Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Visa permitirá pagamentos com criptomoeda USDC em sua rede global de 60 milhões de pontos

A Visa reforçou hoje (2) que está investindo para valer em blockchain e criptomoedas. A empresa anunciou que sua rede global de 60 milhões de negócios será conectada à criptomoeda plataforma da moeda digital U.S. Dollar Coin (USDC), na rede Ethereum. Isso significa que eles poderão aceitar e fazer pagamentos nessa moeda estável (stablecoin), que é atrelada ao dólar e foi criada pela Circle Internet Financial.

Esse anúncio ajuda a elevar para um novo patamar o uso de criptomoedas no comércio, já que a Visa é uma das maiores empresas de pagamentos do mundo, operando em 200 países e realizadando US$ 11,2 trilhões de pagamentos por ano.

“Estamos seguindo o crescimento das stablecoins nos últimos dois anos e estou muito animado com a Visa fazer uma parceria com a Circle para ajudar a conectar a USDC à nossa rede global”, disse o responsável por criptoativos na Visa, Cuy Sheffield em post no seu perfil no Twitter.

Com isso, a Visa coloca ainda mais os pés no mundo das criptomoedas e acelera o negócio da Circle, empresa que faz parte de seu programa Fast Track. Esse programa dá apoio a fintechs e inclui acesso à rede da empresa. Sua participação no programa deve ir até 2021.

A partir daí, a Visa vai emitir cartões de crédito que permitam aos negócios fazer ou receber pagamentos em USDC diretamente com o cartão. “Será o primeiro cartão corporativo que vai permitir aos negócios gastar em USDC”, disse Sheffield à Forbes, que publicou o anúncio em primeira mão.

A USDC tem uma capitalização de mercado de US$ 2,96 bilhões (cerca de R$ 15 bilhões). Esse valor é calculado multiplicando-se a cotação da moeda pela sua quantidade disponível no mercado. Bitcoin, a maior criptomoeda, tem um mercado de US$ 350 bilhões, porém, não é atrelada a nenhum ativo, portanto, não é considerada stablecoin.

Segundo a Forbes, a Visa não fará a custódia da moeda. Já a Circle vai ajudar a empresa a escolher quem serão os emissores de cartões de crédito da bandeira Visa que começarão a usar o software da USDC em suas plataformas e poder operar pagamentos com a criptomoeda.

A outra parte do projeto é que as empresas possam enviar pagamentos internacionais em USDC para outras empresas que usem Visa. Assim, poderão usar os recursos em qualquer comércio que também esteja conectado à gigante de pagamentos, depois que a USDC for convertido na moeda local. Esse projeto, mais tarde, avançará para o cartão corporativo.

Dentre os anúncios relacionados a blockchain e criptomoedas feitos pela Visa até hoje, um deles foi o investimento de US$ 40 milhões na Anchorage, que foca em armazenamento de ativos digitais para investidores institucionais. O investimento aconteceu em 2019.

A Visa acredita que o serviço da Anchorage será útil para os bancos centrais, se e quando emitirem suas moedas digitais, as CBDCs. A Visa também tem conversado com os bancos centrais sobre essas moedas.

Neste ano, a empresa também pediu a patente, nos Estados Unidos, para uma moeda fiat digital, ou seja, a digitalização de moedas de bancos centrais. Isso seria feito num computador central, que replicaria os dados de notas e moedas na moeda digital, mas com registro em blockchain.

Além disso, a empresa já tem em curso um sistema de transferências internacionais enter empresas que usa blockchain, o B2B Visa. O foco são as transações de mais de US$ 15,000 (cerca de R$ 90 mil), que representam perto de 10% de um mercado total de U$125 trilhões (R$ 750 trilhões).

“Redes blockchain e moedas estáveis são apenas redes adicionais. Por isso, achamos que têm um valor significativo para a Visa fornecer isso isso aos nossos clientes”, afirmou Sheffield.

Já há 25 provedores de carteiras de criptomoedas no programa Fast Track e todos podem agora fazer testes com a integração com a USDC.

A empresa estima que sejam feitos U$120 trilhões de pagamentos em cheques e de forma instantânea no mundo a um custo de até US$ 50. Usando a USDC, a transação dura 20 segundos e pode sair quase de graça, disse Sheffield.


Maior banco da Rússia vai lançar serviço de compra de ativos digitais e estuda moeda própria

O Sberbank, maior banco da Rússia e da Europa Central e do Leste, vai lançar uma plataforma blockchain para compra de ativos digitais e estuda a possibilidade de emitir uma moeda digital própria.

O CEO do banco, German Gref, deu essa informação nesta segunda-feira (30), durante o Dia do Investidor do banco, quando foi apresentada a Estratégia de Desenvolvimento 2023, segundo o grupo de jornalismo russo RBC.

O lançamento da plataforma está atrelada à entrada em vigor da lei sobre ativos financeiros digitais. “A partir de 1º de janeiro, com a entrada em vigor da lei, queremos trazer ao mercado nossa nova plataforma de blockchain”, disse Gref.

Moeda própria

Em agosto, o diretor da divisão de negócios internacionais do banco, Sergei Popov, disse que a instituição poderia emitir um token digital indexado às cotações do rublo. O token poderia ser usado para liquidação de transações com outros ativos financeiros digitais.

A Rússia e o Sberbank têm mostrado interesse tanto em blockchain, quanto em criptomoedas. O novo serviço de ativos digitais é mais um dentre os que o banco anunciou recentemente.

O banco anunciou, também em agosto passado, que a partir de setembro, seus clientes corporativos poderiam comprar passagens aéreas por tokens na plataforma blockchain da S7 Airlines.

A plataforma da S7, que é baseada em Hyperledger Fabric, tem , por exemplo, um acordo com o banco Raiffeisenbank, pelo qual, quando os agentes de viagens clientes do banco reservam um bilhete, o sistema manda um pedido ao banco para confirmação de fundos. Se houver, já retira o valor, descontadando a comissão do agente, sem necessidade de garantias ou depósitos bancários. Tudo acontece em segundos, ao invés de dias.

Rublo digital

Mikhail Mishustin, disse que o crescente interesse em criptomoedas levará a mudanças para que essa expansão ocorra de forma organizada, sem riscos. Uma das adequações será no código tributário e no maior reconhecimento dos ativos digitais como bens.

Sobre a moeda digital, a expectativa é de que a Rússia tenha uma em 3 a 7 anos se o país começar o desenvolvimento agora. O fato de não estar à frente nessa corrida, para a Rússia, tem o benefício de não enfrentar os altos riscos financeiros sozinho de um projeto como esse e de poder estudar os desafios que os líderes vão enfrentar.

Zro Bank usa blockchain para melhorar auditoria e transparência para clientes

O Zro Bank, que desde que foi anunciado avisou que operaria com criptomoedas, está usando blockchain também internamente, com uma rede proprietária. O objetivo é dar maior segurança, mais qualidade à auditoria das operações e prover aos clientes informações mais transparentes, diz Marco Carnut, CTO do banco.

Carnut fundou a Coinwise, de soluções em blockchain, mas que como ele mesmo diz, ficou mais conhecida por facilitar pagamentos em criptos. Antes disso, criou a Tempest Security Intelligence, de segurança cibernética, da qual a Embraer adquiriu controle majoritário em julho deste ano.

Carnut é de Belém, mas mora em Recife, cidade do CEO do Zro Bank, Edísio Pereira Neto. Chegaram a estudar juntos, mas nunca se conheceram. Quando se encontraram, descobriram as afinidades em blockchain e criptomoedas e acabaram virando sócios, com a aquisição da Coinwise pela BitBlue, que faz as operações de criptos do banco.

Blockchain no core business

De acordo com Carnut, o banco de dados do Zro Bank é “blockchainizado” e gradualmente o core bancário usará a tecnologia. “Há lotes fechados de tempos em tempos, um bloco referencia outro, o bloco é imutável e conseguimos recuperar o backup de forma íntegra”, disse o CTO ao Blocknews. A rede é proprietária e tem a finalidade de registar as informações necessárias para a contabilidade do banco, completou.

É um projeto puramente interno, diz ele, que queira usar os princípais fundamentais de blockchain de maneira pragmática no cenário do Zro, contabilizando com o mercado tradicional. Assim, a ideia é “diminuir o gap entre os dois mundos.”. Isso não é tarefa fácil, tanto que Carnut diz que ainda está no começo do que quer aplicar.

Ele afirma que a filosofia tradicional do mundo de finanças é a de que primeiro vem a transação e depois a auditoria. No blockchain “raiz”, como o do bitcoin, a auditoria vem antes da transação. “O sucesso da transação é condicionado ao sucesso da auditoria.”

Blockchain nas contas e transferências

O segundo uso de blockchain está na integração das plataformas públicas das criptomoedas. Isso já começou começou com bitcoin e vai se expandir para as outras moedas que o banco vai oferecer, como a Ether. O banco tem nós nativos em cada uma das criptomoedas.

O terceiro uso será no câmbio para as transferências internacionais. Nesse caso, a plataforma que será usada é a Ripple, que surgiu no mercado para concorrer com a Swift, sistema usado pelos bancos, que muitas vezes a criticam por ser demorada, cara e com falhas de entregas.

“Queremos se o primeiro e mais bem sucedido banco que tem cripto numa linguagem moderna, do século XXI, com transferências via chat e assim, mostrar que cripto é ‘cidadã’ de primeira classe”, disse o CTO.

Blockchain hoje para colher no futuro

“Um dos desafios sérios que temos é que o resto do mundo não é blockchain. Os parceiros bancários voltam no tempo e fazem correção no registro datado no passado. Eu não posso voltar ao passado, por isso registro no futuro, dizendo que se refere a transação passada. Isso dá uma ‘trabalheira’, mas dá um tremendo conforto, porque tenho zero problema com auditoria e controladoria”, afirmou.

O que o ZroBank afirma é estar se preparando para atender a uma demanda da geração Z, que é seu foco (ver entrevista com o CEO). Muito pouco usuário entende e faz questão de blockchain, diz Carnut.

“Mas, é uma coisa que estamos plantando, por isso vamos colher o fruto disso daqui a vários anos. Como somos pequenos, queremos fazer isso. Se não pensarmos em blocos na estrutura central do banco agora, podemos virar algo igual a todos os outros”, completou.

“Os bancos estão tentando fazer isso em laboratório e em mainframes. Mas até onde eu sei, não conseguiram colocar no core banking. Eles têm crises culturais”, disse o CTO.

Segundo ele, o benefício vai transparecer quando publicarem o ledger (registro), por exemplo, num recibo verificável, em que o cliente poder ver se uma transação foi mesmo feita.

Revolução de gerações

“A revolução das criptos é geracional. Queremos aumentar o número de pessoas que usam cripto, que hoje são menos de 1% da população mundial e um percentual menor ainda no Brasil”, afirma Carnut. A ideia é chegar a até 10%, o que as corretoras tradicionais não conseguem porque não entendem o que os usuários querem e precisam.

Conseguimos criar algo que o usuário leigo consegue operar e queremos ser o primeiro e mais bem sucedido banco que tem cripto numa linguagem moderna, do século XXI, com transferências via chat, afirmou Carnut.

Cozinha das instituições financeiras é desorganizada, diz CEO do Zro Bank, que usa blockchain em três frentes

Por trás do primeiro chat bank da América Latina, que teve 30 mil downloads do seu aplicativo no primeiro mês de lançamento, está o uso de blockchain em três frentes: dados internos para controladoria, integração com plataformas de moedas criptografadas e transferências internacionais de dinheiro. É assim que o quer ser um exemplo global de transformação do setor financeiro.

“As companhias movimentam bilhões de dólares, mas a cozinha do mercado financeiro é desorganizada e não é integrada. A tecnologia blockchain vem justamente para suprir isso, integrar e ser transparente para os clientes”, disse em entrevista exclusiva ao Blocknews o CEO e um dos fundadores do banco, Edísio Pereira Neto.

O responsável pela área de tecnologia do banco é Marco Carnut, CTO, que criou a Coinwise, empresa que ficou conhecida por permitir pagamentos em criptos (ver matéria com o CTO).

O executivo teve contato com blockchain em 2016, numa viagem aos Estados Unidos. Lá, andou pelo Silicon Valley, visitou empresas como o Google, percebeu questões como a importância da diversidade dos funcionários para quem quer ser global, como o Zro quer ser.

E isso, associado à sua percepção de que seu segmento de câmbio corria risco de ser dragado por empresas de tecnologia no futuro, percebeu que era hora de começar a matar seu próprio negócio.

O ideal é balanço em blockchain

Pereira começou a empreender aos 16 anos, quando teve sua primeira casa de câmbio. Passados alguns anos, vendeu sua rede, que chegou a 15 pontos, para o Grupo B&T, a maior do país e um de seus parceiros de negócios. Se tornou sócio e diretor.

Hoje, aos 32 anos, está pivotando o braço de câmbio, que ainda existe, para um negócio com pretensões de ser global, com carteira e transferências em moedas fiat e criptomoedas.

“Porque toda instituição financeira tem tanto problema de conciliação, de balanço, se tem blockchain que permite ter dados abertos? O mundo ideal é consultar o balanço online (em tempo real). Então, o Zro Bank é só o primeiro passo do que vai acontecer com o mercado financeiro e outros mercados. A gente ainda sofre um pouco porque não pode fazer algo que vai ser feito em 10 anos.”

Início escalonado dos serviços

Sim, a ideia é permitir que os clientes do banco acessem o balanço em tempo real no futuro por meio de blockchain. Não é à toa que o Zro se apresenta como um banco transparente. Isso será possível quando toda a operação em reais estiver refletida em blockchain.

O Zro Bank, que faz parte do B&T, quer ser banco, carteira digital e exchange numa única plataforma. Para isso, já colocou em funcionamento a conta corrente em reais e bitcoin e as operações de chatbank, pagamento de contas, geração de boletos e transferências bancárias, sem tarifas.

Agora em dezembro, prevê iniciar as operações com Pix. Em janeiro devem começar as transferências internacionais, inclusive em criptos. E até março de 2021, o banco prevê oferecer cartão de crédito com cashback em cripto e conta em dólar e euro. O cartão de débito deverá fazer a conversão de real para cripto e vice-versa e o cliente escolhe de onde vai pegar o dinheiro para pagar uma conta, se da conta em fiat ou cripto.

Tem FGC?

Segundo Edísio, umas das principais perguntas que recebe é se a conta no Zro Bank é coberta pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O FGC é um grupo de bancos que cobrem até R$ 250 mil de um investidor num grupo financeiro. “Os clientes ficam preocupados com quem está o dinheiro, mas não onde ele está. No bitcoin, você pode saber se uma exchange tem as moedas”, responde.

Os clientes foco são usuários de criptomoedas, pessoas que querem fazer pagamentos internacionais ou proteger patrimônio com euro, dólar e ouro, como imigrantes, turistas, desbancarizados e clientes locais mas de outros mercados, que querem mandar dinheiro para ao Brasil.

Para a geração Z, que quer o novo

Por isso, o Zro é um projeto especialmente para a geração Z, nascida entre 1995 e 2010 com um celular na mão e que começa a sair da faculdade, ou seja, que começa a entrar no mercado de trabalho. A ideia é que esses clientes façam tudo em três cliques.

Esse grupo é estimado em 20% da população mundial. Segundo estudo da McKinsey com a agência Box1824, são jovens que querem a verdade, liberdade, são inclusivos, abertos ao diálogo, gostam do novo, conectados e aderem a causas que querem transformar o mundo num lugar melhor.

Para esse mercado, blockchain pode cair como uma luva, visto que a ideia do Zro Bank é dar aos clientes opções em criptos, uma novidade, e serviços como recibos que mostrem a operação feita e não apenas confirmem a operação.

Sensação do que é instantâneo

O banco vive então em dois mundos, já que o mercado ainda não está preparado para tudo em blockchain”, diz Pereira. “Queria muito que fosse “clicou, chegou, com operações peer-to-peer (P2P), mas ainda não posso, porque não há instruções normativas para isso. Porém, consigo fazer isso em bitcoin e stablecoins. Estamos dando a sensação do que é instantâneo”.

Segundo ele, um dos maiores desafios de projeto, que consumiu R$ 7 milhões dos sócios, é trazer para o time profissionais que entendam de blockchain. Por isso, a BitBlue, exchange do B&T e que é a plataforma de cripto para o Zro Bank, acabou comprando a Coinwise, carteira de criptos, e seu fundador, Marco Canut, se tornou CTO do Zro.

Não vale só o “checão”

Agora, o banco negocia a entrada de um sócio investidor, que poderá aportar cerca de R$ 20 milhões. É a primeira rodada fora do grupo dos fundadores e a intenção é que seja “smart money”, ou seja, que o sócio agregue expertise ao negócio. O nome pode ser divulgado no primeiro trimestre.

“As fintechs adoram falar que vão acabar com grandes bancos, mas a maioria gosta de ver um cheque grande para abraçar. Não adianta pagar milhões e engessar nosso negócio”, diz o CEO do Zro Bank.

Esse dinheiro será usado, por exemplo, para a internacionalização. “Quero ter opção de dólar e euro com onboarding de qualquer lugar. O Zro foi construído para isso.”

VMware, empresa da Dell, lança comercialmente plataforma blockchain para finanças

A VMware, empresa de cloud da Dell, anunciou o lançamento comercial da VMware Blockchain, plataforma para empresas, em especial as do setor financeiro. A soluçou começou a ser desenvolvida há dois anos no projeto chamado Concord. Com isso, se junta a um mercado onde já concorrerem fornecedores como IBM e R3 – que também têm uma parceria.

“Temos focado na construção de uma plataforma que entregue as aplicações que a indústria financeira demanda e outros serviços críticos distribuídos que necessitam de segurança e alta performance”, disse Brendon Howe, vice-presidente e gerente geral da VMware,

A plataforma usa o mecanismo de consenso próprio Scalable Byzantine Fault Tolerance (SBFT). Segundo a VMware, o mecanismo permite continuar uma operação – e de forma segura – para se chegar a um consenso caso não haja acordo entre os participantes ou haja algum tipo de fraude no momento de se validar uma transação. Para isso, uma das saídas foi criar um protocolo de consenso com comunicação linear, enquanto outras BFT usam a comunicação quadrática.

A VMware disse ainda que a solução tem uma arquitetura em camadas que descola o registro do “livro-razão” da linguagem do contrato inteligente. A linguagem do contrato é a DAML, criada pela Digital Asset e que dá privacidade entre os participantes. Mas, segundo a empresa, é possível o uso de outras linguagens. Uma outra parceira do projeto é a Accenture.

A plataforma já foi testada em instituições financeiras. Um dos clientes é a Bolsa de Valores da Austrália (ASX), uma das 10 maiores do mundo. Outro cliente é a Broadridge Financial Solutions, que usa a plataforma para acordos de recompra de ativos.

A VMWare foi criada em 1998 e é bilionária, com receita anual de US$ 10,6 bilhões. Com sua plataforma, reforça que quer fincar pé em blockchain para negócios, já que seu CEO, Pat Gelsinger, fez declarações criticando a bitcoin.  

Novo estudo do BIS sobre fintechs na AL aponta gargalo na regulamentação

As fintechs da América Latina ganharam muito espaço oferecendo serviços de pagamentos e de finanças alternativas, mas, com exceção do México, sofrem com falta de regulamentação apropriada. Essa é a conclusão do estudo The dawn of fintech in Latin America: landscape, prospects and challenges, do Banco de Compensações Internacionais (o banco central dos bancos centrais, BIS, na sigla em inglês).

A reportagem completa sobre o estudo está no Fintechsbrasil.com.br, site parceiro do Blocknews.

Para Bradesco, blockchain faz sentido em pagamentos internacionais

“No nosso cenário, blockchain faz sentido nos pagamentos internacionais”. É o que disse, ontem (27), o especialista na solução do departamento de pesquisa e inovação do Bradesco, George Marcel Smetana,  durante a sessão “Challenges to implement blockchain in Brazil”, do Blockchain Revolution Global (BRG) 2020, que acontece nesta semana O evento é realizado pelo Blockchain Research Institute (BRI) e a sessão foi organizada pelo BRI Brasil.

O banco está experimentando a tecnologia para essas transações – já anunciou testes de operações entre Brasil e Japão usando a plataforma Ripple, executando as transferências em segundos -, em trade finance – faz parte da rede global Marco Polo – e está pesquisando o uso em áreas como a de mercado de capitais, seguros e processos de garantias.

Smetana lembra que as transações intrabancárias (entre contas do banco) já são instantâneas e a custo zero, “então não tem porque substituir”. No interbancário, “o Pix resolve de forma sensacional”. A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) chegou a sugerir o uso de blockchain ao Banco Central (BC) para o novo sistema de pagamento instantâneo e no início parecia que seria isso mesmo. Mas o BC avaliou que a tecnologia era muito nova e havia dúvidas sobre sua capacidade de realizar, com rapidez, a demanda de transações instantâneas que o sistema exige.

Já os pagamentos internacionais são bastante complexos, afirmou. As transações internacionais envolvem várias partes, podem ser entre bancos diferentes, que não têm histórico de relacionamento e cada um pode ter um KYC (know your customer, métodos para verificar identidade do cliente em operações financeiras), para citar algumas das complexidades.

Informações em planilha e por email

“Temos contratos de grandes valores em que o ser humano ainda é a integração entre dois sistemas. A pessoa pega de um sistema e copia para o outro ou manda uma planilha por email, e aí sai de férias”, exemplificou Smetana sobre a possibilidade de uso de blockchain para registro e compartilhamento de dados de forma mais confiável e eficiente.

Ele lembra que há outras tecnologias que podem ser usadas, como RPA (Automação de Processos Robóticos), mas blockchain tem se mostrado apropriada em diversos desafios. “É uma solução muito interessante e temos que entender a sua complexidade.  Ao mesmo tempo, não é para todos os problemas da humanidade”.

“Muito se fala em API (Interface de Programação de Aplicativos), mas na API você é chamado e muitas vezes eu quero chamar os outros, quero passar uma informação para uma empresa e vice-versa. Blockchain é mais uma ferramenta para essa integração de sistemas heterógenos.”

O Bradesco tem estudado os casos em que blockchain é a melhor solução possível ou que pareça viável e que precisa ser analisada. E faz isso interagindo com empresas de todos os tamanhos, inclusive concorrentes, como é o caso na Febraban. Essa interação exige uma cooperação que é exatamente um dos melhores pontos da tecnologia: colocar os participantes de uma cadeia ou de um setor juntos, para definir regras que atendam a todos.

O painel foi moderado pelo presidente da Câmara de Comércio Brasil-Canadá, Paulo Perrotti, e teve também a participação de Raul Siqueira, controlador-geral do estado do Paraná, Daniel Fisman, analista sênior da Vale, Felipe Chobanian, co-fundador e CEO da BBChain, de Carl Amorim, executivo do BRI Brasil e desta editora do Blocknews.

Mais sobre blockchain no Bradesco e sobre o Blockchain Revolution Global em:

Bradesco testa blockchain em 5 áreas, de trade finance a seguros

Governança continua um dos maiores desafios de projetos com blockchain

Vale adotou blockchain para evitar perda de informações e de dinheiro

De 400 instituições financeiras tradicionais da Europa, 86% avaliam ou já usam DeFi

Serviços financeiros descentralizados, os DeFi, não são mais coisa do mundo blockchain e das moedas criptografadas. Boa parte das seguradoras, bancos e tradings das finanças tradicionais da Europa está implementando ou avaliando esses aplicativos de forma significativa.

Mais precisamente, estão nesse grupo 86% de 400 instituições financeiras tradicionais europeias entrevistadas no estudo “The Sudden Rise of Defi” da BCG Platinion (braço do Boston Consulting Group) e da corretora Crypto.com.

Não é à toa que esse segmento chame a atenção do setor tradicional. Há US$ 12 bilhões alocados nesses DeFis, segundo estimativa do DeFi Pulse, que diz que eram US$ 3,7 bilhões em 25 de julho de 2020.

Das empresas entrevistadas, 67% acham que com DeFis, abrirão canais de receita. E 70%, está de olho no segmento apesar de temer riscos de segurança, já que precisam confiar nos contratos inteligentes, ao invés de custodiantes e servidores centralizados. Tanto que 60% se preocupa com a falta de regulação e mecanismos de recuperação de seus recursos.

O estudo mostrou ainda que proporcionalmente, as empresas de maior porte são as que mais entram em DeFis. Daquelas com receita acima de 10 bilhões de libras esterlinas (cerca de R$ 73 bilhões), 71% avaliaram ou implementaram esses serviços. E 58% acham que perderão vantagem competitiva se ignorarem as soluções DeFi.

O motivo é que esses projetos precisam de um nível adequado de investimentos para garantir benefícios para quem está entre os primeiros a desbravar essa área. As maiores empresas podem bancar o projeto e conviver melhor com o risco do que as de menor porte.

Em 42% dos casos, as empresas estão trocando suas soluções para DeFi em serviços de gerenciamento de ativos e 38% para tornar os serviços de pagamento mais rápidos e seguros. Há quem espera reduzir seus custos. Isso apesar de operadores do segmento de criptomoedas apontaram os custos altos de uso da rede Ethereum, onde as operações de DeFi acontecem, como barreira para a expansão dos aplicativos.

Boa parte desse movimento deve vir do medo: 58% das empresas disseram temer perder vantagem competitiva se ignorarem esses aplicativos.

Daqueles implementando serviços financeiros descentralizados, 35% fazem parte de um consórcio, plataforma, aplicação ou serviço existentes, 24% estão desenvolvendo suas soluções e 22% vão se juntar a competidores porque o ecossistema atual não é compatível com suas demandas.

Mais sobre DeFis em:

Custo e falta de regras são gargalos para expansão de produtos financeiros em blockchain

R3 e Mphasis fazem parceria para serviços de pagamentos e cadeias de suprimentos

A R3 e a Mphasis, provedora de soluções em cloud e serviços cognitivos, anunciaram, hoje (20), uma parceria focada em soluções de pagamento usando a tecnologia de registro distribuído (DLT).

O objetivo da parceria é acelerar a operação da ALTATM, um ecossistema de pagamentos digitais e cadeia de suprimentos criada pela Mphasis para conectar empresas globais, suas cadeias, serviços financeiros, como câmbio, e provedores de infraestrutura numa rede global de comércio exterior.

A solução usará a plataforma Corda da R3. Em seu site, a Mphasis afirma que trabalha com blockchain desde 2016 por meio de parcerias para oferecer design, desenvolvimento e operação de plataformas e aplicações.

Pequenas e médias empresas

A plataforma poderá ser usada também por empresas de médio e pequeno porte, o que dever facilitar o acesso a instituições financeiras, por exemplo. “A parceria vai permitir acelerar o co-desenvolvimento e a busca de mercado na plataforma Corda”, disse Srikumar Ramanathan, vice-presidente sênior da Mphasis

A R3 começou como um consórcio dos bancos que buscavam entender, e depois aplicar, DLT de forma segura para transações. AS solução da R3 busca garantir não apenas segurança às operações, mas privacidade dos dados, com cada membro decidindo quem verá cada informação.

Contour, plataforma de bancos para cartas de crédito, entra em produção

A Contour, rede blockchain de bancos para emissão de cartas de crédito para comércio exterior, anunciou que entrou na fase de produção e adicionou novos serviços à plataforma.

Em setembro passado, a Vale informou que usou a Contour para uma exportação de minério de ferro.

Os membros da rede que usaram a versão Beta conseguiram reduzir o tempo de processamento das cartas em até 90%, de uma média que em geral é de 24 horas a 10 dias depois que o documento é apresentado, segundo o CEO da Contour, Carl Wegner.

As melhorias da plataforma incluem a realização simultânea de emendas pelos participantes, a troca de documentos de até 10MB e novos dispositivos de administração e de segurança dos dados.

14 pilotos em 14 países

Redes como a Contour, de bancos, costumam ressaltar a segurança e privacidade do manuseio dos dados, uma exigência ainda maior dessas instituições.

A Contour inclui bancos como HSBC, ING Paribas e Standard Bank e começou a ser desenhada há 3 anos por 8 deles. Um total de 14 pilotos foram colocados no ar em 14 países até agora e muitos outros “nos bastidores” desde 2018, segundo a R3, que fornece sua plataforma Corda para o projeto.

A ideia é unir na rede bancos, empresas exportadoras e de logística. Em janeiro deste ano, a empresa passou de um projeto para uma empresa, registrada em Singapura.

Sobre uso da Contour pela Vale, leia em Vale poderá testar mais plataformas no futuro; Corda foi usada na emissão de carta de crédito

Mais sobre a Contour em:

Citibank adere à Contour, rede de bancos que usam blockchain em comércio exterior