Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Brasil verá tokenização de ativos e moeda digital se encaixa nesse processo, diz presidente do BC

O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, afirmou hoje (15) que haverá um processo de tokenização de ativos, portanto um aumento do número de contratos inteligentes. E a moeda digital de banco central (CBDC) brasileira se encaixa nesse contexto de negociações digitais.

A CBDC precisa acompanhar o movimento de inovação da indústria financeira, disse o presidente do BC. O banco começará a “soltar quais são os pilares do projeto”. Os debates na instituição “são intensos”, afirmou.

“O projeto inclui internacionalização e conversibilidade e a moeda digital faz parte desse processo”. Campos Neto fez as afirmações na abertura do Fintouch 2021, evento da Associação Brasileira de Fintechs (Abfintechs), que acontece hoje e amanhã (16).

Nesta quinta-feira, haverá um painel sobre CBDCs, stablecoins e moedas corporativas. Os participantes são Fábio Lacerda, da Fundação Getulio Vargas (FGV), Gustavo Cunha, economista e fundador da plataforma de educação FinTrender, e Nayam Hanashiro, diretor de parcerias da R3. A moderação será do Blocknews.

Segundo Campos Neto, o número de fintechs pedindo autorização para operar tem sido tão grande que o BC tem até dificuldade de aprovar todas em curto prazo.

Além disso, deu uma dica: um casamento de sucesso que não tem aparecido muito no BC é o de fintechs, crédito e agronegócio. “É certeza que esse setor vai crescer”. Isso porque o Brasil é um dos maiores produtores agrícolas do mundo.

Moeda digital é parte da inovação

“O mundo fala muito de interação entre fintechs e banco. Mas a que está acontecendo de forma mais acelerada é entre mídia social e o mundo financeiro. Vemos isso claramente no mundo de pagamentos, com tecnologias de pagamentos e conteúdos”, completou.

Por isso é que, recentemente, o BC aprovou que a realização de pagamentos pelo Whataspp. Mas, Campos Neto citou outros que existem, como o Google Pay. “Quem vai ser o ponto de entrada no mundo financeiro? Banco, mídia social? Isso é indutor de geração de dados e voltamos no ponto que é a capacidade de analisar dados para oferecer melhor produtos.”

Com o Pix, o brasileiro parece ter confirmado sua facilidade em usar o celular – os que têm o aparelho e internet. Isso porque os números atingidos até agora eram inimagináveis pelo BC. Tem sido “impressionante”, afirmou.

Campos Neto afirmou ainda que em poucos dias o uso do Pix atingiu as expectativas para os seis primeiros meses. Hoje, há o registro de mais de 206 milhões de chaves de 75 milhões de pessoas e de 5 milhões de empresas. O Pix foi aceita inclusive por pessoas de maior faixa etária.

Sobre o open banking, Campos Neto afirmou que é um processo permitido pelo aumento da capacidade computacional. Portanto, maior geração, armazenamento e análise de dados. Então “a gente começa a ver soluções que podem ser desenvolvidas com open banking”.

A respeito do sandbox em curso no Banco Central, há conversas constantes com o mercado financeiro para “entender o que é preciso. Assim, espera-se agilizar o processo de se passar de ideais a negócios”.

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