R3 anuncia nova versão da blockchain Corda e teste de interoperabilidade com Hyperledger Foundation

Marcelo Eisele, presidente para Brasil da R3.

A R3, criadora da Tecnologia de Registro Distribuído (DLT) Corda, que tem foco no mundo corporativo e regulado, anunciou hoje (14) a nova geração da rede. É uma solução para interoperabilidade de aplicações com outras redes DLT corporativas e para uso por instituições financeiras e bancos centrais, segundo a empresa. Além disso, com a Adhara, empresa de tecnologia bancária e de pagamentos, anunciou o Harmonia, um novo laboratório da Hyperledger Foundation para testes com a rede pública Ethereum.

De acordo com a R3, o objetivo do Harmonia é acelerar o desenvolvimento de interoperabilidade entre blockchains e, assim, permitir liquidações atômicas de ativos financeiros. Até agora, há interoperabilidade entre as versões da Corda.

No final de 2022, a R3 fez um teste desse tipo de operação com Ethereum, por meio da Hyperledger Besu. Foi uma operação de repo, ou seja, de compra e recompra de títulos para empréstimo de curto prazo. E envolveu instituições como Goldman Sachs, Santander e UBS.

De acordo com o cofundador e diretor de estratégia da R3, Todd McDonald, a empresa acredita que a economia será baseada em um ecossistema de múltiplas blockchains interconectadas. Portanto, não de silos de redes públicas e privadas. “A necessidade de interoperabilidade é bem conhecida no setor. Isso evita que mercados regulados sejam forçados a operar em infraestruturas isoladas como acontece atualmente”, disse Richard Gendal Brown, CTO da R3.

Para Daniela Barbosa, diretora executiva da Hyperledger Foundation, “a interoperabilidade vai permitir uma maior adoção de DLT como tecnologia transformadora”. Segundo ela, o trabalho com a R3 e a Adhara permite uma colaboração necessária para a criação de um software comum e crucial para as próximas gerações de implantações.

Marcelo Eisele, presidente para o Brasil da R3, afirmou ao Blocknews que a nova versão da Corda, que é de código aberto, foi arquitetada para interoperar com um ecossistema de redes reguladas e abertas de forma segura. E mira, no futuro, a possibilidade de liquidação de ativos em redes públicas.

A empresa está de olho, por exemplo, em fornecer soluções para as moedas digitais de bancos centrais, as CBDCs, que buscam privacidade e segurança de dados nas transações. Até porque, precisam seguir regulações sobre essas questões.

De acordo com Eisele, há 16 projetos de CBDCs no mundo que usam Corda. Entre os bancos centrais que usam a solução está o dos Emirados Árabes Unidos. A tecnologia permitirá uma potencial tokenização futura de ativos financeiros e não-financeiros, além da digitalização de outros serviços, completou. O Banco Central do Cazaquistão também está usando em seu projeto Tenge, para testar o conceito e determinar os principais parâmetros do modelo de sua CBDC.

“A próxima geração da Corda vai continuar a permitir isso, com um nível ainda mais alto de suporte para a interoperabilidade e a fluidez de ativos. A infraestrutura privada, segura e escalável nativa foi feita com o propósito de dar suporte a moedas digitais como as CBDCs e para melhorar a eficiência de fluxos entre empresas, como processos pós-negociação”, completou Eisele.

Algumas das outras instituições que usam Corda são a Depository Trust & Clearing Corporation (DTCC), que atende 6,3 mil clientes em 70 países, inclusive no Brasil, a Euroclear, a suíça SIX Digital Exchange, primeira infraestrutura de mercado financeiro regulada para ativos digitais, e o projeto dos bancos italianos Spunta Banca DLT.

A próxima geração da Corda está disponível a partir de hoje na versão beta e os atuais usuários e os novos podem dar suas opiniões sobre a solução.

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