Pix Automático é a prioridade do BC para avançar o sistema instantâneo

Pix cresce sem parar. Imagem: David Dvoracek, Unsplash.

O maior Pix enviado até o final de 2022 foi realizado em dezembro último, no valor de R$ 1,2 bilhão. A informação está no “Relatório de Gestão do Pix – Concepção e primeiros anos de funcionamento 2020-2022”, divulgado nesta terça-feira (4) pelo Banco Central. De acordo com a instituição, a prioridade da agenda evolutiva deste ano é desenvolver o Pix Automático, previsto para o primeiro semestre de 2024. Além isso, outras possibilidades de desenvolvimentos futuros incluem formas alternativas de iniciação de pagamentos, crédito no Pix e transações transfronteiriças.

“O Pix é um dos principais casos de sucesso globalmente na indústria de pagamentos na atualidade. Assim, a divulgação desse relatório é bastante importante como forma de dar transparência às ações do BC e de prestar contas à sociedade”, disse Carlos Eduardo Brandt, chefe da Gerência de Gestão e Operação do Pix.

No infográfico abaixo, alguns resultados apresentados pelo documento:

“Os produtos e as funcionalidades a serem desenvolvidos no contexto da agenda evolutiva para os próximos anos devem impulsionar mais intensamente o Pix, enquanto instrumento de pagamento universal”, diz o material. “A intenção é que o Pix passe, efetivamente, a atender a situações e casos de uso ainda não cobertos e que aprimore a experiência de pagamento dos usuários, atendendo à demanda da sociedade.”

Com o avanço da tecnologia 5G no Brasil, a tendência é que os métodos de pagamentos digitais, como o Pix, ganhem impulso. Esse cenário abre espaço para novas formas de iniciação de pagamento, usando tecnologias por aproximação como NFC, RFID, bluetooth, biometria e outras, afirma o BC. 

Os casos de uso que podem se beneficiar dessas novas tecnologias incluem, por exemplo, pagamento de pedágios em rodovias, estacionamentos e transporte público. “Muitos negócios que hoje não são realizados pela falta de ‘conectividade’ poderão ser viabilizados instantaneamente, de forma simples, segura e com menor custo”, diz o órgão.

Pix crédito

Ainda no que chama de (r)evolução do Pix, o BC aponta que o sistema também poderá ser usado para pagamentos a prazo ou parcelado. Para isso, há a possibilidade de serem criadas regras padronizadas para viabilizar os mecanismos de garantia vinculados às transações de pagamento. A autoridade monetária diz acompanhar a oferta de soluções privadas que permitem o parcelamento com Pix, e não enxerga um modelo único sendo praticado atualmente. 

“Há, por exemplo, soluções que vinculam uma concessão de crédito pessoal à transação Pix e soluções que permitem o pagamento de uma transação Pix na fatura do cartão de crédito”, cita o documento. “O BC monitora a evolução desse mercado e o uso dessas soluções, podendo, futuramente, caso julgue necessário, decidir pela criação de um produto único ou pela definição de regras mínimas a serem observadas pelas instituições.”

Nos últimos meses, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, tem dito que o Pix poderá ser, no futuro, uma opção ao cartão de crédito. As declarações ocorrem em meio ao debate acalorado sobre o futuro do rotativo e da modalidade de parcelamento sem juros no cartão

Pix na gringa

Mais um tema no radar do regulador é a integração do Pix com outros sistemas de pagamentos instantâneos. Isso permitirá a realização de transações transfronteiriças (o chamado ‘cross-border’) entre o Brasil e outros países, a exemplo de remessas, pagamentos entre empresas e pagamento de bens e serviços no exterior. “O BC vem acompanhando iniciativas ao redor do mundo, e o Pix já foi desenvolvido para facilitar esse tipo de conexão, adotando padrões internacionais de comunicação”, diz o órgão.

Interessante notar que já há empresas que estão facilitando a utilização do Pix em países vizinhos, como Argentina e Uruguai. Os casos incluem players como PagBrasil e Fiserv, que desenvolveram soluções nessa direção de “exportar” o método de pagamento brasileiro para outras nações na América Latina e mesmo para destinos turísticos nos EUA.

Raio-X do Pix

relatório divulgado pelo BC em dezembro de 2022, o sistema Pix atingiu um volume transacionado de R$ 1,2 trilhão. Isso representa um aumento de 67% na comparação com o mesmo mês de 2021. Em 24 meses, o valor movimentado cresceu 914%. 

O Pix chegou ao final do ano passado com 2,9 bilhões de transações, mais do que o dobro em relação ao último mês de 2021. A maior parte (quase 61%) das operações com Pix até aquela data foram inferiores a R$ 100. Quando levados em conta apenas os pagadores pessoas físicas, a grande maioria (93%) das transações foi de até R$ 200. 

“Já considerando transações apenas entre pessoas jurídicas privadas, ainda há certa concentração na faixa até R$ 500. Porém, já se nota uma contribuição maior de transações de valor mais elevado: 18,6% das transações têm valor a partir de R$ 2.000”, escreve o BC. 

O relatório mostra, ainda, como evoluem as transações por tipo de iniciação (chave Pix, QR Code e ITP), as operações de Pix Saque e Pix Troco, o perfil dos usuários por região, faixa etária e nível de renda, entre outros indicadores interessantes. Por exemplo, mais de 80% das pessoas entre 20 e 59 anos enviaram ou receberam ao menos um Pix em 2022. Já entre os indivíduos de 60 anos ou mais, esse percentual supera 42%.

Acesse o relatório na íntegra.

As reportagens na íntegra estão nos sites do Finsiders e do Fintechs Brasil.

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