Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Citigroup em criptomoedas e oferta de derivativo de bitcoin pelo Goldman Sachs

Citigroup em criptomoedas. O banco é mais um dos grandes nos Estados Unidos (EUA) que avalia atuar no segmento ou que já atua. O Goldman Sachs, começou a oferecer Contrato a Termo de Moeda, no caso bitcoin, sem Entrega Fisica (NDF), um derivativo.

Todos os bancos dão o mesmo motivo para ativarem ou reativarem seus negócios com criptomoedas, ou seja, o interesse dos clientes. Até no Brasil os bancos que vendem o ETF da Hashdex falam isso.

De acordo com Itay Tuchman, responsável pelas operações globais de câmbio do Citi, “há diferentes opções e estamos considerando com quais podemos servir melhor os clientes”. O interesse do Citigroup em criptomoedas foi comentado pelo executivo ao  Financial Times.

Mas, afirmou que não será uma plataforma proprietária. O Goldman, por exemplo, fez parceria com a Cumberland DRW para oferecer os contratos futuros. A negociação desses contratos é na bolsa de Chicago. Em março o banco decidiu reabri sua mesa de negociações de criptomoedas.

Além do Citigroup em criptomoedas e do Goldman, quem já abraçou a causa dos criptoativos é o Morgan Stanley, o primeiro a oferecer investimentos em bitcoin. O espanhol BBVA e o DBS Bank de Cingapura. Já o BNY Mellon faz custódia. Cada banco está buscando seu espaço.

Já o Société Générale não está em criptomoedas. Mas registra todos os seus comunicados de imprensa em blockchain desde novembro de 2020.

ETF de criptomoedas da Hashdex fechou primeiro dia na B3 com alta de 12,26%

O ETF de criptomoedas da Hashdax, o HASH11, fechou seu primeiro dia de negociação na B3, nesta segunda-feira (26), com alta de 12,26% e movimento de R$ 156 milhões. A cota começou negociada a R$ 47,20, chegou a um pico de R$ 56,70 e fechou em R$ 53,10.

O Hash11 levantou R$ 615 milhões para o lançamento. Hoje, foi o segundo maior ETF em número de trades e o terceiro maior em volume de negociação. A partir das cerca de 13h30, a cotação começou a subir, bateu no pico e depois recuou. Ao ser relacionado às cotações de seis criptomoedas, em especial do bitcoin, o desempenho foi similar ao da moeda de Satoshi Nakamoto.

O ETF de criptomoedas é um conforto para o investidor, diz o CEO da Hashdex, Marcelo Sampaio. De acordo com Evandro Pereira, CFO da Genial, “como esperado, houve um fluxo grande de compra de clientes de corretoras que não participaram da oferta”. Segundo ele, isso ajudou a valorizar as cotas. A Genial foi a coordenadora líder da oferta.

O ETF de criptomoedas é um dos 10 maiores ETFs de renda variável listados na B3 e como o quinto com mais investidores, com cerca de 28 mil CPFs e institucionais.

O ETF segue o Nasdaq Crypto Index (NCI), desenvolvido pela Hashdex e Nasdaq. As seis criptomoedas que fazem parte são bitcoin, ethereum, stellar, litecoin, bitcoin cash e chainlink.  A cesta de ativos é rebalanceada trimestralmente.

Investimento no ETF da Hashdex pode ficar em cerca de R$ 600 milhões; institucionais aderiram

As reservas de cotas do ETF da Hashdex, o Hashdex Nasdaq Crypto Index Fundo de Índice, o primeiro de criptomoedas do Brasil, devem atingir cerca de R$ 600 milhões. O fechamento deverá ser finalizado nesta noite.

Dessa forma, ficou dentro da expectativa do mercado e superou o piso inicial indicado pelos coordenadores da operação, de R$ 250 milhões. As reservas se encerraram hoje (20).

Como o Blocknews antecipou ontem (19) com exclusividade, até sexta-feira (16) o valor arrecado pelo ETF da Hashdex era de R$ 450 milhões. Mas o número ainda não considerava o que os clientes do Banco do Brasil poderiam aportar.

Nasdaq Crypto Index Performance
Aumento do preço do bitcoin puxou índice para cima.

Cerca de 90% dos investidores apurados são do varejo, com 30 mil CPFs cadastrados. Já o ticket médio foi de em torno R$ 20 mil. No entanto, investidores institucionais também entraram na oferta.

Aliás, alguns ainda definiam, no início desta noite, se investiriam no ETF da Hashdex, que tem o código de HASH 11. Esses investidores institucionais são fundos locais.

A negociação do ETF HASH 11 começa na próxima segunda-feira (26). O índice que o fundo segue foi desenvolvido pela Nasdaq e pela Hashdex e será rebalanceado a cada três meses. Atualmente, a composição é:

Bitcoin (BTC)78.61%
Ethereum (ETH)16.86%
Litecoin (LTC)1.58%
Bitcoin Cash (BCH)1.03%
Chainlink (LINK)1.27%
Stellar Lumens (XLM)0.65%
Composição do índice de criptomoedas que o ETF da Hashdex segue.

Desde sua criação, o índice cresce, acompanhando o mercado de criptomoedas e, principalmente, o valor do bitcoin.

ETF da Hashdex teve R$ 450 milhões de reservas de investidores

Até a última sexta-feira (16), as reservas de investidores interessados no ETF da Hashdex, fundo Hashdex Nasdaq Crypto Index Fundo de Índice (ETF) somaram cerca de R$ 450 milhões. Desse valor, BTG, Genial e Itaú, coordenadores da oferta, responderam, cada um, com em torno de R$ 100 milhões.

As reservas continuaram durante o final de semana e esse valor ainda não inclui o que o Banco do Brasil poderá registrar de interesse de seus clientes. Isso porque começou a ofertar o fundo na sexta-feira. Tanto que os coordenadores da operação mudaram o lançamento do ETF na B3 desta quinta-feira ( 22) para a próxima segunda-feira (26).

O valor mínimo de investimento é de R$ 50. As reservas acontecem até amanhã (20). Analistas de mercado estimam que a captação poderia ficar entre R$ 600 milhões e R$ 700 milhões, numa estimativa otimista.

Os R$ 450 milhões incluem a reserva feitas por 30 mil CPFs. Uma série de bancos e corretoras estão oferecendo o produto, como, por exemplo, o banco Inter e o Safra.

Fundos de índice acompanham, como o nome diz, índices. Pode ser, por exemplo, o Ibovespa da B3. O que eles tentam dar ao investidor é um norte de onde vão aplicar o dinheiro e o que ele poderá seguir em termos de desempenho.

Nasdaq é quem calcula cotas do ETF da Hashdex

No caso do fundo da Hashdex, quem calcula o valor das cotas é a Nasdaq. O índice foi criado em conjunto pelas empresas. O que esse ETF faz é seguir o índice da Nasdaq, que é composto por uma cesta de criptomoedas, incluindo bitcoin.

Além disso, o índice é rebalanceado a cada três meses, para buscar representar melhor o mercado. Isso significa, portanto que o fundo não promete nem muito mais, nem muito menos do que do desempenho desse conjunto de criptos.

A Hashdex fez o primeiro lançamento de um ETF em Bermudas, neste ano, onde testou a criação do produto. O ETF brasileiro estaria sendo gestado há cerca de dois anos.

Os investidores brasileiros não são grandes conhecedores de ETFs, ao contrário do que acontece nos Estados Unidos (EUA), por exemplo. Só a americana BlackRock, maior gestora de recursos do mundo, tem mais de 900 deles espalhados pelo planeta, com US$ 2,67 trilhões. É mais de 25% dos US$ 8,67 trilhões do total de recursos que a empresa administra.

Porém, a decisão de colocar um ETF na B3 veio para tentar dar uma alternativa aos investidores interessados em criptomoedas, mas ainda inseguros. Como não é possível ofertar bitcoin na bolsa, o ETF se mostrou uma saída viável.

Fundo envolve CVM e B3

O fundo tem autorização da Comissao de Valores Mobiliários (CVM) e é negociado em plataforma conhecida, a da bolsa brasileira. Isso pode ajudar a reduzir temores. Além disso, nem todo brasileiro entende e tem vontade de operar numa corretora de criptomoedas.

O ETF tem como vantagens, por exemplo, o fato de ao sair do fundo, o investidor fechar a venda já sabendo o valor que vendeu sua cota. No Hashdax, o pagamento é em dois dias úteis. Nos fundos, a liquidação pode acontecer em prazos bem mais longos e num preço, portanto, incerto.

O lançamento do ETF na B3 é mais um marco do mercado de criptoativos no Brasil. E vem num momento em que o bitcoin não para de subir e atrair investidores, inclusive os institucionais. Porém, bancos como o Itaú sugerem que seus clientes coloquem mais do que 2% de seus investimentos no ETF. Alegam a questão do risco, dada a volatilidade das criptos.

Bancos nos EUA que estão oferecendo fundos em criptomoedas também estão adotando a estratégia de limitar o investimento dos clientes nesses produtos. Além disso, oferecem os produtos a clientes de alta renda. No Itaú, a oferta é similar, divulgada para clientes do Personnalité.

Morgan Stanley confirma que já oferece fundos em bitcoin para clientes

O Morgan Stanley confirmou que já está oferecendo dois fundos com exposição a bitcoin para seus clientes. A confirmação aconteceu na divulgação de seu resultado no primeiro trimestre de 2021.

A oferta acontece por meio de seu braço de gestão de fortunas, afirmou seu CFO, Jonathan Pruzan, segundo o CoinDesk. São, de acordo com ele, dois fundos passivos. “À medida que virmos mais interesse, vamos trabalhar com os reguladores para fornecer serviços que considerarmos apropriados”, completou.

O Morgan Stanley está na linha de frente dos bancos e gestores americanos que começaram a oferecer fundos de criptomoedas a seus clientes. Em geral, para os de grandes fortunas e com limitações de percentual de investimentos.

Monnos lança cartão com cashback

A Monnos lançou, na última quinta-feira (15), um cartão para pagamento em criptomoedas. A bandeira é a Elo e há até 5% de cashback, ou seja, dinheiro de volta em compras pagas com o cartão. Até então, a Monnos era uma corretora e uma carteira digital. Também tem uma moeda, a MNS.

Para o CEO da Monnos, Rodrigo Soeiro, a oferta de cashback no Brasil é uma tendência que ganhará força, em especial com o aumento da inflação, “Diversas empresas, tanto do setor financeiro, quanto do varejo, buscarão incentivar movimentos migratórios, oferecendo essa vantagem ao usuário.”

Hoje, a Monnos é a única corretora do país com um token. Segundo a empresa, a MSN tem 15 mil usuários em diferentes países. No total, afirma ter 21 mil usuários, incluindo 38,5% dentro do grupo de brasileiros que nunca tinham investido em criptomoedas. Na manhã desta segunda-feira a moeda está cotada na faixa de US$ 0.005249.

Ação da Coinbase fecha primeiro dia na bolsa 31% acima do preço de referência

No seu primeiro dia na Nasdaq, a negociação da ação da Coinbase começou em US$ 381, acima da última negociação privada, de US$ 348. Além disso, o valor está 50% acima do preço de referência de lançamento de US$ 250. Durante o dia bateu US$ 429,24, mas recuou para US$ 328,28 no fechamento.

Assim, num dia de volatilidade já esperada, fechou 31,3% acima do preço de referência. Isso significa um valor de mercado de US$ 65 bilhões considerando as ações comuns A e B. Considerando tudo o que está diluído, como opções, o valor é de US$ 86 bilhões.

Esse valor, por sua vez, é 10 vezes mais do que os US$ 8 bilhões de valuation que os investidores fizeram na última captação, que foi há apenas 3 anos, em 2018. Para uma empresa de um segmento totalmente diferente do que os frequentadores da Nasdaq conhecem, é um feito.

E a diferença não é só essa. A Coinbase é uma empresa de tecnologia que chega na bolsa já dando lucro. Certo que isso tem muito a ver com o aumento do valor do bitcoin e outras criptos.

A título de comparação, a Spotify, também uma empresa de tecnologia, teve o preço de referência de US$ 132 e fechou a US$ 149 na sua oferta de ações na bolsa de Nova York (Nyse).

Foi, portanto, metade do que a ação da maior corretora de criptomoedas dos Estados Unidos (EUA) conseguiu, ao fazer história sendo a primeira a ser listada em bolsa no país.

Além da Nasdaq, a ação estará disponível na Binance no formato de token. A maior corretora do mundo anunciou nesta semana que passará a vender tokens de ações. Começou com a da Tesla. Agora vai ser a vez da COIN/BUSD (stablecoin da Binance).

Ação da Coinbase saltou desde 2018

Desde que a Coinbase anunciou que faria uma oferta direta de ações, as estimativas de valor de mercado chegaram a US$ 100 bilhões. E chegou a US$ 99 bilhões durante o dia. Quem tem um valor de mercado nesse patamar, hoje, é a Zoom, por exemplo.

Para saber melhor em qual patamar a COIN deve se estabilizar, é preciso esperar até que a forte volatilidade passe. O sobe e desce já era previsto porque a Coinbase fez uma oferta direta de ações.

Isso significa que quem tem ações da empresa, vendeu e sem os famosos roadshows. Num IPO, bancos buscam investidores, testam preço e interessados “reservarem” ações. E essas ações são novas emissões.

Há ainda a questão do bitcoin. A moeda não para de subir e isso ajuda a jogar para cima os ganhos da Coinbase. Porém, a empresa é baseada também num mercado ainda volátil, mas que parece estar em vias de perder os picos de alta e baixa com o maior interesse de investidores institucionais.

Agora, é esperar pelo dia de amanhã, mas também pelos próximos. Num comunicado hoje, Brian Armstrong, fundador e CEO da empresa, disse que esta quarta-feira foi um marco. Porém, “isso não é tão importante quanto cada dia à nossa frente”.