Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

J.P. Morgan faz primeira operação com blockchain no trilhardário mercado de recompra de títulos

O J.P. Morgan, o banco americano tradicional que mais tem mostrado interesse em blockchain, informou hoje (10) que fez a primeira transação no trilhardário mercado de recompra de títulos (repo) usando a tecnologia. Com isso, a transação aconteceu em horas, ao invés de dias. O banco vai oferecer comercialmente a solução no mercado dos Estados Unidos (EUA), um dos maiores do mundo em recompras.

A JPM Coin, moeda digital do banco, também foi usada na transação, que aconteceu entre o broker do banco e a unidade bancária. Segundo Scott Lucas, líder de mercados DLT do banco, o mercado de recompra tem algumas ineficiências técnicas. “Identificamos blockchain como forma de reduzir o perfil do risco do intraday de nossos clientes.”

O mercado de recompras – tipo de empréstimos de curto prazo – e de recompra reversa é de cerca de US$ 12 trilhões em transações, segundo dados de 2018 do Bank of International Settlements (BIS). Desse total, cerca de US$ 9 trilhões são títulos de governo. Junto com os EUA, a Europa é um dos maiores mercado onde acontecem as operações.

Mais crédito disponível

A plataforma blockchain cria oportunidades de processos e acelera o tempo no mercado, disse o J.P. Isso porque as operações, além de complexas, envolvem vários participantes. Dessa forma, há dificuldades para que esses financiamentos atendam às necessidades de liquidação intraday.

De acordo com o banco, blockchain permite que credores e tomadores do empréstimo façam transações de curto prazo em tempo real. Há ainda uma operação de acordo simultâneo, gerando a liquidez. Tanto as partes de colateral e de valores foram feitas com blockchain e na parte do dinheiro, usou-se a JPM Coin.

Outras instituições já testaram a plataforma, inclusive envolvendo o Goldman Sachs , o banco BNY Mellon como agente e outras instituições.

Serviços de moedas digitais

Mas o J.P. não para por aí. Depois criar uma unidade de negócios focada em blockchain, a Onyx, a stablecoin, a plataforma Quorum, que agora é da Consensys, onde investiu, o banco quer oferecer serviços de pagamentos e de moedas digitais para as maiores plataformas de e-commerce do mundo, segundo disse o executivo de pagamentos de atacado num evento.

De acordo com Mathew McDermott, líder lobal de ativos digitais do Goldman Sachs, “Esse é um projeto que mostra como blockchain pode resolver problemas do mundo real do sistema financeiro. Esperamos usá-lo no início de 2021.”

“A tecnologia de registro distribuído assegura que os clientes terão sua demandas de crédito atendidas e de forma rápida”, afirmou Brian Ruane, CEO do BNY Mellon Clearance & Collateral Management.

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