Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Com alta do bitcoin, Suécia devolve mais de US$ 1,5 milhão a traficante que devia US$ 150 mil

Caso de bitcoin na Suécia mostra despreparo do Judiciário sobre criptos.

O governo da Suécia teve de devolver mais de US$ 1,5 milhão em bitcoin para um traficante de drogas que devia ao estado menos de US$ 150 mil. O motivo é que quando as autoridades retiveram 36 bitcoins do criminoso após seu julgamento, o valor dessas moedas não chegava a US$ 150 mil. Porém, dois anos se passaram e a criptomoeda saiu do vale para um pico de cotação. A informação é do jornal inglês The Telegraph.

Isso tudo significa que quando a autoridade sueca leiloou os bitcoins, com apenas três deles foi possível pagar o que o traficante devia. Portanto, a Suécia devolveu 33 bitcoins ao criminoso que ainda está preso.

A promotora do caso, Tove Kullberg, admitiu que a falha da autoridade vem da falta de conhecimento sobre criptomoedas. Por isso, é preciso educar os promotores sobre o assunto, já que as moedas criptografadas “serão um fator com o qual vamos lidar muito mais do que hoje”.

Esse não é um caso exclusivo da Suécia. O Judiciário de praticamente todos os países estão despreparados para lidar com casos que envolvem criptomoedas. E isso se aplica a todo tipo de problema com criptos. Primeiro porque não entendem o que são e como funcionam. Segundo porque não sabem como se comporta o mercado. E isso inclui o Brasil, onde há pouquíssimos juízes e promotores que conhecem o tema.

De acordo com Tove, “há uma lição a ser aprendida com crimes que envolvem criptomoedas”. E essa lição é manter o valor (da condenação) em bitcoin, porque o lucro do crime foi de 36 bitcoins, “não importa o valor da moeda naquela época”.

Mas, a questão é que se o valor da moeda tivesse caído, o criminoso pagaria menos em dólar ou coroas suecas. É uma conta complexa de se fazer para quem julga um caso desses.

O traficante conseguiu os bitcoins fazendo vendas online ilegais. A Suécia vai fazer um estudo profundo sobre regulação de bitcoin e criptomoedas. O presidente do banco central do país, Stefan Ingves, já disse que é muito difícil não haver regulação para esse segmento.

O país é um dos que mais usam dinheiro digital no mundo, por isso, papel moeda é coisa rara. Além de ser um dos mais avançados no estudo de sua moeda digital de banco central (CBDC). E agora, está de olho nas criptomoedas.

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