Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Deloitte terá laboratório de blockchain no Brasil

A Deloitte Brasil vai inaugurar em São Paulo, no início de 2020, um laboratório para desenvolvimento e provas de conceito de soluções que usam a tecnologia blockchain. Com isso, a cidade se junta à rede de laboratórios que começou a ser criada em 2017 e inclui Dublin (para EMEA), Nova York (Americas) e Hong Kong (Ásia). “Estamos montando um time multidisciplinar de 20 pessoas focadas em blockchain, com profissionais de áreas como jurídica, fiscal, programação e codificação”, afirma Raul Miyazaki, diretor de Serviços Financeiros da Deloitte.

No uso da blockchain, um time multidisciplinar é necessário porque se trata de uma tecnologia que abrange diversas áreas de uma empresa. Mas não só isso. Para habilitar algo novo que não tem regulação, cuidar muito bem da governança e de questões fiscais e jurídicas são necessárias para evitar que os projetos não avancem por estarem fora das regras existentes, completa o executivo.

Uma pesquisa qualitativa da Deloitte com altos executivos mostra interesse razoável do Brasil na tecnologia, mesmo que os profissionais não entendam sobre o assunto em profundidade. Dos 103 entrevistados brasileiros para a 2019 Global Blockchain Survey, 79% indicou que blockchain está entre as 5 prioridades estratégicas nos próximos 2 anos. Quando questionados sobre a possibilidade de investirem no uso em 12 meses, mais de 90% responde que há essa possibilidade, sendo que um terço fala em investir de US$ 500 mil a US$ 1 milhão.

Acontece que Blockchain gera ainda muitas dúvidas e receios, sendo uma tecnologia tão nova e que implementa uma mudança significativa na forma de empresas trabalharem com outras que fazem parte de seus negócios, como produtores, fornecedores, distribuidores, transportadores e agentes aduaneiros. Por conta disso, não surpreende que a pesquisa, tanto global, quanto no Brasil, mostre que a maior barreira de adoção seja o receio de que a adaptação e a integração dos sistemas interrompam os negócios – ou seja, mudar e haver panes.

A segunda barreira, também aqui e fora, é a insegurança, apesar de ser uma tecnologia que coloca no chinelo boa parte do que existe no mercado. “Mas como envolve compartilhamento de dados com terceiros, há receios sobre estratégias do negócio e outras questões, como adequação à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), diz Miyazaki.

A terceira barreira é capacitação. Difícil encontrar profissionais especializados e as empresas estão treinamento seus funcionários, em geral com apoio de especialistas externos. Essa é uma observação clássica de quem está investindo em blockchain. A Superintendência de Seguros Privados (Susep), por exemplo, que está investindo num time poder para tomar decisões regulatórias e estudar a aplicação da tecnologia, também comentou, num evento recente de seguros, que pessoal capacitado é uma barreira a vencer. 

1 Comentários

  1. A tecnologia Blockchain é fantástica, e a aplicabilidade é enorme, ela irá ajudar e muito nesta 4° Revolução Industrial.
    Raul parabéns para a Deloitte em investir neste laboratório de Blockchain no Brasil, esta iniciativa é importantíssima para a criação de novos modelos de negócios, com otimização de processos, e uma coisa muito importante para o momento em que vivemos no Brasil, transparência.

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