Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Banco Central e Fenasbac anunciam programa de testes do real digital

Presidente do BC, Roberto Campos Neto, diz que real digital deve se beneficiar de ferramentas de criptos.

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, anunciou hoje (30) o Lift Challenge Real Digital, para testes com a nova versão da moeda brasileira. O programa será feito com a Federação Nacional dos Servidores do BC (Fenasbac), que já gerencia o Lift, laboratório de desenvolvimento de soluções financeiras inovadoras. As informações já estão no site do programa.

De acordo com o presidente do BC, o público-alvo “são participantes do mercado, reunindo um público qualificado de bancos, instituições de pagamento, fintechs e empresas de tecnologia com interesse em desenvolver um produto minimamente viável com base no real digital.

As inscrições começam no próximo dia 10 de janeiro de 2022 e vão até 11 de fevereiro de 2022. No dia 8 de dezembro haverá um webinar do Lift Talk no YouTube para falar sobre a iniciativa, disse ao Blocknews o líder de inovação da Fenasbac, Rodrigoh Henriques.

“Esse é um Lift turbinado, com muita musculação”, afirmou Henriques. Isso porque, na comparação com as outras versões do Lift, os projetos vão ter de ser mais maduros, já que terão maior impacto no sistema financeiro nacional. Assim, exige maior maturidade das propostas. “A moeda digital de banco central é a próxima grande revolução do sistema financeiro”, afirmou.

“A gente não tem mínimo e máximo de projetos. Estamos procurando as melhores ideias”, disse Henriques. A divulgação dos selecionados é em 4 de março e o desenvolvimento até 29 de julho próximo. Se houver um grupo muito grande de projetos, pode-se definir um número máximo. O histórico do Lift foi de 25 e 11.

Lift do Real Digital dura até final de julho de 2022

Não haverá, nesta versão do Lift, parceiros de tecnologias, porque se espera que quem fizer propostas vai propor tecnologias que usa para os desafios de moeda digital. Porém, nada impede que uma empresa de tecnologia participe junto com as do setor financeiros, que são as que podem se inscrever.

O Lift, completou Henriques, sempre foi desenhado para ser 100% digital. Neste, “tem uma diferença de tempo. Teremos mais tempo olhando os projetos. O tradicional tem três meses de desenvolvimento e neste são quatro meses”.

Haverá encontros quinzenais no desenvolvimento e apresentação de relatório de evolução do projeto. “Não há promessa de adoção do projeto pelo regulador. O que sabemos é que todo mundo ganha no final” em tecnologia, modelos, soluções, regulação, por exemplo, segundo o representante da Fenasbac. “E depois, cada um dos agentes faz o que puder fazer de melhor com aquela informação.”

O objetivo do Lift do real digital, afirmou Campos Neto, é avaliar casos de uso da nova versão do real digital e sua viabilidade tecnológica. Portanto, o foco será dirigido a casos de uso de pagamentos inteligentes em ambiente online que possam. A lista que o presidente do BC divulgou inclui:

– Entrega contra Pagamento (DvP), voltados à liquidação de transações com ativos digitais, tanto nativos do ambiente digital quanto tokenizados;
– Pagamento contra Pagamento (PvP), voltados ao câmbio entre moedas;
– Internet das coisas (IoT), voltados à liquidação algorítmica ou diretamente entre máquinas; e
– Finanças descentralizadas (DeFi), voltados a protocolos com liquidação baseada em uma moeda digital de banco central (CBDC). Para tanto, devem considerar requisitos de compliance e supervisão.

BC também está interessado em transações offline

Além disso, o BC também está interessando em soluções em que tanto pagador, quanto recebedor estejam offline. É consenso de que esse tipo de função aumenta a inclusão no uso do real digital.

Na avaliação das propostas, o BC e a Fenasbac vão consider a infraestrutura dos projetos. Para isso, vão analisar, por exemplo, questões de interoperabilidade com outros sistemas de pagamentos, escalabilidade da solução, acessibilidade e usabilidade.

Além disso, vão considerar a privacidade das informações, tema muito sensível na discussão de CBDCs e potenciais de programabilidade. Hoje, é possível programar, por exemplo, um pagamento. Mas se o real digital usar blockchain, a programação vai no código da rede e do ativo, o que facilita muito a transação, além de reduzir custos.

Campos Neto fez o anúncio do Lift para real digital ao final do sétimo e último webinar sobre o real digital que o BC fez neste ano. Durante o discurso, várias vezes o presidente da instituição citou os benefícios que criptomoedas e finanças descentralizadas, além de tokenização. E indicou o quanto aprecia essas soluções, embora defenda a regulação.

Mencionou que já estão em uso, precisam de regulação, mas sinalizou que é na direção de algo do tipo que vai o BC pretende levar a moeda brasileira, como antecipou o Blocknews.

“Real digital é resposta a rápido progresso e demanda da sociedade”

“A iniciativa do Real Digital é uma resposta ao rápido progresso de transformação digital e à demanda da sociedade por meios nativos de liquidação em um novo ambiente”, afirmou.

Para ele, houve muito avanço desde a criação do grupo de trabalho sobre moedas digitais em 2020. “A cada passo dado amadurecemos as condições para que importantes ganhos de eficiência possam ser concretizados. Mas esse é um processo evolutivo, onde riscos e oportunidades devem ser avaliados constantemente.”

Hoje, há o Lift Learning, que é para ideias iniciais, que envolve academia e instituições financeiras e o regulador, explica Henriques. Isso vai até a prova de conceito (PoC). O Lift Lab vai da PoC a um protótipo funcional. Acima disso, é se a empresa tem produto e vai testar a questão regulatória, que é o que entra no sandbox do BC. O Challenge vai um pouco acima do Lab, mas ainda assim não é “estou no mercado e vou operar o produto”, segundo Henriques.

*Reportagem atualizada às 13h15 de 30/11/21 com entrevista a entrevista da Fenasbac.

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