Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Brasil poderá ter moeda digital em 2022, diz presidente do Banco Central

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou hoje que o Brasil poderá ter uma moeda digital em 2022. A afirmação foi feita em entrevista ao Bloomberg Emerging & Frontier Forum.

Há duas semanas, o governo anunciou que nos próximos seis meses estudará a viabilidade de o Brasil ter uma moeda digital de banco central, uma CBDC, na sigla em inglês. Este movimento é feito em outros países do mundo e se acelerou quando, há um ano, a China anunciou que lançaria a sua. A moeda chinesa já está em testes.

Em meio ao avanço das criptomoedas no mundo e dos estudos sobre CBDCs, o Brasil colocou em circulação, também hoje, a moeda em papel de R$ 200,00. Serão 450 milhões de unidades, ou R$ 90 bilhões.

Esse é o mesmo valor que o BC gastou em 2019 para imprimir, tansportar, armazenar e fazer a segurança do real físico.

Dúvidas sobre papel moeda

Também hoje o presidente do BC disse que não sabe se a demanda por papel vai aumentar. Segundo o próprio BC, de março a julho deste ano, R$ 61 bilhõesficaram entesourados por conta dos efeitos econômicos da pandemia do Covid-19. Foi dinheiro que não circulou porque a população deixou o dinheiro em casa. 

A entrevista à Bloomberg foi sobre a economia brasileira. O presidente do BC afirmou que o PIB deve cair 5% em 2020, menos do que os 6,4% previstos pelo próprio banco. Para 2021, a expectativa do governo é de crescimento será “de pouco mais de 4%. E média, o mercado prevê 3,5%.

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EUA querem patentear uso de blockchain em votos para eleições feitos por correio

Em meio a ataques do presidente Donald Trump, foi divulgado agora que o serviço de correios dos Estados Unidos (EUA), o USPS, entrou, em 7 de fevereiro deste ano, com pedido de patente para uso de blockchain em votações por meio de seus serviços.

O objetivo do “Sistema Seguro de Votação” é garantir mais segurança num modo de votar que é permitido no país e que pode ser o mais usado nas eleições presidenciais deste ano por conta do distanciamento social gerado pelo Covid-19.

Se isso se confirmar, o número de votos por Correios deverá ser recorde. Votar nos EUA não é obrigatório e em geral, democratas usam mais os Correios nas eleições do que os republicados.

De acordo com o pedido de patente, o eleitor receberá um código legível por correio, confirmará seus dados e dará seu voto. O sistema vai separar a identificação do eleitor de seu voto para garantir o anonimato e vai registrar os resultados em blockchain, segundo o pedido da patente.

O pedido de patente acontece em meio a críticas aos serviços do USPS neste período pré-eleição. O presidente republicano Donald Trump afirmou que há riscos de fraude e de interferência estrangeira nas eleições por meio de votos por correios. No entanto, suas afirmações foram firmemente rebatidas. O USPS também tem sido criticado em diversas redes por ser ineficiente.

A própria eleição de Trump, em 2016, sofreu alegações de que teve interferência exterior, em especial da Rússia, mas por meio de mensagens eletrônicas nas redes sociais e por email.

Blockchain já foi usado em eleições locais nos EUA.

Banco Central nomeia membros do grupo que vai estudar CBDC brasileira

O Banco Central (BC) oficializou hoje os 12 profissionais que vão compor o Grupo de Trabalho Interdepartamental (GTI) que vai estudar uma eventual emissão de moeda digital pela instituição. O coordenador do grupo será Aristides Andrade Cavalcante Neto, chefe-adjunto do departamento de tecnologia da informação do banco.

Os 12 nomes foram confirmados no Diário Oficial da União desta sexta-feira (21). O grupo funcionária por 180 dias, quando os resultados dos estudos devem ser apresentados. O prazo poderá ser prorrogado.

Com isso, o BC começa um processo já em curso em outros países, que avaliam se e como pode ser adotada uma moeda digital de banco central (CBDC) que traga benefícios sem destruir o sistema financeiro tradicional.

O presidente do banco, Roberto Campos Neto, um fanático por tecnologia, já disse que as moedas criptografadas como bitcoin mostraram às pessoas uma forma fácil, rápida e barata de fazer transações. Isso contribui para o lançamento do PIX, que ele sempre disse que é uma fase inicial no processo de digitalização dos serviços e produtos do banco.

China acelerou o processo

Esse movimento se acelerou nos últimos meses em razão de dois eventos principais: a China anunciou que terá uma CBDC, que já está em testes e era esperada para este ano, e o Facebook anunciou, há um ano, a criação de uma associação de empresas para lançarem uma moeda digital para pagamentos inclusive transfronteiriços, a Libra.

O anúncio do GTI foi feito em nota ontem (20) à tarde. O grupo vai estudar iniciativas de emissão de CBDC em outros países, desafios e benefícios dessa moeda, o modelo – o que precisa levar em conta o PIX, novo sistema de pagamento instantâneo do BC, segurança cibernética, regulação, impacto sobre o sistema financeiro atual, estabilidade financeira e inclusão financeira.

O grupo vai se reunir ao menos quinzenalmente e as decisões se darão pelo voto da maioria.

Inclusão financeira

“Uma moeda digital emitida por BC permitiria que o brasileiro interagisse com seu dinheiro de uma forma completamente eletrônica”, explica Cavalcante Neto, na nota emitida ontem.

Bruno Batavia, do departamento do meio circulante, que também faz parte da equipe, disse que entre os potenciais benefícios da CBDC estão a redução do custo de emissão e a manutenção do numerário, cédulas e moedas que circulam na economia.

Estima-se que a emissão do real, sua custódia, distribuição, manuseio pelo comércio, recolhimento, descarte e outros custos indiretos chegue a cerca de R$ 90 bilhões por ano. A CBDC poderá também facilitar a inclusão financeira, porque torna mais acesso a guarda e o uso desse dinheiro.

Não é certo que moeda digital chinesa será lançada em 2020, diz jornal do governo

O Banco Central da China ainda não tem uma data para lançar sua moeda digital, conhecida como DC/EP ( digital currency and electronic payment), por isso, não está garantido seu lançamento neste semestre. A informação, que soa como um balde de água fria, foi publicada pelo China Daily, jornal do governo chinês.

A notícia de que não há data de lançamento vem logo após a animação gerada pela divulgação, sexta-feira passada (14), de que o governo iria aumentar o número de localidades onde os testes da moeda serão feitos, incluindo a capital Pequim, Tianjun, Hebei, o Delta do Rio Yangtze, Guangdong, Hong Kong e Macao

A moeda chinesa, que deverá substituir totalmente o papel moeda, não é apenas uma novidade no mundo digital que lembra a corrida para ver quem chegaria primeiro à Lua. O mais importante é que é vista como uma disputa geopolítica, Oriente x Ocidente, como a da Guerra Fria.

Corrida global

Governos pelo mundo, inclusive os Estados Unidos, aceleraram os estudos sobre o tema depois do anúncio de Pequim sobre a moeda, que vai ajudar na internacionalização do yuan, e do lançamento do projeto Libra pelo Facebook e outras instituições de pagamentos.

Internamente, os desafios não são apenas de criar uma moeda digital de banco central, mas de lançar algo que funcione tão bem ou melhor do que os pagamentos digitais já existentes, para facilitar a adoção da DC/EP.

Os chineses praticamente não sabem mais o que é fazer pagamentos em dinheiro. Estrangeiros costumam dizer que pagar um café em papel moeda na China é praticamente impossível.

O banco já havia anunciado que os testes estão sendo feitos em Shenzhen, Chengdu, Suzhou, Xiong’an e em algumas áreas onde haverá os Jogos Olímpicos de Inverno de 2022, em Pequim e Yanqing. A DC/EP é usada, por exemplo, em pagamentos de salários de funcionários do governo e no comércio.

Problemas técnicos

Segundo a fonte do jornal, que não foi identificada, o programa piloto ainda não foi expandido em larga escala e o teste é apenas interno e fechado. Antes dos testes em larga escala, será necessário resolver problemas como os técnicos e de promoção do uso da moeda.

O design da moeda já mudou várias vezes. “A maioria das aplicações são para os consumidores e precisamos achar o modelo apropriado para os empresários”, disse Yang Dong, responsável pelo Centro de Pesquisa de Blockchain e Tecnologia Financeira da Universidade de Renmin.

Moeda digital de banco central têm seu valor, diz estudo do Federal Reserve

Moedas digitais de bancos centrais (CBDC na sigla em inglês e MDBC em português) têm seu valor em diversos aspectos quando comparadas aos meios de pagamentos atuais. A conclusão está no estudo “Comparing Means of Payment: What Role for a Central Bank Digital Currency?”, do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, publicado na semana passada.

O FED vem estudando o tema e na semana passada o Federal Reserve Bank of Boston também anunciou uma parceria com o Massachusetts Institute of Technology (MIT) para desenvolver uma moeda digital nos próximos dois a três anos.

O Fed fez a comparação com base em sete critérios: acessibilidade, anonimato, instrumentalidade do portador, independência, eficiência operacional, programabilidade e disponibilidade do serviço.  O banco disse que escolheu esses critérios porque é onde deve haver mais diferenças entre CBDCs e os meios atuais de pagamentos. Portanto, há outros pontos que podem ser comparados.

“Embora as CBDCs nunca serão capazes de replicar todas as características do papel moeda e de outros sistemas de pagamento instantâneos (RTGS, nos EUA) simultaneamente, em certas circunstâncias têm o potencial de melhorar os dois modos de pagamentos. No entanto, os bancos centrais terão de definir quais questões a moeda digital deveria melhorar e escolher uma arquitetura que melhor atinja esses objetivos. Essas decisões vão determinar a proposta de valor da CBDC como meio de pagamento e deverão definir se uma moeda digital é uma mera melhoria do sistemas atuais ou algo mais revolucionário”, diz o estudo.

Segundo o Fed, moedas digitais desenhadas de forma apropriada podem agregar valor a certas áreas, incluindo uma forma digitais de instrumentabilidade do portador, custos melhores de pagamentos de serviços, maior anonimato do que as transações digitais atuais e um catalisador de mais inovações.

FED Boston e MIT

O acordo entre o Fed Boston e o MIT será executado em diversas fases. Na primeira, será construída e testada uma moeda digital para uso em larga escala. O objetivo é chegar a um modelo escalável que possa definir uma CBDC do dólar.

Nas fases seguintes, serão estudadas e testadas os ganhos com a tecnologias, codificando e testando várias arquiteturas, para ver como têm impacto no modelo de CBDC. Os resultados dos estudos serão divulgados e o código será licenciados como um software de código aberto.

Tanto o Fed como o Fed de Boston informaram que estão fazendo diversos estudos sobre moedas digitais de bancos centrais.

BNDES financia projeto de cidade inteligente que inclui blockchain e IoT

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vai conceder um financiamento de R$ 12,4 milhões para a Magna Sistemas Consultoria S.A., empresa de serviços de TI, para pesquisa e desenvolvimento de soluções voltadas a cidades inteligentes.

O valor representa 80% do valor total do projeto, de R$ 14,5 milhões, e faz parte do programa BNDES Finem – Tecnologia da Informação. As atividades incluem estudos de integração de tecnologias emergentes, como blockchain e internet das coisas (IoT).

Nesse programa, o BNDES financia até 80% de projetos de micro, pequenas e médias empresas. Para empresas maiores, o financiamento é de até 60% para serviços de TI, Data-Centers e ITES-BPO e de até 80% para desenvolvimento de software. Detalhes do programa estão no site do banco.

Ministério Público contrata Dataprev para usar blockchain em base de CPF e CNPJ

O Ministério Público Federal contratou a Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência (Dataprev) para fornecer solução blockchain – blockchain as a service, BcaaS – para a base do Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) e do Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ). O contrato é de 12 meses e o valor estimado é de R$ 73.196,30.

A Dataprev tem buscado mostrar que está atualizando seus serviços, oferecendo soluções com as tecnologias emergentes. No site Dataprev Marketplace, a empresa afirma que oferece soluções em nuvem e blockchain.

Em seu balanço de 2019, afirmou que neste ano pretendia transformar seus centros regionais centros de tecnologias 4.0, o que inclui blockchain, internet das coisas (IoT) e experiência do usuário (UX).

Polícia Rodoviária Federal lança plano de transformação digital

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) vai adotar tecnologias da 4ª Revolução Industrial em seus processos, para reduzir custos e melhorar os serviços. Os primeiro passo foi o anúncio da digitalização de pedidos defesa e recurso de autuação, identificação do motorista que cometeu a infração e pedido de retificação de boletim de acidente de trânsito e de cópia ou vista de Processo ou documento.

O Serviço de Notificação Eletrônica (SNE) faz parte do Plano de Transformação Digital da PRF. ” Empregaremos tudo o que há de melhor na tecnologia: inteligência artificial, robótica, automação, algoritmos, blockchain, computação em nuvem, conectividade, internet das coisas, e qualquer outro meio ou ferramenta que nos permita ganhos exponenciais nas entregas institucionais”, disse o diretor-geral da instituição, Eduardo Aggio.

Segundo Aggio, o plano está em linha com a Estratégia Digital 2020-2022 do governo federal.

Lituânia emite primeira moeda digital de banco central da Europa. E é para colecionadores

A zona do euro já tem sua primeira moeda digital de banco central (MDBC, ou CBDC na sigla em inglês). A Lituânia emitiu, semana passada, a LBCOIN, uma moeda para colecionadores. É um teste, disse o banco central do país.

É um teste bem pensado dentro do atual movimento dos bancos centrais mundo afora de analisar a implantação de CBDC, já que exige executar a emissão digital de uma moeda, mas sem colocar em risco o sistema financeiro. A Europa, inclusive, é uma região onde o assunto corre a passos mais largos nos últimos meses.

“A LBCOIN permite às pessoas na Lituânia e em todo o mundo testar novas tecnologias num ambiente seguro, como experimentar autenticações remotamente, abrir uma carteira digital, trocar tokens digitais com outros colecionadores ou transferí-los para a rede pública NEM. Ao mesmo tempo, isso nos permite aprender sobre a emissão de CBDCs, o que deverá beneficiar a comunidade do bancos central e da zona do euro como um todo”, disse Marius Jurgilas, membro do conselho do Banco da Lituânia, país com 2,8 milhões de habitantes.

A moeda custa 99 euros (cerca de R$ 600 reais) e é dedicada ao Ato de Independência de 1918 e seus 20 signatários. São 6 tipos de tokens e um total de 24 mil unidades com imagens dos signatários, além de 4 mil moedas físicas de prata para colecionadores.

Vendas duram só 30 meses

Quem comprar as moedas digitais poderá trocála pela física, guardar na loja eletrônica LBCOIN, dar de presente, trocar com outros colecionadores ou transferir para uma carteira digital NEM.

Em 30 meses, as vendas na loja serão encerradas e os tokens que sobrarem serão descartados. Portanto, depois disso será impossível trocar um token pela moeda física. Quem quiser manter o token, deverá transferir para a NEM.

O banco afirma que está desenvolvendo outras iniciativas para introdução de inovações no sistema financeiro do país. Isso inclui uma sandbox regulatória, a plataforma baseada em blockchain LBChain para dar apoio ao desenvolvimento de startups e um sistema de pagamentos instantâneos e 24x7x364 dias, o CENTROlink.

Pequim revela detalhes do plano para ser hub global de uso e pesquisa de blockchain até 2022

Duas semanas depois de anunciar que seu plano é ser um hub global de uso e desenvolvimento da tecnologia de registro distribuído até 2022, Pequim divulgou, quinta-feira passada (16), detalhes dos primeiros passos que pretende dar para tornar a ideia uma realidade.

Serão 12 aplicações que envolvem, por exemplo, o setor de logística, aduaneiro, financeiro, imobiliário e pequenas empresas.

A ideia é ter um sistema unificado de blockchain para governança digital, compartilhamento de informações entre agências do governo e empresas e colaboração entre as regiões dos país.

O plano inclui ainda apoio ao setor privado para inovação, com um fundo para startups que usarem blockchain.

E haverá novos centros de pesquisa na cidade, incluindo os distritos de Haidian, Chaoyang e Tongzhou.

Segundo o governo, 140 serviços públicos já usam blockchain e isso ajudou na retomada econômica após o isolamento causado pela pandemia do Covid-19.

A China é um dos países que mais usam blockchain no mundo, em diversas aplicações e em diferentes regiões. Há dois anos o país o presidente Xi Jinping tem falado da revolução que a tecnologia representa e de como o país quer ser líder no assunto.