Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Banco Central e Fenasbac anunciam programa de testes do real digital

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, anunciou hoje (30) o Lift Challenge Real Digital, para testes com a nova versão da moeda brasileira. O programa será feito com a Federação Nacional dos Servidores do BC (Fenasbac), que já gerencia o Lift, laboratório de desenvolvimento de soluções financeiras inovadoras. As informações já estão no site do programa.

De acordo com o presidente do BC, o público-alvo “são participantes do mercado, reunindo um público qualificado de bancos, instituições de pagamento, fintechs e empresas de tecnologia com interesse em desenvolver um produto minimamente viável com base no real digital.

As inscrições começam no próximo dia 10 de janeiro de 2022 e vão até 11 de fevereiro de 2022. No dia 8 de dezembro haverá um webinar do Lift Talk no YouTube para falar sobre a iniciativa, disse ao Blocknews o líder de inovação da Fenasbac, Rodrigoh Henriques.

“Esse é um Lift turbinado, com muita musculação”, afirmou Henriques. Isso porque, na comparação com as outras versões do Lift, os projetos vão ter de ser mais maduros, já que terão maior impacto no sistema financeiro nacional. Assim, exige maior maturidade das propostas. “A moeda digital de banco central é a próxima grande revolução do sistema financeiro”, afirmou.

“A gente não tem mínimo e máximo de projetos. Estamos procurando as melhores ideias”, disse Henriques. A divulgação dos selecionados é em 4 de março e o desenvolvimento até 29 de julho próximo. Se houver um grupo muito grande de projetos, pode-se definir um número máximo. O histórico do Lift foi de 25 e 11.

Lift do Real Digital dura até final de julho de 2022

Não haverá, nesta versão do Lift, parceiros de tecnologias, porque se espera que quem fizer propostas vai propor tecnologias que usa para os desafios de moeda digital. Porém, nada impede que uma empresa de tecnologia participe junto com as do setor financeiros, que são as que podem se inscrever.

O Lift, completou Henriques, sempre foi desenhado para ser 100% digital. Neste, “tem uma diferença de tempo. Teremos mais tempo olhando os projetos. O tradicional tem três meses de desenvolvimento e neste são quatro meses”.

Haverá encontros quinzenais no desenvolvimento e apresentação de relatório de evolução do projeto. “Não há promessa de adoção do projeto pelo regulador. O que sabemos é que todo mundo ganha no final” em tecnologia, modelos, soluções, regulação, por exemplo, segundo o representante da Fenasbac. “E depois, cada um dos agentes faz o que puder fazer de melhor com aquela informação.”

O objetivo do Lift do real digital, afirmou Campos Neto, é avaliar casos de uso da nova versão do real digital e sua viabilidade tecnológica. Portanto, o foco será dirigido a casos de uso de pagamentos inteligentes em ambiente online que possam. A lista que o presidente do BC divulgou inclui:

– Entrega contra Pagamento (DvP), voltados à liquidação de transações com ativos digitais, tanto nativos do ambiente digital quanto tokenizados;
– Pagamento contra Pagamento (PvP), voltados ao câmbio entre moedas;
– Internet das coisas (IoT), voltados à liquidação algorítmica ou diretamente entre máquinas; e
– Finanças descentralizadas (DeFi), voltados a protocolos com liquidação baseada em uma moeda digital de banco central (CBDC). Para tanto, devem considerar requisitos de compliance e supervisão.

BC também está interessado em transações offline

Além disso, o BC também está interessando em soluções em que tanto pagador, quanto recebedor estejam offline. É consenso de que esse tipo de função aumenta a inclusão no uso do real digital.

Na avaliação das propostas, o BC e a Fenasbac vão consider a infraestrutura dos projetos. Para isso, vão analisar, por exemplo, questões de interoperabilidade com outros sistemas de pagamentos, escalabilidade da solução, acessibilidade e usabilidade.

Além disso, vão considerar a privacidade das informações, tema muito sensível na discussão de CBDCs e potenciais de programabilidade. Hoje, é possível programar, por exemplo, um pagamento. Mas se o real digital usar blockchain, a programação vai no código da rede e do ativo, o que facilita muito a transação, além de reduzir custos.

Campos Neto fez o anúncio do Lift para real digital ao final do sétimo e último webinar sobre o real digital que o BC fez neste ano. Durante o discurso, várias vezes o presidente da instituição citou os benefícios que criptomoedas e finanças descentralizadas, além de tokenização. E indicou o quanto aprecia essas soluções, embora defenda a regulação.

Mencionou que já estão em uso, precisam de regulação, mas sinalizou que é na direção de algo do tipo que vai o BC pretende levar a moeda brasileira, como antecipou o Blocknews.

“Real digital é resposta a rápido progresso e demanda da sociedade”

“A iniciativa do Real Digital é uma resposta ao rápido progresso de transformação digital e à demanda da sociedade por meios nativos de liquidação em um novo ambiente”, afirmou.

Para ele, houve muito avanço desde a criação do grupo de trabalho sobre moedas digitais em 2020. “A cada passo dado amadurecemos as condições para que importantes ganhos de eficiência possam ser concretizados. Mas esse é um processo evolutivo, onde riscos e oportunidades devem ser avaliados constantemente.”

Hoje, há o Lift Learning, que é para ideias iniciais, que envolve academia e instituições financeiras e o regulador, explica Henriques. Isso vai até a prova de conceito (PoC). O Lift Lab vai da PoC a um protótipo funcional. Acima disso, é se a empresa tem produto e vai testar a questão regulatória, que é o que entra no sandbox do BC. O Challenge vai um pouco acima do Lab, mas ainda assim não é “estou no mercado e vou operar o produto”, segundo Henriques.

*Reportagem atualizada às 13h15 de 30/11/21 com entrevista a entrevista da Fenasbac.

Banco Central discutirá tecnologia para emitir real digital

O Banco Central (BC) vai discutir tecnologias para emissão do real digital no último webinar sobre sua moeda digital, que acontecerá nesta terça-feira (30). O presidente do BC, Roberto Campos Neto, disse que gostaria que a emissão seja em blockchain. Além disso, a instituição está no uso de finanças descentralizadas (DeFi), que acontecem nessa tecnologia, como antecipou o Blocknews. Porém, ainda não tomou uma decisão.

O evento é aberto ao público e acontecerá no canal do BC no Youtube das 11h às 12h30. Será, portanto, o mais longo até agora. Irão participar o gerente de produto da ConsenSys, Matthieu Saint Olive, Ricardo Correia, chefe global de moedas digitais na R3, e Seidemann Wolfram, diretor-executivo da G+D Currency Technology. A moderação será de Aristides Andrade Cavalcante Neto, chefe adjunto do Departamento de TI do BC. 

As três empresas estão envolvidas com soluções para moedas digitais de bancos centrais (CBDCs) e já participaram de outros webinars do real digital. A R3, por exemplo, está no projeto da Suécia. Já a G + D trabalha em projetos como o da Tailândia e de Gana. E assim como a ConsenSys, está entre as finalistas do Desafio Global CBDC do BC de Singapura, que é um dos mais ativos em estudar o tema.

Teste do real digital começa no início de 2022

O BC começará os testes do do real digital entre final de março e início de abril, segundo a previsão atual. No entanto, o uso da moeda deve começar apenas em 2024. Enquanto isso, a instituição está estudando diversos pontos e conversando com projetos de tecnologia e empresas de pagamentos.

Como também antecipou o Blocknews, o BC estuda, por exemplo, a solução offline da Visa e solução da Mastercard para o real digita. As duas estão envolvidas em criptos e em projetos de CBDCs, para integrar essas moedas a suas plataformas de pagamentos.

A transmissão do webinar Tecnologias para emissão e compatibilidade com arranjos existentes será em português e inglês.

Governo reafirma uso de blockchain Hyperledger em regra de certificados digitais

O Instituto Nacional de Tecnologia da Informação divulgou novas regras do sistema de carimbo de tempo de certificados digitais e com isso, reafirmou o uso da plataforma blockchain Hyperledger. No final de 2020, a instituição informou ao Blocknews que o uso de blockchain, naquele momento, deveria “ser visto como uma iniciativa experimental, restrita ao Carimbo do Tempo”.

A divulgação das regras aconteceu na última sexta-feira (12) com a publicação da Instrução Normativa ITI Nº 19, de 10 de novembro passado. O documento estabelece requisitos técnicos para homologação dos equipamentos de carimbo do tempo na Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira – ICP-Brasil. A regra anterior que citava blockchain era a ITI Nº 18 de dezembro de 2020.

A emissão dos certificados digitais acontece por meio da  Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira – ICP-Brasil. Nesse processo, os chamados Servidores de Carimbo do Tempo (SCTs), ou seja, os hardwares, precisam “implementar mecanismo de envio para bases de registros distribuídos (blockchain) segundo o framework Hyperledger, de blocos com resumos criptográficos das árvores”. As árvores são as de encadeamento do tempo.

O que estará em blockchain será, portanto, o registro de que tempo e hora de existência de um documento. Quem dá o carimbo é a Autoridade de Carimbo do Tempo (ACT). E ´´é responsável por um ou mais SCTs que se conectam à rede de Carimbo do tempo da ICP-Brasil.

No ano passado, o ITI informou ao Blocknews que dentre outras características, “Hyperledger é open source e permissionada. E isso contou para a escolha dessa solução no âmbito do Carimbo do Tempo da ICP-Brasil”. A empresa Kryptos desenvolveu a solução.

De acordo com o ITI, o número de emissões de certificados digitais com a ICP-Brasil chegou a 6.176.560 em 2021, o que representa 101,76% do resultado de todo o ano de 2020. A previsão é de 6,980 milhões neste ano. No total, o registro de certificados ativos chegou a 10.509.730.

Prefeito de Miami distribuirá a residentes ganhos com bitcoin

Em breve, Miami dará aos seus residentes ganhos que obteve com bitcoin. O prefeito Francis Suares revelou a informação numa entrevista à CoinDesk nesta manhã. “Seremos a primeira cidade do país a dar ganho de bitcoin como um dividendo diretamente aos residentes”. Suarez é pr´ó-bitcoin e quer transformar a Miami em hub de criptomoedas.

Desde o início do ano, Miami tem sua própria criptomoeda, a MiamiCoin. A moeda é uma parceria com o protocolo CityCoin. Assim, quem minera uma moeda envia 30% como receita para uma cidade.

O ganho nos últimos três meses com a moeda foi de mais de U$ 21 milhões (cerca de US$ 120 milhões). O pagamento será por meio de uma carteira digital e vai acontecer por meio de parceria com várias bolsas.

Segundo o prefeito, se o valor for anualizado, equivaleria a 20% da receita da cidade com impostos, que é de US $400 milhões. E afirmou que a Miami Coin poderá até eliminar, no futuro, a necessidade de os residentes pagarem impostos.

Queremos ter bitcoin e também aumentar sua utilidade, completou Suarez. Ele e o prefeito de Nova York têm uma disputa em relação a criptomoedas. A cidade de Nova York não apenas escolheu, recentemente, como prefeito o segundo negro a comandar umas das cidades mais ricas do mundo. O democrata Eric Adams é também pró-criptomoedas.

E prometeu que transformará a cidade no centro do setor, inclusive olhando as regulações que considera muito exigentes. E para dar o exemplo, avisou que seus três primeiros salários serão em bitcoin.

O anúncio de apoio a criptomoedas em Nova York foi uma resposta e uma provocação ao recém reeleito prefeito de Miami. Francis Suarez anunciou, dias antes, que seu próximo pagamento será em bitcoin. O também prefeito pró-cripto disse que era o único líder político que receberia salário em bitcoin. Portanto, não é mais.

Banco Central discutirá pagamentos internacionais com real digital

O Banco Central (BC) vai realizar, nesta quinta-feira (11), um webinar sobre o uso do real digital em pagamentos internacionais. Será o sexto evento de uma série que o regulador está fazendo para discutir o desenho da sua moeda digital, que poderá ser em blockchain. Os testes começam por volta do final de março de 2022.

O evento às 9h30 pelo canal do BC no Youtube em português e inglês.

A discussão terá convidados internacionais. Um dos convidados Naveen Mallela, chefe global da Onyx, braço de ativos digitais que o banco J. P. Morgan Chase criou em 2020. O JP, o maior banco dos Estados Unidos (EUA) em ativos, é também um dos bancos que mais animam com blockchain.

Tanto é assim que criou a plataforma open source Quorum, que agora é da empresa de soluções Consensys. Além disso, criou a a Rede Interbancária de Informação (IIN), que tem 300 bancos conectados. E a moeda JP Coin, uma moeda estável (stablecoin), porque é pareada ao dólar.

Banco da França também vai participar da discussão do real digital

Outro participante é Andrew McCormack, Chefe do Centro de Inovação do Banco de Compensações Internacionais (BIS) em Cingapura. O BIS é chamado de banco central dos bancos centrais e está realizando uma série de estudos e testes com moedas digitais de BCs. A Ásia é um dos locais onde isso mais acontece. A China, por exemplo, já realiza testes do iuan digital com cidadãos e lojistas.

Também vai participar da discussão do real digital Claudine Hurman, diretora de infraestrutura, inovação e pagamentos do Banco da França. O banco também está realizando testes com outros bancos centrais – o suíço, por exemplo. O foco é estudar o uso de uma CBDC, que no caso seria o euro digital, no mercado financeiro.

Fábia Aparecida de Carvalho, chefe do Departamento de Assuntos Internacionais do BC, fará a moderação do webinar.

Recentemente, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, afirmou que a instituição gostaria que o real digital estivesse em blockchain. O BC também já afirmou que a ideia é permitir o uso da moeda em finanças descentralizadas (DeFi), que acontecem em blockchain.

Assim, o regulador afirma que o real digital geraria a oportunidade de criação de novos produtos e serviços que ofereçam algo além do pagamento instantâneo, o Pix, e do open banking.

Euro digital vai expandir soluções de pagamentos da UE, diz banco central

O euro digital deverá expandir as soluções de pagamentos na União Europeia (UE). Portanto, não deve competir com os serviços privados de pagamentos. Foi o que disse hoje (5) Fabio Pannetta, membro do conselho executivo do Banco Central da União Europeia (ECB).

“Alguns dizem que soluções privadas de dinheiro como moedas estáveis (stablecoins), se bem reguladas, podem substituir as moedas digitais de banco central. Mas, a confiança nelas depende também de serem conversíveis com o dinheiro do banco central”, afirmou.

Além disso, se usarem stablecoins, precisarão cuidar do dinheiro delas em questões como segurança cibernética, disse. Assim como confiar em quem emitiu essas moedas digitais.

De acordo com Pannetta, o dinheiro em papel cairá em desuso como aconteceu com o selo para cartas. A digitalização e o dinheiro privado estão, arrastando a UE para os estudos do euro digital, a moeda digital do BCE. Na verdade, é um movimento global no qual o Brasil também está. Em 2022, o BCB começará os testes com o real digital. E também quer que a moeda vá além de soluções atuais como Pix.

Euro digital poderá gerar novos serviços financeiros, diz BCE

Para provar sua fala, Pannetta apresentou, num evento em Madri, a queda de transações em dinheiro por consumidores em países da zona do euro. Essa é área onde o euro é a moeda corrente. Em todos houve queda. Além disso, se pudessem, metade dos europeus fariam pagamentos em usar dinheiro, completou.

Fonte: UE

Portanto, trocando em miúdos, se a moeda atual do BCE não tiver demanda pelo público, torná-la disponível não seria o suficiente para preservar seu papel na economia, completou.

Segundo Pannetta, as empresas privadas de pagamentos poderão distribuir o euro digital. Assim como desenvolver novos serviços com a moeda. Isso inclui, por exemplo, crédito, pagamentos automatizados ou condicionados a determinadas situações. É o dinheiro programável.

O BC brasileiro trabalha num real digital com características semelhantes. Ir além do que existe hoje significa até permitir finança descentralizadas (DeFi). Essas hoje não passam por instituições financeiras tradicionais, sendo feitas entre duas partes diretamente (peer-to-peer).

Real digital: BC escolherá projetos para teste e conversa com Visa sobre solução offline de pagamentos

O Banco Central (BC) vai fazer uma chamada, nas próximas semanas, para projetos que poderão participar dos testes do real digital. O objetivo é identificar quais são as soluções que atenderiam à demanda do projeto. Além disso, o BC está conversando com a Mastercard e a Visa e está interessado nas soluções de pagamento offline dessa última.

Foi o que disse nesta terça-feira (26) Fabio Araújo, da secretaria executiva do BC, durante audiência pública sobre o real digital na Câmara dos Deputados. Segundo Araújo, que coordena o projeto do real digital, continua a previsão de iniciar os testes num laboratório de inovação do banco no início de 2022. Portanto, deverá acontecer entre o final do primeiro trimestre e começo do segundo. A implantação do real digital se iniciaria em 2 a 3 anos.

A audiência foi uma solicitação da Comissão de Fiscalização Financeira e Controle (CFFC). Respondendo pergunta sobre a situação dos cartões de crédito com o real digital, Araújo disse que essa “é uma questão um pouco mais profunda” que a dos bancos.

“A gente tem conversado com Visa e Mastercard e vê nelas uma intenção de entrar nesse mercado (de moedas digitais de bancos centrais, CBDCs) e prover serviços de pagamentos para usar as plataformas que têm, adotar essas novas tecnologias e continuar oferecendo serviços para os países”, completou o representante do BC.

Real digital teria de incluir operação offline para ser inclusivo

Araújo lembrou que a moeda digital das Bahamas roda na infraestrutura da Mastercard. Além disso, lembrou que a Visa tem um laboratório de inovação com várias questões de CBDC em estudo. “Temos bastante interesse em soluções da Visa, em especial da solução que apresentou de pagamento offline.” Mas, afirmou, há outras soluções que podem também ser viáveis. Inclusive de startups internacionais.

Segundo ele, soluções offline ainda não estão maduras como as online. No entanto, especialistas apontam que o real digital só será inclusivo se permitir operações em locais e em aparelhos sem internet.

Em relação aos bancos, Araújo afirmou que poderão “prover serviços com base nas novas tecnologias que estão disponíveis de forma ainda embrionária em alguns ambientes”. E nos quais há inclusive fraudes, afirmou. “Queremos criar um ambiente seguro, regulado”.  

Nos últimos meses, o BC disse várias vezes que uma das intenções é inserir finanças descentralizadas (DeFi), que rodam em blockchain, no real digital. Além disso, não operam sob regulação.

“Bancos vão se adaptar bem”

Para Araújo, “os bancos vão se adaptar muito bem (ao real digital)”. Isso porque são muito rápidos para adotar tecnologias e fazer bom uso delas, completou. A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) criou um grupo de trabalho para discutir o impacto e a resposta do setor ao real digital.

O fato de o Brasil começar o piloto do real digital em 2022 não significa que o país está atrasado, disse Ara´ujo. Ele defendeu que a maioria dos países, está resolvendo problemas de atacado e varejo do sistema financeiro que o Brasil já resolveu. Por exemplo, com o Pix.

Assim, está agora desenvolvendo tecnologia para ir além do que os sistemas atuais oferecem em pagamentos. “O próximo passo é um passo que nenhum país deu ainda. É o de ter uma plataforma de pagamentos inteligente”, afirmou. O BC olha, por exemplo, para os contratos inteligentes (smart contracts), que permitem ações como dinheiro programável.

Também participou da audiência pública Keiji Sakai, diretor no Brasil da R3, que desenvolveu o software Corda, de registro distribuído. De acordo com Sakai, a empresa acompanha os testes ou implmentação de moedas digitais de bancos centrais em locais como Canadá, Singapura, Tailândia, Suécia, França e União Europeia (UE).

Outro participante foi Eduardo Diniz, professor da Escola de Administração de Empresas da Fundação Getulio Vargas (FGV-SP).

Nigéria inicia teste de moeda digital de banco central para limitar criptos

A Nigéria lançou hoje (25) o projeto piloto da eNaira, sua moeda digital de banco central (CBDC). Já houve a emissão de cerca de 500 milhões de eNaira (R$ 6,65 milhões). E os aplicativos das duas carteiras para uso da moeda já estão disponíveis. Isso é uma tentativa de limitar o uso de criptomoedas no sexto país do mundo que mais aderiu às moedas digitais, segundo a Chainalysis.

O próprio presidente President Muhammadu Buhari fez o lançamento, tornando a Nigéria o segundo maior país em população a fazer um teste de CBDC. Aliás, a população de 211 milhões de pessoas é semelhante à do Brasil, de 213 milhões. Portanto, esse é um dos fatores que a torna um caso interessante para se observar.

Os aplicativos das carteiras “speed” e “merchant” já estão disponíveis nas lojas do Google e da Apple. Na primeira fase, a eNaira estará disponível para quem tem conta em banco, com acesso por meio de uma identidade bancária. Depois disso, o piloto vai incluir os desbancarizados por meio da identidade do governo e desses, já há 60 milhões de interessados.

Haverá limite de valor para uso da eNaira. O uso pode ser de pagamentos de até 50 mil Nairas (R$ 665,5) por dia a até 200 mil Nairas (R$ 2.6 mil) por dia. O Banco Central disse que a eNaira vai complementar o dinheiro físico.

Moeda digital da Nigéria está em Hyperledger Fabric

A moeda digital da Nigéria está numa plataforma centralizada feita em Hyperledger Fabric sob controle do banco central. Os bancos e as empresas de pagamentos processam as transações de varejo e de outros serviços. O país está criando 500 mil agentes para comunidades rurais que deverão trabalhar em ações de inclusão. Dessa forma, no futuro vão trabalhar também com a eNaira.

Os nigerianos usam muito criptomoedas para se protegerem da inflação. Isso é o mesmo motivo porque o preço do bitcoin subiu tanto semana passada, segundo JPMorgan e pelo qual investidores estão comprando criptos. Além disso, os nigerianos veem facilidade em usar criptos em remessas internacionais de dinheiro que são P2P, ou seja, sem bancos como intermediários.

Em fevereiro passado, o banco central nigeriano anunciou que todas as instituições financeiras deveriam parar de operar com criptomoedas. Além disso, deveriam fechar as contas que operavam criptos. Acontece que isso só servia mesmo para essas instituições, ou seja, operações por outros canais continuaram permitidos e com isso, o uso de criptos também.

Nubank defende que Banco Central se aproxime de DeFi, as finanças descentralizadas

O papel do real digital é garantir a interoperabilidade do setor financeiro tradicional com as plataformas de finanças descentralizadas (DeFi) e “o Banco Central (BC) tem uma oportunidade única de não ignorar esse movimento de DeFi”. Essa é a visão do diretor de Relações Institucionais do Nubank, Bruno Magrani, que também é membro da Zetta, associação de fintechs e empresas de pagamentos.

Magrani foi um dos participantes do quinto webinar do Banco Central sobre o real digital, que aconteceu nesta terça-feira (19). Com essa declaração, o Nubank, maior fintech da América Latina e uma das maiores do mundo, indicou que vê valor em DeFi e que está alinhada ao BC. Isso porque o BC já indicou que pretende inserir finanças descentralizadas de alguma forma no desenho do real digital.

Já o Nubank, em blockchain, oferece transferência internacional. Isso porque fechou parceria com a Remessa Online, que usa a blockchain RippleNet para esse serviço.

Os contratos inteligentes (contratos inteligentes) sãs as principais ferramentas para aparecem modelos de negócios inovadores e com potencial “gigantesco” de transformação, completou o diretor do Nubank. Magrani comparou as inovações que blockchain e criptoativos estão criando com as fases iniciais da internet comercial.

E de acordo com Magrani, “a internet mostrou que quando se trabalha com infraestruturas interoperáveis e que permitem inovação descentralizada, essa é a receita para se continuar vendo inovação no futuro”.

Fábio Araújo, coordenador do real digital no BC, indicou no podcast BlockDrops, de Mauricio Magaldi, que o regulador define o desenho do real digital. E que o mercado vai criar usos para a moeda. E essas, segundo os especialistas, são inúmeras, muitas ainda desconhecidas.

Bancos estudam impacto do real digital em empréstimos

O impacto do real digital na disponibilidade de dinheiro para empréstimos na economia foi também um dos principais pontos em discussão no webinar.

O real digital ser´a apenas para transações e não dará remuneração como se fosse um investimento. Quem emitirá é o BC e a custódia será das instituições financeiras, que também repassarão a moeda digital aos usuários. Um dos pontos sobre o real digital é se os cidadãos vão tirar dinheiro do depósito à vista e convertê-lo em real digital.

Hoje, parte do dinheiro que está nas contas correntes vai obrigatoriamente para o BC, que é o chamado recolhimento compulsório. Isso é uma das ferramentas do regulador para garantir estabilidade financeira. Ao tirar dinheiro de circulação, o BC evita, por exemplo, excesso de consumo e inflação.

Outra parte do dinheiro em depósito à vista os bancos transformam em crédito para terceiros, como imobiliário e rural. E isso sem pagar remuneração para o correntista de onde o dinheiro saiu.

Segundo Leandro Vilain, diretor de Inovação da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), o real digital pode gerar migração do depósito à vista para a moeda digital “e estamos estudando isso”. Isso tiraria do mercado de crédito dinheiro que hoje vai a setores produtivos, afirmou.

Real digital que Banco Central estudo pode ter implicações, diz Febraban

“Temos que entender as implicações e como fica a obrigatoriedade (do recolhimento compulsório) sem causar impacto nos setores financiados por esses depósitos”. Esse cenário poderia ser mais crítico em situações de crise, dizem os bancos.

Para Márcio Garcia, professor de Economia da Pontifica Universidade Católica do Rio de janeiro (PUC-Rio), quando há crise de liquidez, como receio de que um banco entre em crise e quebre, o dinheiro costuma sair do banco pequeno para o grande.

“Teoricamente, se tivesse migração do depósito à vista para a CBDC (sigla em inglês para moeda digital de banco central) teria crise de liquidez no banco grande, não no pequeno.” E o BC teria mais trabalho para consertar a situação.

O próximo webinar sobre o real digital, sexto e penúltimo dos sete previstos, será no próximo dia 11 de novembro. O tema deverá ser integração internacional.

Investtools usará rede do bitcoin na GOV Token, rede para combater corrupção

A fintech Investtools confirmou, hoje (18), que a GOV Token, blockchain para rastrear gastos públicos, está em desenvolvimento e com base na rede bitcoin. “É a primeira do Brasil”, afirma a startup. O produto mínimo viável (PMV) deve estar pronto até o fim do ano.

O que o GOV Token faz é acompanhar a liberação de recursos públicos. Assim, permite a imutabilidade dos dados, que haja auditoria e acesso a informação pelos cidadãos. E com isso, combater a corrupção.

Para isso, emite tokens atrelados ao valor do real, mas sem fins comerciais ou de especulação. Esses tokens contém valores, origens e destinos dos recursos, garantindo que o dinheiro chegue no lugar certo. Há troca e verificação dos tokens entre as partes. E depois registro na rede.

Em janeiro passado, o projeto da GOV Tech recebeu R$ 1,5 milhão de agências de fomento. A Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), a Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) e a Agência de Fomento do Estado do Rio de Janeiro (AgeRio) são as financiadoras do projeto.

De acordo com David Gibbin, CEO da Investtools, o uso de bitcoin no GOV Token se deve à credibilidade de segurança na rede. Mas, como a
escalabilidade da rede é baixa, o o projeto usa a Lightning
Network, segunda camada da rede bitcoin.

GOV Tech usa Lightning Network

Ao invés de usar a Lightening Network para carteiras digitais ou terminais de pagamentos, a Investtools usa para comunicação entre as instituições. Com isso, quer dar mais velocidade ao registro de dados e agilizar as transações.

“Funciona como um canal de comunicação das transações entre os membros da rede GOV Token e a blockchain do bitcoin. Nela, é possível fazer transferências de forma instantânea, que em seguida são registradas na blockchain do bitcoin”, afirma Marco Jardim, diretor de Tecnologia Blockchain da Investtools.

O registro pode entrar em uma transação na Lightning Network, se for preciso confirmação instantânea, ou na blockchain do bitcoin, se não houver problema em esperar pela mineração do próximo bloco.

O GOV Tokens é um projeto da Blockchain Studio, unidade de negócios da Investtools para essa tecnologia. A startup está no Instituto Gênesis, da Pontíficia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro.

A empresa é sócia da Grana Capital, que tem um aplicativo de cálculo e gestão de Imposto de Renda para investidores na Bolsa. E foi selecionada para o Hupp!, primeiro hub de inovação e tecnologia para previdência privada, e para o ScaleUp do Sebrae.