Plataforma de crédito de carbono do Itaú que usa blockchain já fez pilotos; Visa já participou

Itaú e sócios têm fatias iguais na Carbonplace.

Anunciado em 2021, o projeto da plataforma de negociação de crédito de carbono criada por bancos de diferentes países, inclusive o Itaú, e que usa blockchain, deu um passo com a aporte de US$ 45 milhões e sua constituição como empresa.

As primeiras instituições a fazer parte da Carbonplace eram o banco brasileiro, o National Australia Bank, o britânico NatWest e o canadense CIBC. Agora são nove, com a entrada do espanhol BBVA, do francês BNP Paribas, do britânico Standard Chartered, do japonês SMBC e do suíço UBS. A expectativa é lançar a empresa no final de 2023.

A plataforma usa Ethereum em projeto desenvolvido pela Consensys. De acordo com a Carbonplace, já houve pilotos de negociações com compradores, vendedores, registradores e bolsas. Isso incluiu a Visa e a plataforma de negociações Climate Impact X, que tem base em Singapura. A decisão de usar blockchain e tokenizar créditos se deu para dar mais confiança, transparência e a acessibilidade para a abertura de um mercado global de carbono.

Quando anunciaram a iniciativa, em 2021, os bancos afirmaram que o objetivo era criar uma plataforma global de compensação de carbono “com preços claros e consistentes”. Assim, buscam resolver um sério problema do mercado de carbono, que é exatamente essa falta de transparência nas negociações. Além de problemas de venda do mesmo crédito mais de uma vez e preços sem um padrão, já que as negociações são basicamente entre as partes.

A plataforma vai, portanto, ser um livro de registro de propriedade de créditos de carbono. Portanto, quem tem créditos, vai poder mostrar com clareza o que tem ao mercado e reduzir o risco de dupla contagem. Além disso, as quantidades e preços das transações serão abertos aos mercado, mesmo que as identidades sejam preservadas. A liquidação das operações são os bancos que farão, o que significa que não deve passar dinheiro pela Carbonplace.

O Itaú anunciou que teve aprovação do Banco Central (BC) para fazer o aporte na Carbonplace e ser seu sócio. Em 2022, o O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) deu autorização para o negócio. Isso porque entendeu que os nove bancos juntos terá menos de 30% do mercado. Juntos, os ativos dos bancos somam US$ 9 trilhões.

Além de anunciar a constituição da Carbonplace, que ficará sediada em Londres, o grupo também anunciou, nesta semana, que o CEO da empreitada será Scott Eaton, que já teve cargos de liderança em tecnologia financeira e mercado de capitais. Em relação ao investimento, cada instituição financeira terá participação igual no projeto.

Um estudo da McKinsey diz que a demanda voluntária de crédito de carbono poderá crescer 15 vezes nos próximos sete anos, disse Robert Begbie, CEO, NatWest Markets.

Com os recursos que levantou agora com os bancos, a instituição vai aumentar sua equipe e expandir os serviços para uma base maior de clientes das instituições financeiras. Além disso, quer aumentar as parcerias com outros participantes do setor, incluindo registradores e plataformas de negociação.

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