Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Visa lança programa de aceleração; soluções em blockchain estão incluídas

Startups que atuam em blockchain estão na lista de interesse do Programa de Aceleração Visa 2020. O programa vai escolher as que estão em fase de crescimento ou escala, têm uma base de clientes e geram receita.

A Visa vai dar recursos não-financeiros, como local de aceleração, consultoria digital, mentoria e duas semanas no Vale do Silício para que as startups façam contatos com investidores, interessados em seus produtos e serviços e validem seus modelos de negócios.

Além de blockchain, a Visa vai escolher empresas que tenham soluções para pagamentos, transações, gestão financeira, big data, machine learning, inteligência artificial, automação comercial, gestão de vendas, melhorias de processos, CRM e mobilidade urbana.

As inscrições vão até o próximo dia 13 de março e são feitas pela plataforma da StartSe.

Primeira bolsa de commodities em blockchain deve entrar em operação comercial neste ano

Está prevista para entrar em operação no segundo semestre deste ano a primeira plataforma digital do país para negociações de commodities com o uso de blockchain. A Gavea Marketplace vai realizar transações entre os participantes da rede e rastrear commodities negociadas desde a operação comercial até o pós-venda.

Segundo Vítor Uchôa Nunes, fundador da Gavea, a plaforma permite redução de custos e burocracia e, com negociações diretas, sem intermediários, pode aumentar a margem dos participantes,

A Gavea foi um dos 20 projetos selecionados pelo LIFT (Laboratório de Inovações Financeiras e Tecnológicas) do Banco Central e está sendo desenvolvida há um ano.

A bolsa vai usar a plataforma Corda, da R3, especializada em instituições financeiras. Segundo Uchoa, a Corda foi escolhida por questões como interoperabilidade.

A plataforma começa a ser apresentada em março para parceiros e o piloto começa em julho em algumas regiões do país, com soja e milho. Primeiro será no sul. A expectativa é entrar em operação comercial em setembro.

Interoperabilidade e simplicidade são tendências de 2020, diz estudo da R3

2020 vai ser um ano de bons resultados para as empresas que passaram 2018 e 2019 trabalhando em projetos que usam a solução blockchain. Quem teve como meta o sucesso no final deste ano e em 2021, vai aprender com o o que aconteceu com os primeiros que adotaram a tecnologia para identificar o seu melhor uso.

Quem diz isso é o relatório Blockchain: 2020 Vision, da R3, empresa de software blockchain para instituições financeiras. A pesquisa entrevistou membros do ecossistema da R3.

Os usuários também vão estar melhor informados para fazerem as perguntas certas aos fornecedores. Em entrevista ao Blocknews nesta semana, Keiji Sakai, responsável pela R3 na América Latina, afirmou que as áreas de negócios dos bancos começam a entender melhor a tecnologia.

Outros dos pontos levantados pelo relatório é a busca por mais simplicidade para buscar maior privacidade. E as organizações estarão focadas em governança da rede, conectividade e a melhor forma de expansão. Isso, por sua vez, vai puxar a volta da preocupação com interoperabilidade.

R3 será mais agressiva no mercado brasileiro em 2020, diz Keiji Sakai

A R3, empresa de software blockchain, que foca em instituições financeiras como bancos e seguradoras com sua plataforma Corda, começa 2020 com o plano de ser mais agressiva. Na prática, isso significa colocar não apenas o time local, mas também o internacional para trabalhar com mais detalhamento no desenho de soluções para o mercado brasileiro e alguns dos países latino-americanos, disse ao Blocknews Keiji Sakai, country head da empresa na região.

Sakai, que já passou por diversas instituições financeiras, resolveu mudar o curso da sua carreira depois que tirou um sabático, foi estudar fora (na Singularity University) e conheceu a tecnologia blockchain. Na entrevista a seguir, o executivo, de fala mansa, conta que agora a R3 foca nas áreas de negócios das empresas, e não de tecnologia.

BN: Qual era o cenário de blockchain quando a R3 se instalou aqui?

KS: O escritório foi instalado no final de 2017 e eu entrei na R3 em 2018, um ano que ainda era de estudo e desenvolvimento do mercado. O conhecimento não era tão amplo e choviam eventos em blockchain. Era uma fase de evangelização, principalmente de bancos, independentemente de plataformas. Isso porque se via que os bancos poderiam se beneficiar de blockchain e estavam à frente no uso da tecnologia. A Febraban (Federação Brasileira de Bancos), por exemplo, já estava estudando o assunto.

A R3 começou a ter seus primeiros casos concretos em 2017 e em 2018 começaram a aparecer mais lá fora. No Brasil, nessa época, começaram a surgir mais soluções B2C em blockchain. Em B2B havia provas de conceito (PoCs) dos grandes bancos que até chegaram a virar pilotos, mas não tivemos grandes lançamentos em 2018.

BN: E o que mudou desde então?

KS: Em 2019, comecei achando que blockchain ia estourar no país e no mundo. Estourou no mundo, mas no Brasil a adoção ainda está um pouco lenta, principalmente em comparação com Ásia e Europa. Estamos um ano atrás deles em termos da discussão com as áreas de negócios para identificar os benefícios da tecnologia. A gente deveria esquecer a blockchain e pensar em como resolver problemas que não foram resolvidos. A tecnologia é um meio para isso e estamos olhando como um fim. A coisa tem que ser mais natural, o problema tem que se encaixar numa oportunidade de usar blockchain. Lá fora isso está mais maduro, com a discussão focada no que vamos resolver.

BN: Na prática, o que isso significa?

KS: Nossa tática é falar mais com a área de negócio do que com a de tecnologia. No começo era com o time de tecnologia, porque era quem conhecia o assunto e tentava empurrar os projetos dentro das organizações. Mas hoje há mais conhecimento das áreas de produtos, do benefício da adoção de blockchain e de como utilizá-la. Tem muita gente de produtos que foi fazer cursos, inclusive como pessoa física, para tentar entender o assunto, principalmente no mercado financeiro. Há um ano eu diria que o conhecimento dessa área era nota de 1 a 2, numa escala de 1 a 10. Hoje é nota de 4 a 6. É uma indústria mais madura. O setor de seguros também está amadurecendo. Em algumas outras indústrias, a discussão é bem incipiente, porque para as áreas de negócios, ainda não é tão óbvio enxergar os benefícios.

BN:Qual é o cenário em seguros no Brasil?

KS: Muitas seguradoras estão amadurecendo. No mundo inteiro há projetos e consórcios que surgiram para discutir projetos em blockchain, como na Índia, Itália e o B3i (consórcio no qual o IRB Brasil Re está).

BN: Qual sua expectativa para 2020?

KS: Este ano, estamos mais agressivos. Aqui (São Paulo) é o quarto escritório global (os anteriores em cronologia foram Nova York, Londres, Singapura e depois do Brasil, abriu-se um em Hong Kong). A R3 é uma empresa global de cerca de 300 funcionários, no Brasil somos 5, porque somos uma representação comercial, mas a empresa é uma startup. Então, conseguimos navegar nela e discutir cada oportunidade que aparece com todos os executivos sêniores. Com isso, submeti uma proposta de ser bastante agressivo no Brasil, apoiando potenciais projetos que estão nascendo e eventualmente colocando gente nossa para ajudar a desenhar, a estruturar a solução, e consegui esse apoio. Com apoio do time global, alocando pessoas do mundo todo, posso fazer isso.

Quanto aos projetos, há casos para serem anunciados neste ano.

BN: Essa tática de maior agressividade é para a América Latina toda?

KS: O Brasil está um ano atrás do resto do mundo, mas o resto da América Latina está um pouco mais atrás ainda no entendimento de blockchain e no conhecimento geral da plataforma Corda . Há alguns locais onde há um pouco mais de maturidade, como México, Colômbia, Chile e Peru. Nesses 4 mercados já devemos realizar negócios. Precisamos fazer um trabalho de evangelização na região, onde estamos trabalhando desde o final de 2018, porque temos clientes que eram membros do consórcio R3. Em 2019, nossa dedicação já foi bem maior nesses mercados.

BN: Como vai o negócio R3 no Brasil e na região?

KS: Meu planejamento é em receita. Não abrimos isso ainda, mas em algum momento podemos falar porque no futuro a empresa pode abrir capital. Há projetos para serem anunciados neste ano. Até 2019, não tínhamos tanto casos de uso, o ano de fato é 2020. Um dos cases de uso é o da B3, que fez uma simulação completa da implementação dentro do próprio data center. A grande maioria utiliza ambientes na nuvem. Estruturas de mercado financeiro geralmente preferem, para dados críticos, utilizar seu próprio ambiente. Para dados não críticos, concordam em utilizar cloud. No Lift (Laboratório de Inovações Financeiras e Tecnológicas , da Fenasbac, a da associação dos servidores do Banco Central e do banco) há 3 desenvolvidos em Corda. Apoiamos também o projeto do Banco Maré, um banco social, no qual a Multiledgers faz as implementações de soluções na plataforma R3.

BN: O que diferencia a plataforma Corda?

KS: Tínhamos desenvolvido solução para os bancos e reguladores usando outra tecnologia, mas não atendia alguns requisitos, principalmente o de privacidade. Todas as tecnologias partem do princípio de que a informação é compartilhada com todos. Isso gera um risco de segurança da informação, de confidencialidade e até em relação à LGPD (a lei de privacidade de dados do Brasil). Os bancos disseram que não conseguiam usar a tecnologia porque uma das coisas fundamentais para eles é a privacidade, não permitir que o ledger de um seja distribuído para todos. E aí o consórcio* decidiu criar uma plataforma que endereçasse esse e outros problemas levantados. Existiam mais de 100 bancos e reguladores no consórcio, indicando quais os requisitos fundamentais para que uma tecnologia blockchain fosse utilizada pelo mercado financeiro.

Corda é a terceira geração de blockchain. A primeira foi a de bitcoin, a segunda foi de processamento de smart contracts e de redes permissionadas (fechadas) e a terceira criou a privacidade e interoperabilidade entre as redes. Corda foi construída para atender a privacidade da informação e só distribui o dado para quem está autorizado a vê-lo. Se é um contrato entre 5, só os cinco veem.

BN: E qual é a vantagem?

KS: Você tem uma rede gigantesca e pode operar com todos, pode ter o que for comum a todos, mas quando faz transação com um ou mais entes, os outros nem sabem que ela foi executada.  Essa solução é eficiente porque mantém todos sincronizados, todos com a mesma versão mais recente (do software), todos com cópias iguais e não se consegue deletar ou alterar dados. Mesmo uma operação entre duas entidades traz muitos benefícios. Se for feita uma operação por telefone, por exemplo, uma parte digita o acordado de um lado e a sua contraparte do outro digita com um zero a mais ou a menos e isso pode gerar contestação. O custo dela é altíssimo, até descobrir onde está a diferença, ouvir a gravação…, isso leva tempo, dinheiro e pode gerar disputa de questões legais e regulatórias. Além disso, blockchain elimina processos intermediários. Um dos casos mais bem sucedidos de blockchain é em trade finance (comércio exterior) porque a troca de documentos é tão grande que demora de 5 a 10 dias para concretizar a formalização e um caso usando uma plataforma blockchain conseguiu resolver isso em algumas horas. Você reduz de até 10 dias a algumas horas. Em seguros isso faz muito sentido. Tudo o que tem muito trabalho, muito controle de papel, de documentação indo de um lado para outro, atualização de dados, validação, vai e volta, por correio e email, começa a se resolver com uma tecnologia que todo mundo tem a última versão e as informações são compartilhadas.

BN: Usar blockchain é buscar eficiência e redução de custos…

KS: O que a gente promove é eficiência, a redução de custo é consequência. Tem muita ineficiência em todo o mercado, porque têm muitos processos desenhados na década de 90, por exemplo. Têm coisas que pararam no tempo porque não doíam e as tecnologias disponíveis não traziam soluções eficientes. Mas, hoje o volume transacional aumentou muito e aquilo que não doía, começa a doer. Além disso, a tecnologia está cada vez mais barata. Não digo que blockchain é barata, mas a tecnologia em si é mais barata, como storage, servidor, processador… Ficou mais acessível, então certas coisas que ficaram esquecidas porque não atrapalhavam, hoje poderiam ser mais eficientes. Blockchain traz isso à tona a partir do momento em que começamos a provocar essa discussão: por que preciso disso? Como fazer  em maneira segura? Como manter a integridade das informações?

*A R3 nasceu como um consórcio global de bancos e outras participantes do sistema financeiro, como reguladores. Mais tarde tornou-se uma empresa, com alguns desses participantes se tornando-se sócios. Bradesco, Itaú e B3 estão entre os sócios.

Bradesco testa blockchain em 5 áreas, de trade finance a seguros

O Bradesco e a Bradesco Seguros estão avaliando a tecnologia blockchain em 5 áreas. Até 2021, todos os pilotos bem-sucedidos deverão entrar em operação. “Os projetos estão ganhando maturidade para poderem entrar na fase operacional”, disse Fernando Freitas, superintendente executivo de Pesquisa e Inovação do Bradesco.

Dependendo do projeto, as plataformas usadas são Corda, da R3, Hyperledger e Ripple, disse o executivo em entrevista exclusiva ao Blocknews.

De acordo com o executivo, definições sobre a governança das redes e certos custos referentes à nova tecnologia são obstáculos que se enfrentam no uso de blockchain. “Na grande maioria dos casos é necessária uma governança específica, que pode precisar de uma entidade jurídica”, afirmou Freitas.

É comum a governança – que define quem entra na rede, como será o seu uso, quem pode ver qual informação e outras regras – ser indicada como um dos fatores que deixam o processo de uso de blockchain mais lento.

Em relação aos custos, Freitas afirma que diversos deles em tecnologia caíram. Mas com blockchain, paga-se o preço do novo. “È preciso de muita escala para usar blockchain, como acontece com qualquer nova tecnologia”.

Segundo ele, para cada caso e uso do banco há uma conta de custos e benefícios, e nenhum detalhe é revelado.

Apesar disso, os benefícios podem compensar. “Blockchain dá segurança aos operadores. Além disso, tem propriedades que podem mudar a forma como as coisas funcionam e uma boa capacidade de gerar novas formas de negócios”, disse o superintendente do Bradesco.

Cinco projetos

O projeto do Bradesco que está mais à frente é o de remessas internacionais entre Brasil e Japão, que utiliza Ripple. Este pode entrar em operação ainda neste semestre, conforme noticiou o Blocknews no início deste mês – a reportagem está em http://bit.ly/36idtti

Um segundo bloco de testes está sendo feito em supply chain na área de seguros. A Bradesco Saúde está analisando se há vantagem em criar uma rede nesse segmento, disse Freitas.

Há ainda os testes em trade finance, com a R3, que fornece a plataforma Corda e da qual o Bradesco é um dos sócios. O banco entrou para a rede Marco Polo da R3 em maio de 2019. É um projeto de financiamento de exportações numa rede global. “Estamos analisando a tecnologia e a cadeia de valor”. A rede usa Corda e a plataforma de e negociação financeira da TradeIX. 

Um outro projeto é na área de mercado de capitais, referente a reconciliação das operações dos bancos, ou seja, troca de ativos no fechamento das operações.

E por fim, há a participação do Bradesco na Rede Blockchain do Sistema Financeiro Nacional, operada pela CIP (Câmara Interbancária de Pagamentos). Nessa rede, 9 bancos trocam informações de possíveis fraudes por celular. No futuro, esse serviço pode incluir também fraudes por desktops.

Blockchain não está apenas nos testes do banco e da seguradora. O Banco também financia o Habitat, espaço de coinovação que abriga cerca de 190 startups, sendo que algumas delas usam blockchain em suas operações.

Ripple mira crescimento da rede de bancos na América do Sul

Depois de um 2019 considerado de consolidação, com o maior crescimento da empresa desde sua fundação em 2012, a Ripple, plataforma de blockchain para transferências internacionais, entra em 2020 bastante otimista. Até o último dia do ano passado, Luiz Antônio Sacco, diretor-geral para o Brasil e América do Sul, negociava a entrada de mais bancos na rede.

“O número de clientes vai crescer e mais soluções vão se tornar realidade”, disse o executivo ao Blocknews. Além do Brasil, Peru e Chile tem tido boa performance na plataforma Ripple. Para 2020, a expectativa é de crescimento também na Colômbia. “Alguns países estão mais propensos a fluxos internacionais.”

Em boa parte, a aceitação do mercado brasileiro a uma rede blockchain de mensageria de transferências internacionais têm explicação no estágio de tecnologia dos bancos nacionais. “As equipes de inovação das instituições financeiras estão preparadas para implantar uma inovação como a plataforma em blockchain da Ripple”, disse.

Além disso, há as fintechs, que muitas vezes trabalham com os bancos para adotarem esse sistema. Ouro ponto é que bancos como o Santander já usavam a plataforma no exterior e passaram a adotá-la aqui.

Um dos clientes da Ripple que pode começar em breve a usar a plataforma comercialmente é o Bradesco. O banco está em testes avançados para as transferências no corredor Brasil-Japão. Na outra ponta está o MUFG (Mitsubishi UFJ Financial Group). O Japão está entre os 5 maiores mercados de remessas globais, segundo Sacco.

A empresa não revela número como os de transações, clientes e rankings por país, mas confirma que o Brasil detem 30% das entradas e saídas de remessas.  Concorrente da Swift, a Ripple afirma que consegue reduzir custos dos bancos e portanto, a cobrança para os clientes. Dentre as vantagens de se usar blockchain, está a de poder usar uma quantidade maior de informações nas transferências.

Os valores cobrados pelos bancos variam conforme suas políticas, segundo o executivo. É possível que hoje, menos cobrando menos, façam mais transações com a redução dos valores , o que pode atrair mais clientes.

Uma das formas disso acontecer é por meio do uso da criptomoeda XRP que a Ripple criou e que segundo o CoinMarketCap, é a terceira do mundo em capitalização de mercado. Onde há regulação ela pode ser usada. No Brasil, ainda não. Os bancos usam a XRP para fazer as transferências, o que reduz o custo com o pré-financiamento de compras e provê liquidez.

Na América Latina, a moeda começou a ser usada no corredor México-Estados Unidos pela MoneyGram. Em novembro, o CEO da empresa, Alex Holmes, anunciou que 10% das transferências eram feitas com a XRP. Para Sacco, o México mostra a viabilidade da criptomoeda para esse tipo de operação. “A XRP não é uma moeda de especulação. É um ativo para fluxo de recursos sem alocação de compra.”

A Ripple investiu US$ 50 milhões na MoneyGram em 2019 e tem 9,95% de participação na empresa. Há 15 dias, a empresa anunciou também recebeu US$ 200 milhões em investimentos Série C liderado pela Tetragon, com a SBI Holdings  e a Route 66 Ventures.

Em 2019, a Ripple ultrapassou a marca de 300 clientes no mundo e suas transações aumentaram 10 vezes na comparação com o ano anterior na plataforma blockchain RippleNet, a rede de bancos, instituições financeiras e provedores de pagamentos.

Bancos analisam compartilhar procurações por blockchain

A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e a Câmara Interbancária de Pagamentos (CIP) estão analisando o potencial uso de blockchain para compartilhamento de procurações e poderes de clientes. Isso se daria pela Rede Blockchain do Sistema Financeiro Nacional (RBSFN), lançada em 2019, que tem 9 bancos como membros. A ideia é implantar a atividade neste ano, se tudo correr bem, disse ao Blocknews o diretor de Políticas de Negócios e Operações da Febraban, Leandro Vilain.

Inicialmente o serviço é pensado para clientes pessoa jurídicos. “Adotar blockchain nesses casos poderia agilizar processos como o de abertura de contas, fechamento de câmbio e revogação de poderes”, afirmou o diretor. Se o documento é validado e colocado na rede por um banco, os outros poderiam aceitá-lo e imediatamente teriam efeito nos membros da rede. Numa revogação de poderes, por exemplo, se um alguém tentar fazer uma operação para a qual não tem mais poderes, a agilidade do compartilhamento de informações pode impedir isso.

A redução de tempo e custos será tanto para os clientes, que não precisam emitir e andar de um lado para outro para distribuir esses documentos, como para as instituições financeiras na validação.

Mas, um dos desafios desse projeto é cada banco aceitar a validação feita pelo outro. As áreas jurídicas, por exemplo, têm de se acertar e as padronizações podem facilitar esse caminho.

Na RBSFN, 9 bancos trocam informações relacionadas a potenciais fraudes cometidas por celular. Os bancos são Banco do Brasil, Banrisul, Bradesco, Caixa Econômica Federal, Itaú, J.P. Morgan, Original, Santander e Sicoob. A tecnologia é a Fabric Hyperledger. Mas Vilain disse que a Rede poderá usar no futuro outras soluções, se necessário.

A Febraban não revela os investimentos em blockchain e o número de fraudes captadas por celular. “Escolhemos esse projeto porque o número de fraudes por celular não é significativo. O objetivo é testar se blockchain funciona e fatores como padrão de segurança e como conectar os bancos à tecnologia.”

Por 3 anos, Febraban e CIP estudaram se, e como, adotar a tecnologia. Inicialmente pensou-se em aplicá-la na plataforma de boletos lançada em 2017. “Fiquei noites sem dormir pensando se era o caso, mas decidimos não, porque o projeto já era complexo. Foi a decisão certa”, diz o diretor da Febraban. O motivo é que 4 bilhões de boletos são processados ao ano e a plataforma blockchain não daria conta disso, por causa da limitação de transações por minuto.

Agora, com a RBSFN, os bancos estudam o que mais podem fazer nela. Para cada atividade, são adicionados usos e feitas as programações necessárias.

Bradesco testa blockchain entre Brasil e Japão

O Bradesco está em fase avançada de testes para realizar a mensageria de transferências de dinheiro por blockchain entre o Brasil e o Japão. A expectativa é de que o serviço seja ofertado aos clientes ainda neste semestre, segundo Roberto Medeiros Paula, diretor da área internacional do banco. “Queremos participar desses projetos (em blockchain) porque quem decidir esperar para experimentar uma nova tecnologia, vai ficar muito atrasado”, afirmou o executivo.

Nos testes, o banco já viu que usando blockchain, as transferências caem de uma média de 2 dias pelo sistema Swift, para segundos, porque há uma redução nos processos. “Os custos também caem de forma substancial”, diz o diretor. Os valores ainda estão sendo confirmados, segundo ele. Há ainda a segurança, que é maior, com as verificações de dados pelo registro distribuído (distributed leddgers) e pelos bancos nas pontas.

O Bradesco está usando a blockchain da Ripple e na outra ponta está o banco japonês MUFG (Mitsubishi UFJ Financial Group). A transferência total de recursos (o que entra e sai do Brasil) entre os dois países é de cerca de US$ 2,5 bilhões, segundo Paula, que não informou a parcela da instituição brasileira nesse valor. O Japão é um dos 5 maiores mercados de remessas do mundo, de acordo com Luiz Antonio Sacco, diretor-geral da Ripple para o Brasil e América do Sul.

O plano do banco é oferecer de forma clara, aos clientes e não clientes, as opções disponíveis para transferir recursos. Vai ser possível então saber o tempo e o custo de cada serviço disponível, como Swift, Western Union e Ripple. “Imagino que a Ripple vai ser mais barata e mais rápida do que as outras”, diz Medeiros Paula. A limitação é sua capilaridade, uma vez que a rede tem hoje 300 instituições financeiras, enquanto a Swift está no mundo todo. Essa limitação geográfica a Ripple reconhece. Mas o início da Swift também foi assim.  

As informações de remessas farão parte de uma nova plataforma multicanais e multiparceiros do Bradesco, que poderá ou não ser lançada junto com o novo serviço de transferência. E são remessas de todos os valores, em que o cliente escolhe o que prefere usar. “É quase uma preparação para o open banking. Precisamos estar preparados para tudo”, disse o executivo.

O Bradesco não está usando a criptomoeda XRP da Ripple porque não há regulação no Brasil para isso. “A XRP não é uma moeda de especulação. É um ativo para fluxo de recursos sem alocação de compra pelos bancos”, afirmou Sacco. Segundo o CoinMarketCap, a cripto é a terceira do mundo em capitalização de mercado.

Os testes com a Ripple para o Japão começaram em setembro, junto com o teste entre as filiais do banco em São Paulo, Nova York e Ilhas Cayman. Nesse caso, são feitas transferências de recursos internos e deve continuar assim, podendo no futuro atender também clientes que tenham conta nessas unidades e queiram fazer as remessas.

Para Medeiros Paula, o grande desafio é se chegar a uma rede aberta para todos. A questão é segurança, o temor de saber que um nó da rede vê o que o outro está fazendo. “Temos que esperar a próxima onda.”

BC vai adotar blockchain em pagamentos instantâneos

O Banco Central (BC) se prepara para facilitar a vida dos cidadãos, com o uso de blockchain para pagamento instantâneos. A ideia é que o sistema esteja em operação no final de 2020, segundo reportagem de O Estado de S. Paulo.

Esse novo sistema de pagamentos deverá substituir as TEDs e os DOCs e funcionará 24×7.

Já há bancos utilizando a tecnologia blockchain para transferências internacionais de dinheiro, como o Santander, e um grupo de bancos está conectado trocando informações sobre movimentações de contas suspeitas feitas por celular. Esse último é uma iniciativa da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) e da Câmara Interbancária de Pagamentos (CIP).

Além dos pagamentos instantâneos, o BC estuda outras iniciativas que vão dar maior agilidade e transparência ao sistema bancário brasileiro, como o open banking.

China lançará criptomoeda

A China anunciou que lançará sua própria criptomoeda, que vai substituir dinheiro em circulação (M0). Tudo bem que pagar um café com dinheiro na China pode ser difícil, mas convenhamos que este é um passo importante. Fora que é uma briga com a Libra, do consórcio do Facebook. Velha disputa Oriente x Ocidente?