Elo e CConsensus trabalham em integração entre blockchain e sistema tradicional

Foto: Ricardo Gomez Angel, Unsplash.

A interoperabilidade entre redes blockchain é um dos pontos mais sensíveis dessa tecnologia – tanto para criar, como para ser segura. A integração entre uma blockchain e sistemas tradicionais, então, nem se fale. Mas é nisso que a Cconsensus, startup de Brasília especializada em Hyperledger, e a Elo vão trabalhar. O projeto, inovador e ambicioso, é um dos nove escolhidos do Lift Lab 2023, programa do Banco Central (BC) e da Federação Nacional dos Servidores do BC (Fenasbac), que por ora está suspenso.

O GWI (Gateway de Interoperabilidade) é um dos dois projetos da Elo nesta edição do Lift Lab e, assim como o outro com a Tokenverse, fez parte do Aceleração Next que terminou neste ano. A empresa de cartões é mantenedora e mentora do Next, que também é do BC e da Fenasbac, e escolheu a Cconsensus e a a Tokenverse para seguir na segunda edição.

De acordo com Welvis Fernandes, CMO da Cconsensus, já houve uma Prova de Conceito (PoC) da interoperabilidade entre blockchain Hyperledger e um sistema legado. Mas, é algo que ainda precisa de maturação. “Há muita coisa ainda a ser desenvolvida. Sabemos que as tecnologias mudam e têm nuances no sistema de cada instituição”, afirmou ao Blocknews.

Entre os pontos que a dupla Cconsensus – Elo prevê trabalhar no Lift está a regulação. Esse é um tema padrão no programa, já que é preciso saber se uma solução funciona e se está adequada à regulação, ou, como adequar as regras à nova solução. Outro ponto a trabalhar é a segurança, outro tema padrão. Pontes em blockchain têm sempre um risco em maior ou menor grau. Inclusive, são pontos de fraqueza que os hackers adoram e usam para roubos.

Elo e Cconsensus juntas desde o Next

Equipes da Elo, Cconsensus e Tokenverse.

Mariana Handfest, coordenadora de inovação da Elo, disse ao Blocknews disse que a interoperabilidade envolvendo blockchain era um dos pontos de foco da segunda edição do Next e o BC sempre cita essa questão como uma dor. Assim, a dupla escolheu trabalhar nesse assunto.

“O real digital é EVM (Ethereum Virtural Machine), mas pode ter troca de tokens que não estão em EVM. Por isso, quisemos expandir esse ponto no Lift Lab. Uma vez que houver o real tokenizado, como depósito tokenizado, veremos como se integra com o (sistema) tradicional. Ainda é uma dúvida de todo mundo”, completou Mariana. O piloto do Drex é em Hyperledger Besu.

Fernandes lembra que o chefe-adjunto do Departamento de Tecnologia da Informação (Deinf) do BC, Aristides Cavalcante, já falou sobre a importância de escalabilidade, privacidade e interoperabilidade. “A gente vai quebrar pedra junto. É um projeto de vanguarda”.

Segundo o CMO da CConsensus, a interoperabilidade entre blockchain e sistema tradicional também serviria para as empresas, portanto, não apenas para instituições financeiras. “Serve se eu tiver um token de um ativo e quiser trocar com outro ativo em outra rede”, como acontece com bancos, por exemplo.

Troca atômica de ativos

A Cconsensus trabalha com empresas e governo e existe há 10 anos. Um dos projetos é com o Detran de Brasília, para uso da rede blockchain. Um outro exemplo é uso de blockchain para rastreamento de medicamentos, para evitar perdas no transporte. Assim, juntas unem esse conhecimento em blockchain com o conhecimento do sistema tradicional que a Elo tem.

As empresas explicaram que no Next houve questões técnicas que garantiram a segurança do gateway, com troca atômica e trava de ativos. Um outro ponto do teste foi, por exemplo, a construção de uma API de identidade para uma pessoa transferir um ativo de uma rede para ela mesma em outra rede.

Segundo Mariana, a Elo está se aproximando de empreendedores do universo de tokenização à medida em que esse movimento acontece. Além disso, tem seu próprio programa de inovação, o Elo Conecta, e um laboratório interno. A empresa também faz parte do piloto do Drex num consórcio que inclui Microsoft e Caixa. O grupo pretende testar, por exemplo, pagamento de financiamento de imóveis com o real digital e uso de cartão.

Elo testa blockchain também com Tokenverse

“Estamos acompanhando muito de perto o movimento de inovação do mercado para pagamentos que sejam na economia tradicional ou tokenizada. A gente busca novas oportunidades no mercado e valida soluções. Uma possibilidade é explorar esses casos de uso na terceira edição do Next”, completou a coordenadora de inovação da Elo. Nessa edição, a empresa pretende trabalhar com segurança de transações e identidade digital descentralizada.

O projeto da Elo com a Tokenverse no Lift Lab 2023 é de uma carteira digital de auto-custódia vinculada a uma instituição financeira (IF) e que é um contrato inteligente. Assim, permite automação e programação de operações como pagamentos e transferências de recursos entre carteiras. Portanto, replica operações das finanças tradicionais.

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