Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

GoLedger selecionada no Inovapol, concurso de inovação em segurança pública

GoLedger fica em terceiro lugar no Inovapol, concurso de segurança pública. Foto: Pete Linforth, Pixabay.

A GoLedger, que desenvolve soluções em blockchain, ficou em terceiro lugar no Inovapol, concurso de inovação em segurança pública promovido pela Polícia Civil e peritos do Distrito Federal. Foi a única solução blockchain entre as dez selecionadas com a solução GoProof.

De acordo com Thomas Strauss, sócio-diretor da Major Tom, organizador da iniciativa, o Inovapol é o novo nome da Startpol. A GoLedger venceu o Startpol em 2019 com a solução era a GoBio, de identificação de pessoas. Enquanto essa focava em startups, o Inovapol inclui empresas. Nesta primeira edição houve 21 inscritas.

As soluções das dez selecionadas passam agora por avaliação técnica de especialistas da polícia nos segmentos dos projetos. É a última fase. Haverá também demonstração de uso nesta quarta-feira (12) e quinta-feira (13). A demonstração será no Instituto de Criminalística da Polícia Civil do Distrito Federal.

Depois disso, serão as sessões de shark tank para apresentar as empresas a potenciais investidores. Para quem tiver interesse, uma alternativa aos shark tanks será buscar financiamento. E nesse caso, as possibilidades incluem a Embrapii (Associação Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial) e a Softex, disse Strauss.

A solução GoProof da GoLedger serve para autenticação e rastreabilidade de provas físicas e digitais em blockchain. Serve, portanto, para a chamada cadeia de custódia, que é a manutenção de documentação cronológica de provas.

Dessa forma, é possível certificar a veracidade das provas e rastrear a posse e o manuseio delas. “Isso garante a irretratabilidade ou o não-repúdio”, afirmou Otávio Soares, COO da GoLedger.

GoLedger concorreu com solução GoProof, única de blockchain

As outras selecionadas incluem a Nanobioforense (1º lugar) de produtos nanoestruturados e a Verifact (2º lugar) de coletas digitais. Além de empresas de soluções como identificação biométrica móvel e treinamento.

De acordo com Soares, a GoProof partiu de um piloto com uma instituição, simulando uma apreensão de entorpecentes. E parte desses entorpecentes foi para análise em laboratório.

Mas, com a preocupação da polícia com crimes cibernéticos, houve adaptação da GoProof. Isso porque quando há um crime digital, em geral é preciso tirar, por exemplo, uma cópia da tela, imprimir e registrar em cartório.

“Porém, a própria imagem ou outro documento digital pode ser corrompido antes do registro”, completou o COO. Há ainda um outro problema em relação às provas em geral. “Hoje, o objetivo principal dos advogados é tentar desacreditar provas criminais para que não haja uso dela contra seus clientes em um tribunal.”

Com o registro em blockchain, uma outra vantagem é a possiblidade de compartilhar dados na rede não apenas entre as diferentes áreas da polícia. É possível, por exemplo, incluir outras instituições como o Tribunal de Justiça, colocando-o como nó.

A OriginalMy também tem uma solução para coleta de evidências na internet e registro em blockchain e seus registros já foram aceitos por tribunais. Um cidadão pode usar a solução para gerar uma prova digital de algo que aconteceu com ele. Assim, atende uma parte diferente do processo de investigação.

GoProof tem foco em polícia e B2B

Já a GoProof tem foco no que a polícia, ou até em empresas no futuro, que recolham e façam registros de provas na própria instituição. Por isso, tem um caráter mais B2B, completou Soares.

Ao fazer a apresentação das soluções, a PC do DF pode se interessar em fazer testes em seu laboratório para potencial uso no futuro.

Em relação à potencial atração de investidores com o shark tank, Soares diz que o interesse principal é em fechar parcerias com empresas que possam colaboradoras com outras tecnologias 4.0 em projetos com a GoLedger. Isso inclui, por exemplo IoT ou IA.

Um outro interesse da GoLedger é num potencial financiamento da Softex, uma vez que a instituitção tem braço no exterior, algo que interessa à startup.

Quem participa do evento poderá também buscar apoio em rodadas de negócios que terão a participação do Sebrae. Strauss afirma que as subvenções poderão chegar a R$ 1 milhão por empresa, vindo de investidores e instituições de apoio como Embrapii e Softex.

A plataforma principal da GoLedger é o GoFabric, que faz a criação, o gerenciamento e a governança da rede blockchain. Além da GoProof e da GoBio, a startup tem a GoProcess, para gestão de documentos e processos em blockchain. Tem ainda o GoTrace, para rastreabilidade de produtos, e o GoVote para votação online.

Esse último foi um dos escolhidos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para testes na eleição de 2020. Porém, foi a única com um aplicativo na internet para uso por pessoas em qualquer lugar do mundo

2 Comentários

  1. A GoProof me parece ter uma função bem definida e tecnicamente viável para manter integridade de evidências já coletadas e manter seu histórico de manuseio, ou seja, uma promessa concreta e válida tecnicamente.
    Entretanto, quando falamos de evidências na Internet, é necessário que o processo envolva as etapas de Isolamento, Espelhamento e Preservação. Enquanto os dois primeiros passos dão confiança no conteúdo, o último mantém a integridade do que foi coletado.
    Neste contexto, a Blockchain é capaz somente de executar a etapa de preservação (integridade depois da coleta), sem no entanto ter qualquer benefício para o isolamento e espelhamento da prova, essenciais para a confiança na prova.

    1. Caro Munhoz, obrigada pelo comentário. Segue a resposta de Otávio Soares, COO da GoLedger, a seu comentário (por um problema no site, não foi possível que ele postasse a resposta diretamente).
      “Muito interessante essa observação, realmente algumas soluções que são anunciadas no mercado não atendem todos as etapas do processo.
      No entanto, o GoProof é destinado à instituições de Segurança Pública como por exemplo uma Delegacia de Repressão aos Crimes Cibernéticos onde qualquer cidadão, mesmo os que não estejam familiarizados com a internet ou tecnologia, pode realizar uma ocorrência de forma gratuita, segura e com o acompanhamento de um policial especializado nesse tipo de crime.
      Acontece que hoje quando o policial faz a coleta das provas digitais, a exemplo de um print de tela, ele tem que ir a um cartório para fazer o registro notarial dessa evidência. O GoProof vem para eliminar esse processo que consome bastante tempo e dinheiro. O arquivo é armazenado no próprio servidor da polícia, com todas as regras de segurança, e essa transação registrada na rede blockchain permissionada. Cabe lembrar também que os órgãos de segurança, principalmente as instituições policiais, ainda têm uma certa restrição com a computação em nuvem, preferem realizar o armazenamento em seus próprios Centros de Dados.
      Dessa forma solução permite a integração com os sistemas legados, em nuvem ou on-premises, desses órgãos para garantir que todos os processos da Cadeia de Custódia sejam cumpridos conforme rege a Lei.
      Como dito na matéria, tribunais, institutos de criminalística e demais órgãos de segurança pública podem participar dessa rede tendo acesso a essas informações, que cumprem todos os requisitos de irretratabilidade e não-repúdio, sem a necessidade de trâmite de papel, reduzindo custo com impressões, armazenagem, transporte, entre outros, que os documentos físicos demandam.
      Enfim, a solução foi desenvolvida observando as situações reais reportadas pelos próprios policiais que trabalham com crimes cibernéticos, sendo avaliada posteriormente por peritos. Além disso ela permite também todo o acompanhamento da movimentação de evidências físicas como por exemplo um lote de entorpecentes.
      A aprovação pela banca altamente especializada do Inovapol, vem corroborar com a necessidade e a importância de uma ferramenta como o GoProof para garantir a utilização de uma evidência em um processo judicial, validando todo o trabalho dos policiais envolvidos no processo de coleta e análise.”

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