Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Uso de bitcoin em El Salvador esbarrará em falta de liquidez, diz JPMorgan

A adoção do bitcoin como moeda legal poderá trazer problemas para El Salvador e para o ecossistema bitcoin. A conclusão é de um relatório do JPMorgan Chase. De acordo com o banco, o volume diário de negociações da criptomoeda vai de US$ 40 bilhões a US$ 50 bilhões ao dia. Porém, mais de 90% dos bitcoins no mercado estão parados em contas há mais de um ano.

O JP afirma que bitcoin para pagamentos em El Salvador equivaleira a cerca de 4% das transações onchain e de 1% do valor total dos tokens que passaram para carteiras no último ano. Portanto, haveria uma falta de liquidez para a moeda ser forma de pagamentos no país, diz reportagem da Bloomberg.

Sem nenhum estudo prévio e ainda com o país precisando de dinheiro para fechar suas contas, a ponto de ter de negociar um acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), o presidente de El Salvador, Nayib Bukele, conseguiu a aprovação da lei que institui bitcoin como moeda legal.

Do anúncio da proposta de lei à sua aprovação foram 4 dias. Bukele tem ampla maioria no Congresso. Assim, a adoção acontecerá a partir de 7 de setembro e bitcoin poderá corre junto com o dólar americano, a moeda legal de El Salvador desde 2001.

El Salvador adotará bitcoin em meio a ceticismo da população

Além da limitação de bitcoins, a proposta de Bukele, um presidente com ações ditatoriais, esbarra hoje num ceticismo da população. De acordo com uma pesquisa, mais de 75% dos salvadorenhos desacreditam no projeto. O levantamento é da empresa de pesquisa Disruptiva, afiliada à Universidade Francisco Gavidia.

O levantamento também mostrou que quase metade da população (46%) não sabe nada sobre bitcoin, ou seja, a questão da educação é um ponto fraco do projeto. E quase 65% não gostaria de receber pagamentos na criptomoeda.

Além do ceticismo, 54% acham que a adoção de bitcoin “não é nada correta” e 24% a descreveram como “um pouco correta”. Nem 20% aprova o plano. A Disruptiva ouviu 1.233 pessoas entre 1 e 4 de julho e a margem de erro é de 2,8%. “Isso (a lei) é uma aposta arriscada de transformação digital”, disse Oscar Picardo, líder da área de inovação da Disruptiva.

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