Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Preço da ação da Coinbase deve sair a US$ 250 na oferta de amanhã

O preço de referência para a ação da Coinbase, que deverá ser listada a partir de amanhã (14) na Nasdaq, será de US$ 250, de acordo com a bolsa. Isso é 27% menor do que o valor em que a ação foi negociada no mercado secundário. A sigla da Coinbase será COIN.

De acordo com a Nasdaq, esse é o preço de referência, o que leva o valor da maior bolsa de criptomoedas dos Estados Unidos (EUA) a cerca de US$ 66,5 bilhões. Porém, acredita-se que a valuation pode subir ao longo do lançamento para algo em torno ou até mais de US$ 100 bilhões. Seria um recorde.

Em março passado, a Coinbase informou que planejava vender 114.850.769 ações da classe A. No entanto, hoje (13) a empresa informou que até ontem (12) tinha 130,7 milhões de ações da classe A. Além disso, tinha 68,5 milhões de ações da classe B. Essas poderão ser convertidas em A a qualquer momento. 

A empresa também informou que tem uma capitalização diluída de 261,3 milhões de ações. Isso significa as ações comuns A e B e outros ativos como opções de ações.  

Coinbase é a primeira em bolsa

A oferta de ações da Coinbase é a primeira de uma bolsa de criptomoedas. Por isso, é muito aguardada pelo mercado, já que será um teste do apetite de investidores por uma empresa exposta a criptos.

Com o aumento da cotação do bitcoin e de outras moedas digitais, o apetite deve ter crescido nos últimos tempos.

Como a bolsa de criptomoedas não vai fazer um IPO, não houve roadshows e reservas de ações. Dessa forma, a empresa avisou que pode haver grande volatilidade dos preços no início do pregão.

O plano da Coinbase é usar o valor da venda em seus planos de expansão, que inclui, por exemplo, vendas institucionais – segmento que entrou com mais força em criptomoedas. Além disso, a empresa pretende fazer colocar em curso um crescimento internacional.

Mercado Bitcoin prepara IPO e bancos vão testar valor de até R$ 15 bilhões

O Mercado Bitcoin (MB) está preparando sua oferta inicial de ações, IPO. De acordo com reportagem do Valor Econômico, a corretora de criptomoedas contratou o J.P. Morgan como líder do sindicato para fazer as operações. Também participam da operação o BTG Pactual, a XP Investimentos e o Itaú BBA.

Esse poderá ser o primeiro IPO de uma bolsa na B3, se realmente a oferta for aqui. O MB é a maior corretora da América Latina.

Com exceção dos Itaú BBA, todos esses bancos atuam em criptomoedas. O JP é um dos bancos que mais investem em blockchain e em moedas digitais. Já criou a platforma de blockchain Quorum, que hoje é da Consensys. Também usa blockchain em seus negócios. Tem ainda uma stablecoin, a JPM Coin e investimentos em startups de blockhain.

O BTG Pactual foi o primeiro banco brasileiro a lançar um token. O token é lastreado em imóveis recuperados. Porém, como a legislação não permite vender isso aqui, comercializa no exterior. Além disso, lançou um fundo que tem 20% de exposição em bitcoin.

Já a XP teve uma corretora de criptomoedas. Além disso, vende produtos com exposição a criptomoedas em sua plataforma. Do Itaú BBA, não se tem notícia sobre investimento na área.

Os bancos vão testar uma valuation inicial de R$ 10 bilhões a R$ 15 bilhões, ou seja, cerca de US$ 1,5 bilhão a US$ 2 bilhões. O oferta de ações da Coinbase, maior corretora dos Estados Unidos (EUA), vai servir de parâmetro para o MB. A Coinbase deve fazer a oferta amanhã (14) e pode bater o recorde de valor, chegando a US$ 100 bilhões, segundo o mercado.

O parâmetro, na verdade, deverá ser em relação ao apetite dos investidores de pagaram múltiplos altíssimos. As duas bolsas são bem distintas, assim como a maturidade do mercado dos EUA e do Brasil em relação a criptomoedas.

A Coinbase teve uma receita estimada de U$ 1,8 bilhão no primeiro trimestre de 2021 e um lucro de cerca de US$ 730 milhões a US$ 800 milhões. Isso tudo superou o que a empresa alcançou ao longo de 2020.

No ano passado todo, sua receita líquida chegou a US$ 1,3 bilhão e o lucro a US$ 322 milhões, nesse caso, a metade do que alcançou entre janeiro e março. Já o Mercado Bitcoin não abre seu números. O MB diz que tem 2,5 milhões de clientes cadastrados, enquanto a Coinbase afirma que tem 56 milhões de usuários verificados.

BTG Pactual lança fundo de bitcoin gerido e distribuído pelo banco

O BTG Pactual começou a distribuir, hoje (5), o primeiro fundo com bitcoin e com gestão ativa desenvolvido por um banco brasileiro. Segundo o banco, esse é o primeiro de uma série que o BTG vai lançar com criptomoedas.

O fundo tem 20% de exposição em bitcoin eo restante em títulos conservados e de alta liquidez. O banco vai comprar crédito de carbono para compensar a energia excessiva gasta na mineração da moeda.

O investimento pode ser a partir de R$ 1. A taxa de administração é de 0,5% ao ano, liquidez de três dias e sem taxa de desempenho.

A gestão do BTG Pactual Bitcoin 20 Fundo de Investimento Multimercado é do BTG Pactual Asset Management e a distribuição é do BTG digital. Com isso, o BTG se alinha a bancos norte-americanos como Goldman Sachs e Morgan Stanley que querem oferecer alternativas em criptomoedas a seus clientes.

O BTG foi o primeiro banco brasileiro a ter um criptoativo, o ReitBZ (RBZ). O token tem lastro em imóveis recuperados. Porém, como não há autorização para esse tipo de investimento no país, o token foi lançado e é vendido no exterior.

“Queremos aproveitar toda robustez, tecnologia e estrutura bancária que o banco já possui para oferecer vantagem competitiva e democratizar o investimento em bitcoin, moeda que mais cresce dentro do segmento de criptomoedas”, disse Will Landers, head de renda variável da asset.

A entrada de investidores institucionais no mercado de criptoativos embicou para cima a cotação do bitcoin nos últimos meses. Com isso, mais investidores institucionais se interessaram pela essa moeda.

Isso acabou virando uma bola de neve e os bancos, ao menos nos Estudos Unidos, se viram obrigados a atender a demanda dos investidores por exposição a criptomoedas.

Mais um ETF de criptomoeda no Brasil. QR Asset recebe autorização da CVM para bitcoin

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) deu mais uma autorização para lançamento de ETF, fundo de índice negociado em bolsa, no Brasil. Desta vez, a permissão é para fundo de bitcoin e é para a QR Asset Management.

Essa seria o primeiro ETF de bitcoin na América Latina e o Brasil poderá ser o segundo com esse tipo de fundo no G-20, grupo das maiores economias do mundo. O outro país é o Canadá, com três ETFs.

O ETF deve replicar a cotação média do bitcoin em corretoras de diversos países. A CF Bencharmarks vai fornecer o índice. A empresa já fornece esse serviço para a Bolsa de Mercadorias de Chicago, a CME.

O plano da QR Capital é captar, na chamada oferta primária do ETF, R$ 500 milhões. O lançamento está previsto para até o final de junho, mas na B3 pode acontecer antes. Também será negociado por homebroker. O código será QBTC11.

Coinbase venderá 114,85 mi de ações na Nasdaq; preço médio da ação no mercado privado é de US$ 343

A Coinbase planeja vender, na Nasdaq, 114.850.769 ações da classe A por um preço máximo proposto de US$ 943.218.155. Essa classe de ações tem, hoje, direito a cerca de 0,8% dos votos. A data de lançamento ainda está em aberto. O código do papel será COIN.

A Bloomberg calculou o valor de mercado da Coinbase em US$ 90 bilhões, porque houve troca de ações por US$ 350 cada no Nasdaq Private Market. De acordo com o prospecto, a venda privada variou de US$ 200 a US$ 375,01. Já o preço médio ficou em US$ 343 (cerca de R$ 2.058).

Mas, a maior corretora de criptoativos dos Estados Unidos (EUA) mundo diz que esses preços podem não se repetir na sua venda de ações. Isso porque a venda não será uma oferta inicial de ações (IPO), mas uma listagem direta. Não haverá, portanto, ações como roadshows e subscrições antes da oferta.

Assim, poderá haver uma volatilidade maior dos preços no início das vendas. O IPO da Coinbase é muito esperado, uma vez que será um teste do apetite dos investidores a um ativo desse tipo. O que pode ajudar é a explosão de preços do bitcoin.

De acordo com o prospecto, as ações são de acionistas ou acionistas registrados. As duas classes, a A e a B, têm direitos iguais, menos o de voto e de conversão. Cada ação da classe A tem direito a um voto, enquanto a da B tem direito a 20 votos e conversão a qualquer momento.

Os executivos da empresa, 5% dos acionistas e seus afiliados têm 60,5% de poder de voto da Coinbase. Mas antes da oferta pública, quem tem ações classe B vai poder convertê-las para classe A.

Coinbase cita plano de expansão

No dia da listagem na Nasdaq Global Select Market, a Nasdaq Stock Market LLC, ou Nasdaq, vai aceitar, mas não executar, ordens prévias de compra e venda das ações. Além disso, vai indicador o preço atual de referência, ou Current Reference Price, com base aas ordens. Quem quiser ações poderá fazer ordens num prazo de dez minutos.

O Goldman Sachs, assessor da Coinbase na operação, e outras instituições, como o J.P Morgan e o Citigroup, vão receber as ordens. Depois disso, vão avisar a Nasdaq que as ações estão prontas para serem negociadas.

A Coinbase afirma que sua estratégia de negócios é crescer por meio de diversas ações. Por exemplo, com um aumento de pontos de contato com os clientes. Além disso, planeja ter vendas institucionais e dar um suporte a clientes desse segmento.

A corretora também afirma que pretende aumentar o acesso a seus produtos e serviços com uma expansão internacional. E tem mais: vai expandir a variedade de ativos digitais em seu portfolio.

“Qualquer ativo ou forma de valor pode ser representado por um ativo criptografado e ter o suporte da nossa plataforma”, diz o prospecto. Desde que sigam o compliance da empresa. Haverá ainda, diz o documento, apoio a protocolos novos e nativos de blockchain.