Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Tailândia faz primeira emissão do mundo de bonds de governo em blockchain

O banco central da Tailândia, BOT, fez a primeira emissão do mundo de títulos de governo em plataforma de blockchain. Foram US$ 1,6 bilhão (cerca de R$ 8,8 bilhões) em duas semanas.

Agora, o banco pretende usar blockchain para todas as outras emissões de títulos do governo para investidores de varejo e atacado. Os títulos de governo do país equivalem a 40% do total de emissões – foram US$ 157 bilhões, de um total de US$ 421 bilhões em 2019.

A emissão ocorreu na plataforma IBM Cloud, que reduz de 15 para dois dias o processo, além de reduzir a complexidade da operação, segundo a IBM. Com a tecnologia, foi possível fazer a emissão num sistema de tempo real e com redução de validações redundantes e de custo de reconciliação.

Houve menos horas de trabalho empenhadas no processo por parte do emissor, subscritores e registradores, além da maior transparência na emissão. Além disso, os investidores podem comprar até o valor máximo de suas cotas alocadas num único banco, informou a empresa.

País tem outros projetos

Para emitir o título, foram envolvidas oito instituições. Além do BOT, o departamento que gerencia as dívidas públicas do governo, a Thailand Securities Depository, a associação de títulos da Tailândia, o Bangkok Bank, Krungthai Bank, Kasikorn Bank e o Siam Commercial Bank.

O país se tornou um usuário reconhecido de blockchain. Em 2019, foi lançada uma plataforma com 22 bancos locais e 15 empresas para a emissão de cartas eletrônicas de garantia, que hoje opera cerca de US$ 300 milhões dessas fianças bancárias.

O departamento de aduanas, equivalente à Receita Federal do Brasil, também foi o segundo órgão de governo do sudeste da Ásia a usar a plataforma de comércio exterior TradeLens, que digitaliza e acelera o processo de embarques.

E neste ano o país anunciou que testará sua moeda digital de banco central no varejo.

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Banco da Ásia faz sua primeira carta de crédito para exportação de plástico

Investimento anjo no Brasil ultrapassa RS$ 1 bilhão pela primeira vez

O investimento anjo foi de R$ 1,07 bilhão em 2019, um crescimento de 9% sobre 2018, que tinha registrado queda de 0,4% sobre 2017. Foi a primeira vez que o valor superou RS$ 1 bilhão, segundo pesquisa da Anjos do Brasil, instituição que faz aportes em startups em estágio ainda muito inicial.

As fintechs foram as startups que apareceram como as de maior preferência dos investidores, seguidas pelas de software e healthtechs. Leia mais no Fintechs Brasil, site de notícias parceiro do Blocknews.

Bradesco lança BITZ, de olho nos desbancarizados que Pix e fintechs atendem

O Bradesco lançou, hoje (14), uma nova empresa, a BITZ Serviços Financeiros, de carteiras digitais e contas de pagamentos. A plataforma usará o Pix, sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central, que começa a ser implantado em 5 de outubro.

De acordo com o banco, será possível armazenar dinheiro, realizar pagamentos, transferências, recebimentos, recarga de celular, pagamentos com QR Code e compras. Os usuários terão acesso a saques na rede Banco 24Horas, cashback de transações e remuneração com 100% do CDI se o saldo superar R$ 100.

A Cielo, empresa do Bradesco e Banco do Brasil, é parceira do novo serviço para compras, e a Losango, também do grupo Bradesco, fornecerá crédito pelo aplicativo. O serviço é gratuito e a receita para o Bradesco virá das taxas pagas pelos parceiros.

Puxados pela concorrência

Fintechs e criptomoedas fizeram os grandes bancos buscarem soluções para grande parte da população brasileira que é desbancarizada ou tem pouco acesso a serviços financeiros. O Pix puxou ainda mais os bancos incumbentes nessa direção. O Itaú lançou sua carteira digital em 2019 e o Santander anunciou a alguns dias a sua, a SX.

O BITZ receberá investimentos de R$ 100 milhões no seu primeiro ano, disse o CEO da empresa, Curt Zimmermann, em coletiva hoje à tarde. O valor não inclui duas aquisições previstas: a de uma carteira digital já em operação e a de um empresa de tecnologia de pagamento digital. Isso deve levar o número de funcionários para 60 pessoas. Recursos humanos e marketing serão fornecidos pelo Bradesco.

A empresa terá estrutura societária e financeira independentes e é mais uma empresa digital do Bradesco, além do Neon.

Zimmermann foi COO da Bradesco Seguros de 2016 a outubro de 2019.

Banco da Ásia faz primeira carta de crédito em DLT para exportação de plástico

O Banco de Desenvolvimento da Ásia (ADB, na sigla em inglês) realizou sua primeira operação de carta de crédito usando a tecnologia de registro distribuído (DLT). O financiamento foi de um carregamento de U$ 50 mil (cerca de R$ 280 mil) em plásticos da Tailândia para o Vietnã, em agosto passado.

A plataforma usada foi a da Contour, que roda em Corda, da R3. É a mesma usada pela Vale numa exportação de minério de ferro e anunciada na semana passada.

Também participaram da operação o Standard Chartered Bank Thailand e o Banco de Investimento e Desenvolvimento do Vietnã (BIDV).

A pandemia do coronavírus aumenta a necessidade de digitalização das operações de financiamento do comércio exterior, disse Steven Beck, responsável pela área de financiamento de comércio e cadeia de suprimentos do ADB.

O objetivo da Contour, formada por bancos e baseada em Singapura, é tentar reduzir o enorme volume de papéis, emails e tempo consumidos nas operações de crédito e comércio exterior.

BBChain desenvolveu arquitetura que garante privacidade de empresas no registro de duplicatas

A BBChain, empresa de desenvolvimento e arquitetura de plataformas blockchain e que trabalhou no projeto da nova plataforma de registro de duplicatas da B3, CIP, CERC e CRDC, afirmou que criar uma integração de quatro concorrentes, numa tecnologia nova, com confidencialidade e para uma operação de dezenas de milhões transações foi um enorme desafio.

A empresa elaborou a arquitetura da nova plataforma de registros e os códigos, o que define as aplicações e funcionalidades. Isso incluiu o desenho dos contratos inteligentes. Tudo foi feito sobre a plataforma Corda, da R3. A Corda transforma todas as informações dos títulos em criptografia e garante que nenhuma duplicata será registrada em mais de uma empresa.

Nunca ninguém fez algo assim no mundo: uma rede interoperável que garante alta disponibilidade, privacidade de dados dos concorrentes operando na mesma plataforma, inclusão de muitas outras empresas no futuro e a prova de fraude, o que só blockchain permite, segundo o sócio-fundador e CTO da empresa, Rodrigo Bueno.

Ninguém sabe de ninguém

Felipe Chobanian, sócio-fundador e CEO da BBChain, disse ao Blocknews que a solução desenvolvida garante rastreabilidade e ao mesmo tempo, confidencialidade das operações. Uma empresa não sabe o volume de negócios de seus concorrentes na rede. “A única tecnologia que entrega isso é blockchain”. Segundo ele, essa confidencialidade foi conseguida com a Corda.

A arquitetura usa também a base de dados distribuída CockroachDB, da Coachroach Labs, que armazena dados duplicados em diversas localidades. “É preciso um apocalipse que destrua tudo para o sistema cair”, disse Chobanian. Os dados estão em nuvem. A Tivit gerencia a infra-estrutura computacional.

A BBChain nasceu no Laboratório de Arquitetura e Redes de Computadores (Larc) da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, a Poli da USP. A empresa tem 17 projetos para diferentes setores já rodando e a caminho da fase de produção, afirmou o CEO. Em junho passado, a Pitang Agile IT, desenvolvedora de softwares, adquiriu 30% da BBChain.

B3, Cerc, CIP e CRDC colocam em operação plataforma blockchain de registro de duplicatas

B3, Cerc (Central de Recebíveis), CIP (Câmara Interbancária de Pagamentos) e a CRDC (Central de Registros de Direitos Creditórios) vão lançar, no final deste mês, a plataforma de duplicatas escriturais que vai usar blockchain para centralização e compartilhamento de informações. Com isso, evita-se fraudes, o que pode ajudar a expandir o mercado bilionário de concessão de empréstimos garantidos por duplicatas.

Como publicou o Blocknews em março, a tecnologia blockchain permitirá verificar se uma duplicata está registrada apenas uma vez e se é verdadeira. Aldo Chiavegatti, superintendente de infraestrutura do mercado da CIP, disse a este site que tudo dando certo, a infraestrutura poderá ser estendida a outros ativos.

A plataforma usada é a Corda, da R3, que afirma que este é o primeiro caso no mundo de plataforma de integração de setor financeiro e que envolve registradoras e depositárias centrais.

Expansão do crédito

O mercado de crédito com garantia de recebíveis é de cerca de US$ 400 bilhões ao ano, com as duplicatas sendo a maior das garantias. Com a maior segurança nas operações, a expectativa é de que o volume de crédito chegue a até R$ 1,5 trilhão ao ano e inclua empresas de menor porte, segundo reportagem do Valor Econômico.

A plataforma atende a regra do Banco Central (BC) de implantação de interoperabilidade entre as empresas do segmento, o que aumenta a segurança e a agilidade das operações.

Hoje não se sabe se uma duplicata está registrada em mais de uma empresa, portanto, ganha quem descontar primeiro – algo nada seguro para um documento feito para dar segurança.

JP Morgan vai investir na Consensys e transferir Quorum para a empresa, diz site

O JP Morgan prepara um investimento de US$ 20 milhões (cerca de R$ 120 milhões) na Consensys e ao mesmo tempo prepara a transferência da manutenção e suporte da sua rede Quorum para a empresa de Joe Lubin, um dos fundadores da Ethereum. A informação é do site The Block, que cita fontes envolvidas na negociação.

Os US$ 20 milhões de investimentos do JP seriam parte de um acordo de conversão de US$ 50 milhões (cerca de R$ milhões) em dívida. O banco criou a Quorum, uma plataforma open source, e a Rede Interbancária de Informação (IIN), que já tem 300 bancos conectados. A Quorum também já é utilizada em operações de empresas de outros setores, como o agronegócio. Esse tipo de negócio cria uma demanda para o JP que foge de sua atividade central, a bancária.

A Consensys é baseada na Ethereum e já usou Quorum em projetos como o das tradings de commodities Covantis e da LVMH Aura, para rastreamento de produtos da marca de luxo.

A Consensys demitiu cerca de 25% de seus funcionários desde o final do ano passado e em fevereiro anunciou que separaria as partes de desenvolvimento de software e de investimentos, focando agora em consultoria e produtos. Um sinal de que as coisas não iam bem e de que, com os rumores sobre o JP, poderia estar arrumando a casa para receber investimentos que lhe deem mais fôlego.

Além da Quorum, em blockchain o JP Morgan também tem dito que vai desenvolver sua própria moeda estável. Ao mesmo tempo, há alguns dias perdeu seu então diretor de estratégia de ativos digitais, Oli Harris, que foi para o Goldman Sachs. O concorrente acaba de indicar que vai acelerar seus investimentos nessa área.

Segurador italiano emite primeira apólice em blockchain para garantir obra imobiliária

O italiano Reale Group, um dos maiores seguradores da Itália e que opera também na Espanha e Chile, emitiu a primeira apólice de seguro garantia de contrato em blockchain do país. A apólice é a garantia de conclusão de uma obra em Milão e o beneficiário é a prefeitura da cidade. O objetivo é evitar fraude no processo de garantias, algo que tem sido comum no país.

A emissão de garantias desse tipo costuma ser uma demanda em obras públicas. A apólice emitida pela Reale Mutua faz parte do projeto italiano “Fideiussioni Digitali”, promovido pela CeTIF (Centro de Pesquisa em Tecnologia), a rede de pagamentos SIA, a empresa de soluções tecnológicas Reply, o regulador de setor de seguros, IVASS, e o banco central italiano, Banca d’Italia, além de 30 bancos e empresas.

O projeto usa a plataforma Corda, da R3, a mesma utilizada pela associação dos bancos da Itália no Spunta, sistema de reconciliação interbancária e compartilhamento de dados.

Com a apólice, o Reale Mutua, fundado em 1828, vai garantir a obra do complexo imobiliário “ex-Plamon”, realizada pelo Gruppo AbitareIn. Mauro Gentini, responsável pela área de riscos especiais da Reale Mutua, afirmou que a digitalização da apólice ajuda a prevenir fraudes e a melhorar a eficiência da operação.

Goldman Sachs nomeia executivo para acelerar uso de blockchain em serviços financeiros e moeda digital

O Goldman Sachs, o banco que adorava bitcoins, depois achou que não eram bom negócio, investiu em startups de blockchain e recentemente disse que bitcoin não é classe de ativos, está dando sinais de que vai acelerar seus movimentos para usar a tecnologia de registro distribuído (DLT), como blockchain, em seus negócios. Isso inclui áreas como crédito, títulos, IPOs e hipotecas. Além disso, está estudando ter sua própria moeda criptografada. Isso se confirmando, pode ajudar a arrastar Wall Street de vez para a era digital.

É o que ficou claro com a entrevista de Mathew McDermott à rede CNBC, que deu sua primeira entrevista como o novo responsável por ativos digitais do Goldman. A informação de sua nomeação, no mês passado, também foi uma novidade que a rede publicou. Até então, McDermott era o responsável global por cross asset financing, em Londres.

O curioso é que o novo executivo tem um histórico no mercado financeiro tradicional: foram 9 anos no Morgan Stanley e já são 15 anos no Goldman Sachs. E substituiu Justin Schmidt, um trader de criptos que foi o primeiro responsável pela área no banco, em 2018. Portanto, a opção agora é por alguém que conhece bem o mercado financeiro, o banco e que não tem medo de falar em digitalização e de serviços feitos com menos gente.

McDermott acredita que o futuro do setor financeiro é usar DLT de forma ampla. Na verdade, já tem que está testa isso nos Estados Unidos, como Vanguard, que reduziu de 12 dias para 40 minutos a emissão de um título. A Bolsa da Malásia é só um outro exemplo de teste.

Pelo que disse na entrevista, uma das áreas primeiras áreas do banco que pretende inserir DLT é o mercado trilhardário de transações e recompra de ativos, onde falta padrão e já desnecessários.

Tradicional, mas tecnológico

Para que tudo isso aconteça, será preciso criar um ecossistema, ou seja, inserir empresas da cadeia desses serviços na rede DLT/blockchain, que só faz sentido se tiver vários participantes.

Se o novo executivo passar pelas barreiras que deve encontrar em seus pares, relacionadas a troca de modo de operação, dispensa de funcionários e temores quanto à regulação, para citar alguns deles, terá sucesso. Ele diz que já está falando com outros empresas.

“Nos próximos 5 a anos, você poderá ver um sistema financeiro onde todos os ativos e passivos virão de uma blockchain, com todas as transações acontecendo na rede”, disse ele na entrevista.

Sobre uma moeda digital do Goldman, isso ainda é um projeto em avaliação. Mas o banqueiro tirou Oil Harris do JPMorgan Chase e o colocou no seu novo time.

Harris fez parte do projeto do JP de lançar a sua moeda JPM, que será uma stablecoin, e foi vice-presidente da plataforma blockchain Quorum, criada pelo banco e usada por diversas empresas. Ele disse que investidores institucionais estão voltando a se interessar pelas criptos.

Bolsa da Malásia começa testes de emissão de bonds usando blockchain

A Bolsa da Malásia (Bursa Malaysia Berhad) e a Hashstacs, empresa de soluções de tecnologia de Singapura, iniciaram uma prova de conceito (PoC) em blockchain para desenvolver um mercado de bonds. Os testes do Projeto Harbour começaram na última sexta-feira (31).

A PoC será feita na Labuan Financial Exchange (LFX), braço da Bursa, com uma solução da Hashstacs para emissão, negociação e liquidação dos títulos na plataforma.

“Isso permitirá à Malásia ter a vantagem de ser a primeira a fazer isso, atraindo a listagem de títulos regionais e internacionais”, disse Benjamin Soh, diretor-geral da empresa.

Contratos inteligentes

A plataforma facilitará a emissão de títulos tokenizados , o rastreamento das transações e dará segurança para os investidores. Além disso, os contratos inteligentes vão automatizar as movimentações dos fundos e outros títulos mobiliários. Isso vai expandir a atuação da bolsa e dar liquidez aos participantes do mercado, afirmou a Bursa

Também fazem parte do projeto a Comissão de Valores da Malásia, a Autoridade de Serviços Financeiros de Labuan, o CIMB Investment Bank Berhad e o braço do China Construction Bank Corporation em Labuan.

Datuk Muhamad Umar Swift, CEO da Bursa, disse que a os testes serão um aprendizado importante para conhecer e ter ideias que permitam o crescimento do mercado de bonds, o aumento da eficiência e a redução de custos de operação e emissão.