Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Serpro cuida do desenvolvimento à operação da b-Connect da Receita Federal

Contour usa blockchain para simplificar crédito do comércio exterior.

O Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), que trabalha com diferentes projetos em blockchain, é quem está ajudando a Receita Federal a criar e implantar a b-Connect. Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai serão os primeiros usuários da plataforma de operações de comércio exterior.

O primeiro uso é para troca de dados de operadores aduaneiros econômicos (OEA) entre os quatro países. Esse serviço está na segunda fase, “que trata-se do consumo, ou seja, gravação e leitura, das informações do bConnect no Portal Único do Comércio Exterior”.

É o que disse Paulo Roberto Ramos, gerente na diretoria de relacionamento com clientes do Serpro ao Blocknews. Essa segunda fase significa, portanto, subir informações dos países no b-Connect. O Brasil prevê que em 15 dias fará sua parte.

Segundo ele, já começou também “a discussão de entrada de outros projetos no bConnect, agora com informações de trânsito e declarações aduaneiras”. Em entrevista ao Blocknews, o coordenador de aduanas da Receita Federal, Sérgio Alencar, afirmou que a plataforma deve crescer em número de países e serviços.

De acordo com Ramos, o Serpro desenvolveu a prova de conceito, o smart contract e a API de integração com sistemas de informação. Além disso, deu suporte aos demais países do Mercosul nas montagens de  seus ambientes.

Serpro liderou definição de governança do b-Connect

O Serpro liderou também a definição de uma das questões mais sensíveis de uma rede blockchain: a governança da rede. E fizeram isso através da formação de um comitê técnico e de negócios, com representantes dos quatro países.

À parte tudo isso, a empresa ainda opera a rede e hospeda os nós da Receita Federal. Servidores em cada uma das aduanas do países participantes são os nós da rede.

Segundo Ramos, a b-Connect está em Hyperledger Fabric 1.4 porque tem código aberto, uma comunidade ativa e era a mais madura para criação de redes permissionadas quando a escolha foi feita.

“Entre as vantagens, além de ser uma plataforma livre, temos suporte  a comunicação privada entre participantes, suporte a diferentes linguagens para desenvolvimento do smart contract e possibilidade de criar canais de comunicação diferentes para grupos de participantes específicos. 

Não foi adicionado nenhum aplicativo à plataforma. No início, seu uso será baixo, mas vai crescer se a expansão se confirmar. Ramos afirma que os estudos acadêmicos indicam que a rede suporta até 20 mil transações por segundo (TPS).

Mas, ele, a questão principal deste projeto é garantir a troca de dados com segurança entre os países. Isso porque a desconfiança entre nações, por diferentes motivos, como geopolítica, segurança cibernética e soberania é que têm travado trocas de informações mais eficientes.

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