Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Circle, que tem a criptomoeda USDC, entrará na Bolsa de Nova York

Circle segue passos da Coinbase e vai para a bolsa de valores. Foto: Rabbimichoel, Pixabay.

Mais uma das principais empresas do mundo das criptomoedas vai para a bolsa nos Estados Unidos (EUA). Mas, a diferença é que essa opera uma moeda. A Circle, que transaciona a cripto estável (stablecoin) USD Coin, entrará na Bolsa de Nova York (NYSE). A avaliação da empresa é de US$ 4,5 bilhões (cerca de R$ 25 bilhões), disse Jeremy Allaire, co-fundador, chairman e CEO da Circle

De acordo com Allaire, a Circle vai entrar na NYSE por um acordo com a Concord Acquisition Corp, empresa de aquisição especial de capital aberto (Spac na sigla em inglês). A Circle já tem diversos investidores, por exemplo, a Coinbase, maior bolsa de criptomoedas dos EUA e que entrou na Nasdaq em abril. Há alguns dias, a Robin Hood, que também transaciona criptomoedas, anunciou querer entrar na NYSE.

As Spacs são uma nova onda no mercado financeiro internacional. Na verdade, são fundos que levantam dinheiro com o lançamento de ações em bolsa. Com o dinheiro, compram empresas que, por tabela, estarão na bolsa. Quem investe nas Spacs recebe informação da lógica dos investimentos do fundo, mas não sabe bem onde serão alocados. Por isso, são chamadas também de empresas de cheque em branco.

Com esse investimento da Concordia e os financiamento recentes de fundos de private equity que recebeu recentemente, a Circle levantou mais de US$ 1,1 bilhão de capital (cerca de R$ 5,5 bilhões). A sigla (ticker) da empresa na bolsa será CRCL.

De acordo com o site de cotações GoinGecko, a USDC, que vale US$ 1, é a oitava moeda em valor de mercado, com US$ 25 bilhões (cerca de R$ 137,5 bilhões). A Circle diz que fez US$ 785 bilhões (cerca de R$ 4,3 trilhões) em transações na sua blockchain.

Circle entra na bolsa após USDC ter valor de mercado de US$ 25 bi

Além de operar a infraestrutura de mercado da USDC, a Circle tem serviços financeiros. Isso inclui uma conta, APIs (Interfaces de Aplicação de Informações), APIs de finanças e o recém lançado Circle Yield. Esse último permite às empresas criar programas de tesouraria para empréstimos. Além disso, a Circle tem o SeedInvest, uma plataforma de crowdfunding.

Em seu site, a Circle afirma que já realizou mais de 100 milhões de transações. Com isso, envolveu quase 10 milhões de clientes do varejo, mais de 1 mil negócios, enquanto também mantém mais de U$ 5 bilhões (cerca de R$ 12,5 bilhões) em ativos digitais.

Desde 2013, a empresa busca criar pagamentos, comércio e finanças sem fricção baseadas na internet, afirmou Allaire. “Um componente central do negócio tem sido estabelecer e expandir a USD Coin, a moeda digital com lastro em dólar que mais cresce no mundo, ao crescer 3.400% desde o início de 2021”.

A aproximação dos ativos digitais com o mercado financeiro tradicional é uma tendência global. No Brasil, o Mercado Bitcoin tinha planos de também lançar ações na bolsa, o IPO. Mas, na semana passada sua holding 2TM anunciou que recebeu US$ 200 milhões de investimento do Softbank. Assim, se tornou unicórnio, o que poderá adiar o plano.

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