos como games, exchange e apostas, surgem novidades em outras áreas, como eleitoral, inclusive aqui ao lado, no Uruguai, industrial e para doações.

Dapps são aplicativos que podem ser para blockchain e são vistos como uma promessa para um uso maior dessa tecnologia, porque podem ter um número sem fim de finalidades. Eles permitem ações descentralizadas, peer to peer (P2P) e, portanto, sem intermediários. O dapp Bitcoin é o primeiro e mais conhecido deles.

O DappReview contabilizou mais de 4.000 dapps em 2019, com 1.955 novos entrando na conta. Os de games são 47% do total, seguidos pelos relacionadas a exchanges (21%). Esses aplicativos movimentaram US$ 23 bilhões e a maior parte usa a rede Ethereum.

O Partido Digital do Uruguai, que como o próprio nome diz, prega o uso de ferramentas digitais para transparência, anunciou que fará eleições internas usando um dapp. Numa primeira fase, “contratos inteligentes e tokens serão usados para a governança interna do partido”, como votação de propostas pelos seus membros, segundo a Aerternity, que está desenvolvendo o projeto.

Outra aplicação, que cai como uma luva para as empresas, é o da Chainyard, que foca na validação de informações sobre fornecedores para que uma empresa decida se quer incluí-lo em sua cadeia de suprimentos. Nisso, consegue aumentar a qualidade da validação e reduzir o temo de aprovação e inclusão na cadeia – no final das contas, pode aumentar sua eficiência de forma mais ágil.

Na área social, doadores se preocupam se as instituições vão usar direito seu dinheiro, e as instituições se preocupam em como provar que fizeram bom uso dele. Confiança é fundamental para manter a entrada de recursos para os projetos sociais. A TRACEDonate permite ao doador acompanhar como sua doação foi usada e vai além, permitindo que o doador decida como o dinheiro deve ser usado – por exemplo, se para construir um laboratório numa escola ou se para pagar novos professores.

Quem quiser saber mais sobre a evolução dos dapps, a 2ª IEEE International Conference on Decentralized Applications and Infrastructures, em abril, vai apresentar diversos casos de uso dos aplicativos. A IEEE é a maior organização de técnicos do mundo e o evento reúne pesquisadores e usuários em Keble College da Universidade de Oxford, na Inglaterra.

O maior uso dos dapps em serviços financeiros – para atividades além de negociações com criptomoedas – podem deslanchar com a regulamentação de produtos e serviços que usam blockchain.

Em outras áreas, o uso pode crescer com o compromisso das instituições com transparência e com a maior confiança no impacto que o compartilhamento de dados causa. E em todos os casos possíveis de uso, dapps ficarão mais populares com o famoso boca a boca: “ouvi falar, usei e gostei”.

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