Operações com Drex são mais rápidas que o normal por conta da programabilidade em blockchain

Plataforma Drex usa Hyperldeger Besu.

As primeiras operações de compra e venda de Títulos Públicos Federais fictícios (TPFfs) na plataforma do Drex foram mais rápidas do que o normal por conta da programabilidade, de acordo com o banco Inter e o BV. Portanto, vantagens apontadas como características da tecnologia blockchain estão aparecendo no piloto que o Banco Central (BC) está conduzindo com instituições financeiras e empresas usando a Hyperledger Besu.

Na segunda-feira passada (11), o BC transferiu os primeiros TPFt para as contas dos participantes que já estão na rede, ou seja, que já subiram nó na plataforma Drex. Nesta primeira fase, o regulador está testando o protocolo de entrega contra pagamento (DvP). Assim, bancos como o Inter, o BV, o Banco do Brasil e as cooperativas Sicoob, Sicredi, Ailos, Cresol e Unicred fizeram os testes.

De acordo com Bruno Grossi, Gerente Sênior de Tecnologia do Banco Inter, na operação com o BV com os TPFf houve a transferência de 10 Letras do Tesouro Nacional (LTNs) e 20 Letras Financeiras do Tesouro (LFTs). “A maior dificuldade é entender os passos necessários para que a transferência aconteça, visto que é necessário autorizar alguns contratos (inteligentes) a operarem com a reserva do banco para que a operação de compra e venda aconteça. Uma vez entendido, é muito fácil enviar o comando de venda e executar a compra”, afirmou ao Blocknews.

A operações, que aconteceram nesta sexta-feira (15), foram de compra e venda entre os bancos. Um leilão de TPFf deve acontecer em breve, completou Grossi. As transações “mostram que é possível fazer uma compra e venda de ativos entre bancos de forma rápida, simples e programática”, completou. Além disso, o uso de contratos inteligentes permitiu maior rapidez nas transações.

“Estamos em contato com todos os participantes (do piloto), fazendo operações com diversos deles para entender e exercitar os fluxos propostos pelo Banco Central, enquanto trocamos experiências”, afirmou Grossi. Mesmo antes de receberem os TPFf, os bancos que subiram nó já estavam realizando operações para testar a plataforma. 

João Gianvecchio, líder de Digital Assets do banco BV, disse que este terceiro fluxo do piloto do real digital “é o mais importante, pois testa a programabilidade, capacidade essencial do que se espera do Drex”. Segundo ele, o BV estava explorando esse ponto antes do piloto por meio de operações como a “tokenização de recebíveis e o primeiro toke não-fungível (NFT) com intuitos ESG (Ambiental, Social e de Governança) do Brasil”. A instituição tem como parceiros a Parfin, a Accenture e usa nuvem do Google.

O Banco do Brasil fez a primeira negociação de (TPFt) na rede piloto do Drex na quarta-feira (14). A transação ocorreu em conjunto com o consórcio de cooperativas financeiras formado por Sicoob, Sicredi, Ailos, Cresol e Unicred. Nesse caso, primeiro o BB vendeu LFT para o consórcio de cooperativas e depois o consórcio vendeu LTN para o BB.

“O BB e cooperativas também fizeram a primeira transação de transferência de Drex tokenizado entre clientes na rede. Os tokens saíram da carteira de um cliente do consórcio e foram sensibilizados na carteira de um cliente BB. Depois, o movimento inverso também aconteceu”, disse o banco num comunicado.

O Banco do Brasil subiu nó validador na rede do Drex no dia 1 de agosto. No dia 17 de agosto, as primeiras operações Drex da rede foram registrados na carteira do BB. Além disso, fez os primeiros testes entre bancos públicos com a Caixa entre 30 e 31 de agosto. E, depois, em 1 de setembro, BB e BV enviaram e receberam Drex através da rede. Assim, o BB diz que está antecipando testes que ocorreriam apenas em dezembro em todo o sistema.

“O Drex é mais uma iniciativa de sucesso, em que teremos a possibilidade de melhorar serviços bancários com a adoção da tecnologia blockchain e a tokenização”, diz Tarciana Medeiros, presidenta do BB. Segundo as cooperativas, a parceria que envolve o blockchain surgiu há pelo menos seis anos com o BB. Isso criou “uma via de mão dupla para testes e troca de informações, porque a cooperação se mostrou a melhor maneira de implementar as novas tecnologias disponíveis”, afirmaram. O BB diz que testa internamente blockchain desde 2015.

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