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Cozinha das instituições financeiras é desorganizada, diz CEO do Zro Bank, que usa blockchain em três frentes

Edisio Pereira Neto, CEO do Zro Bank, que pretende atingir 1 milhão de downloads de seu app.

Por trás do primeiro chat bank da América Latina, que teve 30 mil downloads do seu aplicativo no primeiro mês de lançamento, está o uso de blockchain em três frentes: dados internos para controladoria, integração com plataformas de moedas criptografadas e transferências internacionais de dinheiro. É assim que o quer ser um exemplo global de transformação do setor financeiro.

“As companhias movimentam bilhões de dólares, mas a cozinha do mercado financeiro é desorganizada e não é integrada. A tecnologia blockchain vem justamente para suprir isso, integrar e ser transparente para os clientes”, disse em entrevista exclusiva ao Blocknews o CEO e um dos fundadores do banco, Edísio Pereira Neto.

O responsável pela área de tecnologia do banco é Marco Carnut, CTO, que criou a Coinwise, empresa que ficou conhecida por permitir pagamentos em criptos (ver matéria com o CTO).

O executivo teve contato com blockchain em 2016, numa viagem aos Estados Unidos. Lá, andou pelo Silicon Valley, visitou empresas como o Google, percebeu questões como a importância da diversidade dos funcionários para quem quer ser global, como o Zro quer ser.

E isso, associado à sua percepção de que seu segmento de câmbio corria risco de ser dragado por empresas de tecnologia no futuro, percebeu que era hora de começar a matar seu próprio negócio.

O ideal é balanço em blockchain

Pereira começou a empreender aos 16 anos, quando teve sua primeira casa de câmbio. Passados alguns anos, vendeu sua rede, que chegou a 15 pontos, para o Grupo B&T, a maior do país e um de seus parceiros de negócios. Se tornou sócio e diretor.

Hoje, aos 32 anos, está pivotando o braço de câmbio, que ainda existe, para um negócio com pretensões de ser global, com carteira e transferências em moedas fiat e criptomoedas.

“Porque toda instituição financeira tem tanto problema de conciliação, de balanço, se tem blockchain que permite ter dados abertos? O mundo ideal é consultar o balanço online (em tempo real). Então, o Zro Bank é só o primeiro passo do que vai acontecer com o mercado financeiro e outros mercados. A gente ainda sofre um pouco porque não pode fazer algo que vai ser feito em 10 anos.”

Início escalonado dos serviços

Sim, a ideia é permitir que os clientes do banco acessem o balanço em tempo real no futuro por meio de blockchain. Não é à toa que o Zro se apresenta como um banco transparente. Isso será possível quando toda a operação em reais estiver refletida em blockchain.

O Zro Bank, que faz parte do B&T, quer ser banco, carteira digital e exchange numa única plataforma. Para isso, já colocou em funcionamento a conta corrente em reais e bitcoin e as operações de chatbank, pagamento de contas, geração de boletos e transferências bancárias, sem tarifas.

Agora em dezembro, prevê iniciar as operações com Pix. Em janeiro devem começar as transferências internacionais, inclusive em criptos. E até março de 2021, o banco prevê oferecer cartão de crédito com cashback em cripto e conta em dólar e euro. O cartão de débito deverá fazer a conversão de real para cripto e vice-versa e o cliente escolhe de onde vai pegar o dinheiro para pagar uma conta, se da conta em fiat ou cripto.

Tem FGC?

Segundo Edísio, umas das principais perguntas que recebe é se a conta no Zro Bank é coberta pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O FGC é um grupo de bancos que cobrem até R$ 250 mil de um investidor num grupo financeiro. “Os clientes ficam preocupados com quem está o dinheiro, mas não onde ele está. No bitcoin, você pode saber se uma exchange tem as moedas”, responde.

Os clientes foco são usuários de criptomoedas, pessoas que querem fazer pagamentos internacionais ou proteger patrimônio com euro, dólar e ouro, como imigrantes, turistas, desbancarizados e clientes locais mas de outros mercados, que querem mandar dinheiro para ao Brasil.

Para a geração Z, que quer o novo

Por isso, o Zro é um projeto especialmente para a geração Z, nascida entre 1995 e 2010 com um celular na mão e que começa a sair da faculdade, ou seja, que começa a entrar no mercado de trabalho. A ideia é que esses clientes façam tudo em três cliques.

Esse grupo é estimado em 20% da população mundial. Segundo estudo da McKinsey com a agência Box1824, são jovens que querem a verdade, liberdade, são inclusivos, abertos ao diálogo, gostam do novo, conectados e aderem a causas que querem transformar o mundo num lugar melhor.

Para esse mercado, blockchain pode cair como uma luva, visto que a ideia do Zro Bank é dar aos clientes opções em criptos, uma novidade, e serviços como recibos que mostrem a operação feita e não apenas confirmem a operação.

Sensação do que é instantâneo

O banco vive então em dois mundos, já que o mercado ainda não está preparado para tudo em blockchain”, diz Pereira. “Queria muito que fosse “clicou, chegou, com operações peer-to-peer (P2P), mas ainda não posso, porque não há instruções normativas para isso. Porém, consigo fazer isso em bitcoin e stablecoins. Estamos dando a sensação do que é instantâneo”.

Segundo ele, um dos maiores desafios de projeto, que consumiu R$ 7 milhões dos sócios, é trazer para o time profissionais que entendam de blockchain. Por isso, a BitBlue, exchange do B&T e que é a plataforma de cripto para o Zro Bank, acabou comprando a Coinwise, carteira de criptos, e seu fundador, Marco Canut, se tornou CTO do Zro.

Não vale só o “checão”

Agora, o banco negocia a entrada de um sócio investidor, que poderá aportar cerca de R$ 20 milhões. É a primeira rodada fora do grupo dos fundadores e a intenção é que seja “smart money”, ou seja, que o sócio agregue expertise ao negócio. O nome pode ser divulgado no primeiro trimestre.

“As fintechs adoram falar que vão acabar com grandes bancos, mas a maioria gosta de ver um cheque grande para abraçar. Não adianta pagar milhões e engessar nosso negócio”, diz o CEO do Zro Bank.

Esse dinheiro será usado, por exemplo, para a internacionalização. “Quero ter opção de dólar e euro com onboarding de qualquer lugar. O Zro foi construído para isso.”

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7 comentários em “Cozinha das instituições financeiras é desorganizada, diz CEO do Zro Bank, que usa blockchain em três frentes”

  1. Chegou pra organizar então? Colocar a banda pra operacionalizar é fácil, difícil é manter o processo e as obrigações em ordem. Vamos esperar mas estou achando muita prosa pra pouco produto/movimento ainda.

    1. Olá, obrigada por seu comentário. Sim, vamos acompanhando. A promessa de blockchain é tornar tudo mais organizado e transparente, mas acompanhar esses processos é parte do nosso trabalho aqui no Blocknews! Abs!

      1. Juliano Henrique

        Exatamente pela matéria percebe-se nitidamente que o CEO em questão se esquivou bonito da pergunta, por conta disso na minha humilde interpretação não possui o fundo garantidor de crédito e por conta disso fiquei com pé atrás, mas se a responsável pela matéria Claudia Mancini puder nos esclarecer isso ficaria grato.

        1. Caro Juliano, segue a resposta do Zro Bank ao seu comentário:

          “Os valores convertidos em Bitcoins não são cobertos pelo Fundo Garantidor de Crédito, por sua própria dinâmica de funcionamento.Entretanto, o Zro Bank permite a transferência dos Bitcoins a qualquer outra carteira, a qualquer tempo, portanto, o usuário que tem preocupações quanto a liquidez do banco, pode manter seus Bitcoins em uma carteira própria, utilizando o banco apenas para fazer as conversões entre moedas. Importante salientar que manter a custódia dos bitcoins em carteira própria envolve outros riscos, como por exemplo perder a senha da carteira e assim tornar seus bitcoins inacessíveis. Já sobre os valores em reais em conta corrente, somos uma Instituição de Pagamentos integrada ao Banco Topázio S/A e registrada conforme regulamentação do Banco Central. A conta do Zro Bank é uma conta com propósito de acelerar seus meios de pagamentos trazendo experiências digitais. Todo o dinheiro fica custodiado pelo Banco Topázio e aplicado em títulos públicos, que são devidamente registrados em seus balanços e auditados conforme regulamentação do Bacen, isso significa que, se algo acontecer com o Zro, você não perde seu dinheiro.”

  2. A iniciativa zro Bank é muito legal, os meninos estão trilhando uns dos caminhos das instituições financeiras do futuro , muita coisa ainda é sonho porém logo será possível implantar, se o público vai demandar se vai haver uso que justifique o investimento o tempo é quem é senhor da razão! Parabéns ao zro Bank!

    1. É isso mesmo, Nelson! Um projeto muito interessante e que o tempo vai dizer o que vai funcionar. Nossa torcida é sempre por um sistema inclusivo, mas acessível e mais eficiente! Obrigada por nos acompanhar!

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