Mercado de Criptomoedas por TradingView

Criptoativos fomentam rede que será benéfica para sistema financeiro, diz presidente do BC

Presidente do BC, Roberto Campos Neto, diz que real digital deve se beneficiar de ferramentas de criptos.

“A regulação das criptomoedas dominou mais da metade da última reunião dos bancos centrais do mundo. Vejo certa preocupação, certa apreensão. Mas também vejo novas portas se abrindo para inovação financeira, para um sistema descentralizado que seja capaz de gerar inclusão financeira.” Foi o que disse o presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, no CEO Conference do BTG Pactual, nesta terça-feira (22).

Assim, Campos compartilhou informações que reforçam que a BC olha para soluções descentralizadas que rodam em soluções como blockchain e tecnologia de registro distribuído (DLT).

Campos agradeceu ao senador Irajá Abreu (PSD-TO) pela aprovação da proposta de lei para regulamentar o segmento de criptomoedas no Senado. Isso aconteceu também ontem, na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE). “É importante esse projeto. É um primeiro que fala das corretoras”. O presidente do BC lembrou que há um outro projeto de lei na Câmara e disse entender que pode haver junção de ambos.

O movimento dos governos mundo afora em relação às criptomoedas é o de estabelecer alguma forma de regulação. Além disso, cerca de 90% dos BCs estuda ter uma moeda digital, as chamadas CBDCs. A do Brasil terá um piloto no segundo semestre, disse Campos Neto.

O atual estágio do real digital é o de o BC e a Fenasbac escolherem os projetos que instituições financeiras apresentaram para os testes entre o final de março e final de julho. Um total de 43 empresas nacionais e estrangeiras apresentaram 47 projetos e concorrem para serem escolhidas no Lift Challenge . A iniciativa é do BC e da Fenasbac, a federação dos servidores do banco.

O foco dos casos de uso desses testes é em finanças descentralizadas (DeFi), Delivery versus Payment (DvP), ou seja, entrega simultânea ao pagamento, e Payment versus Payment (PvP), que é a liquidação de operações de moedas estrangeiras. Além disso, haverá foco em internet das coisas (IoT).

“Uma ideia que prevalece e que sempre vai prevalecer é que a tecnologia é o instrumento mais democratizante que existe”, disse Campos Neto. Para ele, a tecnologia proporciona inclusão com sustentabilidade e ajuda a criar novos modelos de negócios e com geração de competição. E “esse processo de inovação faz com que empresas sejam criadas em finanças descentralizadas. Mas, completou, estão em perímetros não regulados pelo BC.

“Os banqueiros centrais tem estudado muito como fazer essa aproximação para ter um ambiente regulatório que fomente a tecnologia, mas que não crie risco para o sistema financeiro tradicional, uma vez que o sistema descentralizado cresce a um ritmo muito maior”.

Em relação a criptoativos, os reguladores estão muito preocupados com o ativo em si. “Acho que é mais importante falar do network (rede), da plataforma em que o ativo navega, do que do ativo em si. As plataformas que estão sendo criadas e o que o criptoativo têm feito em termos de aperfeiçoamento dessas plataformas tem um valor enorme”.

De acordo com Campos Neto, no atual movimento de questionamento em relação a várias coisas, principalmente da politica monetária tradicional, é interessante entender porque crescem os investimentos em criptoativos. Por um lado, afirmou, a situação preocupa pelo crescimento alto. No entanto, “fomenta um sistema, um network, que vai ser muito benéfico para o sistema financeiro no futuro”.

E acrescentou que conceitos da descentralização, como o de que “cada cripto adicional que você coloca no sistema, aumenta a segurança dele, esse conceito do network”, é importante par ao setor financeiro absorver.

Campos Neto diz que não usa o termo criptomoedas, porque não têm características de moedas. Por isso, as chama de criptoativos.

E disse ainda que “o próximo movimento que vamos ver é o de monetização de informações”. Vai ser um processo em que o vencedor será a empresa que conseguir que as pessoas monetizem seus dados sem passar por intermediários. “Vai ser uma grande revolução é como se fosse uma nova camada de internet”.

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