Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Brasileiro é o que mais quer deixar de usar dinheiro físico, diz PayPal

Pesquisa da PayPal mostra que brasileiro gosta de dinheiro digital. Foto: PayPal.

O brasileiro é o cidadão que mais gosta da ideia de não precisar usar dinheiro fisico na comparação com China, Alemanha e Estados Unidos (EUA). Numa pesquisa da PayPal, 79% deram essa resposta, enquanto entre os chineses, por exemplo, o percentual é de 72%. Já entre os norte-americanos é de 58% e entre os alemães, 40%. As descobertas, diz o PayPal, podem indicar uma terceira onda de fintechs.

Além disso, nos quatro países os cidadãos são “extremamente” ou “de certa forma propensos” a usar uma moeda digital de banco central (CBDC, na sigla em inglês). Em especial no Brasil e na China e entre os mais jovens de 25 a 31 anos, os millennials. Aqui, esta moeda, que está em estudo, é conhecida como real digital. Isso ressalta a importância “de trazer atributos semelhantes ao dinheiro físico para o dinheiro digital emitido pelo governo” diz o PayPal.

A pesquisa “Terceira Onda de Inovação Fintech” entrevistou 4 mil pessoas. De acordo com Leonardo Sertã, líder de desenvolvimento de mercados do PayPal para a América Latina, “contribuiu para a construção dos próximos pilares da digitalização da economia e do setor de pagamentos digitais”.

“É importante ressaltar a influência do contexto local. Estamos acompanhando o grande entusiasmo com o PIX. Isso pode ter influenciado positivamente a percepção acerca da digitalização, portanto, deixando a população mais interessada por uma criptomoeda de um Banco Central, completa Sertã.

Pessoas que gostam da ideia de não usar dinheiro.

Brasil e China preferem carteiras digitais de habilitação

“A mudança para opções de pagamento digital ou mesmo criptomoedas emitidas por um BC exige uma demonstração clara de segurança e benefícios associados ao dinheiro. Isso inclui isenção de taxas, usabilidade em qualquer lugar, capacidade de controlar melhor os gastos e o anonimato”, conclui o executivo.

Além da questão do dinheiro, a pesquisa mostrou que 57% dos brasileiros e 70% dos consumidores na China preferem carteiras de motorista digitais, por exemplo. No entanto, 71% dos entrevistados nos EUA e na Alemanha preferem carteira de motorista física.

Essa descoberta ressalta, no entanto, uma tensão com um futuro sem dinheiro nos EUA e na Alemanha, onde o conforto dos pagamentos digitais pode se aplicar a CBDC. Mas, não necessariamente à identidade digital, diz o PayPal.

Apesar de haver interesse em moedas de bancos centrais, os entrevistados mostraram níveis mistos de entusiasmo por identidade digital em substituição às identidades físicas. Isso se tornaria pré-requisito para o uso geral de CBDC.

No entanto, esse desencontro pode se dever ao baixo entendimento da população sobre o que é, como funciona e quais os benefícios do real digital. Muito embora a população aceite um real digital porque é digital.

Dinheiro ainda é o método preferido de pagamento

Pessoas que aceitaram usar uma moeda digital de banco central.

A expectativa de que a digitalização com a pandemia da Covid-19 acabaria com o dinheiro ou reduziria demais o uso não se confirmou. Aliás, no Brasil, 38% faz pagamentos em dinheiro e nos outros países, o percentual fica na faixa de 50%. E mais: 26% dos brasileiros quer usar mais dinheiro em 2021. “Parte desse desejo poderia ser interpretado como entusiasmo por voltar a uma certa normalidade no pós-pandemia”, afirma o PayPal.

Desejo de uso de dinheiro agora e no futuro

Para transações presenciais, o dinheiro continua sendo a forma de pagamento preferida em geral, embora os mais jovens usem mais pagamentos eletrônicos. Os principais motivos para isso incluem, por exemplo, a não cobrança de taxas, facilidade de uso, melhor controle de gastos e o anonimato.

“Sabemos que o uso do dinheiro físico é ainda uma necessidade, dada a grande parcela da população que ainda é desbancarizada. Temos de ter isso em mente ao pensarmos em soluções que fomentem a digitalização, reforçando sua simplicidade e compreensão”, adiciona Sertã.

PayPal diz que pode haver terceira onda de fintechs

De acordo com a empresa de pagamentos, tecnologias emergentes como blockchain e machine learning vão criar novas capacidades e serviços financeiros. Assim, se houver mais uma combinação de crise – no caso atual a pandemia – com mudanças regulatórias e novas tecnologias, pode haver uma terceira onda de inovação em fintech.

A primeira foi no início dos anos 2000, quando estourou a bolha das pontocom, a internet comercial cresceu e o ex-presidente dos EUA, Bill Clinton, criou princípios de uso da internet. PayPal surgiu aí. A segunda onde foi com a crise financeira global em 2008, revisão da regulação financeira dos EUA e além disso, houve a ascensão da internet móvel.

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