Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Fintech de cripto Credix recebe aporte de US$ 2,5 milhões para dar crédito a outras fintechs

Time da Credix Finance, que fará primeira operação de crédito a fintechs em janeiro. Foto: Credix Finance.

A Credix, nova fintech que quer ser um marketplace de crédito de finanças descentralizadas, recebeu um aporte de US$ 2,5 milhões (cerca de R$ 15 milhões). Com os recursos, vai montar o marketplace que pretende oferecer um processo diferente para fintechs tomarem empréstimos, custos mais baixo e redução de até 80% no tempo para fechar o contrato de crédito. A previsão é fazer a primeira operação em janeiro próximo com quatro startups.

A ideia é ser um marketplace em que as fintechs colocam suas necessidades de crédito e suas condições de juros, por exemplo. E quem se interessar em oferecer os recursos, tenta fechar o negócios. Entre os investidores estão os brasileiros Fuse, fundo de venture capital que usa blockchain no seu negócio, e a Transfero Swiss, de produtos financeiros.

“Acreditamos fortemente que blockchain tem o potencial de fazer uma disrupção nos mercados globais de dívida. Ao unir o mundo das finanças descentralizadas com ativos  reais, podemos agregar um valor imenso para o mercado”, diz Thomas Bohner, fundador e CEO da Credix. De acordo com ele, nos países emergentes o crédito chega a custar 250% ao ano.

A Credix vai focar em fintechs que precisam de crédito para depois emprestar esse capital como parte de seus negócios. Não são as grandes, como Nubank. Mas as que necessitam de valores de até US$ 20 milhões (cerca de R$ 100 milhões), diz Chaim Finizola, também fundador e Chief Growth Officer (CGO) da Credix.

“Vamos focar em fintechs que precisam de crédito mais barato e não conseguem nos grandes bancos. Queremos fazer parte do sistema bancário, do mundo real, mas conectando-o com as finanças descentralizadas”, completa. Antes da Credix, Finizola e Bohner eram da IntellectEU, startup de soluções em blockchain criada na Bélgica e com operações em outros mercados.

Assim, a fintech acessa a plataforma, o Know Your Client (KYC) também será descentralizado. A startup diz quanto precisa de crédito, coloca suas condições e quem quiser emprestar tenta fechar o negócio. “É um marketplace”, diz Finizola.

A DRW Cumberland e a ParaFi fazem parte do grupo de investidores. Há ainda o Solana Ecosystem Fund, Solana Ventures, Petrock Capital, MGNR, Mercurial e Parrot.

A primeira operação de crédito do segmento de criptomoedas da Credix deverá ser para quatro fintechs, entre elas a a55, parceira da Fuse. O financiamento por meio da Credix vai ajudar a A55 a crescer na América Latina, disse Hugo Mathecowitsch, fundador e CEO da a55.

Depois, serão com 15 da América Latina. Para reduzir o risco de volatilidade das criptomoedas, os investidores vão usar a stablecoin USDC, criptomoeda com lastro em moeda física. Além disso, devem usar o Brazilian Digital Token (BRZ) da Transfero. E também lançar seu próprio token no ano que vem.

Para tomar os créditos, as fintechs de crédito e outras instituições de crédito não-bancárias poderão usar colaterais recebíveis. Além disso, no futuro, poderão usar outros ativos reais. E poderão emprestar os recursos em moeda local.

Diversos investidores institucionais ou qualificados poderão investir em créditos específicos, com retornos mais elevados em “tranches júnior”. Assim como, de uma forma mais pulverizada e com menor risco, em “tranches sênior”. Nesse caso, investidores de varejo também podem investir.

“Entendemos a Credix como o início de uma disrupção gigante no mercado das fintechs”, afirma diz Dan Yamamura, sócio da Fuse Capital. “A Credix é uma ponte dos bolsões de liquidez do mundo de cripto com a necessidade de funding das fintechs. E dará às startups brasileiras acesso à lógica de descentralização das finanças em primeira mão.”

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