Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Implantação do open banking é “meio do caminho” para real digital, previsto para até 2022

Implantação do open banking deve trazer mais competição e inclusão. Foto: Eduardo Soares, Unsplash.

Começa, hoje (1), a implantação do open banking. Espécie de “meio do caminho” para a moeda digital de banco central (CBDC) do Brasil. Esse processo começou com a implantação gradual do sistema de pagamentos instantâneo Pix, em outubro passado.

Com as mudanças das infraestruturas do sistema financeiro, o Brasil volta a ser referência internacional nas ações de modernização no setor.

O presidente do BC, Roberto Campos Neto, já afirmou mais de uma vez que o Pix deve tornar o uso do dinheiro ser mais rápido, barato e inclusivo. E citou o crescimento do uso de criptomoedas como uma das razões para implantar o sistema.

Espera-se que o Open Banking trará mais competição. Portanto, produtos, serviços e taxas melhores e, como no caso do Pix, inclusão financeira. Estimava-se que o Brasil tinha cerca de 50 milhões de pessoas sem conta em banco.

O número caiu de forma expressiva na pandemia, uma vez que muitos passaram a ter conta para receber o auxílio emergencial do governo.

Implantação de real digital até 2022

Além disso, Campos Neto tem dito que a moeda digital de banco central do Brasil deve surgir até 2022. Será, de acordo com o BC, para operações de câmbio pelos turistas que vêm ao país. Isso deve facilitar, por exemplo, que usem o Pix sem precisarem abrir conta em banco para acessar o sistema.

Será um início num segmento bastante específico, como costuma acontecer com produtos em teste.

Agora, a implantação do open banking muda a lógica de relacionamento entre o cliente e a instituição financeira de diversas formas. Isso porque deverão compartilhar com seus pares seus produtos, serviços e taxas cobradas em contas e operações de crédito.

Depois, os clientes poderão ter acesso a todos os seus dados e fazer operações cruzadas entre as instituições, por exemplo.

Para isso, os brasileiros deverão se acostumar à lógica de serem donos de seus dados e buscarem as melhores alternativas. É, portanto, diferente do cenário atual. O clientes, em geral, se acomodam com o que a principal instituição que usam oferece a eles.

Bancos compartilharão dados para Open Banking

Nesta primeira fase, as instituições financeiras compartilharão com seus pares seus dados de canais de atendimento, produtos, serviços e taxas cobradas para contas correntes, poupança, contas de pagamento e operações de crédito.

Na segunda fase, que começa até 15 de julho, as instituições financeiras terão de compartilhar dados de cadastro de clientes e os dados das operações feitas pelos clientes nos serviços incluídos na primeira fase.

Ou seja, o cliente tem o direito de receber informações mais detalhadas de suas operações. Com isso em mãos, pode disponibilizar os dados para outro banco. Aqui, a competição começa a ficar mais dura.

Dados de iniciação de pagamentos

A fase seguinte é a de compartilhamento de dados de serviços de iniciação de pagamento e de encaminhamento de proposta de operação de crédito. Essa começa até 30 de agosto e também deve ajudar a gerar mais movimentos disputa de incumbentes e fintechs.

Além disso, espera-se que aí novos atores estejam entrando no mercado de pagamentos.Dentre eles, estão empresas de varejo e telecomunicações que ainda não deram esse passo.

Depois disso, até 15 de dezembro começa a última fase prevista. Nela haverá compartilhamento de informações dos clientes outras áreas. Por exemplo, investimentos, seguros, credenciamento em arranjos de pagamento, contas-salário e câmbio.

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