Elo e Tokenverse trabalham em carteira digital com operações programadas

Equipes da Elo e Tokenverse no Pitch Day do Next.

Uma carteira digital de auto-custódia, vinculada a uma instituição financeira (IF) e que é um contrato inteligente, permitindo a automação e a programação de operações como pagamentos e transferências de recursos entre carteiras. Portanto, replicando operações das finanças tradicionais. Esse é o projeto “SmartSafe” da Tokenverse, startup de soluções de inteligência de dados, e da Elo. E que foi um dos nove escolhidos para Lift Lab, programa que por ora está suspenso.

Para conseguir esses avanços no modelo de carteira digital, o projeto prevê o uso da solução Account Abstraction (abstração de contas). É algo que a própria Ethereum – leia-se inclusive seu fundador, Vitalik Buterin -, sugere para aumentar o uso e utilidade das criptos. Isso porque permite a programação, o que hoje não acontece. Além disso, se o usuário sabe quando fará a transação, também sabe quando precisa ter ETH na conta para pagar a taxa gas, sem precisar ter isso isso à mão sempre.

A ideia da carteira digital começou na segunda edição do Aceleração Next, que terminou neste ano. O Next, como o Lift, é um programa de inovação do Banco Central (BC) e da Federação Nacional dos Servidores do BC, mas para startups em estágio mais avançado. A Elo é mantenedora e mentora e escolheu os projetos da Tokenverse e da CConsensus. Os dois, aliás, estão no Lift Lab 2023. O Next acabou, mas as duas empresas decidiram continuar explorando a carteira, tokenização a operações como o real digital, o Drex.

Renato Preti, CEO e co-fundador da Tokenverse, disse ao Blocknews que além de automação e programabilidade, o projeto prevê uma carteira que tenha mais de um dono. “É possível colocar uma série de regras (na carteira), como saque de uma carteira para outra. Além de haver facilidades e mais eficiência às transações, há mais segurança porque o ‘copia e cola’ (de uma operação errada) na Web3 pode ser recuperado”. Fora que melhora o combate a fraudes, completou.

De acordo com Mariana Handfest, coordenadora de inovação da Elo, a empresa incentivou o uso de Account Abstraction no projeto na fase do Next. Para a Elo, é importante explorar a ideia da carteira digital “porque, no limite, possibilita uma aproximação técnica entre quem paga e quem recebe dinheiro. Se pensarmos em como vamos atuar na economia tokenizada, isso faz sentido”. Mas, ela também disse que ainda se está um pouco longe de saber como funcionaria a integração dos cartão, tokens e eventuais criptos no dia a dia.

No Lift, um ponto fundamental que vão explorar é a questão regulatória. “Temos questionamentos a fazer. Um deles é: se a custodia é própria, como fazer com o Sisbajud para bloqueio de ativos? Quais as normas de segurança?”, exemplifica Preti. O Sisbajud é o sistema de comunicação eletrônica entre a Justiça, instituições financeiras e outras instituições autorizadas a funcionar pelo BC.

Ao se interessar por um projeto como esse, a Elo busca uma forma de permitir que as instituições financeiras deem aos seus clientes a possibilidade de programarem operações com criptoativos. E pode ser também com o Drex. A princípio, com tudo isso replicando no mundo da blockchain o modelo tradicional de cartões, que inclui a instituição financeira, a credenciadora – como a Cielo, por exemplo – , a bandeira – como a Elo -, e o consumidor.

Além de instituições financeiras, empresas também poderiam usar a carteira. Isso porque imagina-se que no futuro haverá mais casos de tokenização nesse segmento e que poderão até emitir tokens. A questão, como tudo o que envolve blockchain, é que ao longo do tempo é que se descobre o que é possível fazer com uma solução.

O CEO da Tokenverse afirmou ainda que a ideia com a carteira digital “é trazer minimamente o que tem no banking online e o usuário dele para uma eventual Web3”. E que o custo de uma de transação pode sair até mais barato do que a do Pix. Um dos motivos é que intermediários nas operações podem continuar a existir, mas os processos serão mais eficientes. Um exemplo seria o pagamento de pedágio da carteira digital do usuário para a carteira digital de concessionária de uma rodovia.

Enquanto a Tokenverse faz um aporte técnico ao projeto a Elo tem experiência e relacionamento com instituições financeiras e, assim, pode conversar com esse segmento para ajustar o produto ao mercado (market fit, em inglês), afirmou Mariana ao Blocknews.

A empresa de pagamentos tem feito uma série de ações envolvendo inovação e que incluemtrazer para dentro de casa as startups. Uma delas é o programa Elo Conecta, para startups em fase inicial. A Elo também criou um laboratório de inovação no início deste ano. No real digital, está num consórcio com a Caixa e a Microsoft que pretende testar, por exemplo, pagamento de financiamentos de imóveis com real digital. A empresa também é mantenedora da próxima edição do Aceleração Next, que está na fase de seleção das startups.

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