Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Mais um ETF de criptomoeda no Brasil. QR Asset recebe autorização da CVM para bitcoin

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) deu mais uma autorização para lançamento de ETF, fundo de índice negociado em bolsa, no Brasil. Desta vez, a permissão é para fundo de bitcoin e é para a QR Asset Management.

Essa seria o primeiro ETF de bitcoin na América Latina e o Brasil poderá ser o segundo com esse tipo de fundo no G-20, grupo das maiores economias do mundo. O outro país é o Canadá, com três ETFs.

O ETF deve replicar a cotação média do bitcoin em corretoras de diversos países. A CF Bencharmarks vai fornecer o índice. A empresa já fornece esse serviço para a Bolsa de Mercadorias de Chicago, a CME.

O plano da QR Capital é captar, na chamada oferta primária do ETF, R$ 500 milhões. O lançamento está previsto para até o final de junho, mas na B3 pode acontecer antes. Também será negociado por homebroker. O código será QBTC11.

Coinbase venderá 114,85 mi de ações na Nasdaq; preço médio da ação no mercado privado é de US$ 343

A Coinbase planeja vender, na Nasdaq, 114.850.769 ações da classe A por um preço máximo proposto de US$ 943.218.155. Essa classe de ações tem, hoje, direito a cerca de 0,8% dos votos. A data de lançamento ainda está em aberto. O código do papel será COIN.

A Bloomberg calculou o valor de mercado da Coinbase em US$ 90 bilhões, porque houve troca de ações por US$ 350 cada no Nasdaq Private Market. De acordo com o prospecto, a venda privada variou de US$ 200 a US$ 375,01. Já o preço médio ficou em US$ 343 (cerca de R$ 2.058).

Mas, a maior corretora de criptoativos dos Estados Unidos (EUA) mundo diz que esses preços podem não se repetir na sua venda de ações. Isso porque a venda não será uma oferta inicial de ações (IPO), mas uma listagem direta. Não haverá, portanto, ações como roadshows e subscrições antes da oferta.

Assim, poderá haver uma volatilidade maior dos preços no início das vendas. O IPO da Coinbase é muito esperado, uma vez que será um teste do apetite dos investidores a um ativo desse tipo. O que pode ajudar é a explosão de preços do bitcoin.

De acordo com o prospecto, as ações são de acionistas ou acionistas registrados. As duas classes, a A e a B, têm direitos iguais, menos o de voto e de conversão. Cada ação da classe A tem direito a um voto, enquanto a da B tem direito a 20 votos e conversão a qualquer momento.

Os executivos da empresa, 5% dos acionistas e seus afiliados têm 60,5% de poder de voto da Coinbase. Mas antes da oferta pública, quem tem ações classe B vai poder convertê-las para classe A.

Coinbase cita plano de expansão

No dia da listagem na Nasdaq Global Select Market, a Nasdaq Stock Market LLC, ou Nasdaq, vai aceitar, mas não executar, ordens prévias de compra e venda das ações. Além disso, vai indicador o preço atual de referência, ou Current Reference Price, com base aas ordens. Quem quiser ações poderá fazer ordens num prazo de dez minutos.

O Goldman Sachs, assessor da Coinbase na operação, e outras instituições, como o J.P Morgan e o Citigroup, vão receber as ordens. Depois disso, vão avisar a Nasdaq que as ações estão prontas para serem negociadas.

A Coinbase afirma que sua estratégia de negócios é crescer por meio de diversas ações. Por exemplo, com um aumento de pontos de contato com os clientes. Além disso, planeja ter vendas institucionais e dar um suporte a clientes desse segmento.

A corretora também afirma que pretende aumentar o acesso a seus produtos e serviços com uma expansão internacional. E tem mais: vai expandir a variedade de ativos digitais em seu portfolio.

“Qualquer ativo ou forma de valor pode ser representado por um ativo criptografado e ter o suporte da nossa plataforma”, diz o prospecto. Desde que sigam o compliance da empresa. Haverá ainda, diz o documento, apoio a protocolos novos e nativos de blockchain.

Ações de empresas de bitcoin nos EUA estão entre preferidas dos brasileiros

Ações de empresas ligadas a estão entre as 10 que os brasileiros mais compraram nos Estados Unidos (EUA) em fevereiro. Entre essas empresas estão a Riot Blockchain e a Marathon Digital Holdings. É o que mostra um levantamento da Stake.

As mineradores estão na oitava (Riot) e nona (Marathon) posições do ranking. A Marathon Digital Holdings é a antiga Marathon Patent Group, mas mudou de nome último dia 1. Tinha esse nome porque comprava patentes.

Além de bitcoin, a Stake afirmou que outras duas grandes tendências de compras de ações dos brasileiros são carros elétricos e cannabis. Tesla e Nio, produtoras desses veículos, estão no topo da lista. Mas, a Tesla também é uma empresa que em fevereiro anunciou que investiu em bitcoin.

A Stake, que fez o levantamento, é uma plataforma australiana que permite a investidores aplicarem nas bolsas dos EUA. De acordo com seu COO, Paulo Kulikovsky, o boom recente do mercado segue em alta.

“Nomes como Gamestop e AMC continuaram em pauta devido aos últimos acontecimentos que influenciaram o mercado. Mas, os investidores permanecem cuidadosos.”

Entre os fundos atrelados a índices (ETFs, na sigla em inglês), os de preferência dos brasileiros são os da Ark Invest. A empresa tem fundos com foco em inovação. A administradora é Cathie Wood, que a Bloomberg considerou a melhor selecionadora de ações de 2020. 

Abaixo estão as ações mais negociadas pelos brasileiros em fevereiro:

Top 10 ações

1.Tesla (TSLA)

2.Nio (NIO)

3.Apple (AAPL)

4.Churchill Capital Corp IV (CCIV)

5.Palantir (PLTR)

6.GameStop (GME)

7.AMC Entertainment (AMC)

8.Riot Blockchain (RIOT)

9.Marathon Digital Holdings (MARA)

10.Tilray (TLRY)

Top 10 ETFs

1.ARK Innovation (ARKK)

2.ARK Genomic Revolution (ARKG)

  1. ARK Fintech Innovation (ARKF)

4.Vanguard S&P 500 (VOO)

5.ARK Autonomous Technology & Robotics (ARKQ)

6.iShares Global Clean Energy (ICLN)

7.ARK Next Generation Internet ETF (ARKW)

8.ProShares Ultra VIX Short-Term Futures (UVXY)

9.ProShares UltraPro QQQ (TQQQ)

10.iShares Silver Trust (SLV)

Visa lançará no Brasil APIs para criptomoedas e transferência de dinheiro por blockchain

A Visa vai disponibilizar no Brasil dois serviços em blockchain que estão em uso no exterior. Neste semestre, vai oferecer APIs para bancos oferecerem a seus clientes criptomoedas. E ainda neste ano, iniciará a operação de transferências internacionais pelo Visa B2B Connect.

O projeto das APIs está em piloto nos Estados Unidos (EUA). Começou em fevereiro com um teste com o First Boulevard, banco digital que tem foco na comunidade negra. Quem usa a infraestrutura de APIs da Visa faz as transações com o banco de ativos digitais Anchorage.

Em entrevista exclusiva ao Blocknews, Eduardo Abreu, vice-presidente de Novos Negócios da Visa do Brasil, afirmou que sobre as APIs, “primeiro, estamos conversando com os bancos mais digitais. Isso porque são os que têm mais perfil para esses clientes (de criptos).”

Já o B2B Connect está em uso desde junho de 2019. A rede opera para envio de pagamentos internacionais e de alto valor de empresas. Além disso, as operações são feitas entre os bancos.

Os dados das transferências são tokenizados, assim dão mais segurança às empresas. Com blockchain, a operação tende a ser mais rápida e até mais barata. A tecnologia do Visa B2B Connect já está disponível aqui, mas a empresa trabalha para iniciar as operações em 2021.

Visa facilita compra de criptos

A Visa serve de ponte entre as instituições, ou seja, com seus APIs, permite que instituições financeiras se conectem à Anchorage. Dessa forma, facilita a vida do cliente. Isso porque o cliente só precisa se conecta a sua instituição financeira para fazer a transação.

As APIs da Visa são para quem não tem infraestrutura de criptomoedas. O projeto é um dos vários em que a Visa está investindo no mundo das criptomoedas.

Tanto a empresa, quanto a Mastercard e PayPal, também líderes em pagamentos, se preparam para atuar mais com criptoativos.

“Até pouco tempo atrás, criptomoeda era um tabu. Tinha uma relação distante como mercado financeiro. Mas isso está diminuindo, inclusive no Brasil”, disse Abreu.

O estudo Visa COVID-19 Consumer Sentiment mostra isso. O levantamento sobre as preferências dos consumidores da América atina e Caribe na pandemia, mostrou que 25% deles estão dispostos a testar criptomoedas, uma vez que estiverem disponíveis.

Parcerias no Brasil

A Visa acelerou suas investidas em criptos depois de criar uma vice-presidência com foco no setor, há cerca de dois anos. “A gente tem que estar próximo dessa tecnologia, que é tendência e veio para ficar. E não ficar brigando com ela”, completou o executivo.

No Brasil, nesse universo de criptos, em 2020 a Visa fez parceria com a corretora Ripio, que deve lançar um cartão da bandeira até julho. Além disso, fez também com os bancos Alter e Zro Bank. Ambos têm programas de cashback em bitcoins para compras no seus cartão de bandeira Visa.

Abreu diz que a empresa já se diferenciou de seus concorrentes ao sair na frente com carteira digital. “Saímos na frente ao trazer esse universo para perto, quebrar barreiras. Isso, desde o programa de aceleração de startups”.

Para uma empresa que trabalha com mais de 160 moedas em mais de 200 países, deixar de olhar para as moedas digitais, que passam a incluir as de bancos centrais, pode custar caro.

Além disso, nada impede de Visa e seus concorrentes expandirem suas atuações, no futuro, ou seja, oferecendo produtos financeiros descentralizados.

Regulação para mercado crescer

De acordo com Abreu, em conversas com o mercado, percebe-se que há uma aceitação de que regular o segmento é benéfico. Isso porque trará mais transparência, credibilidade e, portanto, maior uso de criptos.

Esse pedido de regulação contraria a lógica de Satoshi Nakamoto, criador do bitcoin. Sua lógica era permitir operações peer-to-peer, ou seja, sem intermediários e fronteiras. Mas, com regulação, a adoção de criptomoedas pode acelerar.

Para o VP da Visa, é preciso parar de encarar bitcoin e outras moedas criptografadas como especulativas, apenas para ganhar dinheiro. “No fim do dia, não é esse o objetivo. Satoshi Nakamoto a criou não para isso, mas para ser democrática. É facilitar pagamento entre pessoas e moedas em diferentes países”. E essa troca é exatamente o que a Visa faz.

Segundo ele, a maior adoção de criptos e até os estudos de moeda digital pelo Banco Central do Brasil (BC) pode levar as instituições financeiras a entrarem no segmento. Isso pode ainda não ter acontecido pela agenda deles, que estão implantando o Pix e o Open banking ao mesmo tempo.

Valor estimado para corretora Coinbase na Nasdaq é cinco vezes o da brasileira B3

A Coinbase, maior corretora de criptomoedas dos Estados Unidos, finalmente entrou com o pedido para listagem direta de suas ações na Nasdaq. O pedido aconteceu nesta quinta-feira (25).

Se as expectativas de analistas se confirmarem, seu valor será avaliado em torno de US$ 100 bilhões. É cerca de cinco vezes o valor, em dólar da bolsa brasileira B3. O valor de mercado da B3 está em cerca de R$ 113,6 bilhões (cerca de US$ 20 bilhões).

O ticker da Coinbase será Coin. Sua entrada na Nasdaq é um março, já que será um teste para saber o quanto os investidores estão interessados no setor. Com os recordes sucessivos do preço do bitcoin, além de a moeda atrair investidores institucionais, o interesse hoje pode ser maior.

A receita da corretora mais do que dobrou no ano passado, para US$ 1,3 bilhão, mais que o dobro dos US$ 533 milhões de 2019. Resultado da explosão de preço do bitcoin, que também transformou prejuízo em lucro. No ano passado, seu ganho foi de U$ 322 milhões, enquanto em 2019, a Coinbase amargou perdas de U$30 milhões.