Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Ripple mira crescimento da rede de bancos na América do Sul

Sacco diz que uso de um conjunto único de APIs aumenta a agilidade das operações.

Depois de um 2019 considerado de consolidação, com o maior crescimento da empresa desde sua fundação em 2012, a Ripple, plataforma de blockchain para transferências internacionais, entra em 2020 bastante otimista. Até o último dia do ano passado, Luiz Antônio Sacco, diretor-geral para o Brasil e América do Sul, negociava a entrada de mais bancos na rede.

“O número de clientes vai crescer e mais soluções vão se tornar realidade”, disse o executivo ao Blocknews. Além do Brasil, Peru e Chile tem tido boa performance na plataforma Ripple. Para 2020, a expectativa é de crescimento também na Colômbia. “Alguns países estão mais propensos a fluxos internacionais.”

Em boa parte, a aceitação do mercado brasileiro a uma rede blockchain de mensageria de transferências internacionais têm explicação no estágio de tecnologia dos bancos nacionais. “As equipes de inovação das instituições financeiras estão preparadas para implantar uma inovação como a plataforma em blockchain da Ripple”, disse.

Além disso, há as fintechs, que muitas vezes trabalham com os bancos para adotarem esse sistema. Ouro ponto é que bancos como o Santander já usavam a plataforma no exterior e passaram a adotá-la aqui.

Um dos clientes da Ripple que pode começar em breve a usar a plataforma comercialmente é o Bradesco. O banco está em testes avançados para as transferências no corredor Brasil-Japão. Na outra ponta está o MUFG (Mitsubishi UFJ Financial Group). O Japão está entre os 5 maiores mercados de remessas globais, segundo Sacco.

A empresa não revela número como os de transações, clientes e rankings por país, mas confirma que o Brasil detem 30% das entradas e saídas de remessas.  Concorrente da Swift, a Ripple afirma que consegue reduzir custos dos bancos e portanto, a cobrança para os clientes. Dentre as vantagens de se usar blockchain, está a de poder usar uma quantidade maior de informações nas transferências.

Os valores cobrados pelos bancos variam conforme suas políticas, segundo o executivo. É possível que hoje, menos cobrando menos, façam mais transações com a redução dos valores , o que pode atrair mais clientes.

Uma das formas disso acontecer é por meio do uso da criptomoeda XRP que a Ripple criou e que segundo o CoinMarketCap, é a terceira do mundo em capitalização de mercado. Onde há regulação ela pode ser usada. No Brasil, ainda não. Os bancos usam a XRP para fazer as transferências, o que reduz o custo com o pré-financiamento de compras e provê liquidez.

Na América Latina, a moeda começou a ser usada no corredor México-Estados Unidos pela MoneyGram. Em novembro, o CEO da empresa, Alex Holmes, anunciou que 10% das transferências eram feitas com a XRP. Para Sacco, o México mostra a viabilidade da criptomoeda para esse tipo de operação. “A XRP não é uma moeda de especulação. É um ativo para fluxo de recursos sem alocação de compra.”

A Ripple investiu US$ 50 milhões na MoneyGram em 2019 e tem 9,95% de participação na empresa. Há 15 dias, a empresa anunciou também recebeu US$ 200 milhões em investimentos Série C liderado pela Tetragon, com a SBI Holdings  e a Route 66 Ventures.

Em 2019, a Ripple ultrapassou a marca de 300 clientes no mundo e suas transações aumentaram 10 vezes na comparação com o ano anterior na plataforma blockchain RippleNet, a rede de bancos, instituições financeiras e provedores de pagamentos.

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