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Testes do real digital incluem pagamentos que não precisam de intermediário para reduzir risco

Versão digital do real chega em 2024, diz BC. Foto: Eduardo Soares, Unsplash.

O uso de tecnologias como a de registro distribuído (DLTs) e blockchain no real digital poderá gerar novos negócios e tende a fazer o uso dessa versão da moeda “explodir”. Tanto é assim que o foco do Banco Central (BC) para o programa de testes de casos de uso do real digital focou em escolher projetos que incluam operações como as de entrega e pagamento imediatos (Delivery versus Payment, DvP) e de troca de pagamentos imediata (Payment versus Payment, PvP).

Mais especificamente, o programa de testes, o LiftChallenge, está com foco em finanças descentralizadas. Isso porque é aí, nesse universo hoje dos criptoativos, que o BC vê a possibilidade de se criarem soluções que vão além do que já existe no sistema financeiro atual.

“As ferramentas de programabilidade foram o foco que o BC deu para à iniciativa”, disse Fabio Araújo, coordenador do projeto do real digital no BC. Segundo ele, a programabilidade, que significa operar com finanças descentralizadas (DeFi) em redes blockchain, foi o que o regulador viu de mais interessante no cenário internacional que poderia ser trazido para o mercado local.

Araújo participou do primeiro dos dois dias do LiftDay 2022, que como o Challenge, é uma iniciativa do BC e da Federação Nacional dos Servidores do BC (Fenasbac). Os 10 projetos que participaram do último Lift Lab estão agora apresentando seus resultados no LiftDay.

De acordo com Araújo, cerca de 80 BCs tem projetos ativos em moedas digitaisi de bancos centrais (CBDCs) e o equivalente a 90% do PIB mundial trabalha no assunto. “Cada um busca solução para os problemas locais”.

BC escolheu nove projetos de DeFi com real digital

Dos nove projetos que estão no LiftChallenge, três são DvPs, um é de PvP, um é de pool de liquidez em DeFi e outro é um de DeFi com foco em fundos para empresas pequenas e médias. Há ainda um de dinheiro programável para atividade rural (ver tabela abaixo). Um é de operações offline e um outro envolve também internet das coisas para entrega de produtos vendidos em plataformas de e-commerce.

Ao falar do uso do real digital em operações como dvp e pvp, lembrou que uma transação de R$ 50, por exemplo, pode ser inviável pelas tecnologias atuais, que exigem intermediários que reduzam o risco da operação. Mas, contratos inteligentes, tornam isso possível pela maior facilidade e custo reduzido. Portanto, é aí que podem surgir novos negócios como os de tokenização de ativos e transações de baixo valor.

Os testes começam nos próximos dias. No final de quatro meses, não haverá produtos para irem para o mercado, porque ainda não haverá o real digital. É, portanto, um formato diferente de testes em comparação a outros países que primeiro querem definir a tecnologia que vão usar. E só depois vão testar casos de uso. Primeiro, o BC quer saber quais aplicações são viáveis, as dificuldades de aplicação, eventuais mudanças como as regulatórias. Mas, o BC já considera, como mostra o LiftChallenge, o uso de DLT/blockchain.

“É quase engenharia reversa”, olhando primeiro os casos de uso e depois a plataforma”, disse Rodrigoh Henriques, líder de inovação da Fenasbac. A fase de piloto do real digital deve começar no final do ano. E, se tudo correr bem, essa versão da moeda chega ao mercado em meados de 2024.

Haverá mais uma chamada de empresas para fase de piloto

Para a fase de piloto, o BC vai abrir uma nova chamada para empresas apresentarem projetos. No entanto, as empresas que participaram da fase atual de testes, não estão garantido nas próximas fases. Poderão entrar outros projetos que tenham amadurecido por conta própria”, disse Araújo. No final do programa, o BC vai divulgar relatórios sobre os projetos.

O presidente do BC, Roberto Campos Neto, disse que para o sistema financeiro brasileiro avançar, é preciso estabelecer um ambiente colaborativo com o setor privado. Isso inclui de instituições reguladas a starturp e provedores de tecnologia “para remover assimetria de informação usando tecnologia”.

Na Europa, a presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, o bloco precisa de um euro digital por conta dos avanços das criptomoedas. E porque se outras economias como os Estados Unidos adotarem uma CBDC, terão vantagens no mundo digital. Assim como o Brasil, a UE também espera ter sua versão digital da moeda em 2024.

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