Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

BID e Citi testam envio de dinheiro dos EUA para América Latina

BID e Citi dizem que operações duraram até 2 horas. Foto: Analogicus, Pixabay.

O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o Citi Innovation Labs anunciaram, nesta semana, que concluíram uma prova de conceito (PoC) para envio de recursos dos Estados Unidos (EUA) para países da América Latina e Caribe (LAC) usando blockchain e tokens. As operações levaram de 15 minutos e 15 segundos a 1 hora e 45 segundos.

As operações aconteceram em 2020 com o uso da LACChain Blockhain Network. Porém, só agora as instituições divulgaram os resultados e os detalhes. A ioBuilders também participou da PoC. A empresa é espanhola e desenvolve soluções em blockchain.

De acordo com o BID, houve envios da sua sede em Washington para um beneficiário na República Dominicana, enquanto o Citi fez a liquidação das transações.

“O BID depositou recursos em dólares numa conta do Citi. Esse dinheiro foi tokenizado para ERC-2020 e transferido para carteiras digitais”, disse Marcos Allende, especialista de blockchain do BID e líder técnico da LACChain.

Assim, o Citi converteu o valor em pesos dominicanos. O banco estabeleceu a taxa de câmbio. “A taxa, o status do pagamento e as tarifas foram rastreados e ficam transparentes todo o tempo na rede LACChain Blockchain”, completou Allende.

Envio de dinheiro pela LACChain

O projeto usou a LACChain Besu Network, ou seja, uma Hyperledger. A rede é publica-permissionada. Isso porque o objetivo da LACChain é criar um ecossistema blockchain para toda a região LAC.

Os tempos das transações foram de 15 minutos e 45 segundos a 1 hora e 45 segundos. Isso porque a parte final foi a mais demorada. O tempo para o acesso do BID à conta (whitelist) foi de cerca de 10 segundos. Foi o mesmo tempo para a tokenização.

A realização do câmbio durou dois segundos. Além disso, a transferência aconteceu em 15 segundos. A aprovação dessa transferência levou cerca de 8 segundos. A parte final foi a mais demorada, levando de 15 minutos a uma hora. Essa foi a de transferência para uma clearing.

“Esse projeto vence uma série de desafios relacionados a transferência internacional de valores. Assim, demonstra que é possível realizar essas transações de uma forma ainda mais eficiente e segura e, além de tudo, econômica”, disse ao Blocknews Renato Teixeira, co-líder da Comunidade Hyperledger Brasil

De acordo com Teixeira, o próximo desafio a ser vencido é o processo de efetivação da transferência por meio de reconhecimento não só das instituições bancárias, como também das fiscais. “Isso deve acontecer muito em breve, tendo em mente grau de confiabilidade e transparência que blockchain oferece.”

Além de ser possível rastrear e acompanhar todo o processo, blockchain pode reduzir o custo das transações. Isso é fundamental porque o corredor EUA- LAC é um dos principais para envio de dinheiro no mundo. Isso porque trabalhadores latinos nos EUA mandam recursos para suas famílias.

BNDES é um dos 98 nós

Mas, não é só isso. Na região, blockchain pode ter impacto também na transparência e custo das remessas de recursos para outras finalidades, em especial de assistência.

“Há muitas implicações de pagamentos internacionais com papel de inclusão, como por exemplo assistência oficial para o desenvolvimento”, afirmou Irene Hofman, CEO of the IDB Lab.

“Sem dúvida, esses recursos são extremamente importantes para os países da região. Mas, mais ainda para os benefícios finais e suas famílias”, completou.

Para Piotr Marciszewski, coordenador do projeto no Citi, a PoC mostrou que é possível conectar a LACChain Network com as Interfaces de Programação de Aplicações (APIs) da WordLink, ou seja, com o serviço de pagamentos do banco.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) é um dos nós da LACChain. A rede tem 98 nós de 15 países dos continentes americano e europeu. Os participantes já fizeram 22 milhões de blocos. O movimento da rede pode ser acompanhado pelo site da LACChain.

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