Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Goldman Sachs quer lançar ETF de DeFi que não tem DeFi

O Goldman Sachs entrou, ontem (26), com pedido na Comissão de Valores Mobiliários (SEC) dos Estados Unidos (EUA) para oferecer um fundo de índice (ETF) de finanças descentralizadas (DeFi) e blockchain. O Goldman Sachs Innovate DeFi and Blockchain Equity ETF vai acompanhar com o Solactive Decentralized Finance and Blockchain Index.

Porém, o que veio como uma ducha de água fria é que o índice segue 20 empresas gigantes, como Google, Facebook, PayPal, Mastercard, Intel e Siemens. Não há nenhum nome do mundo dos DeFis. Portanto, de DeFi, ainda não se entendeu o que o fundo terá.

Algumas das empresas até estão testando ou desenvolvendo projetos com blockchain, como o Facebook com a Diem e PayPay em pagamentos. Tem também a IBM, que trabalha com a Hyperledger para o mundo corporativo.

Mas, nada que venha do mundo raiz das blockchains públicas, das criptomoedas e das finanças descentralizadas. Ao contrário, as características das empresas que o índice segue são as das grandes. Por exemplo, o valor de mercado precisa ser de ao menos US$ 500 milhões. A questão é, então, por que o Goldman Sachs quer oferecer um ETF com um nome que não corresponde à realidade das finanças descentralizadas.

Segundo o pedido à SEC, o foco de investimento do índice são dois: empresas ligadas à implantação de blockchain e a finanças descentralizadas (DeFis). De acordo com o pedido, o fundo vai investir pelo menos 80% de seus ativos em títulos que fazem parte do índice, em recibos de depósitos (DRs) que representam títulos que estão no índice e em ações relacionadas aos DRs que estão no índice. E podem ser ações de diversos países de economia mais avançada.

Há uma série de pedidos de ETFs na SEC, todos esperando a bênção do regulador. Mas, até agora, nada.

Nubank entra em transferência internacional por blockchain após acordo com Remessa Online

O Nubank, uma das maiores fintechs do mundo, anunciou hoje (26) que fechou parceria com a Remessa Online, que usa a blockchain RippleNet. Assim, vai competir no segmento de transferências internacionais, no qual os bancos tradicionais recebem críticas pelos altos preços e tempo necessário para as operações.

Portanto, agora os 40 milhões do Nubank poderão usar o serviço da Remessa Online, que por usar blockchain pode ser mais barato e mais rápido. A rede da Ripple afirma que conecta mais de 300 instituições financeiras, como o Santander, por exemplo.

De acordo com as empresas, há um crescimento acelerado das remessas de dinheiro de pessoas no Brasil e na América Latina. O valor chegou a R$ 37 bilhões em 2020 entre entradas e saídas. Já a Remessa Online informou que tem 350 mil clientes atendidos com envios para mais de 100 países. E espera chegar a 1 milhão de clientes com a parceria. Em 2020, a movimentou R$ 6 bilhões e espera chegar a R$ 14 bilhões em 2021.

Os clientes do Nubank iniciarão as transações de transferências no aplicativo do banco. “A parceria foi a melhor forma que encontramos de disponibilizar essa facilidade para os clientes”, disse Cristina Junqueira, cofundadora do Nubank. 

 “A união com o Nubank possibilita aos clientes do banco viver essa experiência de maneira simples”, afirmou Alexandre Liuzzi, diretor de estratégia da Remessa Online. 

Investimento em fintechs de blockchain bate recorde e América Latina se destaca

Os investimentos em fintechs atingiram um recorde no segundo trimestre de 2021 e esse desempenho incluiu o segmento de blockchain. Pela primeira vez as fintechs de blockchain captaram mais de US$ 4 bihões – foram US$ 4,38 bilhões em 217 transações, segundo relatório do CB Insights. Houve, portanto, um aumento de 50% sobre o primeiro trimestre no segmento. Além de ser um valor 10 vezes superior ao do quarto trimestre de 2020.

O maior valor de captação foi o de US$ 440 milhões que a Circle, que gerencia a moeda USDC, recebeu. E considera, por exemplo, o aporte de US$ 250 milhões que a bolsa mexicana Bitso recebeu numa Series C.

A bolsa foi a primeira unicórnio da América Latina em blockchain e diz que os investimentos elevaram seu valor para US$ 2,2 bilhões. Os cinco maiores investimentos em fintechs de criptomoedas no segundo trimestre foram os da Circle, Ledger, Paxos, Block.One e Bitso, nessa ordem.

Porém, o valor não considera o aporte de US$ 220 milhões que o grupo 2TM, dono do Mercado Bitcoin, anunciou no dia 1 de julho e que o tornou um unicórnio. Seu valor é US$ 2,1 bilhões.

Investimentos em blockchain acompanham fintechs em geral

O crescimento dos investimentos nos últimos meses aconteceu junto com o aumento dos preços das criptomoedas. E os fechamentos de captação no segundo trimestre, que já deviam estar em negociação desde o início do ano pelo menos, aconteceram em meio à queda dos preços.

O segmento de blockchain seguiu a tendência geral das fintechs, uma vez que a captação total também foi recorde no segundo trimestre de 2021. Houve 657 transações de investimentos de venture capital que somaram US$ 30,8 bilhões. O recorde anterior era o do primeiro trimestre, mas no segundo o valor foi 30% maior. Embora o número de transações cresceu apenas 2%.

E foi a América do Sul que liderou esse crescimento em valores e número de transações, de acordo com a CB Insights. A captação cresceu 153% do primeiro para o segundo trimestre e as transações, 52%. Foi o maior cescimento entre as regiões.

Colômbia pode usar blockchain em títulos financeiros

O banco central da Colômbia, o Banco Davivienda e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) anunciaram, na última semana, que estão testando transações de títulos financeiros em blockchain. De acordo com o BC, é o primeiro passo para a implantação dessa tecnologia para ativos no mercado de capitais. O teste deve durar seis meses.

A emissão, a oferta, a negociação e a liquidação aconteceram numa rede com contratos inteligentes. Os recursos financeiros dessas operações correrão no sistema de pagamentos de alto valor do Banco da República, o banco central (BC). Segundo o BC, blockchain reduz os custos operacionais, otimiza processos, aumenta a segurança e elimina assimetrias de informação, por exemplo.

Há ainda um ponto fundamental que é a troca imediata de título por dinheiro, ou seja, não é preciso depositar valores numa conta à espera da finalização da operação. Essa finalização pode durar dias. E com blockchain, é possível saber o que está acontecendo durante a transação.

O BC é um nó observador na rede. Portanto, está na rede para entender o processo de uso de blockchain para títulos financeiros tanto no mercado primário, quanto no secundário. Além de observar o que será preciso adequar nas normas do país para permitir o uso de blockchain nessas transações.

No caso do Davivienda, para ser o primeiro banco a usar blockchain nesse tipo de operação, investiu em infraestrutura e profissionais. Já o BID dá apoio técnico e regulatório para a implantação da prova de conceito (PoC). Além disso, a  LACChain, rede do BID Lab, vai registrar todo o processo das transações.

Diversos países pelo mundo estão testando blockchain para títulos financeiros. Há um grupo de bancos na Ásia, por exemplo, e também bancos na Europa já divulgaram testes similares. O objetivo é sempre reduzir custos, aumentar a segurança e acelerar processos.

Nébula, nova ‘catalisadora’ da butique de M&A Estáter, seleciona primeiras fintechs

A Nébula, nova ‘catalisadora’ de fintechs criada pela butique de M&A Estáter, de Pércio de Souza, está finalizando a seleção das startups. Dentre elas há uma de blockchain e uma de tokenização. O programa terá um ano de duração. Assim, ao final, a Estáter pode escolher comprar a fintech, como fez recentemente com a iouu.

O grupo alocou R$ 4 milhões no projeto e está disponibilizando cotas de patrocínio nos valores de R$ 15 mil, R$ 25 mil, R$ 35 mil e R$ 50 mil. A informação exclusiva é de Semi Kim, gestor da Nébula, que o Fintechs Brasil, portal parceiro do Blocknews, publicou.

“Escolhemos uma plataforma de blockchain, uma de Open Banking, uma que faz tokenização de ativos, uma de consórcio, uma de antifraude, uma de crédito para o agronegócio, uma de energia, uma healthtec e uma de consignado”, diz, sem revelar os nomes pois os contratos ainda não estão assinados. Além disso, estão em análise duas fintechs de microcrédito. A ideia é fintechs de segmentos diferentes e complementares.

Kim é nome que o mundo do venture capital conhece. É consultor de corporate innovation – auxiliou a Mauá Capital, por exemplo. É também mentor de empreendedores, especialista em captação e o responsável pela seleção inicial da Nébula, nome que significa berçário de estrelas.

O ambiente físico comporta até 17 colaboradores, mas há espaço para aceleradas de outras cidades fora de São Paulo que se conectarão através de um ambiente virtual.

Leia a reportagem completa no Fintechs Brasil.

Blocknotas: Mais um ETF da Hashdex, novo CEO no Capitual e Zro atinge 2 bilhões de conversões

Num movimento que parece uma corrida de cem metros rasos das gestores de fundos de índices (ETFs) de criptomoedas, a Hashdex anunciou nesta quarta-feira (14) mais um desses em seu portfolio. Dessa vez, deve lançar, em agosto, um ETF 100% relacionado a ethereum. O comunicado chegou um dia depois a empresa anunciar que também em agosto vai lançar um ETF de bitcoin. E horas depois de a concorrente QR Asset anunciar seu ETF de ethereum. A QR já tinha um de bitcoin. Com isso, a B3 terá cinco ETFs de criptomoedas.

Novo CEO no banco Capitual

O Capitual, banco digital que opera com oito criptomoedas e movimentou R$ 20 bilhões no primeiro semestre, tem novo CEO. É Bernardo Cardoso do Amaral, que tem passagens por diferentes áreas financeiras no exterior, tanto tradicionais como de criptomoedas, incluindo em security tokens. Também chegaram à empresa José Dinis Lucas, como Chief Legal Officer Global, que tem experiência internacional e fundou a Sociedade Dinis Lucas & Almeida Santos. Já Rafael Pontes de Miranda será Head Legal para operações globais. Segundo Guilherme Nunes, Chief Strategic Officer do Capitual, as contratações visam crescimento e cuidado com compliances globais, já que operam em 48 países. O banco também protocolou no Banco Central autorização para operar como instituição de pagamentos (IP).

Zro Bank chega a 2 bilhões de conversões

o Zro Bank, também banco digital que opera com criptomoedas, atingiu R$ 2 bilhões em conversões e 250 mil downloads do seu aplicativo. O Zro opera com a Bit Blue, do mesmo grupo. O banco foi lançado em setembro de 2020 e foi o primeiro a disponibilizar transações financeiras em real e em bitcoin.

Mas, o banco quer ir além de operar com criptomoedas. O projeto prevê usar blockchain em sua operação, de forma a tornar transparentes, portanto visíveis, as suas transações. “Cada vez mais vemos instituições financeiras tradicionais e grandes companhias olhando para esse ativo como reserva de valor, o que respalda nossa visão de negócio”, diz o CEO do Zro Bank, Edisio Pereira Neto.

Blocknotas: QR Asset e Hashdex disputam mercado de ETFs; OnePercent mira NFTs

ETF de Ethereum na B3

A QR Asset Management, que lançou o primeiro ETF de bitcoin (QBTC11) da América Latina na B3, anunciou nesta terça-feira (13) que a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) aprovou, no último dia 28, seu fundo ETF baseado em Ethereum. O ticker será QETH11. Assim, esse também será o primeiro do tipo na região. A custódia será da Gemini, dos gêmeos Winklevoss, que ajudaram fundar o Facebook. O fundo vai seguir o índice CME CF Ether Reference Rate, da Bolsa Mercantil de Chicago (CME), a maior em derivativos do mundo. De acordo com a QR, o QBTC11 tem patrimônio de R$ 128 milhões. O anuncio veio horas depois de a concorrente Hashdex anunciar mais um ETF de bitcoin, ou seja, serão dois ETFs da moeda na bolsa.

Com Hashdex, B3 terá dois ETFs de bitcoin

A Hashdex, maior gestora de criptoativos da América Latina e a primeira a lançar um ETF na região, anunciou nesta terça-feira (13) que lançará um ETF 100% de bitcoin. O período de reserva já começou e vai até 30 de julho. O lançamento na B3 deve ser na primeira quinzena de agosto. O Hashdex Nasdaq Bitcoin Reference Price Fundo de Índice terá o ticker BITH11. Mas, a diferença desse ETF, segundo a empresa, é que replicará um fundo que busca neutralizar as emissões de carbono da mineração do ativo.

XP, Itaú BBA, e Banco Genial serão os coordenadores da oferta. A Hashdex tem a meta alcançar cerca de R$ 600 milhões, portanto, o valor que conseguiu no lançamento do primeiro ETF do país, o HASH11. Por enquanto, a previsão é de a cota custará R$ 50. “Contamos com o apoio da empresa alemã Crypto Carbon Ratings Institute (CCRI), provedora de uma metodologia globalmente reconhecida para cálculo de emissão de carbono em redes blockchain”, disse Roberta Antunes, Chief of Growth da Hashdex.

OnePercent lança plataforma de NFTs

A OnePercent, tokenizadora que agora é parte da MOSS, que vende o token MCO2 lastreado em créditos de carbono registrados em blockchain, lançou o marketplace Rarum, de NFTs (Tokens Não Fungíveis) de carbono neutro. Dessa forma, é a primeira ação conjunta das empresas. “Mais do que proporcionar às empresas acesso ao mercado de colecionáveis, queremos que o impacto desses ativos seja zerado na ponta”, afirma Fausto Vanin, um dos fundadores da One Percent. Deverá haver NFTs como fotos de onças, que fazem parte do projeto Onçafari, por exemplo, a registros de esportes a motor com a assinatura de piloto da Stock Car Brasil Cacá Bueno.