Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Zro Bank usa blockchain para melhorar auditoria e transparência para clientes

Sem blockchain, ser[amos iguais aos outros bancos, diz Carnut. Foto: Z.ro Bank

O Zro Bank, que desde que foi anunciado avisou que operaria com criptomoedas, está usando blockchain também internamente, com uma rede proprietária. O objetivo é dar maior segurança, mais qualidade à auditoria das operações e prover aos clientes informações mais transparentes, diz Marco Carnut, CTO do banco.

Carnut fundou a Coinwise, de soluções em blockchain, mas que como ele mesmo diz, ficou mais conhecida por facilitar pagamentos em criptos. Antes disso, criou a Tempest Security Intelligence, de segurança cibernética, da qual a Embraer adquiriu controle majoritário em julho deste ano.

Carnut é de Belém, mas mora em Recife, cidade do CEO do Zro Bank, Edísio Pereira Neto. Chegaram a estudar juntos, mas nunca se conheceram. Quando se encontraram, descobriram as afinidades em blockchain e criptomoedas e acabaram virando sócios, com a aquisição da Coinwise pela BitBlue, que faz as operações de criptos do banco.

Blockchain no core business

De acordo com Carnut, o banco de dados do Zro Bank é “blockchainizado” e gradualmente o core bancário usará a tecnologia. “Há lotes fechados de tempos em tempos, um bloco referencia outro, o bloco é imutável e conseguimos recuperar o backup de forma íntegra”, disse o CTO ao Blocknews. A rede é proprietária e tem a finalidade de registar as informações necessárias para a contabilidade do banco, completou.

É um projeto puramente interno, diz ele, que queira usar os princípais fundamentais de blockchain de maneira pragmática no cenário do Zro, contabilizando com o mercado tradicional. Assim, a ideia é “diminuir o gap entre os dois mundos.”. Isso não é tarefa fácil, tanto que Carnut diz que ainda está no começo do que quer aplicar.

Ele afirma que a filosofia tradicional do mundo de finanças é a de que primeiro vem a transação e depois a auditoria. No blockchain “raiz”, como o do bitcoin, a auditoria vem antes da transação. “O sucesso da transação é condicionado ao sucesso da auditoria.”

Blockchain nas contas e transferências

O segundo uso de blockchain está na integração das plataformas públicas das criptomoedas. Isso já começou começou com bitcoin e vai se expandir para as outras moedas que o banco vai oferecer, como a Ether. O banco tem nós nativos em cada uma das criptomoedas.

O terceiro uso será no câmbio para as transferências internacionais. Nesse caso, a plataforma que será usada é a Ripple, que surgiu no mercado para concorrer com a Swift, sistema usado pelos bancos, que muitas vezes a criticam por ser demorada, cara e com falhas de entregas.

“Queremos se o primeiro e mais bem sucedido banco que tem cripto numa linguagem moderna, do século XXI, com transferências via chat e assim, mostrar que cripto é ‘cidadã’ de primeira classe”, disse o CTO.

Blockchain hoje para colher no futuro

“Um dos desafios sérios que temos é que o resto do mundo não é blockchain. Os parceiros bancários voltam no tempo e fazem correção no registro datado no passado. Eu não posso voltar ao passado, por isso registro no futuro, dizendo que se refere a transação passada. Isso dá uma ‘trabalheira’, mas dá um tremendo conforto, porque tenho zero problema com auditoria e controladoria”, afirmou.

O que o ZroBank afirma é estar se preparando para atender a uma demanda da geração Z, que é seu foco (ver entrevista com o CEO). Muito pouco usuário entende e faz questão de blockchain, diz Carnut.

“Mas, é uma coisa que estamos plantando, por isso vamos colher o fruto disso daqui a vários anos. Como somos pequenos, queremos fazer isso. Se não pensarmos em blocos na estrutura central do banco agora, podemos virar algo igual a todos os outros”, completou.

“Os bancos estão tentando fazer isso em laboratório e em mainframes. Mas até onde eu sei, não conseguiram colocar no core banking. Eles têm crises culturais”, disse o CTO.

Segundo ele, o benefício vai transparecer quando publicarem o ledger (registro), por exemplo, num recibo verificável, em que o cliente poder ver se uma transação foi mesmo feita.

Revolução de gerações

“A revolução das criptos é geracional. Queremos aumentar o número de pessoas que usam cripto, que hoje são menos de 1% da população mundial e um percentual menor ainda no Brasil”, afirma Carnut. A ideia é chegar a até 10%, o que as corretoras tradicionais não conseguem porque não entendem o que os usuários querem e precisam.

Conseguimos criar algo que o usuário leigo consegue operar e queremos ser o primeiro e mais bem sucedido banco que tem cripto numa linguagem moderna, do século XXI, com transferências via chat, afirmou Carnut.

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