Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Bancos centrais de países desenvolvidos criam princípios básicos para moedas digitais

Coexistência da moeda digital de banco central (CBDC) com papel-moeda e outros tipos de dinheiro num sistema de pagamentos flexível, manutenção da estabilidade financeira e monetária e características inovadoras e eficientes.

Essa são os princípios fundamentais para emissão de CBDCs que os bancos centrais dos Estados Unidos (Federal Reserve), União Europeia (UE), Japão, Inglaterra, Suíça, Suécia e Canadá, junto com o Banco de Compensações Internacionais (BIS), dão aos países que, como o Brasil, estudam a emissão de moeda digital.

Os princípios servem para que os bancos façam seus estados, mas o grupo sabe que cada país terá de adequá-los às suas realidade, disse Benoît Cœuré, co-responsável pelo grupo de trabalho e líder do BIS Innovation Hub.

Na prática, diz o grupo, deve-se garantir:

  • Resiliência e segurança para manter a integridade operacional;
  • Conveniência e disponibilidade a custos muito baixos ou sem custos para os usuários;.
  • Sustentada por padrões apropriados e um framework lega muito claro; e
  • Ter um papel apropriado para o setor privado, mas também promover a competição e a inovação.

O relatório Central bank digital currencies: foundational principles and core features é mais uma indicação da seriedade com que o tema vem sendo tratado nas principais economias do mundo, depois que a China anunciou que teria uma CBDC, há um ano. Como em todos os estudos sobre o tema, os bancos centrais não afirmam que lançarão CBDCs, que estudam o tema.  

União Europeia lança dia 12 de outubro consulta pública sobre emissão de sua moeda digital

A União Europeia vai lançar no próximo dia 12 de outubro uma consulta pública sobre a adoção de sua moeda digital de banco central (CBDC, na sigla em inglês). O bloco ainda não decidiu se vai ter a moeda, mas anunciou hoje (2) que continuará a estudar e a fazer testes.

Depois que a China anunciou, há um ano, que teria sua moeda digital, começou uma corrida dos países e blocos para entender mais sobre o assunto e decidir se vão seguir na mesma linha. O receito é a moeda chinesa, e portanto a China, ganhar corpo em transações e influência internacionais.

Esse movimento inclui o Brasil, que segundo o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, poderá ter uma CBDC em 2022. Um grupo estuda o assunto e terá de apresentar uma conclusão sobre o tema nos próximos meses. Segundo o BC, a moeda seria, a princípio, para turistas estrangeiros.

O anúncio da consulta pública foi feito junto com um relatório que aponta os cenários que seriam necessários para a emissão do euro digital. Isso inclui uma demanda crescente por meios de pagamentos eletrônicos na zona do euro, o que demandaria meios sem riscos na região e uma queda significativa do uso de papel moeda.

Christine Lagarde, presidente do BCE, já disse que euro digital complementaria papel moeda. Foto: Parlamento europeu.

Além disso, a UE afirma que precisaria haver o lançamento de meios de pagamento globais que poderiam gerar receios regulatórios, riscos financeiros e riscos à proteção dos consumidores. A UE não cita, mas a Libra, projeto lançado pelo Facebook com outras empresas, seria um desses riscos potenciais, como o bloco já deixou claro anteriormente.

Outro ponto seria uma adoção grande de CBDCs por outros bancos centrais.

“A tecnologia e a inovação está mudando o modo como consumimos, trabalhamos e nos relacionamentos com os outros”, disse Fabio Panetta, membro do conselho executivo do Banco Central Europeu (BCE) e responsável pela força tarefa que estuda CBDCs.

“Um euro digital ajudaria a Europa a continuar num processo de inovação e contribuiria para sua soberania financeira e fortalecimento do papel internacional do euro”, completou.

Seria, segundo a UE, a preservação do que o euro já faz em termos de um meio de pagamento de acesso simples, aceito universalmente e confiável. Os riscos são aceitáveis, mas seguindo as estratégias apropriadas de design da CBDC europeia, o Eurosystem poderá lidar com esses desafios, segundo o bloco.

Um estudo mais completo sobre o euro digital será divulgado nas próximas semanas.

BNDES lança financiamento para serviços tecnológicos 4.0; linha complementa Finame

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) lançou ontem (29) uma linha de financiamento de serviços tecnológicos 4.0, como blockchain, inteligência artificial (IA) e Internet das Coisas (IoT).

O limite por operação é R$ 5 milhões, com prazo de pagamento de até 120 meses e carência de três a 24 meses. O BNDES financia 100% do valor. Segundo o banco, os serviços incluem, por exemplo, manufatura enxuta e avançada, digitalização, IoT, desenvolvimento de produtos e processos, tecnologias industriais básicas, eficiência energética e redução de resíduos.

Bruno Laskowsky, diretor de participações, mercado de capitais e crédito Indireto do banco, disse que ” não dá para financiar pequena e média empresa se não se falar de capital humano e, portanto, serviços. Estamos financiando intangíveis, inteligência, capacidade de gerar contribuições para diversas áreas, como digitalização, temas relacionados a economia produtiva, capacidade de manuseio de dados, big data e IoT”.

Segundo ele, a linha BNDES Crédito e Serviços 4.0 complementa o financiamento de máquinas e equipamentos do banco. A instituição tem a linha Finame Máquinas 4.0 para compras de máquinas que utilizam internet 5G e IoT. Há 119 itens e 50 fabricantes cadastrados nessa linha Finame.

Também ontem, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) lançou um estudo sobre o uso de tecnologias 4.0 no país. Detalhes estão na reportagem Falta de crédito e de sensibilidade das indústrias emperram uso de tecnologia 4.0

R$ 1,7 bilhão em projetos

Júlio Semeghini, ministro substituto da Ciência e Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), disse que o país tem o desafio de promover a tecnologia 4.0. A Finep, ligada ao ministério, lançou em junho passado um edital para desembolsar R$ 50 milhões para apoiar projetos de inovação com tecnologia 4.0.

De acordo com Semeghini, houve 1.590 projetos que no total solicitaram US$ 1,7 bilhão. ” Isso mostra que o Brasil está preparado para aproveitar a transformação digital, mas temos de disponibilizar acesso ao crédito para que os projetos se tornarem realidade.”

“Financiar desenvolvimento nos dias atuais não se resume a financiar ativos físicos. No S&P 500, 75% dos valor das empresas são ativos intangíveis. Itens financiáveis há 40, 50 anos, eram fixos. Hoje, na grande maioria, são intangíveis, disse o Secretário Especial de Produtividade, Emprego e Produtividade Competitividade do Ministério da Economia, Carlos Da Costa.

Ceará usará blockchain em medição de obras públicas; contrato é com estatal

O Ceará vai usar blockchain nos processos de medições de obras públicas. Para isso, a Superintendência de Obras Públicas (SOP) contratou a estatal de tecnologia da informação do estado, a Etice.

A contratação é de R$ 1,228 milhão, sem licitação. A justificativa da superintendência é de que “a contratação é fundamental para a melhoria na gestão e no desempenho da área de tecnologia da informação, bem como redução de custos”.

A uso deve começar gradativamente no início de 2021 em todos os negócios e situações, divulgou a pasta no último dia 27 de outubro. O uso será principalmente nas medições, integrando bases de dados das plataformas dos dois sistemas de gerenciamento de obras utilizados atualmente, segundo o governo do Paraná*.

O diretor de Planejamento e Gestão da SOP, Arnoudo Alves, tudo passa a acontecer virtualmente, todos os passos da medição “serão validados pela empresa, supervisora, fiscal etc.”.

Segundo a SOP, blockchain está dentro do Programa Ceará Digital, que prevê implantar, nos próximos quatro anos, um governo 100% digital.

As informações sobre uso de blockchain foram inicialmente divulgadas no Diário Oficial do Ceará (Doece).

*Reportagem atualizada em 2 de novembro de 2020.

Assim como o estado do Paraná, o Ceará mostra interesse em blockchain e usa empresa estatal para isso.

Mais sobre o projeto do Paraná em:

Sistema de compras do PR alerta sobre fraudes; Celepar fez parceria com IBM

Paraná deve evitar solução proprietária e ter consórcio de governança, diz BRI Brasil

CIA cria seu primeiro laboratório de P&D e isso inclui estudar blockchain

A Agência Central de Inteligência (CIA) dos Estados Unidos montou seu primeiro laboratório de pesquisas e desenvolvimento para estudar soluções tecnológicas, o que inclui registro distribuído (DLT) e blockchain.

O CIA Labs fará parte de uma rede de mais de 300 laboratórios federais e com isso poderá fazer parcerias com essas instituições, a academia e o setor privado, segundo o comunicado da CIA.

As áreas de estudos incluem, além de blockchain, materiais avançados, inteligência artificial, machine learning, análise de dados, biociência e biotecnologia, realidade virtual e aumentada, computação quântica, tecnologias sem fio e de telecomunicações, robótica e sistemas de interface humana.

Serpro desenvolve ID autossoberana e cria solução que chama atenção de comunidade internacional

O Serpro, que desde 2017 colabora com o desenvolvimento de soluções em blockchain junto a diversas instituições de governo, como a Receita Federal e Banco do Brasil, acredita que em dois a três anos poderá ter uma identidade digital (ID) autossoberana pronta para ser usada. É o prazo em que se espera que essa aplicação estará no auge da implantação no mundo.

Os estudos dessa ID se iniciaram em outubro passado e estão em linha com novidades que o país está experimentando e que darão poder ao cidadão sobre o uso de seus próprios dados. Isso inclui a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), que entrou em vigor na semana passada, e o open banking, que começa a ser implantado em novembro.

Na entrevista a seguir, Guilherme Funchal da Silva, desenvolvedor do Serpro especializado na tecnologia, e Marco Túlio da Silva Lima, gerente de produto da instituição de TI do governo, dão detalhes do desenvolvimento de uma ID autossoberana brasileira que já chamou a atenção no exterior.

Identidade descentralizada no Brasil

Lima – Há mais de 20 anos o governo busca ter uma base de dados de identidade única. O movimento começou no Ministério da Justiça e passou depois para o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que é quem tem uma das maiores bases biométricas do país. Mas não havia tecnologia e ambiente para avanços. O que se vê é um movimento de centralização de dados (em órgãos federais e estaduais). Com a ID autossoberana, o cidadão tem poder sobre seus dados e o governo consegue vencer os silos de dados. É possível integrar informações sem ter de criar uma nova base. Esperamos que em dois a três anos, quando a adoção de identidade digital soberana estiver no auge, estejamos preparados para isso.

Movimento em outros países

Funchal – O Canadá é pioneiro porque a província de British Columbia informatizou uma série de serviços públicos, usando ID autossoberana e reduzindo a burocracia (a União Europeia é pioneira em identidade digital não descentralizados e trabalha numa identidade soberana). Todos os protocolos desse tipo de ID em blockchain estão em 60 RFCs (Request for Comment) nas comunidades internacionais que estudam o assunto, algumas desenhadas, outras em definição. (Reino Unido, China, Índia e Coréia do Sul são outros exemplos de países que estudam o tema)

Como começou no Serpro

Funchal – Em outubro passado recebi a missão de prospectar tecnologias para identidade digital autossoberana. Foi uma demanda do Serpro, não pedida por nenhum cliente. Encontrei o Ian Constanzo (arquiteto de soluções) que tinha uma comunidade aberta com uma versão de identidade soberada que usava Hyperledger Indy. Testei, mas o funcionamento tinha limitações, com tanto o dono da ID e uma instituição tendo de solicitar mutuamente acesso a dados, uma espécie de aperto de mãos. Isso demanda ter alguém na frente da máquina para aprovar a demanda pessoa por pessoa. Isso é muito difícil. O ideal é o acesso ser feito de forma automática.

Lima – É um momento interessante para trazer essa discussão, porque estamos debatendo um novo documento, o DNI (Documento Nacional de Identificação), uma base centralizada do cidadão e novos modelos de assinatura digital. O que deve acontecer ao longo do tempo é uma convivência de diferentes modelos.

Estágio dos estudos

Lima – Hoje desenvolvemos soluções para diversos entes de governos, mas cada equipe tem uma visão, base e sistemas diferentes. Esse projeto da ID autossoberana é um projeto de iniciativa do Serpro. Estamos tentando ser mais pró-ativos com os clientes e fazendo o trabalho dentro de casa para entender as tecnologias. O Brasil tem a Estratégia de Governo Digital 2020-2022 que não fala explicitamente em ID autossoberrana. mas fala em identidade digital para até 40 milhoes de pessoas. Se pegar o certificado digital, que tem quase 20 anos, no modelo atual dificilmente vamos conseguir. Nosso projeto poderá vir a atender às iniciativas do objetivo 12 da estratégia do governo. A estratégia fala também em rede blockchain nacional com nove bases e novos modelos de assinaturas digitais.

Benefícios da ID autossoberana

Lima – Com uma solução autossoberana, poderíamos ter uma blockchain com cada estado sendo um nó da rede, cruzando dados de quem tirou identidade num local e aumentando o controle das informações, por exemplo (hoje é possível tirar ID em diferentes estados, mas os dados das carteiras não são padronizados e nada garante que sejam fornecidos os mesmos para todos os documentos). Com o auxílio emergencial (dado pelo governo federal por conta da pandemia), ficou claro que não há controle total de quem está vivo, por exemplo. Há quem não está em nenhuma base do governo.

Funchal – Há fragilidades no nosso sistema de identificação civil. Essa identidade pode ser aplicada também para empresas. Há um caso no exterior de ID autossoberana para veículos.

Inovação brasileira em Aries

Funchal – Mudamos para Hyperledger Aries quando saiu a notícia de que estava sendo lançado o toolkit dessa solução e começamos a trabalhar nisso com a comunidade internacional (o Aries foi lançado em março após uma divisão do Indy, também de identidade digital. Não é uma rede blockchain, mas dá a infraestrutura para se criar aplicativos de identidade). Trouxemos nossas necessidades e traduzimos material para o português. Uma das funcionalidades que a solução permite e que funciona para o Serpro é a revogação de acesso a dados, ou seja, como evitar que uma instituição acesse minhas informações, mesmo que temporariamente, depois que eu já dei autorização para acessá-los. Exemplo: mudei de casa e por um tempo não quero receber correspondência. Na ferramenta havia uma RFC e incluí a funcionalidade, um requisito do Marco Tulio. Agora, fui convidado para fazer a apresentação dessa função no encontro mensal da comunidade internacional.

Brasil se inclui em grupo de países que estudam a ID autossoberana. Líder é o Canadá.

Como funciona a ID autossoberana

Funchal – As informações de uma pessoa numa instituição, como um banco, vão para o cidadão em forma de credencial por rede blockchain e são armazenados na sua carteira digital, que não está na blockchain. Quando um outro órgão, como a Receita Federal, solicitar o dado, esse pedido vai para o cidadão que decide se libera a informação. É um sistema de mensageria. E uma facilidade para o cidadão é, por exemplo, atualizar um dado seu uma só vez e as outras instituições acessam essa informação pela carteira, sem a pessoa ter de contatar cada uma delas.

Sem dados na rede blockchain

Funchal – Os dados do usuário não ficam em blockchain, mas na carteira digital. Por isso, o tráfego tem menor risco de ser lento, uma vez que o que se faz em blockchain é a mensageria com tudo criptografado, o que confere maior segurança. Quem trabalha com redes maiores, não tem visto problemas. Vamos fazer testes de stress para verificar a capacidade da rede. Já os dados da carteira estão criptografados na nuvem ou em dispositivo móvel, com acesso apenas pelo seu dono e por criptografia. A blockchain confirma se os dados estão corretos e se ainda existem. Se for mudado algum dado, quando uma instituição pedi-lo, vai receber uma informação de erro na hora em que a outra ponta fizer a validação. Esse é o teste que foi feito no caso da revogação de autorização de acesso.

Busca de padrões globais

Funchal – O ideal é ter uma padronização global de IDs autossoberanas. A W3C (World Wide Web Consortium, que faz os padrões de internet) está trabalhando nisso para que seja muito parecido com o que são as URLs da internet. A identificação é o que a internet tem de mais frágil, ou seja, a certeza de que uma transação que estou fazendo é com quem eu acho que é e nãoa com uma página falsa.

Porque tudo em Hyperledger no Serpro

Lima – Desde o início tínhamos requisitos para os quais o Hyperledger nos pareceu mais adequado. Somos fornecedores de TI e a estrutura do Hyperledger já nasceu com foco em indústria, empresa e com cases variados. R3 não era tão variado, agora é mais, e com o Quorum (antes do JP Morgan e agora da Consensys) teríamos mais dificuldade de suporte. Hyperledger é da Fundação Linux, é open source, podemos trabalhar com diferentes empresas. Mas não descartamos outras tecnologias.

LGPD e Open Banking

Lima – Com a LGPD, o cidadão decide o que informar para as diferentes instituições públicas e privadas e poderá pedir informações sobre como seus dados estão sendo tratados (esse ponto ainda necessita de regulação). Como isso será feito, ainda não está definido. A ID autossoberana é uma das formas de uma empresa dar ao cidadão essas informações, enviando tudo para sua carteira digital e com mais mais segurança. Com o open banking, haverá a portabilidade de dados de um banco para outro, o que também será controlado pelo cliente, e isso evitará a necessidade de se fazer novos cadastros.

O que o Serpro tem feito em blockchain

Lima – Começamos a trabalhar com blockchain em 2017 e o primeiro caso foi parecido com o da ID autossoberana. Simulamos um cadastro de usuários para o Tesouro Direto para cadastro de corretoras, para portabilidade, com Hyperledger Fabric. Depois fizemos um projeto com o Banco do Brasil e para as aduanas com a Receita Federal. O bConnect, da Receita, é para compartilhar dados de operadores econômicos autorizados do Mercosul. As empresas que fazem parte desse cadastro podem fazer o trâmite aduaneiro mais rápido. Mas hoje não há um sistema para controlar isso e o Brasil fez essa proposta para os outros países do bloco. Temos outros projetos com foco em agilizar e rastrear processos.

Maiores economias da UE colocam suas condições para uso de criptoativos no bloco

Ministros de Finanças da Alemanha, França, Itália, Espanha e Holanda colocaram na mesa suas condições para o uso de criptomoedas e stablecoins (moedas estáveis) na União Europeia (UE).

As exigências acontecem dias antes de ser divulgada a Estratégia Financeira do bloco e fizeram com que o vice-presidente executivo da UE tivesse de acalmar os ânimos e, ao mesmo tempo, deixar claro que o bloco não vai barrar o que considerar inovações benéficas.

Num comunicado divulgado na sexta-feira (14), os países, que incluem as três maiores economias da UE – Alemanha, França e Itália – disseram que a legislação deve ter cinco princípios, “devidamente aplicados a diferentes tipos de ativos criptografados lastreados em ativos”.

Paridade 1:1

O primeiro deles é que cada unidade de cripto lastreada em ativo deve ter a relação 1:1 com a moeda fiat. Os países também pedem que ativos que fizerem parte da reserva do bloco sejam em euros ou em moeda de países do bloco e limitados a depósitos em instituições de crédito aprovados pela UE, ou, para uma fração de ativos altamente líquidos, sujeitos a salvaguardas apropriadas.

Os países pedem ainda que essas reservas em criptos sejam mantidas separadas das outras reservas e não sejam convertidas para evitar riscos na taxa de câmbio.

Para os ativos usados para pagamentos, os usuários devem ter o direito de terem de volta, a qualquer momento e pelo mesmo valor, o equivalente ao criptoativo, algo que muitas stablecoins não permitem. E por último, todas as instituições que operarem esses criptoativos no bloco deverão estar registrados na UE antes de começarem qualquer ativida.

Regulação para inovação

O vice-presidente executivo do bloco, Valdis Dombrovskis, disse que as preocupações dos países serão consideradas na estratégia. Mas, afirmou também que criptoativos podem gerar muitas oportunidades e que o bloco quer uma regulação que inclua, e não que barre, a inovação.

Os países soltaram o comunicado um dia depois que a presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, anunciou (na quinta-feira, 13) que o bloco estuda o uso de criptoativos e que em breve saem os estudos sobre a moeda digital do bloco, seguidos de consulta pública sobre o assunto

Mastercard testa CBDC em plataforma própria e convida bancos a participar

Numa corrida com cada vez mais participantes, a Mastercard anunciou nesta semana que criou um ambiente proprietário virtual de testes de moedas digitais de bancos centrais (CBDC). O objetivo é avaliar casos de uso. A plataforma simula emissão, distribuição e troca dessas moedas entre bancos, provedores de soluções e consumidores.

Ao testar as CBDCs, a Mastercard, uma das maiores empresas de pagamentos do mundo, ganha enorme conhecimento sobre essas moedas, seu funcionamento e respostas em diferentes mercados. Com isso, consegue opinar melhor sobre o assunto quando chegar a hora de definição de modelos e fazer uma estratégia de negócios mais certeira.

A Mastercard está convidando bancos centrais e comerciais, além de empresas de tecnologia e consultorias a participarem dos testes.

O número de países que estão fazendo testes similares só cresce. A UE anunciou ontem que vai divulgar seus estudos em breve sobre o tema e lançar uma audiência pública. A plataforma, diz a empresa, pode se adequada ao cenário de cada mercado de uma CBDC.

Pesquisa do Banco Internacional de Compensações (BIS), o banco central dos bancos centrais, mostrou que 80% das instituições entrevistadas estão de alguma forma lidando com o assunto e 40% já estão em fase de teste. O Brasil é um deles.

União Europeia vai divulgar estudo sobre CBDC do bloco e lançará consulta pública

A União Europeia vai divulgar nas próximas semanas os resultados de seus estudos sobre uma moeda digital de banco central (CBDC) do bloco e na sequência lançará uma consulta pública sobre o assunto. A informação foi dada ontem (10) pela presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde.

“Como muitos outros bancos centrais no mundo, estamos estudando os benefícios, riscos e desafios operacionais” de ter uma CBDC, disse ela.

O Brasil anunciou recentemente que criou um grupo de trabalho para estudar o tema. As conclusões poderão ser divulgadas em seis meses.

Na corrida para evitar que a China tenha mais ainda domínio econômico se lançar sua CBDC e que as criptomoedas substituam cada vez mais transações comerciais a ponto de prejudicar os sistemas financeiros tradicionais, os países correm para entenderem e tomarem decisões sobre o assunto.

BCs devem antecipar mudanças

“Em paralelo ao setor privado, os bancos centrais devem antecipar as mudanças. Devem não apenas olhar de perto os benefícios que as inovações digitais podem trazer, mas também examinar os riscos significativos que elas geram e estar preparados para inovarem. Este é o ponto de partida para a discussão se o Eurosistema precisa lançar o euro digital”, afirmou Christtine em evento do banco central alemão.

Segundo ela, lançar o euro digital colocaria o sistema financeiro europeu numa tecnologia de ponta. Ela lembrou que uma CBDC pode ser apenas para uso no “atacado” ou para usos mais amplos, incluindo o varejo. No atacado, isso já existe porque é assim que os bancos acessam os recursos do banco central.

Mas a tecnologia que está por trás da moeda digital pode dar mais eficiência às operações e abre espaço a moeda digital de varejo, o que seria muito inovador porque ampliaria o acesso a ela por mais pessoas, completou a presidente do BCE.

De acordo com Lagarde, para se ter um euro digital para o varejo seria necessário ter acesso ao dinheiro do banco central, com a moeda digital sendo um complemento do papel moeda, uma alternativa, garantindo que a moeda fiat (emitida pelo governo) seja o centro do sistema de pagamentos.

É preciso também garantir que os depósitos nos bancos não passem de forma significativa para o euro digital, o que mudaria o papel de financiadores que os bancos têm no sistema, podendo trazer instabilidade. E a moeda digital deve ser feita de modo a atender às demandas de uso do público, sem desencorajar ou super encorajar a utilização, para manter o ambiente financeiro competitivo e inovador.

Brasil poderá ter moeda digital em 2022, diz presidente do Banco Central

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou hoje que o Brasil poderá ter uma moeda digital em 2022. A afirmação foi feita em entrevista ao Bloomberg Emerging & Frontier Forum.

Há duas semanas, o governo anunciou que nos próximos seis meses estudará a viabilidade de o Brasil ter uma moeda digital de banco central, uma CBDC, na sigla em inglês. Este movimento é feito em outros países do mundo e se acelerou quando, há um ano, a China anunciou que lançaria a sua. A moeda chinesa já está em testes.

Em meio ao avanço das criptomoedas no mundo e dos estudos sobre CBDCs, o Brasil colocou em circulação, também hoje, a moeda em papel de R$ 200,00. Serão 450 milhões de unidades, ou R$ 90 bilhões.

Esse é o mesmo valor que o BC gastou em 2019 para imprimir, tansportar, armazenar e fazer a segurança do real físico.

Dúvidas sobre papel moeda

Também hoje o presidente do BC disse que não sabe se a demanda por papel vai aumentar. Segundo o próprio BC, de março a julho deste ano, R$ 61 bilhõesficaram entesourados por conta dos efeitos econômicos da pandemia do Covid-19. Foi dinheiro que não circulou porque a população deixou o dinheiro em casa. 

A entrevista à Bloomberg foi sobre a economia brasileira. O presidente do BC afirmou que o PIB deve cair 5% em 2020, menos do que os 6,4% previstos pelo próprio banco. Para 2021, a expectativa do governo é de crescimento será “de pouco mais de 4%. E média, o mercado prevê 3,5%.

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