Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Banco Mundial, bancos da Ásia e R3 criam sandbox de moedas digitais para fintechs

A Rede de Inovação Financeira ASEAN (Afin na sigla em inglês), que inclui o Banco Mundial, fez parceria com a R3 para um sandbox de moedas digitais de bancos centrais (CBDCs). A iniciativa deverá ajudar bancos e fintechs a desenvolver e testar aplicações para CBDCs.

A Afin é uma organização sem fins lucrativos. Inclui a Autoridade Monetária de Singapura (MAS), a Corporação Financeira Internacional (IFC), braço do Banco Mundial, além da Associação de Bancos do Sudeste Asiático.

A R3 vai ser o primeiro parceiro a prover APIs (Interface de programação de aplicações) para se desenvolver as aplicações. A empresa já participa de projetos de moedas digitais de bancos centrais como a da Suécia,

Essas APIs estarão na API Exchange (APIX) a partir de agosto próximo. A APIX é uma plataforma global e de arquitetura aberta para a inovação financeira.

Além disso, os desenvolvedores poderão criar e editar códigos. Assim, poderão integrar as APIs da R3 e outras com diferentes soluções na APIXs, utilizando o ambiente integrado na nuvem.

De acordo com Sopnendu Mohanty, Chief FinTech Officer do MAS, a colaboração permitirá ao ecossistema de fintechs entender melhor as inovações financeiras sobre moedas digitais.

“Iniciativas sobre CBDCs têm ganho força em todo o mundo e o Sudeste Asiático não é exceção. Dessa forma, há muitos bancos centrais, bancos comerciais e fintechs avançando em pilotos de moedas digitais. Isso inclui o projeto Ubin de Singapura”, disse David Rutter, fundador e CEO da R3.

O projeto Ubin é outro da autoridade monetária de Singapura com a R3 e instituições financeira. O objetivo é testar o uso de blockchain e da tecnologia de registro distribuído (DLT) para liquidação de pagamentos e títulos.

Projeto italiano de emissão de garantia em blockchain reduz fraudes em 30% e custos em até 50%

O projeto italiano em blockchain “Fideiussioni digitali”, para emissão de garantias relacionadas a obras civis, completou a fase de teste e será lançado no segundo semestre. Os testes mostraram que blockchain reduz fraudes em cerca de 30% e os custos operacionais em até 50%.

A emissão de garantias desse tipo costuma ser uma demanda em obras públicas. E como corrupção é um mal que ataca também a Itália, blockchain está sendo testada para ao menos reduzir o problema.

O Fideiussioni digitali foi organizado pelo Centro de Pesquisas de Tecnologias, Inovações e Serviços Financeiros (CeTIF) da Universidade Católica e pelas empresas SIA e Reply. Mas, também teve a participação do Banco da Itália, do Instituto para Supervisão de Seguros (Ivass) e da Polícia de Finanças Italiana.

A tecnologia que o projeto usa é a Corda, da R3, a mesma usada pela associação dos bancos da Itália no Spunta. O Spunta é sistema de reconciliação interbancária e compartilhamento de dados, um dos principais projetos financeiros com uso de registro distribuído do mundo.
 
Mais de 50 participantes estavam nos testes dos processos. Dentre eles havia bancos, seguradoras, setor público e empresas, de acordo com o comunicado do grupo. Os testes aconteceram dentro de um sandbox.
 
Esses participantes testaram a emissão de mais de 350 garantias em valor de 10 mil euros a 1,4 milhão de euros. Foram emitidas em quatro meses.
 
Blockchain não apenas reduz as fraudes e os custos, mas também torna mais rápida a disponibilidade de linhas de crédito que serão alocadas em novas concorrências.

A primeira emissão na fase de teste foi feita pelo Reale Group, um dos maiores seguradores italianos. O grupo emitiu uma apólice de seguro garantia de uma obra em Milão. O beneficiário foi a prefeitura da cidade.

Banco UBS planeja oferecer criptomoedas a clientes do segmento de fortunas

O UBS Group AG está começando a planejar a oferta de investimentos em criptomoedas a clientes do segmento de fortunas. De acordo com reportagem reportagem da Bloomberg, o investimento deverá ser por meio de produtos de terceiros.

O banco suíço se une, assim, a grandes bancos dos Estados Unidos (EUA), como Citi, Goldman Sachs e Morgan Stanley e a outros como o BBVA, que tem essa operação na Suíça.

Seu concorrente Julius Baer também está indo pelo mesmo caminho, disse seu CEO Philipp Rickenbacher, na semana passada.

Assim como essas instituições, a ideia é oferecer o investimento com uma recomendação de compra limitada em relação aos ativos totais dos clientes. Isso por conta da volatilidade das criptomoedas.

Citigroup em criptomoedas e oferta de derivativo de bitcoin pelo Goldman Sachs

Citigroup em criptomoedas. O banco é mais um dos grandes nos Estados Unidos (EUA) que avalia atuar no segmento ou que já atua. O Goldman Sachs, começou a oferecer Contrato a Termo de Moeda, no caso bitcoin, sem Entrega Fisica (NDF), um derivativo.

Todos os bancos dão o mesmo motivo para ativarem ou reativarem seus negócios com criptomoedas, ou seja, o interesse dos clientes. Até no Brasil os bancos que vendem o ETF da Hashdex falam isso.

De acordo com Itay Tuchman, responsável pelas operações globais de câmbio do Citi, “há diferentes opções e estamos considerando com quais podemos servir melhor os clientes”. O interesse do Citigroup em criptomoedas foi comentado pelo executivo ao  Financial Times.

Mas, afirmou que não será uma plataforma proprietária. O Goldman, por exemplo, fez parceria com a Cumberland DRW para oferecer os contratos futuros. A negociação desses contratos é na bolsa de Chicago. Em março o banco decidiu reabri sua mesa de negociações de criptomoedas.

Além do Citigroup em criptomoedas e do Goldman, quem já abraçou a causa dos criptoativos é o Morgan Stanley, o primeiro a oferecer investimentos em bitcoin. O espanhol BBVA e o DBS Bank de Cingapura. Já o BNY Mellon faz custódia. Cada banco está buscando seu espaço.

Já o Société Générale não está em criptomoedas. Mas registra todos os seus comunicados de imprensa em blockchain desde novembro de 2020.

ETF de criptomoedas da Hashdex fechou primeiro dia na B3 com alta de 12,26%

O ETF de criptomoedas da Hashdax, o HASH11, fechou seu primeiro dia de negociação na B3, nesta segunda-feira (26), com alta de 12,26% e movimento de R$ 156 milhões. A cota começou negociada a R$ 47,20, chegou a um pico de R$ 56,70 e fechou em R$ 53,10.

O Hash11 levantou R$ 615 milhões para o lançamento. Hoje, foi o segundo maior ETF em número de trades e o terceiro maior em volume de negociação. A partir das cerca de 13h30, a cotação começou a subir, bateu no pico e depois recuou. Ao ser relacionado às cotações de seis criptomoedas, em especial do bitcoin, o desempenho foi similar ao da moeda de Satoshi Nakamoto.

O ETF de criptomoedas é um conforto para o investidor, diz o CEO da Hashdex, Marcelo Sampaio. De acordo com Evandro Pereira, CFO da Genial, “como esperado, houve um fluxo grande de compra de clientes de corretoras que não participaram da oferta”. Segundo ele, isso ajudou a valorizar as cotas. A Genial foi a coordenadora líder da oferta.

O ETF de criptomoedas é um dos 10 maiores ETFs de renda variável listados na B3 e como o quinto com mais investidores, com cerca de 28 mil CPFs e institucionais.

O ETF segue o Nasdaq Crypto Index (NCI), desenvolvido pela Hashdex e Nasdaq. As seis criptomoedas que fazem parte são bitcoin, ethereum, stellar, litecoin, bitcoin cash e chainlink.  A cesta de ativos é rebalanceada trimestralmente.