Com 1,4 milhão de usuários, Nubank Cripto é um dos líderes do setor; fintech quer ser ‘Super App’

Cristina Junqueira, cofundadora e CEO do Nubank. Foto: Danylo Martins.

Por toda a sede do Nubank, em São Paulo — toda mesmo, até na cozinha e nos banheiros — o visitante se depara com a frase “É só o começo”. É assim que o banco digital, que ficou conhecido pelo cartão roxo sem anuidade, decidiu comemorar seus 10 anos, seus 80 milhões de clientes e seu balanço no azul pelo terceiro trimestre consecutivo: prometendo muito mais pela próxima década. E entra na nova década com 46% dos cerca de 170 milhões de adultos brasileiros sendo seus clientes, sendo que a 57% de sua base de 75,2 milhões de clientes, tem a fintech como principal plataforma de serviços financeiros. Além disso, o banco digital responde por 23% das transações e Pix do país.

Assim como o ritmo acelerado com que chegou aos 10 anos, batendo todas as metas que apresentou em suas rodadas de captação de recursos, foi preciso apenas um mês para o Nubank Cripto ter 1 milhão de usuários após seu lançamento, em junho de 2022. Agora, tem 1,4 milhão de usuários com ao menos R$ 1 em criptomoeda na plataforma, o que a torna uma das maiores plataformas do setor, de acordo com Cristina Junqueira, cofundadora e CEO do Nubank no Brasil nesta quinta-feira (18).

Até dezembro passado, cerca de 2 milhões de pessoas tinham experimentado o Nubank Cripto. A entrada do banco digital no segmento aconteceu com a percepção de que tinha cliente transferido dinheiro para outras plataformas de cripto. Além disso, o Nubank criou a Nucoin, em março passado. O token agora serve para engajamento e está gradativamente chegando aos 75 milhões de clientes no país. No futuro, deve estar no Nubank Cripto e poderá se integrar a protocolos de finanças descentralizas (DeFi).

Para os próximos dez anos, uma ‘Plataforma de Dinheiro’

A visão de futuro, disse David Vélez, cofundador e CEO global do Nubank, é construir o que ele chama de “money platform”. É uma proposta semelhante aos super apps chineses AliPay e WeChat, com uma oferta de produtos e serviços, financeiros ou não. “Nos primeiros 10 anos, o objetivo era colocar um banco no bolso do consumidor. Agora, a meta para a próxima década é criar um ‘personal banker’ no bolso do consumidor, em uma plataforma que ajuda os clientes a consumir melhor e simplifica a vida das pessoas”, afirmou o CEO global.

David Vélez, cofundador e CEO global. Foto: Danylo Martins.

O investimento em tecnologia — incluindo inteligência artificial (IA), é fundamental para avançar nesse plano, disse o executivo. “Esse investimento já começou”, afirmou, citando que IA é uma “grande prioridade” para o banco digital. “Achamos que IA será transformacional e a velocidade da disrupção será muito mais rápida do que aconteceu com a chegada da internet e, depois, dos smartphones.”

Cristina revelou, durante a coletiva de imprensa que o Nubank fez em São Paulo para falar de seus dez anos e dos próximos, que a meta é ampliar ainda mais o portfólio de soluções olhando para nichos até então pouco explorados, como o público de alta renda – um dos que mais usam criptomoedas no país. Produtos como crédito imobiliário, melhorias no serviço de remessas internacionais e novas modalidades de seguros, por exemplo, estão no radar.

Foco maior em alta renda

Há menos de dois anos, o banco digital lançou o cartão Ultravioleta para fisgar clientes de alta renda, que hoje representam menos de 10% da base. “Quando olhamos o crescimento no faturamento de cartão de crédito do Nubank neste ano, o segmento de alta renda foi o que mais cresceu. Justamente em função da adoção do cartão Ultravioleta e da maturidade das nossas políticas de crédito”, completou a executiva.

No ano passado, o Nubank lançou 25 produtos e neste ano, até abril, outros 10. “A ideia não é oferecer tudo o que os outros bancos oferecem, mas tudo o que o cliente precisa”, afirmou Cristina. “A gente olha para o futuro vendo ‘N’ possibilidades. A gente sabe que o crédito imobiliário é algo que os clientes pedem bastante, é muito importante principalmente para os de alta renda; é algo que a gente adoraria fazer. É um produto mais complexo, que envolve processos que ainda não desenvolvemos, mas que a gente vai olhar com carinho”, disse a executiva.

O segmento de remessas internacionais é outro que segue recebendo atenção do Nubank, segundo Cristina, e tem um forte apelo para a clientela de alta renda. “Sem dúvida é um espaço que estamos olhando porque sabemos que é um ponto de dor, que importa na oferta para o cliente de alta renda”, afirmou.

Fintech já está em crédito consignado

A primeira sede do Nubank.

Nos últimos meses, além de criptos, um dos novos produtos que a fintech lançou foi o crédito consignado para servidores públicos. Esse é um segmento com menor risco de inadimplência. “Acreditamos muito no consignado, que é um crédito mais saudável, barato e podemos trazer muita inovação para esse mercado”, afirmou a executiva.

Embora esteja atento a oportunidades de fusões e aquisições, o Nubank não está interessado em comprar base de clientes, segundo Cristina. “Queremos produtos. E ainda não encontramos o alvo ideal”, afirmou, indicando que o crescimento deverá continuar sendo majoritariamente orgânico. Nos últimos anos, a companhia comprou negócios como a tradicional corretora de investimentos Easynvest e a fintech de pagamentos instantâneos Spin Pay, para ficar em dois exemplos.

Uma fala repetida pelos executivos no comando da empresa é o objetivo de ser o principal relacionamento bancário de seus clientes. Assim, há a necessidade de oferecer uma proposta de valor cada vez mais completa, com produtos e serviços que vão além das fronteiras financeiras, inclusive. Atualmente, o banco tem cerca de 80 milhões de clientes, sendo 75,2 milhões só no Brasil.

“Muito espaço para crescer”

Fintech foi superando suas estimativas.

De acordo com Vélez, há ainda muito espaço para crescer. Nessa direção, ampliar a receita média mensal de US$ 8,6 por cliente é um desafio. Hoje, as safras mais maduras já levam a receita média por cliente para um patamar próximo a US$ 24 ao mês. Mas, nos grandes bancos brasileiros, esse número está em US$ 40. Já a taxa de atividade da base do Nubank chegou a 82,1% no primeiro trimestre deste ano, o que representa 64,9 milhões de clientes ativos, ou seja, aqueles que geraram receita nos últimos 30 dias.

“Nos últimos 12 meses, adicionamos mais de 20 milhões de clientes. Isso foi mais do que o total adquirido pelos cinco grandes bancos incumbentes. E a taxa de atividade atingiu níveis históricos”, afirmou Guilherme Lago, CFO do banco digital. Além de expandir a base e aumentar a receita por cliente, o tripé para a geração de valor do Nubank inclui a manutenção do baixo custo de aquisição de clientes (CAC). “Temos um dos menores custos de aquisição, aproximadamente 70% dos clientes entram no Nubank por meio de referência de terceiros, o famoso ‘boca a boca’.”

“Não precisamos mais jogar o jogo do venture capital”

Em sua evolução na última década, David enxerga que já ultrapassou todos os riscos e obstáculos, inclusive o descrédito dos especialistas. “Não precisamos mais jogar o jogo do venture capital, isso acabou”, disse. “Temos uma das marcas mais valiosas da América Latina; escala, atendendo quase metade da população adulta no Brasil; infraestrutura de dados; lucro e talentos. Não precisamos levantar um dólar a mais para executar nosso plano de expansão.”

No primeiro trimestre deste ano, o lucro líquido do Nubank foi de US$ 141,8 milhões, contra um prejuízo de US$ 45,1 milhões no mesmo período de 2022. Além disso, receita cresceu 87% (livre de efeitos cambiais) na mesma base de comparação, atingindo US$ 1,6 bilhão. Os depósitos, por sua vez, chegaram a US$ 15,8 bilhões ao final do trimestre, alta de 34% em igual intervalo.

Apresentação do Nubank em evento de 10 anos da companhia. Foto: Danylo Martins

Nu Holdings tem US$ 2,4 bi em caixa em excesso

Segundo o balanço, o Nubank fortaleceu a sua posição de capital “como uma das instituições mais bem capitalizadas na América Latina”, com um Índice de Basiléia no Brasil de 18,7%, bem acima do capital mínimo requerido de 10,5%. Além disso, a Nu Holdings tem US$ 2,4 bilhões em caixa em excesso. Atualmente, o banco digital vale US$ 30 bilhões, mas chegou a ter um valor de mercado superior a US$ 50 bilhões após o IPO, em dezembro de 2021.

Youssef Lahrech, presidente e diretor de operações do banco, também elencou vantagens no processo de concessão de crédito da companhia. Além da tecnologia, apoiada no tripé dados, modelo e infraestrutura, disciplina na concessão de crédito mantém a inadimplência abaixo da média do mercado para cartões de crédito, por exemplo: 5,5% no Nubank, ante 8,9% do mercado. “Entre junho de 2021 e junho de 2022, 5,7 milhões de pessoas entraram no sistema financeiro formal no Brasil, e desses 55,4% começaram a investir no Nubank.”

O CEO global disse ainda que nos próximos dois anos, o banco vai se concentrar nos três mercados onde opera atualmente — além do Brasil, está presente no México e Colômbia. No México, a companhia é líder em emissão de cartões de crédito, com 3,2 milhões, e 45% dos clientes em solo asteca tiveram acesso ao primeiro cartão com a fintech. De acordo com Cristina, o país tem, inclusive, potencial de crescer mais do que o Brasil nos próximos anos, dada a quantidade de desbancarizados por lá. Enquanto que na Colômbia, em dois anos, o banco digital soma 636 mil clientes e deve lançar a conta digital até o fim do ano.

*Reportagem desenvolvida pelo Fintechs Brasil, Finsiders e Blocknews, parceiros de conteúdo.

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