Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Valor estimado para corretora Coinbase na Nasdaq é cinco vezes o da brasileira B3

A Coinbase, maior corretora de criptomoedas dos Estados Unidos, finalmente entrou com o pedido para listagem direta de suas ações na Nasdaq. O pedido aconteceu nesta quinta-feira (25).

Se as expectativas de analistas se confirmarem, seu valor será avaliado em torno de US$ 100 bilhões. É cerca de cinco vezes o valor, em dólar da bolsa brasileira B3. O valor de mercado da B3 está em cerca de R$ 113,6 bilhões (cerca de US$ 20 bilhões).

O ticker da Coinbase será Coin. Sua entrada na Nasdaq é um março, já que será um teste para saber o quanto os investidores estão interessados no setor. Com os recordes sucessivos do preço do bitcoin, além de a moeda atrair investidores institucionais, o interesse hoje pode ser maior.

A receita da corretora mais do que dobrou no ano passado, para US$ 1,3 bilhão, mais que o dobro dos US$ 533 milhões de 2019. Resultado da explosão de preço do bitcoin, que também transformou prejuízo em lucro. No ano passado, seu ganho foi de U$ 322 milhões, enquanto em 2019, a Coinbase amargou perdas de U$30 milhões.

Bancos terão de se adaptar ao uso de moedas digitais em pagamentos, diz BNY Mellon

Os bancos terão de se adaptar à atual evolução dos sistemas de pagamentos. Portanto, isso inclui prover gateway para operações com moedas digitais e provedores de liquidez. A conclusão é do banco BNY Mellon.

Num estudo sobre pagamentos e moedas digitais divulgado ontem (3), o banco indica que as instituições financeiras precisam se adaptar à nova. Do contrário, perderão negócios e competitividade. Com tantas iniciativas e e tecnologias emergentes, há vários caminhos, diz o BNY Mellon.

Segundo o banco, todos têm a expectativa e habilidade para mover dinheiro de forma instantânea, 24/7/365. E de fazer isso com total transparência. “Um desses caminhos são as moedas digitais”, diz o relatório.

Moedas digitais mudam o sistema

“O desenvolvimento das moedas digitais podem mudar a forma como tratamos a velocidade da liquidação, a reconciliação e o risco.” Moedas digitais significam criptomoedas, as de bancos centrais (CBDCs) ou stablecoins, explica o banco.

Dessa forma, se o modelo se mostrar bem sucedido, as moedas digitais podem até ter impacto no papel atual dos tradicionais bancos correspondentes. E também nos intermediários das transações.

De acordo com o banco, as criptomoedas são uma forma de pagamentos instável e pouco aceitável. Já, as CBDCs têm um longo caminho pela frente até que os bancos centrais comecem as emissões.

Isso quer dizer, portanto, que “as moedas estáveis (com lastro) parecem ter o potencial mais imediato de transformar e modernizar os pagamentos interbancários.”

Bancos testam token

O JP Morgan, por exemplo, já tem a sua stablecoin, a JPM Coin. E um grupo de bancos, entre eles o BNY Mellon, estuda como usariam o dinheiro tokenizado na liquidação de securities. Isso por meio da tecnologia de registro distribuído (DLT).

O projeto, chamado de Fnality, busca transformar os pagamentos no atacado, ao criar um sistema que tire intermediários do processo. Isso é algo que DLT permite com mais segurança e eficiência.

Quanto às stablecoins, o estudo diz que podem ser benéficas em três áreas importantes. Uma delas, por exemplo, está em permitir pagamentos internacionais em operações de swap cambial em tempo real, 24/7/365. Hoje, fatores como horário de fechamento dos bancos em diferentes fusos tornam isso inviável.

Uma outra área é a de liquidação de securities. Já que tendem a ser mais estáveis e confiáveis, as stablecoins estariam na ponta de pagamento do sistema entrega versus pagamento (DvP). Dessa forma, a liquidação seria mais rápida e segura e sem tantos intermediários como hoje.

Impacto no na liquidez intraday

A terceira área seria no processamento das transações internacionais. Hoje, o modelo envolve um banco correspondente e vários participantes. Ou seja, há vários custos, riscos e dias envolvidos. Com a stablecoin, o processo poderia ser P2P. Uma revolução para o sistema atual.

Além disso, haveria impacto no tempo das operações bancárias, portanto, no gerenciamento da liquidez intraday. Se a transferência for com moedas digitais, o originador não terá tanto tempo para recolher o dinheiro até a liquidação.

Também não terá tanto tempo para recolher e investir enquanto aguarda aprovação. O originador, portanto, vai ter de ter o recurso disponível no dia da operação e o beneficiário vai recebê-lo instantaneamente.

Com a evolução das moedas digitais, o setor financeiro verá a coexistência dos tokens digitais e das moedas fiduciárias (fiat) em diferentes canais. Mas também para diferentes necessidades de pagamentos, defende o BNY Mellon.

Implantação do open banking é “meio do caminho” para real digital, previsto para até 2022

Começa, hoje (1), a implantação do open banking. Espécie de “meio do caminho” para a moeda digital de banco central (CBDC) do Brasil. Esse processo começou com a implantação gradual do sistema de pagamentos instantâneo Pix, em outubro passado.

Com as mudanças das infraestruturas do sistema financeiro, o Brasil volta a ser referência internacional nas ações de modernização no setor.

O presidente do BC, Roberto Campos Neto, já afirmou mais de uma vez que o Pix deve tornar o uso do dinheiro ser mais rápido, barato e inclusivo. E citou o crescimento do uso de criptomoedas como uma das razões para implantar o sistema.

Espera-se que o Open Banking trará mais competição. Portanto, produtos, serviços e taxas melhores e, como no caso do Pix, inclusão financeira. Estimava-se que o Brasil tinha cerca de 50 milhões de pessoas sem conta em banco.

O número caiu de forma expressiva na pandemia, uma vez que muitos passaram a ter conta para receber o auxílio emergencial do governo.

Implantação de real digital até 2022

Além disso, Campos Neto tem dito que a moeda digital de banco central do Brasil deve surgir até 2022. Será, de acordo com o BC, para operações de câmbio pelos turistas que vêm ao país. Isso deve facilitar, por exemplo, que usem o Pix sem precisarem abrir conta em banco para acessar o sistema.

Será um início num segmento bastante específico, como costuma acontecer com produtos em teste.

Agora, a implantação do open banking muda a lógica de relacionamento entre o cliente e a instituição financeira de diversas formas. Isso porque deverão compartilhar com seus pares seus produtos, serviços e taxas cobradas em contas e operações de crédito.

Depois, os clientes poderão ter acesso a todos os seus dados e fazer operações cruzadas entre as instituições, por exemplo.

Para isso, os brasileiros deverão se acostumar à lógica de serem donos de seus dados e buscarem as melhores alternativas. É, portanto, diferente do cenário atual. O clientes, em geral, se acomodam com o que a principal instituição que usam oferece a eles.

Bancos compartilharão dados para Open Banking

Nesta primeira fase, as instituições financeiras compartilharão com seus pares seus dados de canais de atendimento, produtos, serviços e taxas cobradas para contas correntes, poupança, contas de pagamento e operações de crédito.

Na segunda fase, que começa até 15 de julho, as instituições financeiras terão de compartilhar dados de cadastro de clientes e os dados das operações feitas pelos clientes nos serviços incluídos na primeira fase.

Ou seja, o cliente tem o direito de receber informações mais detalhadas de suas operações. Com isso em mãos, pode disponibilizar os dados para outro banco. Aqui, a competição começa a ficar mais dura.

Dados de iniciação de pagamentos

A fase seguinte é a de compartilhamento de dados de serviços de iniciação de pagamento e de encaminhamento de proposta de operação de crédito. Essa começa até 30 de agosto e também deve ajudar a gerar mais movimentos disputa de incumbentes e fintechs.

Além disso, espera-se que aí novos atores estejam entrando no mercado de pagamentos.Dentre eles, estão empresas de varejo e telecomunicações que ainda não deram esse passo.

Depois disso, até 15 de dezembro começa a última fase prevista. Nela haverá compartilhamento de informações dos clientes outras áreas. Por exemplo, investimentos, seguros, credenciamento em arranjos de pagamento, contas-salário e câmbio.

Nubank já encosta no líder Itaú na lista do “primeiro banco” dos brasileiros bancarizados

Nubank já encosta no líder Itaú na lista do “primeiro banco” usado pelos brasileiros. O maior banco privado do país apareceu em 15,8% das respostas. Mas, a fintech criada em 2013 apareceu em 14,9%.

Essa é a conclusão de um levantamento do JP Morgan , divulgado na semana para os clientes. O site de notícias Fintechs Brasil, parceiro do Blocknews, teve acesso ao levantamento.

A maioria dos bancarizados do país tem conta num banco tradicional e num banco digital. Esse grupo responde por 59,1% do total. No entanto, apenas 5,2% usam só os digitais, segundo pesquisa da Idwall.

O Nubank afirma ter 34 milhões de clientes, enquanto o Itaú afirmou, no final de 2019, que tinha 12,5 milhões de clientes que acessavam seus canais digitais.

O avanço do Nubank se explica pela percepção sobre seus serviços. De acordo com o estudo do JP, o Brazilian Financials: Fintech vs. Bank Proprietary Survey – The Lessons, as fintechs têm Net Promoter Scores (NPS, algo como taxas de recomendação) de mais de 80. Já os incumbentes têm NPS de 40 a 60.

Para ler a reportagem do Fintechs Brasil sobre a pesquisa, clique aqui.

Além do ranking do JP, o Nubank se destaca em uma série de outros. Por exemplo, no de fintech que mais recebe aportes na América Latina. Na quinta passada (28), o banco digital anunciou a captação de US$ 400 milhões. Com isso, sua valuation passou para 25 bilhões de dólares (cerca de R$ 140 bilhões).

É um valor superior ao do Banco do Brasil. E fica atrás só do Itaú, Bradesco e Santander.

Seguradoras europeias e B3i lançam solução blockchain para seguros marítimos

A Eurapco, uma aliança de oito seguradoras europeias, e a B3i, um consórcio de seguradoras de todo o mundo, inclusive do IRB Brasil, para o uso de blockchain, vão lançar a solução Eurapco Unity. Será a primeira solução operacional global em infraestrutura blockchain para transferência de riscos facultativos entre empresas. O foco inicial é no setor marítimo.

Em geral, riscos facultativos cobrem catástrofes e riscos incomuns. Têm esse nome porque cada seguradora que cobre o risco define como fará seu contrato. Além disso, o resseguro não é automático.

O Mínimo Produto Viável (MVP) da Eurapco Unity foi ficou pronto em dezembro passado. Assim, houve a transferência de riscos facultativos numa rede de empresas do segmento de seguros marítimo. Essa é a primeira aplicação sob medida construída na plataforma Fluidity da B3i.

Seguros marítimo e resseguros

Após uma pesquisa sobre blockchain, a Eurapco definiu que os segmentos de seguros marítimo e de resseguros são as que a tecnologia mais pode trazer benefícios para o grupo. Esses ganhos são em transparência, segurança e na redução do trabalho administrativo.

O setor de seguros tem enorme potencial para usar blockchain. Isso porque as operações envolvem diversos membros, são complexas, com um vai e vem de aprovações e assinaturas e com compartilhamento de dados sensíveis. Um erro ou uma fraude nesse processo podem causar uma enorme dor de cabeça e prejuízo para o segurado ou resseguradora.

De acordo com Wilma de Bruijn, gerente geral da Eurapco, buscar soluções blockchain “foi um passo natural na criação de um valor tangível para nossos sócios.”

Ganho de tempo e segurança

“Um novo mundo de digitalização se abriu para nós. É possível acessar os documentos e transmitir para todos os membros da rede com facilidade”, afirmou Dieter Lammertz, responsável pela area marítima e de artes de valor da La Mobilière, uma das sócias da Eurapco.

“A informação fica na blockchain e ninguém pode alterá-la. Estou convencido de isso vai gerar uma economia considerável de tempo. No futuro, a Unity vai gerenciar todas as contas e pedidos. Assim, vamos ter ainda mais economia de tempo e recursos”, completou afirmou Lammertz, .

De acordo com Antonio di Marzo, diretor de produtos da B3i, a Unity funciona como uma facilitadora de infraetrutura. Assim, estabelece as regras e protocolos que seus membros vão seguir. As regras estão no protocolo. Ao diminuir o trabalho administrativo, as empresa ganham tempo para se concentrarem em seus negócios, completou.

Uma rede no Brasil

Enquanto isso, no Brasil, a bolsa de valores B3 e o IRB-Brasil Resseguros vão lançar, neste ano, uma plataforma para conectar todos os segmentos do setor. O objetivo é digitalizar a realização dos contatos. A parceria vai permitir operações em tempo real de um mercado bilionário. Em 2019, só as seguradoras arrecadaram R$ 270 bilhões, excluindo os segmentos de saúde e o DPVAT.

Bolsa de Singapura e Temasek criam empresa sobre plataforma que testou emissão de títulos

A Bolsa de Singapura (SGX) e a Temasek criarão uma empresa de emissão e venda de ativos digitais pelo mercado financeiro. A Temasek é uma empresa de investimentos do país,

Assim, focará no fluxo do mercado de capitais por meio de contratos inteligentes (contratos inteligentes), registro distribuído (DLT/blockchain) e tokenização.

A iniciativa é, portanto, uma expansão de uma plataforma que SGX, Temasek e HSBC criação para uma operação. A solução fez a emissão do primeiro título digital publico sindicalizado.

A operação foi para a empresa de agronegócios Olam International, em agosto passado. No total, quatro instituições do mercado financeiro fizeram a operação. Os testes somaram US$ 1 bilhão.

Beng Hong, diretor gerente sênior de renda fixa, moedas e commodities da SGX, disse que a ideia é capitalizar sobre a transformação digital do mercado de capitais. Por isso, “vamos avançar no desenvolvimento da infraestrutura da Ásia”.

Parceiros no mercado financeiro

De acordo com as empresas, a parceria une a experiência com diferentes ativos da SGX e o conhecimento da Temasek em blockchain.

As empresas vão buscar parcerias com plataformas de emissão de renda fixa. Dessa forma, pretendem oferecer seu serviço de infraestrutura de ativos e pós negociação no mercado financeiro. Isso inclui emissores, bancos, advogados, investidores e agentes de pagamento.

Além disso, a empresa vai buscar outras classes de ativos emergentes, incluindo fundos sustentáveis.

BlackRock, maior gestora do mundo, quer incluir bitcoin em dois fundos de investimentos

A BlackRock Inc,  maior gestora de recursos do mundo, está incluindo contratos futuros de bitcoin como ativo em dois de seus fundos. É a primeira vez que a empresa oferece exposição a criptomoedas a seus clientes, segundo a agência de notícias Bloomberg.

A empresa administra US$ 8,7 trilhões, o que é cerca de 6 vezes o PIB brasileiro em dólares correntes, de cerca de US$ 1,4 trilhão. Uma empresa desse porte torna ainda mais relevante o envolvimento de instituições financeiras tradicionais e globais com criptomoedas. Assim, deve puxar outras, além das quem já estão na área, como Goldman Sachs e JP Morgan.

Ontem (20), apareceu no site da Securities Exchange Commission (SEC) o pedido da BlackRock para operar os dois fundos. Mas não precisarão entregar a moeda.

Mudança de rota

Os fundos são o BlackRock Strategic Income Opportunities e o BlackRock Global Allocation Fund Inc. Na comparação com a declaração Larry Fink, em 2018, isso é uma mudança drástica. Na época, Fink disse que seus clientes não estavam interessados em ter criptos.

Porém, em dezembro passado afirmou que bitcoin chamava a atenção da empresa e das pessoas. Isso embora ainda seja pouco testada e seja um mercado pequeno em relação a outros ativos.

Além dele, outros executivos da BlackRock têm mostrado interesse no ativo. A empresa também contratou, em abril de 2019, Robbie Mitchnick. O executivo veio da Ripple para liderar a área de ativos digitais. Ele criou uma metodologia para avaliar criptos. E no mês passado, a gestora anunciou uma vaga de vice-presidente (que na BlackRock está abaixo de diretor) para blockchain).