Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

No sandbox da Espanha, metade dos projetos selecionados usam blockchain

Blockchain arrasou no sandbox financeiro da Espanha. Dos 18 projetos selecionados, metade usa blockchain, incluindo um do Santander, de acordo com a Secretaría Geral do Tesouro e Financiamento Internacional  do Ministério de Assuntos Econômicos e de Transformação Digital.

O projeto do Santander é de custódia digital, segundo o Blockchain Economía, site espanhol parceiro do Blocknews. Os detalhes dos projetos escolhidos estão no site.

Israel vai criar plano para lançar moeda digital; Alipay cria carteira para moeda chinesa

O Banco de Israel divulgou, hoje (11), que prepara um plano de ação para a eventual emissão do shekel digital, sua moeda digital, ou CBDC. No entanto, a emissão vai acontecer se os benefícios superarem os riscos e custos, diz a instiuição.

Os estudos sobre CBDC avançam pelo mundo. Ainda mais na China, onde uma série de comerciantes disseram que já aceitam o iuan digital pelo aplicativo Alipay. Isso porque o Alipay, maior carteira de pagamentos do país, criou uma específica para a CBDC para alguns usuários, segundo a mídia local.

Em Israel, moeda digital é um assunto em discussão desde 2017, de acordo com o banco. “Visto o rápido desenvolvimento da economia digital e dos pagamentos, e dos trabalhos dos principais bancos centrais, o Banco Central de Israel está acelerando a pesquisa e a preparação para um potential shekel digital”, diz o documento.

O plano de ação vai servir para lançar a moeda, caso os estudos se mostrem favoráveis a isso. O documento do banco deu uma ideia de um esboço da moeda e que é a base de discussões.

Antes de lançar uma CBDC, precisamos nos perguntar “por que?”, diz o documento. Até agora, as principais motivações para a CBDC inclui, por exemplo, uma nova forma eficiente e segura para os meios de pagamentos.

Moeda digital pode trazer vantagens em casos de emergência

Além de criar uma tecnologia que leve à adaptação dos sistema de pagamentos para as necessidades futuras da economia digital. E há ainda razões como uma forma de o sistema funcionar durante emergências e haver uma infraestrutura de baixo custo para pagamentos internacionais.

Tudo isso pode acontecer com melhorias no sistema atual, afirma o Banco de Israel. Por isso, o comitê que cuida do assunto na instituição analisa qual o valor agregado que o shekel digital traria.

Com a divulgação do documento, o banco abriu uma consulta púlblica sobre o material e temas relacionados a possíveis emissões da moeda digital. ​

De acordo com a mídia chinesa, a carteira para CBDC que o Alipay criou é um teste. Além disso, fora os seis bancos estatais que participavam dos testes e, agora, o Alipay, o WeBank deve entrar no grupo. O banco é o primeiro digital da China e é do WeChat, serviço de mensagens e que também tem o WePay.

Projeto de dólar digital vai realizar cinco pilotos com financiamento da Accenture

O Digital Dollar Project (DDP) vai lançar pelo menos cinco pilotos, nos próximos 12 meses, para testar um potencial dólar digital de banco central dos Estados Unidos (EUA). O DDP é uma parceria da Accenture com a Digital Dollar Foundation, que estuda o assunto.

Os três primeiros testes serão anunciados dentro dos próximos 60 dias. Os pilotos estarão abertos a participantes do mercado e governo que tenham interesse no projeto.

O governo dos EUA está estudando o tema, mas diz que uma vez que se tata de algo complexo, não tem pressa. No entanto, há informações de que o avanço da China no seu projeto de moeda digital de banco central (CBDC) levou Washington a acelerar esses estudos.

Isso porque uma CBDC chinesa poderá, em alguns anos, ganhar muito mais espaço no câmbio internacional. Esse câmbio é amplamente dominado pelos EUA.

Porém, estima-se que o iuan digital poderia subir muito no ranking e se tornar a terceira principal moeda até 2030, depois do euro. Assim, deixaria para trás, por exemplo, a libra esterlina. O Reino Unido, por sua, também anunciou recentemente que vai estudar a sua “britcoin”.

A DDP começou a operar em 2020, quando esquentaram as discussões sobre CBDC por conta do iuan digital e da Libra, agora Diem, anunciada pelo Facebook com outros parceiros.

Seu co-fundador é J. Christopher Giancarlo, ex-presidente da U.S. Commodity Futures Trading Commission (CFTC). A CFTC é a reguladora do mercado norte-americano de contratos futuros e opções.

“Os EUA não precisam ser os primeiros a terem uma CBDC. Mas, precisam ser o líder em estabelecer padrões para o dinheiro digital do futuro. É por isso que nossos pilotos são críticos”, afirmou Giancarlo num comunicado.

De acordo com o comunicado, a Accenture vai financiar a primeira fase de dos projetos. Nessa fase, a DDP vai analisar e identificar questões técnicas e funcionais. Além disso, vai explorar os benefícios e desafios e testar aplicações no varejo e no atacado.

“As CBDCs vão ter um papel implorante em como vamos modernizar nossos sistemas financeiros”, afirmou David Treat, diretor-geral da Accenture e líder global da área de blockchain da empresa.

Inglaterra cria força-tarefa sobre “Britcoin”, a moeda digital do país

O banco central e o Tesouro da Inglaterra criaram uma força-tarefa sobre Moeda Digital de Banco Central (CBDC) para estudarem a emissão de uma “Britcoin”. O anúncio aconteceu nesta segunda-feira (19). Assim, o país quer permanecer na linha de frente da inovação, disse o BC no comunicado.

“A CBDC seria uma nova forma de dinheiro digital emitida pelo Banco da Inglaterra e para uso por pessoas e negócios. Existiria junto com o papel moeda e depósitos bancários, ao invés de substituí-los”, afirmou o BC britânico.

Outros países como China, Suécia e o bloco europeu já estão em estágios mais avançados do processo de terem um CBDC. Assim como o Brasil, que está prestes a divulgar os resultados de seu estudo sobre o assunto. Até os Estados Unidos (EUA), sempre cautelosos sobre o tema, decidiram acelerar seus estudos.

De acordo com o Banco de Compensações Internacionais (BIS), o banco central dos bancos centrais, mais de 80% dos bancos centrais estão envolvidos em algum estágio do estudo à adoção de uma moeda digitai.

Essa força-tarefa inclui uma nova divisão dentro do Banco da Inglaterra, a unidade CBDC, além de um fórum de engajamento e um fórum de tecnologia sobre a moeda digital.

De acordo com o comunicado do BC, o governo e a instituição vai consultar quem deverá sofrer algum impacto pela CBDC. As consultas serão sobre pontos como os benefícios, riscos e praticidades de uma eventual moeda digital do país.

A força-tarefa vai coordenar os estudos sobre objetivos, casos de uso, oportunidades e riscos de uma potencial CBDC, que já recebeu o apelido de Britcoin.

Também vai coordenar a formato que a moeda digital precisa ter para atingir seus objetivos. Assim como se comprometeu a fazer um estudo detalhado sobre CBDC e monitorar como andam projetos semelhantes no mundo, para que o Reino Unido não fique para trás.

Em relação aos fóruns sobre CBDC, o de Engajamento vai envolver stakeholders sêniores para colher ideias sobre todos os aspectos, menos os tecnológicos. Isso significa, por exemplo, casos de uso e papel do setor público e do privado nessa iniciativa.

Já o fórum tecnológico vai trabalhar em todos os desafios dessa área sobre a moeda digital. O grupo vai incluir profissionais do setor financeiro, da academia, fintechs, provedores de infraesturuta e empresas de tecnologia.