Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Bancos analisam compartilhar procurações por blockchain

A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e a Câmara Interbancária de Pagamentos (CIP) estão analisando o potencial uso de blockchain para compartilhamento de procurações e poderes de clientes. Isso se daria pela Rede Blockchain do Sistema Financeiro Nacional (RBSFN), lançada em 2019, que tem 9 bancos como membros. A ideia é implantar a atividade neste ano, se tudo correr bem, disse ao Blocknews o diretor de Políticas de Negócios e Operações da Febraban, Leandro Vilain.

Inicialmente o serviço é pensado para clientes pessoa jurídicos. “Adotar blockchain nesses casos poderia agilizar processos como o de abertura de contas, fechamento de câmbio e revogação de poderes”, afirmou o diretor. Se o documento é validado e colocado na rede por um banco, os outros poderiam aceitá-lo e imediatamente teriam efeito nos membros da rede. Numa revogação de poderes, por exemplo, se um alguém tentar fazer uma operação para a qual não tem mais poderes, a agilidade do compartilhamento de informações pode impedir isso.

A redução de tempo e custos será tanto para os clientes, que não precisam emitir e andar de um lado para outro para distribuir esses documentos, como para as instituições financeiras na validação.

Mas, um dos desafios desse projeto é cada banco aceitar a validação feita pelo outro. As áreas jurídicas, por exemplo, têm de se acertar e as padronizações podem facilitar esse caminho.

Na RBSFN, 9 bancos trocam informações relacionadas a potenciais fraudes cometidas por celular. Os bancos são Banco do Brasil, Banrisul, Bradesco, Caixa Econômica Federal, Itaú, J.P. Morgan, Original, Santander e Sicoob. A tecnologia é a Fabric Hyperledger. Mas Vilain disse que a Rede poderá usar no futuro outras soluções, se necessário.

A Febraban não revela os investimentos em blockchain e o número de fraudes captadas por celular. “Escolhemos esse projeto porque o número de fraudes por celular não é significativo. O objetivo é testar se blockchain funciona e fatores como padrão de segurança e como conectar os bancos à tecnologia.”

Por 3 anos, Febraban e CIP estudaram se, e como, adotar a tecnologia. Inicialmente pensou-se em aplicá-la na plataforma de boletos lançada em 2017. “Fiquei noites sem dormir pensando se era o caso, mas decidimos não, porque o projeto já era complexo. Foi a decisão certa”, diz o diretor da Febraban. O motivo é que 4 bilhões de boletos são processados ao ano e a plataforma blockchain não daria conta disso, por causa da limitação de transações por minuto.

Agora, com a RBSFN, os bancos estudam o que mais podem fazer nela. Para cada atividade, são adicionados usos e feitas as programações necessárias.

2 Comentários

  1. Leandro, muito interessante 9 grandes Bancos colaborando entre si para análise de Fraudes, trazendo benefícios para a população na agilidade de identificação de fraudes, e podendo cada vez mais expandir o KYC (Know Your Customer) em uma plataforma Blockchain.
    Benefícios para os Bancos e correntistas.

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