Open Finance pode ajudar a combater racismo e preconceito contra excluídos financeiros

Terceiro encontro do WLF.

Com cerca de 155 milhões de usuários cadastrados, o Pix contribui para a inclusão financeira de muitos brasileiros que fizeram a primeira transação digital usando o sistema. A expectativa agora é que o Open Finance que já está operando – e o Drex que deve entrar no mercado em cerca de um ano – tenham o mesmo impacto na vida de quem tem dificuldade de acessar serviços e produtos financeiros.

“O Open Finance é uma ruptura no mercado e vem para democratizar e aumentar a inclusão financeira”, disse Andressa Tavares, líder de open finance e inovação do Banco Mercantil e host dos podcasts Let’s Women e Black Voices, ambos da plataforma Let’s Media. Ela participou de uma discussão promovida na última quarta-feira (25) pelo movimento Women Leaders in Fintechs (WLF). O evento, em sua terceira edição, aconteceu na sede da Distrito Fintechs e discutiu o tema “O que esperar do mercado financeiro do futuro”.

Na visão das especialistas, o Open Finance pode ajudar a destravar o acesso a crédito, porém os atores no setor precisam furar a “bolha” e, assim, construir produtos e serviços que realmente resolvam problemas reais dos clientes. Nesse sentido, é fundamental ter equipes diversas para desenvolver as soluções. “Quando pensamos em experiência, o horizonte é quase infinito, mas é importante que tenha diferentes pessoas pensando nos problemas”, afirma Ana Luiza Martins Castro, head de pagamentos da fintech AstroPay.

Para Andressa, a competitividade que o open finance tenta gerar poderá ajudar a solucionar problemas como o do crédito, porque há discriminação para pessoas negras, que se traduz também o racismo de algoritmos. Mas, as instituições financeiras precisarão “traduzir” o que isso quer dizer para os clientes. Por exemplo, como uma microempresa que tem vários cartões poderá gerenciar seus recursos.

Brasil ignora a força da sua diversidade

A questão da inclusão vai além de abrir espaço para quem estão fora ou pouco inserido na economia e nas finanças. Para Alana Ozemela, vice-presidente de Impacto Social do iFood, o Brasil sabe pouco sobre como aproveitar os talentos negro e o das mulheres, por exemplo. Estudos mostram o impacto positivos da diversidade nos resultados das empresas e no crescimento econômico do país, completou.

Alana lembrou que quando se fala em inclusão, recortes sociais e geográficos também devem ser considerados. A executiva trabalhou por sete ano no Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), onde estruturou programas de investimentos com foco em negros e indígenas, por exemplo. E disse que é comum os investidores questionarem se projetos com esses grupos são rentáveis. “Muitas exclusões acontecem no due diligence”.

Fundadora do grupo de investidoras anjo Black Women Investment Network (Black Win) e DIMA Ventures Lab, Alana lembrou que em 2015 não havia investidores anjo negros no Brasil. E para facilitar o acesso a investimentos por grupos mais diversos, o Black Win lançou o Guia Estratégia de Investimento Inteligente em Diversidade para Instituições e Gestoras de Investimento. O guia pode ser usado por qualquer empresa ou instituição financeira interessada no assunto.

Educação e esforço conjunto

Em meio a tantas novidades que surgem no setor financeiro, um dos grandes desafios das empresas é a educação dos clientes. “Pense que, num espaço de cinco anos, vamos ter Pix, Open Finance e Drex. É muita coisa. Os atores do mercado precisam trabalhar juntos nesse processo educacional”, defende Ana Luiza da Astropay. 

O Drex, por exemplo, vai incluir a tokenização da economia, afirmou. E além desses novos sistemas, no longo prazo o sistema poderá enfrentar um momento de inflexão porque já há pagamentos com criptomoedas sem lastro como bitcoin e há empresas usando stablecoins. “A questão é se as pessoas vão aceitar se são críveis”.

Esse esforço de educação dos usuários, inclusive, é crucial para o combate às fraudes, que escalaram nos últimos anos. De acordo com Janaína Attie, chefe da divisão do Departamento de Regulação do Sistema Financeiro no Banco Central (BC), a atuação do órgão em relação a esse tema envolve, principalmente, três frentes: regulação, comunicação e supervisão. 

“O BC tem um trabalho muito grande em relação a fraudes. Em regulação, por exemplo, a norma mais recente (Resolução nº 6) entrará em vigor agora em novembro. Desenvolvemos também iniciativas de comunicação integrada com o mercado, assim como uma ação forte de supervisão nas instituições”, destacou a porta-voz do BC. Janaína disse ainda que a regulamentação da Lei 14.478 que trata do provedores de produtos e serviços ligados a criptomoedas vai fundo na PLD vai fundo na questão do combate à Lavagem de Dinheiro.

A advogada Nicole Dyskant, que é assessora de empresas de criptoativos como a Fireblocks, que atua em segurança, disse ainda que a preocupação dos clientes com segurança é legítima. E que no mercado descentralizados, o regulador talvez tenha de ter controles de segurança adicionais por conta do uso de blockchain.

O Women Leaders in Fintechs é um grupo criado para combater a baixa participação feminina em fintechs. O lançamento foi em 4 de julho passado. O WLF vem organizando uma série de eventos temáticos nos últimos meses e próximo será no início de dezembro. 

*Reportagem escrita em conjunto com o Finsiders Brasil, parceiro do Blocknews.

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