Mercado de Criptomoedas por TradingView

Presidente do BC diz que greve de funcionários atrasa real digital e que olha para metaverso

Roberto Campos Neto, presidente do BC.

O presidente do Banco Central do Brasil (BC), Roberto Campos Neto, disse hoje (11) que poderá haver um “pequeno” atraso no cronograma de desenvolvimento do real digital, em função da atual greve de funcionários da instituição. E disse ainda que se não houver um trabalho mais coordenado dos BCs do mundo para as plataformas de moedas digitais das instituições permitirem transferências internacionais, então “a criptomoeda vai ser sempre mais eficiente”.

Campos Neto fez as afirmações num evento da TC, plataforma de informações e de educação financeiras. Os testes de nove casos de uso do real digital estavam programados para começar no último dia 27 e durar quatro meses, mas essa etapa está atrasada. Depois, a previsão inicial era de que os projetos pilotos começariam no quatro trimestre. Apesar do atraso, o presidente do BC afirmou que os projetos estão mantidos no médio e longo prazos.

O real digital não é a única atividade que está atrasada no BC. Nesta semana, o banco não vai divulgar nenhum indicador. No dia 17 de março passado os servidores começaram uma operação tartaruga, com paralisações durante o dia. E no dia 1 de abril, começou a greve.

Campos Neto disse também que tem “olhado bastante” o metaverso, no qual há um “crescimento exponencial de transações”. Algumas instituições financeiras já anunciaram ações nesse ambiente, que na verdade ainda nem existe, mas está em desenvolvimento. O Banco do Brasil e Itaú já tem atividades nele.

BC diz que real digital precisa conversar com outras CBDCs

De acordo com o presidente do BC, o mundo “vai caminhar para um processo de monetização de dados, de propriedade, de divisibilidade muito intenso nos próximos anos. A gente precisa estar acompanhado isso com a inovação do sistema financeiro nacional”. A monetização de dados é um dos temas que se relacionam com a chamada Web 3, que inclui uso de blockchain, criptomoedas e maior controle dos usuários pelos seus dados.

Campos Neto disse ainda que o crescimento de criptomoedas como meios de pagamento foi menor do que a inflação. Só que existe uma curva de uso de criptos “que começa como investimento (que é o maior uso no Brasil) e depois passa a meio de pagamento”.

No entanto, para ele existe “uma concentração injusta do debate em criptomoedas em si e uma falta de diagnóstico no que é o network. Mais do que a importância da criptomoeda, é a da network em que ela trafega. É aqui que tem grande avanço. Tem redes em que onde você mais aumenta o trafego, melhor o network fica. Os governos estão olhando isso e precisam ter uma forma digital de sua moeda”.

Moeda do BC será stablecoin

Praticamente todos os bancos centrais do mundo estão estudando as CBDCs. “Mas precisa ter uma coordenação maior”, disse o presidente do BC brasileiro. Isso porque “em alguns lugares é plataforma centralizada, outras são em blockchain”. E foi aí que disse que se essas moedas digitais de BC, como o real digital não permitirem pagamentos internacionais com eficiência, “a criptomoeda vai ser sempre mais eficiente”.

Para ele, essa é uma “corrida saudável” e há espaço tanto para moeda digital, quanto para cripto e stablecoin. Aliás, o presidente do BC lembrou que o real digital será no formato de stablecoin (cripto atrelada a um ativo, no caso, o real). E explicou funcionamento: “assim como tem o STR (Sistema de Transferência de Reservas), que liquida todos os ativos e tem como garantia o real, vai ter um sistema em cima dele, como se fosse um STR digital”. Nele, a garantia é o real digital e os bancos vão poder emitir stablecoins em cima dos depósitos. “Isso é uma forma de fazer a digitalização da moeda sem criar ruptura nos balanços dos bancos.”

O STR é o que o BC chama de coração do Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB). Nele acontecem as liquidações finais das operações financeiras do país. Assim como em blockchain, não é possível desfazer uma operação no STR. Só fazendo uma outra.

Para Campos Neto, é muito difícil fazer regulação para áreas que têm crescimento exponencial. Isso porque é muito difícil ter visibilidade hoje do que vai ser o cenário em alguns anos. E disse que tem visto novos protocolos que podem mudar a convergência digital que já tinha imaginado. E mudar para melhor.

Compartilhe agora

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.