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Haddad e Galípolo, que são próximos de Lula, defendem moeda digital da América do Sul

Haddad defende moeda digital em integração da América do Sul. Foto: Isabela Kronemberger, Unsplash.

Um moeda digital sul-americana ajudaria a consolidar um bloco econômico na região. Entre as suas vantagens estariam o acesso dos países a uma moeda com maior liquidez do que as atuais nacionais e seu uso no comércio dentro do bloco e dele com outras economias. Isso fortaleceria a soberania e a governança regional. Essa opinião é do ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT) e do ex-presidente do Banco Fator, Gabriel Galípolo. E foi expressada num artigo de ambos para o jornal Folha de S. Paulo.

No artigo, Haddad e Galípolo afirmam que as sanções impostas pelos Estados Unidos (EUA) e a União Europeia (UE) à Rússia, devido a invasão da Ucrânia, mostraram mais uma vez que países com moedas mais fracas ficam mais sujeitos às limitações que o sobe e desce do mercado financeiro internacional gera.

Haddad e o economista Galípolo estão próximos do ex-presidente e candidato Luiz Inácio da Silva. Ontem (4), Galípolo participou de um jantar com empresários e banqueiros com a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, segundo a Folha.

Lula sempre foi um defensor da integração da América Latina e adotou medidas nesse sentido enquanto esteve no Palácio do Planalto. Dentre elas, tentou fortalecer o Mercosul e criar acordos regionais. Assim, o artigo pode estar em linha com o que Lula venha a defender nesta campanha presidencial em relação a uma maior integração da América do Sul, esquecida nos últimos anos.

Haddad e Galípolo admitem que criar moeda digital não é fácil

Haddad e Galípolo admitem que não é fácil criar uma moeda digital sul-americana. A história da America do Sul e do mundo mostra que mais do que questões econômicas, é preciso ter muita vontade politica para uam moeda comum. A UE começou a ser desenhada depois da catástrofe da Segunda Guerra Mundial. E chegou muito lentamente ao euro.

No artigo, os autores dão um passo a passo de que como se chegar à moeda que chamam de SUR e isso inclui, por exemplo, a criação de um Banco Central Sul-Americano. E afirmam ainda que a experiência do Brasil com a URV (Unidade Real de Valor), que fez a transição para o real, pode dar subsídios à criação da nova moeda.

Embora Haddad seja favorável a essa moeda digital regional – ou até porque a defende -, o ex-prefeito é contra a adoção de bitcoin como moeda nacional, como fez El Salvador. Num tweet na véspera do país adotar oficialmente a criação de Satoshi Nakamoto, Haddad escreveu que “se nada for feito, os países da América Latina perderão um a um a soberania sobre suas moedas. Os EUA desejam um euro sem UE, isto é, uma AL dolarizada com um muro nos separando do norte. O pior cenário. Só um Brasil insubmisso pode refrear essa tendência”. El Salvador já tinha o dólar como moeda oficial.

Quase todos os bancos centrais estudam moedas digitais

No mundo, cerca de 85% dos bancos centrais estudam ter uma moeda digital nacional, as CBDCs, na sigla em inglês. Nesse grupo, há vários países da América do Sul que estudam o assunto. O Brasil é um deles, já fazendo testes de casos de uso do real digital. A lista tem outros como Chile, Colômbia, Uruguai e Paraguai. O presidente do Banco Central da Argentina disse no ano passado, no entanto, que não pensa numa CBDC.

Porém, o que Haddad e Galípolo pregam é algo como o euro. Na América do Sul, os acordos comerciais são, em geral, de livre comércio. Portanto, com tarifas de importação zero ou mais baixas para a troca de produtos entre os membros do acordo. O Mercosul conseguiu fazer uma união aduaneira em que além do livre comércio, os países têm as mesmas tarifas de importação para produtos vindos de fora do bloco. É fato que essas tarifas externas do Mercosul são cheias de exceções, mas tenta-se.

O passo seguinte dos acordos comerciais é o do mercado comum, em que a integração é ainda maior e em mais áreas e inclui, por exemplo, livre trânsito de pessoas, inclusive para trabalhar. E então vem a união monetária, que é onde a UE chegou com o euro. Fica claro, portanto, que esse caminho não é nada fácil. Ainda mais numa região que nunca conseguiu se integrar direito nem do lado econômico, nem da infraestrutura e nem em outras áreas como meio ambiente.

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