Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Visa lançará no Brasil APIs para criptomoedas e transferência de dinheiro por blockchain

Visa inclui Brasil em serviços com blockchain, diz Eduardo Abreu, VP de Novos Negócios. Foto: Visa

A Visa vai disponibilizar no Brasil dois serviços em blockchain que estão em uso no exterior. Neste semestre, vai oferecer APIs para bancos oferecerem a seus clientes criptomoedas. E ainda neste ano, iniciará a operação de transferências internacionais pelo Visa B2B Connect.

O projeto das APIs está em piloto nos Estados Unidos (EUA). Começou em fevereiro com um teste com o First Boulevard, banco digital que tem foco na comunidade negra. Quem usa a infraestrutura de APIs da Visa faz as transações com o banco de ativos digitais Anchorage.

Em entrevista exclusiva ao Blocknews, Eduardo Abreu, vice-presidente de Novos Negócios da Visa do Brasil, afirmou que sobre as APIs, “primeiro, estamos conversando com os bancos mais digitais. Isso porque são os que têm mais perfil para esses clientes (de criptos).”

Já o B2B Connect está em uso desde junho de 2019. A rede opera para envio de pagamentos internacionais e de alto valor de empresas. Além disso, as operações são feitas entre os bancos.

Os dados das transferências são tokenizados, assim dão mais segurança às empresas. Com blockchain, a operação tende a ser mais rápida e até mais barata. A tecnologia do Visa B2B Connect já está disponível aqui, mas a empresa trabalha para iniciar as operações em 2021.

Visa facilita compra de criptos

A Visa serve de ponte entre as instituições, ou seja, com seus APIs, permite que instituições financeiras se conectem à Anchorage. Dessa forma, facilita a vida do cliente. Isso porque o cliente só precisa se conecta a sua instituição financeira para fazer a transação.

As APIs da Visa são para quem não tem infraestrutura de criptomoedas. O projeto é um dos vários em que a Visa está investindo no mundo das criptomoedas.

Tanto a empresa, quanto a Mastercard e PayPal, também líderes em pagamentos, se preparam para atuar mais com criptoativos.

“Até pouco tempo atrás, criptomoeda era um tabu. Tinha uma relação distante como mercado financeiro. Mas isso está diminuindo, inclusive no Brasil”, disse Abreu.

O estudo Visa COVID-19 Consumer Sentiment mostra isso. O levantamento sobre as preferências dos consumidores da América atina e Caribe na pandemia, mostrou que 25% deles estão dispostos a testar criptomoedas, uma vez que estiverem disponíveis.

Parcerias no Brasil

A Visa acelerou suas investidas em criptos depois de criar uma vice-presidência com foco no setor, há cerca de dois anos. “A gente tem que estar próximo dessa tecnologia, que é tendência e veio para ficar. E não ficar brigando com ela”, completou o executivo.

No Brasil, nesse universo de criptos, em 2020 a Visa fez parceria com a corretora Ripio, que deve lançar um cartão da bandeira até julho. Além disso, fez também com os bancos Alter e Zro Bank. Ambos têm programas de cashback em bitcoins para compras no seus cartão de bandeira Visa.

Abreu diz que a empresa já se diferenciou de seus concorrentes ao sair na frente com carteira digital. “Saímos na frente ao trazer esse universo para perto, quebrar barreiras. Isso, desde o programa de aceleração de startups”.

Para uma empresa que trabalha com mais de 160 moedas em mais de 200 países, deixar de olhar para as moedas digitais, que passam a incluir as de bancos centrais, pode custar caro.

Além disso, nada impede de Visa e seus concorrentes expandirem suas atuações, no futuro, ou seja, oferecendo produtos financeiros descentralizados.

Regulação para mercado crescer

De acordo com Abreu, em conversas com o mercado, percebe-se que há uma aceitação de que regular o segmento é benéfico. Isso porque trará mais transparência, credibilidade e, portanto, maior uso de criptos.

Esse pedido de regulação contraria a lógica de Satoshi Nakamoto, criador do bitcoin. Sua lógica era permitir operações peer-to-peer, ou seja, sem intermediários e fronteiras. Mas, com regulação, a adoção de criptomoedas pode acelerar.

Para o VP da Visa, é preciso parar de encarar bitcoin e outras moedas criptografadas como especulativas, apenas para ganhar dinheiro. “No fim do dia, não é esse o objetivo. Satoshi Nakamoto a criou não para isso, mas para ser democrática. É facilitar pagamento entre pessoas e moedas em diferentes países”. E essa troca é exatamente o que a Visa faz.

Segundo ele, a maior adoção de criptos e até os estudos de moeda digital pelo Banco Central do Brasil (BC) pode levar as instituições financeiras a entrarem no segmento. Isso pode ainda não ter acontecido pela agenda deles, que estão implantando o Pix e o Open banking ao mesmo tempo.

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