Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Nubank defende que Banco Central se aproxime de DeFi, as finanças descentralizadas

Liquidez é ponto de atenção do real digital, dizem bancos. Foto: Joel Santana, Pixabay.

O papel do real digital é garantir a interoperabilidade do setor financeiro tradicional com as plataformas de finanças descentralizadas (DeFi) e “o Banco Central (BC) tem uma oportunidade única de não ignorar esse movimento de DeFi”. Essa é a visão do diretor de Relações Institucionais do Nubank, Bruno Magrani, que também é membro da Zetta, associação de fintechs e empresas de pagamentos.

Magrani foi um dos participantes do quinto webinar do Banco Central sobre o real digital, que aconteceu nesta terça-feira (19). Com essa declaração, o Nubank, maior fintech da América Latina e uma das maiores do mundo, indicou que vê valor em DeFi e que está alinhada ao BC. Isso porque o BC já indicou que pretende inserir finanças descentralizadas de alguma forma no desenho do real digital.

Já o Nubank, em blockchain, oferece transferência internacional. Isso porque fechou parceria com a Remessa Online, que usa a blockchain RippleNet para esse serviço.

Os contratos inteligentes (contratos inteligentes) sãs as principais ferramentas para aparecem modelos de negócios inovadores e com potencial “gigantesco” de transformação, completou o diretor do Nubank. Magrani comparou as inovações que blockchain e criptoativos estão criando com as fases iniciais da internet comercial.

E de acordo com Magrani, “a internet mostrou que quando se trabalha com infraestruturas interoperáveis e que permitem inovação descentralizada, essa é a receita para se continuar vendo inovação no futuro”.

Fábio Araújo, coordenador do real digital no BC, indicou no podcast BlockDrops, de Mauricio Magaldi, que o regulador define o desenho do real digital. E que o mercado vai criar usos para a moeda. E essas, segundo os especialistas, são inúmeras, muitas ainda desconhecidas.

Bancos estudam impacto do real digital em empréstimos

O impacto do real digital na disponibilidade de dinheiro para empréstimos na economia foi também um dos principais pontos em discussão no webinar.

O real digital ser´a apenas para transações e não dará remuneração como se fosse um investimento. Quem emitirá é o BC e a custódia será das instituições financeiras, que também repassarão a moeda digital aos usuários. Um dos pontos sobre o real digital é se os cidadãos vão tirar dinheiro do depósito à vista e convertê-lo em real digital.

Hoje, parte do dinheiro que está nas contas correntes vai obrigatoriamente para o BC, que é o chamado recolhimento compulsório. Isso é uma das ferramentas do regulador para garantir estabilidade financeira. Ao tirar dinheiro de circulação, o BC evita, por exemplo, excesso de consumo e inflação.

Outra parte do dinheiro em depósito à vista os bancos transformam em crédito para terceiros, como imobiliário e rural. E isso sem pagar remuneração para o correntista de onde o dinheiro saiu.

Segundo Leandro Vilain, diretor de Inovação da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), o real digital pode gerar migração do depósito à vista para a moeda digital “e estamos estudando isso”. Isso tiraria do mercado de crédito dinheiro que hoje vai a setores produtivos, afirmou.

Real digital que Banco Central estudo pode ter implicações, diz Febraban

“Temos que entender as implicações e como fica a obrigatoriedade (do recolhimento compulsório) sem causar impacto nos setores financiados por esses depósitos”. Esse cenário poderia ser mais crítico em situações de crise, dizem os bancos.

Para Márcio Garcia, professor de Economia da Pontifica Universidade Católica do Rio de janeiro (PUC-Rio), quando há crise de liquidez, como receio de que um banco entre em crise e quebre, o dinheiro costuma sair do banco pequeno para o grande.

“Teoricamente, se tivesse migração do depósito à vista para a CBDC (sigla em inglês para moeda digital de banco central) teria crise de liquidez no banco grande, não no pequeno.” E o BC teria mais trabalho para consertar a situação.

O próximo webinar sobre o real digital, sexto e penúltimo dos sete previstos, será no próximo dia 11 de novembro. O tema deverá ser integração internacional.

0 Comentários

Deixe um comentário

XHTML: Você pode usar estas tags: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>