Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Bomesp lança plataforma de rastreabilidade que funciona em sidechain

A Bomesp (Bolsa de Moedas Virtuais Empresariais de São Paulo) está lançando um sistema de rastreabilidade para logística que funciona em uma sidechain, ou seja, uma rede blockchain que valida dados de outras redes blockchain.

Niolog, como é chamado o sistema, pode melhorar os índices de entregas corretas e melhorar o controle de jornadas de trabalho, além de reduzir o uso de papel, dentre outros benefícios, segundo a Bolsa.

A plataforma é própria e utiliza a solução Ethereum, integrando apenas a rede blockchain Ethereum para gravação e consistência dos metadados”, disse a Bomesp ao Blocknews. O cliente decide se grava as informações da sidechain no IPFS (InterPlanetary File System, rede peer-to-peer de armazenagem e compartilhamento de dados), no Amazon S3 ou no próprio servidor.

Segundo o diretor executivo da Niolog, Vinicius Hernandes, é possível ter na plataforma dados de toda a rastreabilidade, como relatórios, histórico de temperatura, tempo de armazenagem, trajeto, localização, assinaturas digitais, tentativas de entrega e fotografias.

Fernando Barrueco, CEO da Bomesp, afirmou que as empresas pagam por planos para uso da plataforma e o valor começa em R$ 300,00. A plataforma pode ser acessada pelo site ou aplicativo no celular. Consumidores poderão acompanhar suas entregas por meio de QR CODE.

Time de futebol Roma entra em blockchain para jogos e figurinhas de torcedores

O time de futebol italiano Roma entrou para a plataforma de jogos digitais em blockchain Sorare. Outros times, como o Atletico de Madrid e o West Ham também estão na plataforma.

Na Sorare, é possível colecionar e trocar figurinhas digitais de jogadores com o mundo todo, montar seu próprio time e participar de jogos semanais. É uma gamificação do torcedor.

A Consensys é investidora na Sorare, que está baseada na França.

O Roma também tem um acordo com a plataforma Socios.com que criou o fan token do clube, o AS Roma Fan Token. Quanto mais o torcedor participa da plataforma, mais ganha recompensas, com acesso a um marketing exclusivo.

Iberia lança projeto para empresas compensarem carbono de seus voos com blockchain

A companhia aérea Iberia está apresentado às empresas um projeto para que neutralizem carbono de suas viagens aéreas utilizando blockchain. O projeto será feito com a startup Climate Trade, que oferece uma plataforma nessa tecnologia para compensação de carbono, financiamento de projetos ambientais e investimentos sustentáveis.

O banco BBVA, a empresa de energia Endesa, a loja de departamentos El Corte Inglés e a construtora de navios Navantia serão os primeiros a fazer a compensação, segundo reportou o site espanhol Blocknews Economía, parceiro do Blocknews.

A compensação poderá ser feita apoiando um projeto de reflorestamento no Peru. Com o registro dos créditos em blockchain, evita-se a dupla contabilidade que alguns intermediários de venda de créditos criaram no mercado e fixam-se preços mais justos dos créditos. A Iberia quer ter emissão zero de carbono até 2050.

Interoperabilidade e simplicidade são tendências de 2020, diz estudo da R3

2020 vai ser um ano de bons resultados para as empresas que passaram 2018 e 2019 trabalhando em projetos que usam a solução blockchain. Quem teve como meta o sucesso no final deste ano e em 2021, vai aprender com o o que aconteceu com os primeiros que adotaram a tecnologia para identificar o seu melhor uso.

Quem diz isso é o relatório Blockchain: 2020 Vision, da R3, empresa de software blockchain para instituições financeiras. A pesquisa entrevistou membros do ecossistema da R3.

Os usuários também vão estar melhor informados para fazerem as perguntas certas aos fornecedores. Em entrevista ao Blocknews nesta semana, Keiji Sakai, responsável pela R3 na América Latina, afirmou que as áreas de negócios dos bancos começam a entender melhor a tecnologia.

Outros dos pontos levantados pelo relatório é a busca por mais simplicidade para buscar maior privacidade. E as organizações estarão focadas em governança da rede, conectividade e a melhor forma de expansão. Isso, por sua vez, vai puxar a volta da preocupação com interoperabilidade.

Growth Tech pode ter novo investidor e planeja mais que dobrar nós da sua rede

A Growth Tech, startup que desenvolve soluções blockchain focadas em registros e contratos do mercado imobiliário, planeja para 2020 uma expansão expressiva da sua rede de cerca de 40 membros (nós) e a entrada de um investidor na empresa, disse ao Blocknews Hugo Pierre Furtado, fundador e CEO da empresa.

A entrada de um investidor, um venture capital, está na fase final de negociação e pode ser anunciada muito em breve. Com esse investidor devem vir novos nós, incluindo os que farão parte de uma operação piloto bilionária prevista para meados de fevereiro, segundo Furtado.

“A estimativa é que a rede ultrapasse 100 nós neste ano.” Hoje, entre os membros há cartórios, que respondem por cerca de metade do total, incorporadoras e administradoras de condomínios. Um banco está em negociação para entrar na rede e seguradoras têm conversado com a Growth Tech em busca de informações, segundo o fundador da startup. Ele não divulga os nomes desses interessados.

A Growth Tech tem várias atribuições e por isso, cada nó decide como utilizá-la. Podem, por exemplo, usar apenas a parte de cartório ou para registro de crianças. Com isso, a startup também conseguiu diversificar seu negócio em 2019. De todas as transações, 20% não são do mercado imobiliário.

O uso diversificado permite que a empresa esteja atualmente em conversas, por exemplo, com governos estaduais para a criação de prontuários únicos de saúde e de listas de espera para doação de órgãos.

Mas o foco principal continua sendo o imobiliário. “É uma equação que fecha porque há muita carência de tecnologia e há recursos para serem investidos”, completou.

Por isso, em 2020, um esforço da empresa será mostrar aos governos e reguladores a viabilidade da blockchain nessa área, o que a tecnologia traz em eficiência e que por que é benéfico haver regulação sobre seu uso.

Hoje, a regulação não proíbe blockchain, mas ainda não está atualizada sobre as novas tecnologias. O objetivo desse esforço é atrair mais cartórios. “E eles podem atrair outras empresas do mercado imobiliário, como incorporados e bancos”.

Para Furtado, muitos cartórios não entram na rede por receio de que no final, serão eliminados pela tecnologia. Ele afirma que essa não é a intenção. “Vejo tecnologia como uma forma de melhorar as transações. É regra de negócio com algoritmo. E quem faz a regra é quem está no negócio.”

Visão

A startup nasceu depois que Furtado, que já trabalhava em tecnologia, percebeu que a blockchain poderia mudar a forma como a sociedade transaciona. “Daí decidi empreender em blockchain e pesquisei o mercado. Vi que no segmento de cartórios poderia haver um impacto grande, dado o faturamento desse setor.”

O faturamento do segmento foi de R$ 16,3 bilhões em 2018, dado mais recente. Essa receita subiu 46% desde 2013 e inclui todos os 11,6 mil cartórios no país.

Feitos vários pilotos, Furtado percebeu que em torno de 2/3 da receita vem do mercado imobiliário. “Vi que é um mercado muito analógico, que usa papel, mas que responde por boa parte do PIB brasileiro”.  Disso tudo nasceu a Prop Ledgers, uma solução para o mercado imobiliário.

A Grow Tech usa a Hyperledger e tem o apoio da IBM, por estar no programa de Open Ventures de mentoria da empresa.

A startup tem 35 funcionários, opera com lucro e fatura na casa dos milhões de reais – número não é revelado. A entrada do investidor é o primeiro aporte externo feito na empresa, segundo seu fundador.  

Dos pilotos da Growth Tech, alguns saíram na mídia, como uma operação da MRV, que comprou um terreno, fez a escritura e registrou a incorporação do empreendimento em blockchain. Um processo normal exige a entrega e avaliação de malas de documentos, segundo Furtado. Com a blockchain, se fez tudo isso em 4 dias, enquanto o normal seriam até 4 meses. No final, significou colocar o empreendimento à venda muito antes do usual.

Houve também o primeiro registro de união estável, que foi de dois homens em cidades diferentes – São Paulo e Rio de Janeiro – e o de um bebê que nasceu na Casa de Saúde São José, no Rio de Janeiro, maternidade que aceitou participar do piloto – o registro foi feito em 7 minutos no hospital e por tablet, ao invés das usuais 24 horas com ida até o cartório.

Startup brasileira Fohat inicia projeto em energia no Chile

A startup paranaense Fohat, que trabalha com soluções tecnológicas para o setor de energia, está iniciando neste mês mais um projeto internacional com blockchain. Além de já atuar num projeto na Austrália, agora a empresa está desenvolvendo um sistema para a operação chilena da Acciona, operadora espanhola de energia renovável.

A empresa de inovação foi uma das 8 escolhidas num desafio lançado pela Acciona para que fossem apresentadas soluções que resolvessem diferentes problemas. A solução evita apagões, disse ao Blocknews Renan Schepanski, co-fundador e diretor de Vendas e Marketing da Fohat, que foi fundada em 2017.

No Chile, a empresa vai desenvolver um sistema de controle de microgrid para atendimento do programa de resposta de demanda. Isso significa implantar uma microrede (microgrid) de fontes de energia distribuída que pode operar de forma independente da grade de energia principal. Se a rede principal estiver muito carregada, com oscilações, o operador pode desconectar uma ou mais fábricas, por exemplo, que passam a operar de forma independente com seus microgrids até a rede voltar a se estabilizar.

“É melhor pagar pela desconexão temporária de uma indústria da rede do que ter um apagão, que custa mais caro”, completou Schepanski.

Neste caso, blockchain será usada para a assinatura e gerenciamento dos contratos do chamado programa de resposta de demanda. E isso está inserido em um market place para compra e venda de energia.

A Fohat usa em seus projetos a plataforma blockchain da Energy Web Foundation (EWF).  A solução está associada a outras tecnologias, como blockchain, big data, machine learning e Jade. Com isso, o operador consegue controlar todo o sistema e acionar o desligamento e retorno de um cliente à rede principal de forma mais eficiente e rápida.

A expectativa é de que o piloto comece a rodar em seis meses. A Acciona está definindo qual indústria será parte dele. O valor do projeto ainda não foi revelado.

Austrália e Brasil

A Fohat tem mais dois projetos em andamento e quatro em fase de aprovação. Dos projetos em andamento, um é o da prefeitura de Melbourne, na Austrália. A empresa de inovação foi uma das duas escolhidas numa competição com 650 candidatos.

A startup está participando da modernização do Queen Victoria Market. Sua solução permite geração e armazenamento de energia elétrica para tornar o mercado autossuficiente. Na prática, painéis solares produzem energia durante o dia, o excedente pode ser vendido pelo próprio mercado, já que a comercialização de energia na Austrália é livre (peer to peer). À noite, o Queen Victoria Market compra o que precisa na rede.

Esse sistema gera uma economia de 40% de consumo de energia da rede. O impacto na conta depende do preço da energia comprada, já que é variável conforme dia e horário. “O plano é o mercado gerar 50% do que precisa e comprar os 50% restantes. Isso é autossuficiência, que é muito mais barata do que o mercado ser autônomo”, diz Schepanski.

Nesse caso, blockchain é usado nos contratos de compra e venda de energia. O valor do projeto não pode ser revelado, segundo o executivo. A Fohat já entregou a análise de viabilidade técnica e econômica do projeto de microgrid. A expectativa é de que em dois anos a parte da startup esteja concluída.

Outro projeto em andamento é com a AES Tietê, empresa de energia renovável de São Paulo e está focado na criação do primeiro balcão organizado de comercialização de energia. Nesse caso, blockchain vai garantir a confiabilidade dos dados e a segurança dos contratos e das operações do balcão. O projeto é de R$ 3,4 milhões, segundo a AES Tietê, e terá financiamento do Programa de Pesquisa e Desenvolvimento da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

New York Times revela mais detalhes de seu projeto em blockchain

A função do jornalismo é reportar fatos, com dados verdadeiros e de forma neutra. Mas no mundo da internet, onde informações giram sem parar e para todos os lados, a veracidade precisa ser checada muito mais e muito mais rápido do que antes. Por isso, desde 2019 o The New York Times desenvolveu o The News Provenance Project, que busca checar se imagens são verdadeiras e evitar que as falsas sejam espalhadas por órgãos de imprensa e outras plataformas, como mídias sociais. O projeto buscou entender como as pessoas acessam e compartilham fotos nessas redes.

Na página do projeto, feito com a IBM Garage, é possível ver inclusive como a ferramenta seria, com os órgãos de imprensa colocando fotos originais usando metadados publicados na blockchain Hyperledger Fabric. A ideia é manter um arquivo de fotos confiáveis.

“Escolhemos blockchain porque sua estrutura do dados pode ajudar a manter um registro transparente e imutável de fotos originais: quando, onde, por quem foi feita, quem publicou e como foi usada por uma rede de órgãos de notícias”, diz o site do projeto.


E para uma análise dos desafios dessa empreitada, inclusive de como isso pode afetar veículos menores e pessoas que dão informações na internet em projetos autorais, vale escutar o podcast BlockDrops do último sábado (25), de Maurício Magaldi, sobre o assunto. O podcast está nas plataformas da Apple, Spotify, Google, Breaker, Overcast, Pocketcast e Radio Public.

R3 será mais agressiva no mercado brasileiro em 2020, diz Keiji Sakai

A R3, empresa de software blockchain, que foca em instituições financeiras como bancos e seguradoras com sua plataforma Corda, começa 2020 com o plano de ser mais agressiva. Na prática, isso significa colocar não apenas o time local, mas também o internacional para trabalhar com mais detalhamento no desenho de soluções para o mercado brasileiro e alguns dos países latino-americanos, disse ao Blocknews Keiji Sakai, country head da empresa na região.

Sakai, que já passou por diversas instituições financeiras, resolveu mudar o curso da sua carreira depois que tirou um sabático, foi estudar fora (na Singularity University) e conheceu a tecnologia blockchain. Na entrevista a seguir, o executivo, de fala mansa, conta que agora a R3 foca nas áreas de negócios das empresas, e não de tecnologia.

BN: Qual era o cenário de blockchain quando a R3 se instalou aqui?

KS: O escritório foi instalado no final de 2017 e eu entrei na R3 em 2018, um ano que ainda era de estudo e desenvolvimento do mercado. O conhecimento não era tão amplo e choviam eventos em blockchain. Era uma fase de evangelização, principalmente de bancos, independentemente de plataformas. Isso porque se via que os bancos poderiam se beneficiar de blockchain e estavam à frente no uso da tecnologia. A Febraban (Federação Brasileira de Bancos), por exemplo, já estava estudando o assunto.

A R3 começou a ter seus primeiros casos concretos em 2017 e em 2018 começaram a aparecer mais lá fora. No Brasil, nessa época, começaram a surgir mais soluções B2C em blockchain. Em B2B havia provas de conceito (PoCs) dos grandes bancos que até chegaram a virar pilotos, mas não tivemos grandes lançamentos em 2018.

BN: E o que mudou desde então?

KS: Em 2019, comecei achando que blockchain ia estourar no país e no mundo. Estourou no mundo, mas no Brasil a adoção ainda está um pouco lenta, principalmente em comparação com Ásia e Europa. Estamos um ano atrás deles em termos da discussão com as áreas de negócios para identificar os benefícios da tecnologia. A gente deveria esquecer a blockchain e pensar em como resolver problemas que não foram resolvidos. A tecnologia é um meio para isso e estamos olhando como um fim. A coisa tem que ser mais natural, o problema tem que se encaixar numa oportunidade de usar blockchain. Lá fora isso está mais maduro, com a discussão focada no que vamos resolver.

BN: Na prática, o que isso significa?

KS: Nossa tática é falar mais com a área de negócio do que com a de tecnologia. No começo era com o time de tecnologia, porque era quem conhecia o assunto e tentava empurrar os projetos dentro das organizações. Mas hoje há mais conhecimento das áreas de produtos, do benefício da adoção de blockchain e de como utilizá-la. Tem muita gente de produtos que foi fazer cursos, inclusive como pessoa física, para tentar entender o assunto, principalmente no mercado financeiro. Há um ano eu diria que o conhecimento dessa área era nota de 1 a 2, numa escala de 1 a 10. Hoje é nota de 4 a 6. É uma indústria mais madura. O setor de seguros também está amadurecendo. Em algumas outras indústrias, a discussão é bem incipiente, porque para as áreas de negócios, ainda não é tão óbvio enxergar os benefícios.

BN:Qual é o cenário em seguros no Brasil?

KS: Muitas seguradoras estão amadurecendo. No mundo inteiro há projetos e consórcios que surgiram para discutir projetos em blockchain, como na Índia, Itália e o B3i (consórcio no qual o IRB Brasil Re está).

BN: Qual sua expectativa para 2020?

KS: Este ano, estamos mais agressivos. Aqui (São Paulo) é o quarto escritório global (os anteriores em cronologia foram Nova York, Londres, Singapura e depois do Brasil, abriu-se um em Hong Kong). A R3 é uma empresa global de cerca de 300 funcionários, no Brasil somos 5, porque somos uma representação comercial, mas a empresa é uma startup. Então, conseguimos navegar nela e discutir cada oportunidade que aparece com todos os executivos sêniores. Com isso, submeti uma proposta de ser bastante agressivo no Brasil, apoiando potenciais projetos que estão nascendo e eventualmente colocando gente nossa para ajudar a desenhar, a estruturar a solução, e consegui esse apoio. Com apoio do time global, alocando pessoas do mundo todo, posso fazer isso.

Quanto aos projetos, há casos para serem anunciados neste ano.

BN: Essa tática de maior agressividade é para a América Latina toda?

KS: O Brasil está um ano atrás do resto do mundo, mas o resto da América Latina está um pouco mais atrás ainda no entendimento de blockchain e no conhecimento geral da plataforma Corda . Há alguns locais onde há um pouco mais de maturidade, como México, Colômbia, Chile e Peru. Nesses 4 mercados já devemos realizar negócios. Precisamos fazer um trabalho de evangelização na região, onde estamos trabalhando desde o final de 2018, porque temos clientes que eram membros do consórcio R3. Em 2019, nossa dedicação já foi bem maior nesses mercados.

BN: Como vai o negócio R3 no Brasil e na região?

KS: Meu planejamento é em receita. Não abrimos isso ainda, mas em algum momento podemos falar porque no futuro a empresa pode abrir capital. Há projetos para serem anunciados neste ano. Até 2019, não tínhamos tanto casos de uso, o ano de fato é 2020. Um dos cases de uso é o da B3, que fez uma simulação completa da implementação dentro do próprio data center. A grande maioria utiliza ambientes na nuvem. Estruturas de mercado financeiro geralmente preferem, para dados críticos, utilizar seu próprio ambiente. Para dados não críticos, concordam em utilizar cloud. No Lift (Laboratório de Inovações Financeiras e Tecnológicas , da Fenasbac, a da associação dos servidores do Banco Central e do banco) há 3 desenvolvidos em Corda. Apoiamos também o projeto do Banco Maré, um banco social, no qual a Multiledgers faz as implementações de soluções na plataforma R3.

BN: O que diferencia a plataforma Corda?

KS: Tínhamos desenvolvido solução para os bancos e reguladores usando outra tecnologia, mas não atendia alguns requisitos, principalmente o de privacidade. Todas as tecnologias partem do princípio de que a informação é compartilhada com todos. Isso gera um risco de segurança da informação, de confidencialidade e até em relação à LGPD (a lei de privacidade de dados do Brasil). Os bancos disseram que não conseguiam usar a tecnologia porque uma das coisas fundamentais para eles é a privacidade, não permitir que o ledger de um seja distribuído para todos. E aí o consórcio* decidiu criar uma plataforma que endereçasse esse e outros problemas levantados. Existiam mais de 100 bancos e reguladores no consórcio, indicando quais os requisitos fundamentais para que uma tecnologia blockchain fosse utilizada pelo mercado financeiro.

Corda é a terceira geração de blockchain. A primeira foi a de bitcoin, a segunda foi de processamento de smart contracts e de redes permissionadas (fechadas) e a terceira criou a privacidade e interoperabilidade entre as redes. Corda foi construída para atender a privacidade da informação e só distribui o dado para quem está autorizado a vê-lo. Se é um contrato entre 5, só os cinco veem.

BN: E qual é a vantagem?

KS: Você tem uma rede gigantesca e pode operar com todos, pode ter o que for comum a todos, mas quando faz transação com um ou mais entes, os outros nem sabem que ela foi executada.  Essa solução é eficiente porque mantém todos sincronizados, todos com a mesma versão mais recente (do software), todos com cópias iguais e não se consegue deletar ou alterar dados. Mesmo uma operação entre duas entidades traz muitos benefícios. Se for feita uma operação por telefone, por exemplo, uma parte digita o acordado de um lado e a sua contraparte do outro digita com um zero a mais ou a menos e isso pode gerar contestação. O custo dela é altíssimo, até descobrir onde está a diferença, ouvir a gravação…, isso leva tempo, dinheiro e pode gerar disputa de questões legais e regulatórias. Além disso, blockchain elimina processos intermediários. Um dos casos mais bem sucedidos de blockchain é em trade finance (comércio exterior) porque a troca de documentos é tão grande que demora de 5 a 10 dias para concretizar a formalização e um caso usando uma plataforma blockchain conseguiu resolver isso em algumas horas. Você reduz de até 10 dias a algumas horas. Em seguros isso faz muito sentido. Tudo o que tem muito trabalho, muito controle de papel, de documentação indo de um lado para outro, atualização de dados, validação, vai e volta, por correio e email, começa a se resolver com uma tecnologia que todo mundo tem a última versão e as informações são compartilhadas.

BN: Usar blockchain é buscar eficiência e redução de custos…

KS: O que a gente promove é eficiência, a redução de custo é consequência. Tem muita ineficiência em todo o mercado, porque têm muitos processos desenhados na década de 90, por exemplo. Têm coisas que pararam no tempo porque não doíam e as tecnologias disponíveis não traziam soluções eficientes. Mas, hoje o volume transacional aumentou muito e aquilo que não doía, começa a doer. Além disso, a tecnologia está cada vez mais barata. Não digo que blockchain é barata, mas a tecnologia em si é mais barata, como storage, servidor, processador… Ficou mais acessível, então certas coisas que ficaram esquecidas porque não atrapalhavam, hoje poderiam ser mais eficientes. Blockchain traz isso à tona a partir do momento em que começamos a provocar essa discussão: por que preciso disso? Como fazer  em maneira segura? Como manter a integridade das informações?

*A R3 nasceu como um consórcio global de bancos e outras participantes do sistema financeiro, como reguladores. Mais tarde tornou-se uma empresa, com alguns desses participantes se tornando-se sócios. Bradesco, Itaú e B3 estão entre os sócios.

Dica do final de semana: Eu e o Universo, da Netflix

É para crianças e adolescentes. Então você pode assistir com seus filhos, sobrinhos, filhos dos amigos, sozinho ou sozinha mesmo, porque é divertido. A dica de hoje para o final de semana é a série Eu e o Universo, na Netflix.

A série foi produzida pelo cantor norte-americano de rap Pharrell Williams, mais conhecido como Pharrell, que canta a música Happy, aquela que você certamente já cantou e dançou.

A série é apresentada e protagonizada por adolescentes. Fala de temas diversos como mídias sociais, germes, oceanos, criatividade e… “Supere os pais”.

Grupo lança plataforma pública de rastreamento hospedada pela ONU

O World Economic Forum (WEF), o International Trade Center – instituição da Organização das Nações Unidas (ONU) -, a Everledger, o austríaco Lenzing Group, que produz fibras para indústrias de vários segmentos, e a Textile Genesis , plataforma de rastreamento de vestuário, lançaram uma plataforma blockchain pública de rastreamento para cadeias de suprimentos. A startup brasileira Plataforma Verde será uma das três empresas que participarão da piloto e co-design na fase 2.

“Vamos revelar qual é o nosso projeto na plataforma em abril, no World Economic Forum da América Latina“, disse ao Blocknews Chiko Sousa, fundador da Plataforma Verde, focada no gerenciamento de resíduos sólidos. O WEF Latam será em São Paulo, entre 28 e 30 de abril.

Nesta fase 2, o grupo vai trabalhar na identificação de como pode resolver problemas relacionados a segurança dos dados, sem que a solução prejudique a integridade e a transparência da plataforma.

De acordo com o grupo, o objetivo é responder às demandas dos consumidores por produtos que venham de cadeias de produção éticas e que respeitam o meio-ambiente. Representantes de outros projetos de rastreamento em blockchain, como de café e do atum brasileiro, afirmam que esse também é um dos motivo por trás de seus projetos.

A plataforma do grupo aceitará informações baseadas em blockchain de diferentes fontes e que poderão ser compartilhadas e visualizadas num ambiente neutro. O ITC está hospedando a plataforma por meio de seu Mapa de Sustentabilidade .

“Dessa forma, o ITC pode garantir aos membros da rede que seus dados não serão compartilhados externamente e que os sensíveis estarão hospedados nos centros de dados das Nações Unidas, se beneficiando da neutralidade, imunidades e privilégios da ONU“, diz o documento

As outras duas empresas que vão participar da fase 2 são a Asia Pacific Rayon (APR) e a Evrythng. A APR é uma empresa da Indonésia que produz viscose rayon 100% natural e biodegradável feita de celulose de madeira renovável. A Evrythng, dos Estados Unidos, é uma startup de soluções digitais para controle de peças de vestuário em toda a cadeia, desde a produção ao consumidor.

O projeto da plataforma começou em 2019, com uma prova de conceito (PoC). Buscou-se uma hospedagem confiável para a plataforma e a soluções de problemas técnicos que surgem com a visualização de informações vindas de diferentes provedores de soluções em blockchain.