Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Itaú se junta a bancos da Austrália, Canadá e Reino Unido em plataforma para crédito de carbono

Itaú Unibanco, o Banco Nacional da Austrália, o banco britânico NatWest Group e o canadense CIBC anunciaram, hoje (7), que em agosto vão lançar o Projeto Carbono, um piloto de um marketplace voluntário de crédito de carbono. Como o objetivo é ser uma plataforma global compensação de carbono “com preços claros e consistentes”, vai usar blockchain. Neste caso, será Ethereum a Consensys é a desenvolvedora.

Assim, a plataforma buscará resolver um sério problema do mercado de carbono, que é exatamente essa falta de transparência nas negociações. Além de problemas de venda do mesmo crédito mais de uma vez e preços sem exatamente um padrão. E se junta a um grupo de outros projetos ligados a crédito de carbono e blockchain, como o da Moss.

Com o aumento da pressão de consumidores e investidores por projetos ligados a compensação de carbono, faz sentido os bancos criarem esse marketplace. E a ideia é que não apenas as quatro instituições façam parte da plataforma, mas que outras instituições se juntem ao projeto ao longo do tempo.

“Como instituição financeira, trabalhamos com todos os setores da economia, sendo protagonistas do combate à mudança climática. Os mercados voluntários de carbono complementam os esforços de redução de emissões de carbono em nível global, para alimentar uma economia de baixo carbono”, disse Maluhy.

De acordo com o comunicado, a plataforma vai representar o livro de registro de propriedade de créditos de carbono. Portanto, quem tem créditos vai poder mostrar com clareza o que tem ao mercado e reduzir o risco de dupla contagem. Além disso, as quantidades e preços das transações serão abertos aos mercado.

Itaú quer aumentar qualidade de projetos de crédito de carbono

Um dos efeitos disso é a rastreabilidade das transações e, segundo os bancos, um aumento da base de clientes interessados nos créditos. A plataforma fará, ainda, a liquidação pós-trade, ou seja, os participantes do mercado, inclusive bolsas e marketplaces, ofereçam valor de serviços adicionais.

O projeto do Itaú vai permitir, portanto, um aumento de projetos de qualidade para compensação de carbono e um mercado de crédito com liquidez. Além de criar um ecossistema forte para apoiar o mercado de compensações e desenvolver ferramentas para ajudar os clientes a gerenciar riscos climáticos.

“Estamos ajudando nossos clientes a encontrar soluções para fazerem a transição para serem neutros em carbono até 2050. O Projeto Carbono é um ótimo exemplo de como tecnologias como blockchain podem resolver barreiras e tornar a compensação de carbono mais acessível para nossos cilentes”, diz o comunicado conjunto dos CEOs.

O projeto está alinhado com a Força Tarefa para Escalagem dos Mercados de Carbono Voluntários (TSVCM, na sigla em inglês), criada por Mark Carney, enviado especial da ONU para Ação e Finanças Climáticas.

JPMorgan compra 40% do C6 Bank e entra no varejo digital brasileiro

O JPMorgan Chase, maior banco do hemisfério ocidental, comprou 40% do C6 Bank. Com isso, a instituição financeira entra no setor de varejo no Brasil. E não apenas isso, entra no varejo digital, segmento que cresce a passos largos no país.

Os bancos não divulgaram o valor da transação. Em dezembro de 2021, quando o C6 recebeu um novo aporte de R$ 1,3 bilhão, foi avaliado em R$ 11,3 bilhões.

“Vamos apoiar a aceleração do crescimento do banco em sua ambição de se tornar um líder em serviços financeiros no Brasil”, disse Sanoke Viswanathan, CEO de Varejo Internacional do JPMorgan Chase. De acordo com o executivo, o C6 Bank, que funciona como marketplace, tem uma “plataforma impressionante de produtos e serviços”.

“É um divisor de águas”, disse Marcelo Kalim, CEO e co-fundador do C6 Bank. “Essa parceria estratégica nos permite ganhar ainda mais escala no nosso negócio.”

O JP está no Brasil há 60 anos. Aqui, opera como banco de investimentos, finanças corporativas, pagamentos de atacado, private banking e gestor de recursos. No varejo, opera nos EUA, onde tem mais de 55 milhões de clientes ativos no digital, de acordo com o comunicado das instituições.

Já o C6 Bank é um dos bancos digitais de maior destaque do país. Tem 7 milhões de clientes e opera como um marketplace de produtos e serviços financeiros. Tem conta multimoeda, cartões de débito e crédito, programa de fidelidade, plataforma de investimento e crédito para pessoas físicas e jurídicas.

Segundo relatório da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), os brasileiros estão cada vez mais digitais no serviços financeiros. Mais de 60% das transações bancárias no Brasil são feitas por plataformas digitais e esse movimento só cresce.

“Estamos entusiasmados para usar nossas competências globais e a expertise do JPMorgan Chase para acelerar o crescimento do C6 Bank”, afirmou Daniel Darahem, responsável pelo JP Morgan Chase no Brasil.

Blockchain e criptoativos

O JP Morgan Chase é um dos bancos que mais apostam em blockchain no mundo. Isso porque já realizou diversos investimentos em startups que usam a tecnologia. Além de ter criado uma plataforma própria a Quorum, que vendeu para a Consensys.

Também criou uma rede de transferência de informações de movimentação de recursos entre instituições financeiras, a Liink. E tem sua moeda estável (stablecoin), a JPM Coin, que tem relação 1 por 1 com o dólar. Do que o diretor-executivo do banco, Jamie Dimon, não gosta, é de bitcoin e outras criptomoedas.

Quanto a blockchain no C6, há dois anos um profissional de segurança cibernética do banco afirmou a esta jornalista que a instituição não gostava da tecnologia e não tinha intenções de usá-la.

Mas, seguindo a onda do mercado, em maio passado a fintech anunciou que passaria a oferecer dois fundos de investimentos em criptomoedas da Hashdex.

Citi é mais um dos grandes bancos dos EUA a entrar em criptomoedas

A área de gestão de fortunas do Citigroup acaba de formar o Grupo de Ativos Digitais. “Dados os novos e animadores crescimentos que estamos vendo em criptomoedas, tokenização e outras avanços com o suporte de blockchain, estamos felizes de anunciar a formação do grupo.”

A afirmação está num comunicado interno do banco. Portanto, o Citi se junta a outros grandes bancos dos Estados Unidos que passaram a atuar com criptomoedas. O Morgan Stanley foi o primeiro.

Assim como ele, o Goldman Sachs também passou a oferecer produtos relacionados a criptomoedas para seus clientes da área de gestão de fortunas. Os bancos costumam recomendar investimento de até 2%-3% do portfolio em critptos.

Já o BNY Mellon decidiu oferecer a custódia de criptomoedas, enquanto JP Morgan investiu numa plataforma e serviço blockchain, a Quorum. Mas, vendeu a plataforma para a Consensys. Além disso, o JP criou uma moeda estável.

Citi escolhe dois executivos do banco para cuidar de criptomoedas

Em maio passado o Citi já havia revelado que estava estudando entrar no segmento de criptoativos. O Citi enviou a comunicação interna sobre a nova divisão de criptomoedas para os sites internacionais The Block, Bloomberg e Coindesk.

Os líderes da nova área serão Alex Kriete e Greg Girasole. A função deles será a de desenvolver produtos e “trabalhar com nossos parceiros, com o mercado de capitais e com a área de gerenciamento de investimentos do Citi para desenvolver um proposta de valor robusta e escalável”. É o que diz o comunicado.

O Citi escolheu dois executivos de dentro do banco para cuidarem da nova área de criptomoedas. Kriete está há 10 ano no Citi. No entanto, ele continua na função anterior de vice-presidente sênior, conselheiro de investimentos do Citi Private Bank, segundo seu perfil no LinkedIn.

Já Girasole, além de co-líder da nova área de ativos digitais, continua como vice-presidente-sênior, gestor de portfolio, do Citi, de acordo com o perfil no Linkedin.

Visa e PayPal entram em fundo de US$ 300 milhões do Blockchain Capital

O Blockchain Capital, primeiro venture capital com foco exclusivo em blockchain, atraiu Visa e PayPal para seu novo fundo. O fundo Blockchain Capita V é de US$ 300 milhões (cerca de R$ 1,8 bilhão).

Com isso, as Visa e PayPal reforçam seus investimentos em blockchain seja em ações próprias ou como agora, numa ação de terceiro. Mas, as empresas não revelaram quanto aportaram no fundo.

“Estamos comprometidos com o crescimento de um ecossistema que faça as moedas digitais serem mais acessíveis, úteis e seguras”, disse Jose Fernandez da Ponte, vice-presidente e diretor geral de blockchain, cripto e moedas digitais do PayPal.

De acordo com o executivo, com o aporte, empresa poderá ter acesso a empreendedores da economia descentralizada. Além de empresas da nova onda dos serviços financeiros.

“Nosso foco é em desenvolver todas as formas de movimento de dinheiro, seja na rede Visa ou além”, afirmou Vasant Prabhu, CFO da Visa. Com o fundo, a empresa quer ajudar a influenciar o papel das moedas digitais no futuro.

O Blockchain Capital V tem também investidores como fundos de pensão e family offices e são de várias partes do mundo, de acordo com a empresa.

Dentre as suas investidas estão, por exemplo, a Coinbase, a maior bolsa de criptomoedas dos Estados Unidos (EUA), a Dien, a “moeda do Facebook”, a OpenSea, plataforma de tokens não-fungíveis (NFTs) e a Aave, de finanças descentralizadas.

Ao todo, fez mais de 110 investimentos no ecossistema. Isso inclui empresas, protocolos e criptoativos.

Itaú diz que para antecipar tendência, lança fundo em blockchain e COE para ação da Coinbase

Depois de mostrar muita animação com o ETF da Hashdex, o Hash11, o Itaú lançou dois produtos com foco em blockchain e criptomoedas. O maior banco privado do país indica, portanto, que pelo menos o preconceito com os produtos está caindo por terra. E mais: nos resumos comerciais diz que está buscando “antecipar tendência”.

O Itaú ainda está entre os bancos que não aceitam contas de empresas criptomoedas, uma disputa que está no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Mas, um dos produtos que lançou é o Itaú Index Blockchain Ações FX IE. O fundo está aberto desde o último 31 de maio.

Segundo o resumo comercial para clientes do Itaú Personnalitè, trata-se de um fundo global que busca investir em empresas que adotam a tecnologia blockchain. Portanto, pode incluir criptomoedas.

A carteira contempla cerca de 50 ativos distribuídos nos setores de tecnologia, financeiro, consumos, insumos básicos e comunicação. Além de serem de empresas de mais de 20 países, em especial dos Estados Unidos (EUA) e Japão.

De acordo com o Itaú, o fundo é de alto risco e para investidores qualificados. Os mercados que o fundo abarca são os de câmbio, ações e títulos públicos. A aplicação inicial é de R$ 1,00, ou seja, um investimento muito acessível. A taxa de administração é de 0,8% ao ano não á taxa de desempenho.

Itaú diz que investidor deve ter até 3% do patrimônio em criptomoedas

Quando se tornou um dos distribuidores do Hash11, o banco captou mais de R$ 100 milhões para a operação. As contínuas propagandas sobre o ETF depois do lançamento e a discussão sobre criptomoedas em seu canal no YouTube eram indicativos da animação que o desempenho do Hash11 gerou.

O banco toma o cuidado de dizer que criptomoedas não são para todos os tipos de investidores. São apenas para quem quer correr risco. E o investidor deve limitar esse risco de 1% a 3% do patrimônio, conforme seu perfil. E que não acham que devem estar na carteira recomendada.

Já o outro produto que o banco colocou no mercado foi um Certificado de Operações Estruturadas (COE). Esse COE permite investir na maior corretora de criptoativos dos EUA, a Coinbase, que também esta na Nasdaq. A captação do COE fechou nesta quinta-feira (18). O prazo de investimento é de 3,5 anos.

Nesse investimento, quem aplicar no COE ganha 100% do que investiu se a ação subir num percentual que o banco vai definir entre 80% e 100% ou se subir acima desse. O banco vai definir o percentual da banda de 80% a 100% nesta sexta-feira (18). Se a ação cair, com base na cotação também de sexta-feira, o investidor leva o que colocou no COE ao final de 3,5 anos.